Nome do Projeto
TourMática Pelotas
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
09/02/2026 - 09/02/2030
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Exatas e da Terra
Resumo
O TourMática Pelotas é um projeto interdisciplinar de pesquisa e inovação, inspirado em experiências internacionais de turismo matemático, que integra conhecimentos da Matemática, História, Arquitetura, Turismo e Computação. Seu objetivo é investigar as relações entre conceitos matemáticos e o patrimônio arquitetônico histórico de Pelotas/RS, desenvolvendo e consolidando roteiros de turismo matemático que associem educação, cultura e tecnologia. A proposta adota uma estrutura metodológica, organizada em três fases interligadas: uma fase de pesquisa para fundamentação teórica, análise patrimonial e desenvolvimento conceitual; seguida por fases voltadas à prototipagem e testes de recursos, e à implementação piloto e divulgação dos resultados. Como produtos esperados, destacam-se: um banco de dados analítico do patrimônio, a concepção de roteiros temáticos, o desenvolvimento de um aplicativo com realidade aumentada e recursos de acessibilidade, a realização de oficinas escolares e percursos experimentais, além da produção de artigos científicos e materiais de divulgação. A iniciativa justifica-se pela necessidade de oferecer aos estudantes da educação básica uma nova percepção da matemática, contextualizada e significativa, através da exploração do patrimônio local. Além de valorizar culturalmente a cidade e fortalecer o turismo educacional, o projeto visa contribuir para a redução da aversão à disciplina e para uma aprendizagem mais profunda e duradoura de seus conceitos, servindo também como ferramenta de formação docente e de divulgação científica interdisciplinar. Ao transformar Pelotas em uma “escola a céu aberto”, o projeto convida estudantes e visitantes a ler a cidade com olhos matemáticos, descobrindo na própria arquitetura local uma linguagem viva e significativa de aprendizagem.

Objetivo Geral

Desenvolver e implementar, de forma interdisciplinar – com aportes da História, Arquitetura, Turismo, Computação e Matemática –, roteiros de turismo matemático acessíveis e interativos, suportados por um aplicativo com realidade aumentada e recursos de acessibilidade, para explorar o patrimônio arquitetônico de Pelotas/RS, com os seguintes propósitos:
1. Educacional: promover a aprendizagem significativa e contextualizada de conceitos matemáticos entre estudantes da educação básica;
2. Cultural e turístico: oferecer uma experiência inovadora de visitação que revele a cidade sob uma perspectiva matemática, valorizando seu patrimônio histórico;
3. Social e tecnológico: garantir acessibilidade digital e educacional, ampliando o acesso a diferentes públicos e integrando inovação tecnológica à educação patrimonial;
4. Institucional: assegurar a viabilidade e sustentabilidade do projeto por meio de captação de recursos e parcerias estratégicas.

Justificativa

A dificuldade dos estudantes em relacionar conceitos matemáticos abstratos com suas experiências cotidianas constitui um obstáculo central para uma aprendizagem efetiva e significativa. Em Pelotas, essa lacuna contrasta com a presença de um expressivo patrimônio arquitetônico, portador de inúmeras relações e padrões matemáticos ainda não explorados pedagogicamente. O TourMática Pelotas justifica-se, portanto, como uma resposta estratégica e interdisciplinar a essa desconexão, inspirado diretamente no modelo bem-sucedido do “Paseo Matemático” da Fundación Descubre (Espanha) – projeto cofinanciado pela Fundação Espanhola para a Ciência e Tecnologia (FECYT) e pela Junta da Andaluzia, que une matemática, arte, história e tecnologia para oferecer uma nova forma de olhar o patrimônio monumental. Assim como a iniciativa espanhola, nosso projeto articula Matemática, História, Arquitetura, Turismo e Computação para traduzir o patrimônio cultural pelotense em linguagem matemática acessível, criando pontes entre a disciplina e o entorno imediato do aluno.
Além disso, o TourMática Pelotas se consolida como uma iniciativa concreta de turismo educacional inovador, ao estruturar roteiros pedagógicos validados que transformam a cidade em um laboratório vivo e acessível. A exemplo do “Paseo Matemático”, que utiliza realidade aumentada, modelagem 3D e outras ferramentas tecnológicas para mediação cultural, a integração de um aplicativo com realidade aumentada e recursos de acessibilidade amplia o potencial de engajamento e inclusão, permitindo que diferentes públicos – incluindo pessoas com deficiência – vivenciem o patrimônio de forma imersiva e significativa. Essa estrutura oferece às escolas de Pelotas e região um instrumento pronto para visitas de estudo interdisciplinares, funcionando como uma sala de aula expandida que viabiliza o ensino da matemática através da exploração significativa do patrimônio local.
Fundamentando-se nos princípios da aprendizagem significativa de David Paul Ausubel proposta em 1963, o projeto busca operacionalizar a conexão entre o conhecimento novo e as estruturas cognitivas prévias dos estudantes, utilizando o patrimônio como âncora concreta e afetivamente relevante. Mais do que divulgar a matemática, a proposta visa mudar como o aluno a vê e sente, substituindo a visão de uma disciplina abstrata e distante pela experiência de uma linguagem útil para decifrar sua própria cidade. Ao demonstrar que a matemática está inscrita na história, na arte e no espaço urbano que o cerca, criam-se condições pedagógicas excepcionais para a construção de significado, impactando positivamente o engajamento, a motivação e os resultados de aprendizagem.
A contribuição direta para a educação básica, através de uma metodologia que combina pesquisa acadêmica rigorosa com ações de extensão interligadas – pesquisa, prototipagem e implementação piloto –, constitui o núcleo da justificativa educacional e social desta proposta. O caráter interdisciplinar e tecnologicamente orientado do projeto, aliado a referências internacionais como o “Paseo Matemático” – que hoje se estende a múltiplas cidades andaluzas com apoio institucional –, também posiciona o TourMática Pelotas como uma experiência pioneira no âmbito do turismo matemático no Brasil, com potencial de replicação em outras cidades patrimoniais e atração de financiamento público e privado.

Metodologia

A metodologia do projeto organiza-se em três fases principais, sequenciais e integradas, refletindo uma abordagem interdisciplinar que articula pesquisa e extensão. Cada fase poderá gerar ações específicas a serem cadastradas ao longo do desenvolvimento do projeto.

Fase 1 – Fundamentação Interdisciplinar, Análise Patrimonial e Desenvolvimento Conceitual
Esta fase constitui o núcleo investigativo do projeto, com duração prevista para todo o seu ciclo. Inicia-se com uma revisão bibliográfica abrangente sobre turismo matemático, educação patrimonial, acessibilidade digital e tecnologias educacionais imersivas. Em paralelo, procede-se à seleção, registro fotográfico, medição e análise in loco de edificações e espaços urbanos do patrimônio pelotense, visando identificar padrões geométricos, simetrias, proporções e outras relações matemáticas. Os dados coletados alimentarão um banco de dados catalogado. A etapa final desta fase consiste no desenvolvimento do projeto conceitual dos roteiros turístico-matemáticos, do aplicativo com RA e das diretrizes de acessibilidade.

Fase 2 – Prototipagem e Testes de Recursos com Foco em RA e Acessibilidade
Com base nos produtos conceituais gerados na Fase 1, esta fase dedicar-se-á à construção de protótipos funcionais. Isso inclui o desenvolvimento de uma versão testável do aplicativo móvel, a produção de guias educativos impressos acessíveis (Braille, alto contraste, linguagem simplificada) e a estruturação de roteiros digitais. Estes protótipos serão submetidos a sessões de teste com grupos focais diversificados (estudantes, professores e pessoas com deficiência), utilizando instrumentos como observação e questionários para coletar feedback sobre usabilidade, clareza do conteúdo e apelo educativo.

Fase 3 – Implementação Piloto, Avaliação de Impacto e Divulgação
Na fase final do projeto, os recursos validados serão aplicados em contextos reais de uso. Serão realizadas oficinas estruturadas em escolas parceiras da rede pública e condução de percursos turísticos experimentais abertos à comunidade. A avaliação do impacto educacional priorizará a identificação de evidências de aprendizagem significativa. Para tanto, serão utilizados instrumentos como: questionários de percepção da matemática (pré e pós-oficina), análise das produções dos estudantes durante as atividades, e registros de observação que capturem conexões feitas pelos alunos entre os conceitos matemáticos e os elementos patrimoniais. A fase também engloba a divulgação ampla dos processos e resultados do projeto, por meio de artigos científicos, site, redes sociais e materiais de difusão cultural.

Indicadores, Metas e Resultados

O projeto estabelece um conjunto de indicadores, metas e resultados esperados organizados por fase, garantindo acompanhamento sistemático e avaliação contínua:

Fase 1 – Fundamentação Interdisciplinar, Análise Patrimonial e Desenvolvimento Conceitual
=> Revisão teórica concluída: Meta de produção de 1 relatório de estado da arte, resultando em uma fundamentação sólida para as etapas seguintes do projeto.

=> Pontos patrimoniais analisados: Meta de análise de 10 a 15 edificações ou espaços urbanos, gerando um banco de dados digital catalogado com registros fotográficos, medições e análises matemáticas.

=> Projeto conceitual dos roteiros: Elaboração de 1 documento detalhado com o “storyboard” completo dos roteiros e recursos educativos, definindo a estrutura pedagógica e tecnológica do projeto.

Fase 2 – Prototipagem e Testes de Recursos com Foco em RA e Acessibilidade
=> Protótipo de aplicativo móvel: Desenvolvimento de 1 versão funcional para testes, resultando em uma ferramenta digital interativa com realidade aumentada, pronta para validação técnica e pedagógica.

=> Sessões de teste realizadas: Realização de 4 grupos focais com diferentes perfis de usuários, produzindo um relatório de feedback para aprimoramento dos recursos.

Fase 3 – Implementação Piloto, Avaliação de Impacto e Divulgação
=> Percepção da matemática: Aplicação de pré e pós-testes em 30 alunos, gerando dados sobre mudança na percepção da utilidade e confiança em relação à matemática.

=> Evidências de aprendizagem significativa: Análise qualitativa realizada em 3 oficinas, resultando em um relatório com evidências de ancoragem dos conceitos matemáticos no patrimônio.

=> Oficinas escolares implementadas: Realização de oficinas em 3 escolas da rede pública, com coleta de dados sobre engajamento e aprendizagem dos estudantes.

=> Roteiros experimentais: Condução de 4 percursos abertos à comunidade, permitindo a avaliação da experiência do público e do impacto turístico-cultural.

=> Produção científica: Submissão de 2 artigos científicos para disseminação do conhecimento na comunidade acadêmica.

=> Divulgação pública: Manutenção de um site ativo e publicação de pelo menos 10 posts em canais de comunicação, aumentando a visibilidade do projeto e o engajamento comunitário.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADRIANE BORDA ALMEIDA DA SILVA6
BIANCA SCHULZ VARGAS
EDGAR AVILA GANDRA6
JULIA ELVIRA MADIERO
NATHALY ALVES PICANÇO
NEIDE PIZZOLATO ANGELO10
OTAVIO PETER BELONI
PATRICIA DA CONCEICAO FANTINEL10

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