Nome do Projeto
Dança no Bairro
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/08/2023 - 01/08/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Educação
Linha de Extensão
Artes cênicas
Resumo
Essa proposta pretende dar continuidade aos saberes- fazeres do projeto Dança no Bairro que se consolida há mais de 11 anos em diversos bairros na cidade de Pelotas, tendo como seu núcleo piloto, o loteamento Dunas, localizado no bairro Areal e considerado zona de vulnerabilidade econômica e social. Ela se efetiva mediante ações de educação em dança para a comunidade, com o intuito de socializar a dança no contexto do ensino não-formal, voltada para crianças e jovens nos espaços de organização do bairro onde moram. Estabelecendo como objetivo geral o de democratizar a prática da dança a partir de elementos éticos- estéticos da cultura local, organizando processos metodológicos de ensino de dança como educação para a vida. Ou seja, a dança conectada às circunstâncias do bairro, aos campos da arte, da educação, da cultura, do lazer, do trabalho e da geração de renda. A dança surge como elemento aglutinador, como espaço de encontro onde a criação artística acontece num processo de uma coletividade, gerando espaços de socialização e de relações de amizades. Nesse contexto, será trabalhado o sentido de pertencimento à uma comunidade, constituindo-se como espaço que promove a legitimidade de cada sujeito na convivência humana. O projeto apresenta ainda, o objetivo de criar um campo de experiência para acadêmicos/ as do curso de licenciatura em dança que estão em processo de formação e se tornarão professores/ as. Assim, torna-se um espaço para experimentação e transformação de saberes num devir docente, se propondo a ser uma ponte (de várias vias) entre as reflexões e práticas desenvolvidas no curso de licenciatura em Dança e a comunidade de Pelotas. Criando campos de experiência da dança no cenário da educação não-formal, considerando esse projeto enquanto uma ponte entre as reflexões e práticas desenvolvidas no curso de Licenciatura em Dança e a comunidade da cidade de Pelotas. E estabelecendo perspectivas de articular os debates contemporâneos sobre a dança e a educação-não formal e a criação de práticas pedagógicas possíveis em diferentes contextos culturais.

Objetivo Geral

Democratizar a prática da dança a partir de elementos éticos- estéticos da cultura local, organizando processos metodológicos de ensino de dança como educação para a vida. Ou seja, a dança conectada às circunstâncias do bairro e aos campos da arte, da educação, da cultura, do lazer, do trabalho e da geração de renda;
Potencializar a prática da dança como geradora de espaços de socialização e de relações de amizades. Nesse contexto, será trabalhado o sentido de pertencimento à uma comunidade, constituindo-se como espaço que promove a legitimidade de cada sujeito na convivência humana;
Fortalecer a Arte e a Cultura Local, promovendo a produção de conhecimentos através da dança e outras linguagens possíveis;
Democratizar a prática da dança a partir de elementos éticos-estéticos da cultura local; Valorizar os saberes da comunidade por dentro das possibilidades da educação não-formal, construindo-os e desconstruindo-os para fortalecer o protagonismo juvenil na vida comunitária;
Promover o Convívio Social Comunitário a partir da Arte e da Cultura, com envolvimento direto das crianças e jovens dos bairros abrangidos pelo projeto;
Capacitar animadores culturais e lideranças comunitárias para a promoção da cultura e da arte no local onde moram;
Estimular a formação de grupos de dança independentes dentro das comunidades, a partir do contexto local, promovendo assim a inclusão social;
Mediar e incentivar os alunos do Curso de Licenciatura em Dança a ministrarem aulas para os jovens e crianças de diferentes contextos culturais, sob o amparo e orientação de servidores do quadro efetivo da UFPel;
Criar um campo de experiência da dança no cenário da educação não-formal, considerando esse projeto enquanto uma ponte entre as reflexões e práticas desenvolvidas no curso de Licenciatura em Dança e a comunidade da cidade de Pelotas;
Articular os debates contemporâneos sobre a dança e a educação-não formal e a criação de práticas pedagógicas possíveis em diferentes contextos culturais;

Potencializar a aproximação da Universidade com diferentes espaços comunitários e escolas de Educação Básica, a partir da construção de ações conjuntas que fomentem práticas de dança;

Vincular a proposta do referido projeto aos processos de pesquisa, instigando a comunhão entre prática e teoria, tão cara aos estudos acadêmicos e ao desenvolvimento da área da dança como campo de conhecimento legítimo e autônomo.

Justificativa

Essa proposta justifica-se a partir de um panorama tecido por reflexões tais como: Quais são as singularidades/ potencialidades da dança no território da educação não formal e em contextos de bairros de periferia da cidade de Pelotas considerados como zona de vulnerabilidade social?; Como é exercido o papel de educador/a sociais? Quais impactos esse exercício tem na formação dos/as estudantes extensionistas?; Como são construídos os modos de leitura dos corpos que se constroem dançantes nesse contexto histórico e circunstancial?; A dança pode se tornar um território fomentador de políticas afirmativas?
O projeto “Dança no Bairro” promove desde 2012 ações voltadas para a democratização do acesso às práticas de dança a partir de elementos éticos - estéticos da cultura local, ele é pensado a partir da valorização dos saberes das comunidades, demarcando sua potência e ênfase no tocante da extensão universitária por via das possibilidades da educação não formal. Assumindo a dança enquanto conhecimento para pensar/sentir/intervir no contexto local. Para tanto, a vivência da dança acontece conectada aos campos: da arte, da educação, da cultura, do lazer, do trabalho e geração de renda. A dança como prática de formação humana e transformação da vida; E ainda com o intuito de criar um campo de experiência da dança no cenário da educação não-formal, considerando esse projeto enquanto uma ponte entre as reflexões e práticas desenvolvidas no curso de Licenciatura em Dança e a comunidade da cidade de Pelotas; Articular os debates contemporâneos sobre a dança e a educação-não formal e a criação de práticas pedagógicas possíveis em diferentes contextos culturais.
Ao fazer e conhecer arte o jovem produz conhecimentos sobre sua relação com o mundo, desenvolvendo a observação, a imaginação, a percepção estética. Segundo Duarte Jr. (1995): O processo criativo, que envolve criação e sentido, é uma maneira de despertar o sujeito para seu próprio processo de sentir. É então, dentro do panorama da arte-educação que pensamos na inserção da prática da dança nos bairros entendendo esse projeto pode acontecer como um lócus de democratização do conhecimento. De tal modo, defendemos a importância de oportunizar o conhecimento da linguagem da dança no cotidiano, de maneira plural, democrática, crítica e transformadora. Acreditamos na dança como produção de conhecimentos, onde todos os corpos podem ser atuantes desse processo de apropriação de saberes. A partir dessa perspectiva, podemos pensar a dança enquanto campo fértil para a produção de sujeitos criativos, ousados e autônomos. As experiências de dança podem vir a serem espaços-tempo de "dançar a vida", cada existência poderá ser dançada, expressada, comunicada. Nossos corpos nos tornam presenças no mundo e através deles podemos interagir com os outros e criar linguagens. A dança possui possibilidades comunicativas e expressivas que lhes são próprias, pois não seria necessário dançar, se aquilo que é dançado pudesse ser escrito, falado ou pintado. (Saraiva e Fiamoncini, 1998, p.98)
Dentro desse cenário, foi criado no loteamento Dunas, em parceria com o Comitê de Desenvolvimento do Loteamento Dunas (CDD), o grupo Tropa da Dança. Nesse contexto, é trabalhado o sentido de pertencimento à uma comunidade, constituindo-se como espaço que promove a legitimidade de cada sujeito na convivência humana. Assim, percebe-se os territórios de afirmação dos saberes –fazeres da dança no loteamento Dunas protagonizados por jovens, maioria negros e negras. Os quais se constituem enquanto artistas, enquanto criadores de dança, e também como inventores de modos éticos e estéticos não só de dançar, mas de existir, tornam-se praticantes do funk, da dança do passinho, das danças urbanas. De tal modo, a dança em cena vem para nos contar sobre modos de existência e gostos dos jovens da comunidade. Os corpos que dançam transbordam movimentos experimentados nas aulas, nas ruas, nas rodas de rap, nos encontros de passinho, nas festas, nos diferentes territórios de encontros. O funk nesse contexto, torna-se mais do que um estilo musical, ele passa a ser uma forma de comunicação, de expressão, de visibilidade e de produção cultural dos jovens. Assim, através de suas músicas, suas danças, seus corpos, suas roupas e suas atitudes, os/as bailarinas do Tropa da Dança tornam visíveis suas formas de se expressar e de se colocar diante do mundo. Como nos coloca DAYRELL (2005, p.119): “Nas periferias constatamos uma efervescência cultural protagonizada por parcelas dos setores juvenis. Ao contrário da imagem socialmente criada a respeito dos jovens pobres, quase sempre associada à violência e à marginalidade, eles se posicionam como produtores culturais. A dança vivida produz corpos, que se comunicam a partir das seus símbolos, aparências, modos de se expressar. Os corpos são locais de inscrição dos códigos daquele grupo cultural, seus modos de existir e de agir. Eles têm forma, cor, textura, peso, cheiro, som, é materialidade que nos coloca em cena no mundo. Presenças marcantes e expressivas que produzem significados, espaços, fronteiras, relações, fazem acontecer e acontecem. Os corpos ganham sentido socialmente (Louro, 1997). Os corpos são processos sempre em mutação, jamais estarão prontos. Nesse enredo, a cultura vai atribuindo sentidos a nós mesmos, gerenciando os nossos modos de ser, fazer, sentir, pensar e o processo como nos subjetivamos. São diversos “lugares pedagógicos” que educam o corpo e que dizem sobre nós, pedagogias que vão além da escola e da família, se dão por mecanismos sociais que engendram seus próprios discursos e saberes, atribuindo ao corpo suas marcas, ou seja, o corpo já não pode ser visto como uma entidade absoluta e natural, mas é produção que se dá na trama histórica.
A dança construída a partir da concepção do projeto vem a produzir pedagogias próprias no contexto específico do bairro e nas possibilidades do cenário da educação não formal. Nesse território de vivência da dança, os corpos conquistam formas de visibilidades localmente, mas que também extrapolam as fronteiras do bairro, passam a serem reconhecidos e notados por suas artes de fazer dança, uma dança que circula na cidade em diferentes espaços e eventos. Dermaca-se aqui o olhar escolhido sobre os corpos dos jovens, educandos do projeto como operantes e produtores de culturas e não como algo estável. Nesse panorama, a educação não-formal considera e reaviva a cultura dos indivíduos nela envolvidos, incluindo educadores e educandos, de modo que a bagagem cultural de cada um seja respeitada e esteja presente no decorrer de todos os trabalhos (SIMSON; PARK; FERNANDES, 2007, p.17). O foco de atuação do projeto está pautado nos desejos e anseios do público alvo com o qual interage, e assim, nos tornamos leitores cada vez mais atentos às histórias que cada corpo nos conta e comunica. Ou seja, ficamos sempre à espreita para integrar essa realidade observada, sentida, estudada, vivenciada. O fazer extensionista precisa ser flexível e dialógico, pois é nesse tempo-espaço mutável e encharcado de vivências que as práticas extensionistas são (re)inventadas. Nesse processo é que construímos sentidos à dança que se pratica, e ao nosso lugar de agente extensionista no qual somos educadores/as e educandos/as ao mesmo tempo.





Ao fazer e conhecer arte o jovem produz conhecimentos sobre sua relação com o mundo, desenvolvendo também a observação, a imaginação, a percepção estética. Segundo Duarte Jr. (1995): O processo criativo, que envolve criação e sentido, é uma maneira de despertar o sujeito para seu próprio processo de sentir. É então, dentro do panorama da arte-educação que pensamos na inserção da prática da dança nos bairros entendendo esse projeto pode acontecer como um lócus de democratização do conhecimento. De tal modo, defendemos a importância de oportunizar o conhecimento da linguagem da dança no cotidiano, de maneira plural, democrática, crítica e transformadora. Acreditamos na dança como produção de conhecimentos, onde todos os corpos podem ser atuantes desse processo de apropriação de saberes. A partir dessa perspectiva, podemos pensar a dança enquanto campo fértil para a produção de sujeitos criativos, ousados e autônomos. As aulas de dança podem vir a ser um espaço-tempo de "dançar a vida", cada existência poderá ser dançada, expressada, comunicada. Nossos corpos nos tornam presenças no mundo e através deles podemos interagir com os outros e criar linguagens. A dança possui possibilidades comunicativas e expressivas que lhes são próprias, pois não seria necessário dançar, se aquilo que é dança

Metodologia

Cada núcleo possuirá um coletivo gestor formado pela coordenação do projeto, estudantes extensionistas colaboradores e representantes de instituições parceiras;

Haverá reuniões de planejamento semanal para a construção dos planos de ensino das aulas; planejamento de ações e reflexão das estratégias de ensino utilizadas em cada núcleo de atuação;

Haverá reunião mensal de planejamento das ações dos projetos, que serão abertas à comunidade

Serão organizados de grupos de estudo a partir de temas geradores;

Organização de eventos visando divulgar e democratizar a prática da dança no bairro e na cidade em geral

Realização de registros imagéticos, relatórios, diários de campo que construam a memória desse projeto e auxiliem na reflexão das práticas pedagógicas constituídas nos diferentes espaços (núcleos de intervenção) desse projeto e ao mesmo tempo, sistematizar esses registros e dar visibilidade a eles ao longo de todo o processo (seja através das redes sociais, materiais impressos, documentários, etc)

De tal modo pretendemos colocar em operação uma metodologia participativa e democrática e que as informações sobre o projeto em execução sejam apropriadas pela comunidade onde ele acontece.



Indicadores, Metas e Resultados

Criação de rotinas de ensaios e oficinas de dança no espaço não-formal, consolidando- se espaços-tempos organizados por crianças e jovens para a prática da dança e a criação artística;

Consolidação de grupos de dança constituído por jovens, surgindo neles a postura de protagonismo juvenil, de fortalecimento de relações de amizade e empoderamento a partir de seus saberes.

Estabelecer parceria sólida com as instituições parceiras, envolvendo-as na gestão e planejamento do projeto, a partir de uma postura dialógica;

O projeto pretende resultar em ponte entre os saberes do curso de dança e os saberes da comunidade, criando condições também para a realização de estágios. Assim pretendemos avançar na qualidade das práticas pedagógicas em dança no campo não-formal, gerando a prática de pesquisa e de formação acadêmica para estudantes do curso de Licenciatura em Dança da UFPel;

Realizar através de práticas de pesquisa, o mapeamento dos grupos de dança que já existem na comunidade. E pensar nas possíveis relações a serem estabelecidas com esses;

Criar dinâmicas de pesquisa que servirão como referencial teórico prático para o curso de dança e a reflexão sobre a prática pedagógica da dança nos espaços de educação não-formal;

Construção e publicação de materiais na área da dança que emergem das práticas possíveis nos diferentes contextos culturais dos bairros.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CATIA FERNANDES DE CARVALHO3
FRANCINE DA SILVA LEMOS
JEFERSON LEONARDO MANFRONI CABRAL

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