Nome do Projeto
A VIRADA ESPACIAL DO(S) PATRIMÔNIO(S): ESTUDOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS E EMPÍRICO-PRÁTICOS A PARTIR DA DIVERSIDDE TERRITORIAL DO RIO GRANDE DO SUL
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
22/04/2026 - 22/04/2029
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
Este projeto investiga a emergência de uma "virada espacial" do patrimônio frente aos processos de estandardização e massificação territorial decorrentes do avanço do meio técnico-científico-informacional. A pesquisa parte da premissa de que o patrimônio, tradicionalmente fundamentado em rupturas temporais e na herança do passado, passa a ser reivindicado contemporaneamente, também, como uma reafirmação da diferença e da singularidade espacial. O objetivo central é analisar essa transição teórico-metodológica e aplicá-la ao contexto da diversidade territorial do Rio Grande do Sul, identificando como a paisagem pode atuar como ativo para o desenvolvimento regional endógeno. A metodologia, de caráter qualitativo e exploratório, fundamenta-se na análise integrada da paisagem, estruturando-se em quatro eixos: construção teórico-conceitual; proposição de um modelo analítico-operacional de acordo; análise de dinâmicas de massificação técnica e elaboração de uma cartografia da diversidade territorial gaúcha. A execução ocorrerá no âmbito do Núcleo Integrado de Estudos da Paisagem (NIEP/UFPel). Espera-se, como resultados, a consolidação de um protocolo de análise patrimonial sensível à escala geográfica e a produção de subsídios técnicos para políticas públicas de valorização de modos de vida, práticas culturais e fisionomias ambientais singulares, promovendo o desenvolvimento sustentável e a visibilidade de territórios frequentemente invisibilizados por processos globais hegemônicos

Objetivo Geral

Analisar a evidência de uma “virada espacial” nas motivações sociais da noção de patrimônio, investigando como essa mudança pode fundamentar a construção de uma abordagem geográfica para a compreensão e valorização do patrimônio enquanto ativo para o desenvolvimento regional, a partir da diversidade territorial do Rio Grande do Sul.

Justificativa

Situamos a relevância e/ou justificativa do projeto, sobretudo, na esteira das valorizações do diverso que emergem ante um mundo em massificação. De modo que, está no pano de fundo, também, uma tentativa de trazer à luz algo da situação em que se encontram as heranças ou esse patrimônio acumulado na formação socioespacial do Rio Grande do Sul.

Metodologia

A estratégia metodológica está organizada em três eixos integrados, correspondentes diretamente aos objetivos específicos do projeto e suas respectivas metas. Desta maneira, estrutura-se um percurso lógico que parte da análise teórica, avança para a construção metodológica e culmina na aplicação empírica no território gaúcho.
O Eixo 1 corresponde ao eixo de corte teórico-conceitual, direcionado à análise geográfica da hipótese da “virada espacial” do patrimônio a partir da relação entre as transformações das motivações sociais que historicamente mobilizaram a categoria e a sucessão dos meios técnicos globais. Os trabalhos partem da Revisão Bibliográfica Sistematizada, em duas vias: 1) a da literatura clássica e contemporânea sobre patrimônio, e 2) a da trajetória dos meios técnicos, formas de fazer e relação sociedade-natureza em diferentes períodos. Na sequência, a análise avança para a relação patrimônio–meio técnico, cruzando tipo de meio técnico, forma de organização territorial da sociedade e motivações sociais do patrimônio, identificando padrões histórico-geográficos de transformação. Por fim, é construída uma síntese interpretativa sobre a “virada espacial” do patrimônio.
O Eixo 2 é o eixo da tradução da base teórica em um instrumento analítico-operacional. Trata-se da construção de uma abordagem geográfica do patrimônio, aplicado a estudos empíricos. Os procedimentos partem do levantamento de metodologias vigentes de inventário e classificação patrimonial, avaliando criticamente eventuais limites dessas metodologias quanto à capacidade de absorver dinâmicas espaciais
contemporâneas. Depois, avança-se para a elaboração propriamente dita do quadro analítico operacional, seguida da sua testagem empírica com aplicação piloto em estudos de caso no Rio Grande do Sul, avaliando consistência, aplicabilidade, capacidade explicativa e efetuando ajustes.
O Eixo 3 operacionaliza empiricamente a proposta, enfocando a diversidade territorial gaúcha, tendo o trabalho de campo como procedimento principal. De um lado, são avaliados processos de estandardização de paisagens e atenuação da diversidade territorial gaúcha, através de levantamento de dados secundários (uso do solo, dinâmicas produtivas, transformações territoriais) e de campo. De outro, é realizado o trabalho de documentação patrimonial, registrando a imbricação entre paisagens, práticas culturais e
modos de vida locais, por meio de estudos de caso representativos em diferentes regiões. Adiante, parte-se para a regionalização, produzindo cartografias a partir da delimitação de unidades territoriais representativas da sistematização da diversidade das expressões patrimoniais materiais e imateriais captadas. Por fim, realiza-se a avaliação de potencialidades, envolvendo análise da viabilidade de mobilização dos patrimônios locais como ativos identitários e econômicos para o desenvolvimento regional, como turismo, produtos culturais, economias da singularidade, etc.

Indicadores, Metas e Resultados

Objetivo 1 - Investigar a trajetória das motivações sociais e do quadro teórico conceitual que fundamentam a noção moderna de patrimônio, à luz da análise geográfica dos sucessivos meios técnicos globais.
1. Meta 1 - Realizar revisão sistemática da literatura clássica e contemporânea sobre patrimônio;
2. Meta 2 - Revisar literatura sobre a trajetória dos meios técnicos, ou seja, das formas de fazer e dos padrões de relação sociedade x natureza globais;
3. Meta 3 - Analisar as transformações da noção de patrimônio relacionando-as às transformações do próprio meio técnico global.
4. Meta 4 - Elaborar uma análise geográfica da hipótese da “virada espacial” do patrimônio.

Objetivo 2 - Propor metodologia de análise e classificação do patrimônio fundamentada na perspectiva espacial.
1. Meta 1 – Sistematizar e avaliar criticamente diferentes metodologias existentes de inventário e classificação patrimonial;
2. Meta 2 - Elaborar um modelo metodológico de análise patrimonial que integre a complexidade desse contexto de “virada espacial”;
3. Meta 3 - Construir um quadro analítico-operacional aplicável a estudos empíricos;
4. Meta 4 - Testar esse quadro em estudos de caso no Rio Grande do Sul;

Objetivo 3 - Contribuir para o conhecimento e valorização de expressões singulares da diversidade territorial gaúcha e de suas potencialidades para o desenvolvimento regional
1. Meta 1 - Avaliar impactos de processos de massificação e estandardização técnica nas paisagens, unidades fisionômicas e territórios do Rio Grande do Sul.
2. Meta 2 – Documentar a imbricação entre paisagens, práticas culturais e modos de vida locais e outras manifestações patrimoniais específicas, realizando estudos de caso representativos em diferentes regiões
gaúchas;
3. Meta 3 - Identificar e delimitar unidades territoriais, produzindo cartografias representativas da diversidade das expressões territoriais e patrimoniais do estado.
4. Meta 4 - Avaliar potencialidades e limites para a mobilização de patrimônios locais/regionais que compõem a diversidade territorial do RS como ativos identitários e econômicos para o desenvolvimento
regional.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CARINA LOPES GODINHO
FELIPE BAHR DE OLIVEIRA
FELIPE LEINDECKER MONTEBLANCO8
RAIMUNDO PEREIRA LEMOS COIE NETO
ROBERTO LUIZ DOS SANTOS ANTUNES1
THAIS SANTOS GAUTERIO

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