Nome do Projeto
MESOTELIOMA METASTÁTICO ESPLÊNICO EM CÃO – RELATO DE CASO
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
13/11/2023 - 29/02/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O mesotelioma é uma neoplasia maligna derivada de células mesodérmicas, surgindo em membranas serosas como da pleura, do peritônio, do pericárdio e da túnica vaginal do testículo. Devido à vasta distribuição desse tipo de células pelo organismo, essA neoplasia pode acometer duas ou três cavidades corporais ao mesmo tempo. É de rara ocorrência em cães e representando menos de 0,2% das neoplasias nessa espécie. Localiza-se com maior frequência na pleura e no pericárdio, e raramente no peritônio. Metástases são raras em cães e gatos, mas já foram relatadas em pulmões, linfonodos mesentéricos e fígado. Os sinais clínicos apresentados são secundários ao acúmulo de efusão intracavitária característico deste tipo de tumor, ocasionando alterações de acordo com o local onde está instalado. Produz tamponamento cardíaco, efusão pleural, dispneia, abafamento de sons pulmonares, tosse e emaciação e ascite. O tratamento é basicamente paliativo, visando o bem-estar do paciente, visto que nenhum protocolo de tratamento tem se mostrado satisfatório. Paliativamente, é recomendada a excisão cirúrgica da neoplasia. O prognóstico é desfavorável e torna-se difícil determinar o tempo de sobrevida dos pacientes. O presente trabalho visa relatar um caso de mesotelioma metastático em baço em um cão, por se tratar de uma neoplasia rara em animais domésticos e com raros relatos de metástase.

Objetivo Geral

Relatar um caso de paciente canino atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Pelotas (HCV-UFPEL), acometido por mesotelioma metastático em baço e submetido ao procedimento cirúrgico de laparotomia exploratória.

Justificativa

O presente trabalho visa relatar um caso de mesotelioma metastático em baço em um cão, por se tratar de uma neoplasia rara em animais domésticos e com raros relatos de metástase. Além disso, dificilmente se consegue realizar o diagnóstico ante-mortem, sendo a maioria dos casos diagnosticados apenas em necropsia.

Metodologia

Relatar o caso clínico-cirúrgico de paciente atendido no HCV-UFPEL canino, fêmea, Beagle, 16 anos, 12,5 kg de massa corporal. O tutor trouxe o animal devido a queixa de hiporexia e aumento de volume abdominal progressivo, já tendo passado por abdominocentese poucos dias antes em outra clínica veterinária.
Ao exame físico as mucosas oral e ocular apresentavam-se hipocoradas, desidratação não aparente, frequência cardíaca de 128 batimentos por minuto, frequência respiratória de 22 movimentos por minuto, temperatura retal de 37,6 ºC, tempo de preenchimento capilar (TPC) de 3 segundos e pressão arterial sistólica de 110. À palpação abdominal, notou-se presença de excesso de líquido na cavidade abdominal, sendo encaminhado então para o setor de imagem onde foi realizado exame A-FAST e verificada a presença de líquido livre nos quadrantes cistocólico, esplenorenal, diafragmático-hepático e hepatorrenal. Foi realizado drenagem de aproximadamente 300 ml por abdominocentese de conteúdo sanguinolento e este foi enviado para análise. Mesmo com a drenagem, continuou o acúmulo de líquido na cavidade abdominal, sendo considerado sangramento ativo e o paciente encaminhado para laparotomia exploratória.
Na análise citológica do líquido cavitário foi visualizada rara celularidade composta por células epiteliais contendo diversos critérios de malignidade, além de hemácias e leucócitos em quantidade e morfologia compatíveis com contaminação sanguínea, sendo a efusão classificada como exsudato hemorrágico/neoplásico.
Foram realizados hemograma, perfil bioquímico (ureia, creatinina, alanina aminotransferase [ALT], fosfatase alcalina [FA], proteínas totais e albumina). Na avaliação hematológica foi constatado anemia normocítica normocrômica com regeneração máxima, leucocitose neutrofílica, além do aumento nos valores de ureia e creatinina. Em decorrência do hematócrito baixo (25,1%) e do elevado risco de hemorragia no transcirúrgico, foi realizado também teste de compatibilidade sanguínea para realização de transfusão, caso necessário.
O protocolo anestésico teve como medicação pré-anestésica morfina (0,5 mg/kg) via intramuscular. A indução anestésica foi feita com propofol (5 mg/kg), e a manutenção deu-se com isoflurano em associação à infusão contínua de remifentanil (10 mcm/kg) usando bomba de infusão.
Na laparotomia exploratória fez-se uma incisão abdominal na linha média em pele e tecido subcutâneo, a partir do apêndice xifoide até um ponto caudal ao umbigo, elevação da fáscia abdominal com pinça de Allis e abertura da cavidade abdominal em estocada, com lâmina de bisturi. Após, foi ampliada a incisão com tesoura de Mayo para acesso da cavidade abdominal. Foi realizada drenagem do conteúdo sanguinolento com aspirador cirúrgico, inspeção dos órgãos abdominais e localização e isolamento do baço com compressa cirúrgica estéril umedecida. Foi observado que o baço apresentava consistência friável com lesões hemorrágicas e com aderência próximo à curvatura maior do estômago. Também foi observado nódulos esbranquiçados de aproximadamente 1,0 cm em todos os lobos hepáticos. Demais órgãos encontravam-se sem alteração. Devido ao aspecto do baço e aos focos hemorrágicos oriundos dele, optou-se pela esplenectomia total. Esta técnica deu-se através de múltiplas ligaduras duplas com monofilamento de nylon 3-0 e corte transversal em todos os vasos do hilo esplênico, preservando os ramos gástricos curtos que suprem o fundo do estômago. Após remoção do órgão, foi realizada também biópsia de lobo hepático em guilhotina, com sutura de halsted modificada com monofilamento de nylon 3-0, visto que o órgão apresentava múltiplos nódulos esbranquiçados em seus lobos. Após, lavagem da cavidade com solução fisiológica aquecida, aspiração do conteúdo com aspirador cirúrgico, rafia da linha alba com fio monofilamento de nylon 2-0 em padrão contínuo simples, rafia do tecido subcutâneo em padrão contínuo simples com fio monofilamento de nylon 3-0 e dermorrafia em padrão intradérmico com mesmo tipo de fio cirúrgico. O baço, juntamente com uma porção do omento acometida e um fragmento de lobo hepático foram enviados para análise histopatológica. Não foi necessária realização de transfusão sanguínea durante o procedimento cirúrgico.
Após o procedimento, o animal permaneceu internado por 24 horas para monitoração dos parâmetros fisiológicos. Tendo em vista não demonstrar alterações, teve alta e foi agendado retorno em 48 horas para nova coleta dos exames hematológicos para monitoramento da anemia e da necessidade de transfusão sanguínea. No retorno o paciente teve uma melhora significativa dos exames laboratoriais e teve alta médica.
Através do exame histopatológico chegou-se ao diagnóstico definitivo de mesotelioma epitelial. No exame macroscópico das lesões observou-se o baço com fragmento de omento medindo 19,1x12,2x5,2cm, de superfície irregular e bordos arredondados. Ao corte apresentava massa medindo 12,0x6,2x2,5cm, macia, coloração avermelhada a enegrecida e multinodulada. Histologicamente foi evidenciado uma massa não encapsulada, multinodular, originando-se no mesotélio do omento e infiltrando o baço onde substituía em mais de 90% o parênquima esplênico. Essa massa era constituída por células cuboides a arredondadas com amplo citoplasma basofílico e intenso pleomorfismo celular, com nucléolos e mitoses muito evidentes. Também foram vistas áreas com presença de restos celulares e necrose. O fragmento de fígado analisado evidenciou esteatose hepática multifocal.

Indicadores, Metas e Resultados

Lançar luz sobre a ocorrência e diagnóstico do mesotelioma em animais de companhia, sobretudo por sua manifestação anômala em baço, seu tratamento e desfecho clínico.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALESSANDRA GOULART TEIXEIRA
CAROLINA SCHUCH DE CASTRO
EDUARDO SANTIAGO VENTURA DE AGUIAR1
ELVIS BALTAZAR PUGA
EUGÊNIA TAVARES BARWALDT
FABIANE BORELLI GRECCO1
MAYARA CRISTTINE RAMOS
Marta Priscila Vogt
THOMAS NORMANTON GUIM1

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