Nome do Projeto
Observatório Social do Trabalho
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/01/2017 - 31/12/2019
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Trabalho / Comunicação
Linha de Extensão
Desenvolvimento regional
Resumo
O Observatório Social do Trabalho é um projeto de extensão, articulado com o ensino e com a pesquisa, que visa monitorar as transformações do trabalho e do mercado de trabalho na região sul do Estado de Rio Grande do Sul, região de abrangência de Pelotas, Rio Grande e demais municípios do entorno, estimulando a produção de dados, análises e estudos sobre o tema, bem como o debate público com a sociedade e, particularmente, com as instituições envolvidas com a questão do trabalho. A qualificação das políticas públicas de emprego, trabalho e renda é um dos focos de ação do Observatório

Objetivo Geral

- Promover o debate público sobre o desenvolvimento regional e seus impactos econômicos, sociais e ambientais, levando-se em consideração, particularmente, a questão do trabalho e do emprego como mecanismos de integração social dos trabalhadores e da população em geral e de promoção da cidadania, da igualdade social e do direito à diferença.
- Promover a pesquisa científica aprofundada e o debate acadêmico interdisciplinar sobre o tema do trabalho e emprego.
- Promover o diálogo e a cooperação com a sociedade e a comunidade não acadêmica, desenvolvendo atividades extensionistas marcadas pelo compromisso social.
- Promover a qualificação das atividades de ensino e da formação profissional, integrando e oportunizando a participação dos alunos de graduação e de pós-graduação nas atividades do Observatório.

Justificativa

As sociedades contemporâneas têm passado por profundas transformações sociais nas últimas décadas. Dentre estas, destacam-se aquelas referentes ao mundo do trabalho, às formas de gestão e organização das atividades laborais. As pesquisas no âmbito da sociologia do trabalho indicam que um novo paradigma produtivo vem sendo implementado desde meados dos anos setenta e, particularmente no Brasil, desde os anos oitenta e noventa. Assim, o paradigma fordista-taylorista estaria dando lugar a um novo modelo de gestão e organização do trabalho, normalmente denominado de acumulação flexível, toyotismo, pós-fordismo, dentre outras designações. Os estudos têm destacado que esse novo paradigma produtivo tem provocado importantes efeitos sobre a estrutura da classe trabalhadora e sobre as condições de exercício das atividades laborais, destacando-se processos de fragilização das relações de trabalho e de crescimento do desemprego. A precarização do trabalho, dos vínculos de emprego e das condições de trabalho, tem sido, pois, uma das consequências fundamentais destacadas pela literatura especializada. Essa precarização associa-se tanto às formas de gestão baseadas na terceirização e subcontratação, à multiplicação das formas e relações de trabalho, como ao aumento do estresse e da pressão sobre os trabalhadores impelidos a elevarem sua produtividade no trabalho. Neste sentido, as formas de trabalho intelectual, relacional, de serviços, indicam importantes mudanças no mundo do trabalho, decorrentes da elevação da produtividade do trabalho industrial e da incorporação das novas tecnologias de informação e comunicação. Se, por um lado, essas tecnologias podem provocar um aumento nas exigências de formação e qualificação dos trabalhadores, por outro, elas acarretam novas formas de pressão, estresse e precarização do trabalho, além do próprio desemprego tecnológico. Nem por isso, no entanto, deixam de existir as formas clássicas de organização taylorista do trabalho e das chamadas atividades informais num país como o Brasil que ocupa uma posição subordinada na divisão internacional do trabalho. Neste sentido, a análise da realidade brasileira exige que se leve em consideração a velha precariedade estrutural do trabalho, marcada por baixos níveis de proteção social, por uma elevada informalidade e pela heterogeneidade das formas de trabalho (trabalho autônomo, trabalho doméstico, organização familiar do trabalho, formas de trabalho cooperativas, formas de trabalho de subsistência e autoconsumo, etc.). Por todas essas razões, torna-se fundamental monitorar essas transformações do trabalho em nossa região, identificando em que medida a precariedade do trabalho está presente no cotidiano dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, é preciso acompanhar as trasnformações econômicas regionais e medir em que medida elas estão impactando o mundo do trabalho. Nos últimos anos, o país vem experimentando uma nova onda de desenvolvimento econômico, um novo desenvolvimentismo, supostamente mais inclusivo e que tem tido um importante impacto sobre o crescimento do emprego formal. Trata-se, pois, de identificar em que medida esse crescimento tem estado presente na Zona Sul do RS, considerando-se, principalmente, os grandes projetos econômicos que têm sido implementados na região, como o pólo naval, a silvicultura, dentre outros. Todas essas transformações exigem, pois, um processo constante de reflexão e acompanhamento por parte das instituições sociais e, particularmente, das instituições públicas responsáveis pela implementação de políticas específicas nessa área. Por essa razão, o diálogo e a articulação entre essas instituições é de fundamental importância para o enfrentamento dos problemas decorrentes das mudanças no mundo do trabalho. O presente projeto, portanto, propõe-se a promover esse diálogo e essa articulação, trabalhando para a produção de indicadores, estudos, análises que dêem maior visibilidade e compreensão de uma realidade social em permanente transformação. Ao mesmo tempo, propõe-se promover a interdisciplinaridade, a articulação de conhecimentos diversos, acadêmicos e não acadêmicos, o que se constitui num requisito fundamental para compreender todas as
complexas facetas do fenômeno em pauta. Vale salientar, finalmente, que o fortalecimento das instituições democráticas supõe um processo intenso de mobilização da sociedade civil, das instituições públicas e privadas, dos movimentos sociais e dos cidadãos em geral. Ao produzir, publicar e divulgar um conjunto de dados, informações e análises sobre o mundo do trabalho na região sul do RS, o Observatório pretende dar uma contribuição para que a mobilização e o diálogo democrático nela sejam cada vez mais amplos.

Metodologia

A metodologia de implementação do projeto ocorrerá em dois âmbitos diversos:
a) No âmbito da pesquisa social, do monitoramento das transformações do mundo do trabalho no âmbito regional, com a produção de indicadores, estudos e análises sobre o mundo do trabalho. Utilizar-se-á, neste sentido, tanto metodologias quantitativas como qualitativas de análise do mundo do trabalho. Tomar-se-á como fontes de dados quantitativos, as bases de dados das instituições públicas e privadas brasileiras, tais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, o Ministério do Trabalho - MTb, o Ministério da Previdência Social - MPS, o Sistema Nacional de Emprego - SINE, o Departemento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socio-Econômicas - DIEESE, a Fundação de Economia e Estatística - FEE do Estado do Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Trabalho, dentre outras instituições relevantes. Essas instituições também fornecem fontes qualitativas relevantes, tais como documentos, legislação, dados administrativos específicos. As metodologias qualitativas também serão desenvolvidas através de fontes diversas como a aplicação de questionários estruturados, a realização de entrevistas, a realização de observações diretas e in loco, o desenvolvimento de observações participantes, além de registros de imagem e som (fotografias, vídeos, etc.).
b) No âmbito da gestão das atividades do Observatório Social do Trabalho, o que supõe a participação e colaboração dos atores e parceiros vinculados ao projeto. Tal processo de gestão implicará o acompanhamento e avaliação constante das atividades do Observatório, com realização de reuniões periódicas dos parceiros e de avaliações técnicas com equipes especializadas de pesquisadores e alunos. A divulgação dos indicadores, estudos, análises e todo conjunto de informações no Portal do Observatório será, pois, objeto de permanente avaliação da coordenação do Observatório e dos parceiros reunidos num Conselho de Gestão. Este conselho de gestão deverá ser definido segundo normas próprias a serem elaborados pelos parceiros do projeto, isto é, as instituições e órgãos acadêmicos que dele participam.
Reuniões periódicas com as instituições parceiras para discutir e definir os indicadores, estudos, análises, documentos, etc., a serem publicados no Portal do Observatório Social do Trabalho. Reuniões periódicas com o grupo de pesquisadores do Observatório Social do Trabalho (professores, alunos, técnicos) a fim de definir e acompanhar as pesquisas a serem realizadas, os dados e estudos a serem publicados e as formas de publicação dos mesmos. Atividades regulares de pesquisa de campo para levantamento e organização dos dados quantitativos e qualitativos a serem publicados no Portal do Observatório Social do Trabalho. Atividades de extensão destinadas a fomentar o debate público, crítico e democrático, sobre as transformações do mundo do trabalho na Zona Sul do Estado do RS.

Indicadores, Metas e Resultados

Publicação de relatórios semestrais sobre mercados locais de trabalho.
Publicação de boletins informativos mensais sobre mercados locais de trabalho.
Publicação de boletins mensais ou trimestrais sobre a evolução dos indicadores de desemprego no Brasil e no Rio Grande do Sul.
Reuniões trimestrais de avaliação dos indicadores locais de mercado de trabalho, em parceria com instituições públicas ligadas à temática do trabalho e do desenvolvimento regional.
Reuniões mensais ou bimensais com pesquisadores sobre temas relacionados com o mundo do trabalho e as políticas públicas de emprego, trabalho e renda.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
AGNÊS MARTHA DA SILVA
ALINE MENDONÇA DOS SANTOS
ANA CRISTINA PORTO FABRES
ANTONIO CARLOS MARTINS DA CRUZ3
DANIEL ENKE ILHA
DANILO GIROLDO
FABRÍCIO ARAUJO DOS SANTOS
FRANCIELY COSTA BRAGA DA SILVA
FRANCISCO EDUARDO BECKENKAMP VARGAS10
HILBERT DAVID DE OLIVEIRA SOUSA
MARCUS VINICIUS SPOLLE1
MICHEL CORVELLO MARTINS
PATRICIA RODRIGUES CHAVES DA CUNHA3
RAFAELLA EGUES DA ROSA
ROMERIO JAIR KUNRATH7
TIAGO DE GARCIA NUNES

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
MTb / Ministério do Trabalho e EmpregoR$ 126.800,00UGR

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
BolsasR$ 124.800,00
Material de expedienteR$ 2.000,00

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