Nome do Projeto
Pesquisa de Platynossomum spp em amostras de bile de gatos domésticos recebidos para necropsia no Laboratório Regional de Diagnóstico da UFPel
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/12/2025 - 30/11/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
Platynosomum spp. (família Dicrocoelidae) é o parasito hepático mais comum em felinos domésticos (Felis catus) e geralmente está localizado nos ductos biliares e vesícula biliar (DANIEL et al; 2012). Entretanto, pode acometer intestino delgado, ductos pancreáticos, pulmões e outros tecidos, sendo comumente associado à colangite e colangiohepatite (LIMA et al., 2009). No Brasil, já foi relatado ocorrência do parasito no Ceará (SOUSA et al., 2015), Santa Catarina (DE MORAES et al., 2015), Bahia (SAMPAIO et al., 2006), Rio Grande do Norte (AHID et al., 2005), Minas Gerais (MUNDIM et al., 2004). No Rio Grande do sul, foi relatado em Porto Alegre (MICHAELSEN et al., 2012) e Pelotas (FERRAZ et al., 2020). P. fastosum possui um ciclo biológico complexo, envolvendo hospedeiros intermediários (moluscos e crustáceos terrestres) e um hospedeiro paratênico (lagartixas e anfíbios). Os gatos infectam-se ao ingerirem o hospedeiro paratênico contaminado com as metacercárias do parasito. No felino, o parasito localiza-se nos ductos biliares e na vesícula biliar, onde atinge a maturidade e libera ovos que são eliminados para o meio ambiente pelas fezes, completando o ciclo (TOLEDO, 2019). A presença do parasito no fígado pode desencadear desde uma inflamação ductal discreta (colangite) até condições severas como cirrose, fibrose, obstrução biliar e icterícia, podendo evoluir para o óbito (BRAGA, 2016).

Objetivo Geral

Investigar a presença de ovos de Platynosomum sp. em amostras de bile de gatos recebidos para necropsia no Laboratório Regional de Diagnóstico da UFPel.

Justificativa

O diagnóstico definitivo da platynossomose é tradicionalmente realizado pela detecção dos ovos do parasito nas fezes por meio de exames coproparasitológicos. No entanto, a eliminação de ovos pode ser intermitente e de baixa intensidade, levando a resultados falso-negativos (PEREIRA, 2020). Em casos de obstrução biliar completa, a eliminação de ovos pelas fezes cessa completamente, tornando o diagnóstico ainda mais desafiador. A citologia de bile, obtida por meio de procedimentos como a colangioecografia ou durante a laparotomia exploratória, surge como uma alternativa diagnóstica direta e valiosa, permitindo a identificação dos ovos no local da infecção, mesmo quando a excreção fecal está ausente. Estudos que avaliam a eficácia deste método em populações felinas ainda são escassos no Brasil, destacando a necessidade de pesquisas que validem e caracterizem a sua aplicabilidade.

Metodologia

Amostras: As amostras de bile serão procedentes de felinos domésticos recebidos para necropsia no Laboratório Regional de Diagnóstico (LRD) da UFPel. As amostras serão coletadas através de aspiração do conteúdo biliar, identificadas, e mantidas sob refrigeração (4°C) por até 24 horas.
Processamento das amostras de bile: Após a coleta, as amostras de bile serão encaminhadas e analisadas no Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Veterinária da UFPel. Para a pesquisa dos ovos de Platynossomum sp., serão utilizadas as seguintes técnicas:
Exame Direto:
Uma gota de bile será depositada em uma lâmina de microscopia, coberta com lamínula e examinada integralmente sob microscópio óptico em objetivas de 10x e 40x.
Método de Sedimentação espontânea:
- Cerca de 0,5 mL de bile será diluído em 5 mL de solução fisiológica (0,9% NaCl) em um tubo cônico.
- A mistura será homogeneizada e deixada em repouso por 30 a 40 minutos para sedimentação.
- O sobrenadante será cuidadosamente descartado.
- Uma gota do sedimento será colocada em lâmina, coberta com lamínula e examinada ao microscópio (objetivas de 10x e 40x).

Indicadores, Metas e Resultados

Esperasse com este trabalho, determinar a ocorrência de platinossomose em gatos domésticos no extremo sul do Brasil. Validar a análise da bile como uma ferramenta mais sensível e precoce para diagnóstico, especialmente em casos inconclusivos ou assintomáticos. Espera-se também aumentar a conscientização dos clínicos veterinários sobre relevância da platinossomose na região e a importância do diagnóstico diferencial de doenças hepatobiliares.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALEXSANDER FERRAZ
BARBARA CRISTINA GUMIERI
CAUANA FONSECA MARQUES
EDUARDA DA SILVA BAQUINI
FERNANDA CORREA DA SILVA FAGUNDES
GABRIELE BATISTIN NASCENTE
ISABELLA BAGGIO DE CASTRO
JANAÍNA FADRIQUE DA SILVA
JOANA DE BAIRROS NERIS
LARA COSTA GRUMANN MICHEL
LARISSA PEDROTTI
LEANDRO QUINTANA NIZOLI6
LUCIANA GAVINA CRUZ BARRETO
MARIANA MARTINS DE ALMEIDA
MILENA CAROLINA PAZ2
NATALIA BUTTENBENDER
RAFAELA BEILFUSS HORNKE
RAFAELA ROLL CORREA
REBECA NOGUEIRA DE FARIA
RENATA FONTES ONGARATTO4
ROBERTA PERES DUARTE CAMPELLO
WESLEY PORTO DE OLIVEIRA
YASMIN GUNDLACH RIBEIRO
ÍSIS MOUKADDEM DE SOUZA

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