Nome do Projeto
Funções executivas na adolescência e seus determinantes inflamatórios: uma abordagem epidemiológica baseada em dieta, biomarcadores e genética
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
30/10/2025 - 28/02/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
As funções executivas caracterizam-se por um conjunto de habilidades cognitivas, tais como controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva, fundamentais para a atenção, o planejamento e a tomada de decisões. Essas habilidades exercem papel central no desempenho acadêmico, na regulação de comportamentos e no desenvolvimento saudável ao longo da vida. Evidências emergentes sugerem que processos inflamatórios, influenciados por fatores genéticos, ambientais e comportamentais, podem modular as funções executivas, especialmente durante a adolescência, um período de intensa maturação cerebral. A neuroinflamação, por sua vez, caracterizada pela ativação de células imunes no sistema nervoso central, pode levar a disfunções e degeneração neuronal, que se agravam em estados crônicos, contribuindo para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, as quais são frequentemente acompanhadas de prejuízo nas funções executivas. Nesse contexto, compreender como biomarcadores inflamatórios, suscetibilidade genética e dieta se relacionam às funções executivas pode oferecer subsídios para estratégias de prevenção e promoção da saúde mental e cognitiva em populações jovens. Este projeto de tese tem como objetivo geral investigar a associação entre marcadores inflamatórios, obtidos por variáveis bioquímicas, genéticas e alimentares, e o desempenho em funções executivas na adolescência. Para isso, serão desenvolvidos três artigos: (1) revisão sistemática da literatura sobre a relação entre biomarcadores inflamatórios e funções executivas; (2) estudo original, com dados da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004, avaliando a associação entre a suscetibilidade genética para doenças neurodegenerativas e inflamatórias e o desempenho em funções executivas aos 11 e 15 anos; e (3) estudo original, também com dados da coorte, examinando a associação entre o potencial inflamatório da dieta e o desempenho em funções executivas, por meio de análises transversais e longitudinais. A integração desses estudos possibilitará ampliar a compreensão sobre os determinantes inflamatórios das funções executivas, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e para a formulação de políticas públicas voltadas à saúde desde a juventude, prevenindo prejuízos na vida adulta.

Objetivo Geral

Investigar a associação entre marcadores inflamatórios, por variáveis bioquímicas, genéticas e alimentares, e funções executivas na adolescência.

Justificativa

Considerando que as funções executivas desempenham um papel central na autorregulação do comportamento, no planejamento e na tomada de decisões, consideradas habilidades essenciais para o desempenho acadêmico e para o desenvolvimento saudável durante a adolescência e com impactos na vida adulta, torna-se fundamental compreender os fatores que as influenciam. Entre eles, os processos inflamatórios emergem como possíveis moduladores das funções executivas. Nesse contexto, investigar a relação entre inflamação e funções executivas representa uma contribuição relevante tanto para o avanço do conhecimento científico quanto para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e promoção da saúde mental e cognitiva em populações jovens.
Os estudos incluídos na revisão de literatura deste projeto, que investigaram a relação entre marcadores inflamatórios e funções executivas, apresentam grande heretogeneidade metodológica. Observa-se variação quanto ao delineamento dos estudos (transversais, longitudinais, caso-controle), às características das populações investigadas (faixas etárias distintas, contexto geográficos e socioeconômicos diferentes), aos tipos de biomarcadores inflamatórios analisados (como PCR, IL-6, TNF- α, GlycA), aos testes e instrumentos utilizados para avaliar as funções executivas.
Além disso, muitos estudos apresentaram limitações importantes que comprometem a interpretação dos achados, como amostras pequenas, tempo de seguimento insuficiente e ausência de ajuste para variáveis de confusão importantes. Também é comum a avaliação pontual dos biomarcadores inflamatórios, o que dificulta a diferenciação entre uma inflamação aguda ou crônica. Essas variações contribuem para a inconsistência dos achados, onde alguns estudos apontam para associações positivas, outros negativas e outros sem associações significativas.
Diante da heterogeneidade dos achados disponíveis na literatura entre marcadores inflamatórios e funções executivas, há uma necessidade clara de uma revisão sistemática para sintetizar e avaliar a qualidade metodológica e as evidências encontradas. Dessa forma, permitindo identificar lacunas existentes nesses estudos e apontar caminhos para futuras investigações, orientando o desenvolvimento de pesquisas científicas mais robustas e compráveis. Além
disso, permitirá extrair conclusões substantivas a partir dos achados, explorando a possibilidade de análises por subgrupos, como faixas etárias. Ademais, será considerada a realização de meta-análises sempre que houver um número suficiente de estudos com comparabilidade metodológica e amostral, de forma a fortalecer as evidências disponíveis e permitir interpretações mais consistentes.
O segundo artigo adota a perspectiva dos determinantes biológicos das funções executivas, com foco específico na abordagem genética. Serão investigados marcadores genéticos relacionados a proteínas inflamatórias, bem como a suscetibilidade genética a doenças neurodegenerativas, com o objetivo de avaliar suas associações com o desempenho em testes de funções executivas na adolescência. A literatura sobre a contribuição genética para as funções executivas ainda é bastante limitada. Este estudo busca preencher essa lacuna ao examinar como diferentes perfis genéticos de suscetibilidade a doenças neurodegenerativas e a processos inflamatórios podem influenciar o desenvolvimento dessas funções cognitivas.
Além disso, ao explorar a associação entre escores poligênicos para doenças neurodegenerativas e funções executivas, será possível compreender mecanismos precoces que podem estar envolvidos na expressão dessas doenças ao longo da vida. Com isso, a proposta contribui para um campo pouco explorado, uma vez que os estudos com escores poligênicos para doenças neurodegenerativas têm se concentrado majoritariamente em desfechos clínicos em adultos. Este artigo tem o potencial de gerar evidências originais sobre os determinantes precoces das funções executivas, com implicações para estratégias de prevenção e intervenção em saúde ao longo do ciclo vital. Adicionalmente, a maioria dos estudos disponíveis foi conduzida em populações de ancestralidade europeia. Considerando que diferentes grupos ancestrais apresentam estruturas genéticas distintas e, possivelmente, diferentes fatores de risco, investigar uma população miscigenada, como a brasileira, é de grande relevância para ampliar a representatividade e a aplicabilidade dos achados na área.
Complementarmente ao foco nos determinantes biológicos abordado no segundo artigo, o terceiro artigo amplia essa perspectiva ao explorar determinantes ambientais e comportamentais, com ênfase na nutrição, ao avaliar a associação entre alimentação inflamatória e o desempenho em funções
executivas na adolescência. Apesar do crescente interesse na influência da dieta sobre a saúde cognitiva, ainda são escassos os estudos que analisam especificamente os efeitos de uma alimentação inflamatória sobre as funções executivas em adolescentes. Considerando que a alimentação é um fator comportamental potencialmente modificável, compreender esta pode abrir importantes possibilidades de intervenção precoce e prevenção de déficits em funções executivas. Ao compreender essas relações podemos identificar grupos de maior vulnerabilidade e planejar estratégias mais eficazes.

Metodologia

Esta tese será composta por dois artigos originais e um artigo de revisão sistemática. Os artigos originais utilizarão dados da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004, um estudo longitudinal, populacional e prospectivo. Nesta coorte, foram identificados todos os nascidos vivos entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2004, nas cinco maternidades da cidade de Pelotas. Foram elegíveis todas as mães residentes na área urbana de Pelotas ou no bairro Jardim América, no município vizinho, Capão do Leão. Após o parto, as mães dos recém-nascidos foram entrevistadas nas primeiras 24 horas após o parto, por uma equipe treinada e com instrumentos padronizados, e responderam a uma séria de perguntas sobre a saúde do recém-nascido, bem como sobre suas características sociodemográficas. Detalhes metodológicos podem ser encontrados na literatura (Barros et al., 2006; Santos et al., 2014).
No total, 4.231 participantes foram recrutados ao nascimento, com 0,8% de recusas. A coorte conta com diversos acompanhamentos subsequentes, realizadas nas idades de 3 meses, 12 meses, 24 meses, 48 meses, 6-7 anos, 11 anos, 15 anos (devido à COVID-19, apenas 1.949 participantes puderam ser avaliados neste acompanhamento), 17 anos (público-alvo: todos os 1.949 participantes acompanhados aos 15 anos), e aos 18 anos, totalizando 9 acompanhamentos até o momento. As taxas de acompanhamento aos 3, 12, 24, e 48 meses foram de 95,7%, 94,0%, 93,5%, 92,0%, respectivamente.
Para este estudo, serão utilizados dados coletados aos 6-7 anos (n=3.722, 90,2%), 11 anos (n=3.582; 84,3%) e aos 15 anos (n=1.949; 48,5%). O
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trabalho de campo de acompanhamento de 15 anos foi interrompido prematuramente em março de 2020 devido à pandemia de Covid-19.
A apresentação da metodologia desta tese foi organizada em três seções. A primeira seção se refere a metodologia do artigo de revisão sistemática, e as últimas duas seções referem-se aos artigos originais.

Indicadores, Metas e Resultados

Hipóteses

-Embora com achados heterogêneos, a maioria dos estudos na literatura indicam que níveis elevados de marcadores inflamatórios estão
associados a pior desempenho em funções executivas em diferentes populações e faixas etárias.
-Maior suscetibilidade genética a doenças neurodegenerativas e inflamação está associada a pior desempenho em funções executivas na adolescência.
-Será observada uma associação negativa entre a dieta inflamatória e as funções executivas, ou seja, quanto maior o índice de inflamação da dieta dos participantes, pior será a performance nos testes de funções executivas, tanto em análise transversal como longitudinal.

ARTIGOS PROPOSTOS

1º Artigo: Funções executivas e fatores inflamatórios: uma revisão sistemática.
Objetivo: avaliar sistematicamente a literatura sobre a relação entre funções executivas e o perfil inflamatório a fim de fornecer uma síntese abrangente das evidências atuais.
2º Artigo: Suscetibilidade genética a doenças neurodegenerativas e inflamatórias e desempenho em testes de função executiva na adolescência.
Objetivo: explorar a associação entre a suscetibilidade genética para inflamação e as doenças neurodegenerativas e o desempenho em testes de função executiva na adolescência, aos 11 e 15 anos.
3º Artigo: Associação entre dieta inflamatória e funções executivas em adolescentes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004.
Objetivo: investigar a associação entre o potencial inflamatório da dieta e o desempenho em funções executivas.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALICIA MATIJASEVICH MANITTO
LUCIANA TOVO RODRIGUES2
REGINA HOBUS

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