Nome do Projeto
Investigação do potencial da Farinha de Bagaço de Uva como uma estratégia nutricional sustentável com ação adjuvante no controle metabólico do Diabetes Tipo 2
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
03/02/2026 - 01/02/2030
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma das doenças crônicas mais prevalentes e desafiadoras da atualidade, responsável por elevados índices de morbimortalidade e custos crescentes aos sistemas de saúde. Caracteriza-se por resistência à insulina, estresse oxidativo crônico, inflamação de baixo grau e, progressivamente, comprometimento do sistema nervoso central, estando relacionado com alimentação inadequada, sedentarismo e fatores genéticos. A terapêutica convencional, embora eficaz em grande parte dos casos, é limitada pela baixa adesão, pelos efeitos adversos e pela incapacidade de controlar integralmente os processos oxidativos e inflamatórios subjacentes. Assim, cresce o interesse por estratégias adjuvantes seguras e de base alimentar, capazes de atuar sobre múltiplos alvos fisiopatológicos de forma sinérgica e sustentável. Neste contexto, o bagaço de uva—subproduto da indústria vitivinícola que representa 25-35% da massa processada—emerge como estratégia adjuvante potencial, devido à sua abundante concentração de compostos fenólicos bioativos (antocianinas, catequinas, ácidos fenólicos) com propriedades anti-hiperglicêmicas, antioxidantes e anti-inflamatórias. Assim, o presente projeto se propõe a investigar os efeitos da farinha de bagaço de uva (FBU) em parâmetros bioquímicos, oxidativos, inflamatórios, moleculares e comportamentais utilizando-se de modelos experimentais de DM2 e resistência à insulina, elucidando mecanismos de ação em nível celular, molecular e sistêmico. Secundariamente, visa caracterizar a biodisponibilidade de compostos polifenólicos e suas interações com proteínas-alvo envolvidas na patogênese de DM2. Os resultados servirão como suporte para a consolidação científica de base robusta para o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores tecnicamente viáveis e economicamente competitivos, com potencial transferência tecnológica para indústria vitivinícola regional e utilização como adjuvantes às terapias farmacológicas.

Objetivo Geral

Avaliar de forma integrada os efeitos do consumo da farinha de bagaço de uva (FBU) das castas Arinto e Touriga Nacional sobre parâmetros bioquímicos, moleculares, oxidativos, inflamatórios e comportamentais em modelo experimental de DM2 em ratos Wistar, bem como investigar a ação de seus compostos majoritários em modelo de resistência à insulina.

Justificativa

Sabendo-se da relação entre a DM e o grande número de fatores desencadeadores envolvidos, o seu difícil manejo mesmo com as opções farmacoterapêuticas, suas comorbidade e patologias relacionadas, opções complementares são cada vez mais investigadas. Compostos de origem vegetal, com ações terapêuticas marcantes e efeitos adversos mínimos, vem recebendo grande atenção entre pesquisadores do mundo todo. Além desses fatores, o retorno da população para a alimentação mais equilibrada, com alimentos funcionais que sejam fontes de propriedades benéficas na prevenção do envelhecimento e de patologias decorrentes têm despertado muito a atenção da comunidade científica. Nesse sentido, o bagaço de uva (BU), que representa aproximadamente de 25% a 35% da massa de uvas destinadas para a produção de suco e vinho é caracterizado por uma elevada concentração de compostos fenólicos,que podem ser utilizados como complementos alimentares no manejo do DM2 .

Metodologia

A proposta é organizada em quatro frentes integradas: (i) obtenção e padronização das FBU, (ii) modelo in vivo de DM2, (iii) modelos in vitro de resistência à insulina, e (iv) análises bioquímicas, moleculares, ômicas e in silico alinhadas aos objetivos.
(i) Obtenção das FBU: Bagaço úmido das variedades Arinto (branca) e Touriga Nacional (tinta) será fornecido pela Vinícola Guatambu (Dom Pedrito/RS). As amostras serão secas em estufa a 60 °C por 24 h (até peso constante), moídas e peneiradas para ≤ 400 μm, sendo armazenadas ao abrigo de luz, calor e umidade até o preparo das dietas. Os lotes de FBU serão caracterizados através das análises físico-química, componentes funcionais, compostos majoritários bioativos (polifenóis) e atividade antioxidante.
(ii) Modelo experimental de DM2 (in vivo): A indução de DM2 associa o uso de dieta hiperlipídica (DHL) + streptozotocina (*STZ, dose única de 35 mg/kg, i.p., no 21° dia da DHL). Serão formados 5 grupos: CN (dieta comercial, normocalórica); DM2 (DHL 21 dias + *STZ); DM2 + Metformina 250 mg/kg (DHL 21 dias + *STZ + Met 250 mg/kg; i.g., 1x/dia por 21 dias); DM2 + FBU tinta 10% (DHL+ FBUT 10% consumida por 21 dias + *STZ); DM2 + FBU branca 10% (DHL+ FBUB 10% consumida por 21 dias + *STZ). A indução do DM2 será confirmada após 72 h da administração de *STZ através do TOTG (0, 30, 60 e 120 min após administração de glicose, 2 mg/g, i.g.), com cálculo de AUC por método trapezoidal. Parâmetros comportamentais incluirão: campo aberto (locomoção/exploração; 5 min), reconhecimento de objetos (memória curta 3 h e longa 24 h) e labirinto em cruz elevado (ansiedade; entradas/tempo em braços; 5 min). Amostras de sangue (soro e/ou EDTA), LCR, tecidos (córtex cerebral, fígado, músculo, tecido adiposo e intestino) e fezes serão coletados e armazenados a −80 °C. As análises dos parâmetros bioquímicos metabólicos, de estresse oxidativo e moleculares serão realizadas conforme metodologias padronizadas, pertinentes aos objetivos específicos propostos. As análises da composição taxonômica da microbiota intestinal (Microbiota e metabolômica target) utilizarão DNA fecal/intestinal, amplificação 16S (27F/1492R) e sequenciamento Nanopore PromethION com filtragem (Q>10), classificação taxonômica (EPI2ME/EMU) e predição funcional (QIIME2 + PICRUSt2). Polifenóis/metabólitos em soro e LCR serão identificados por LC-MS/MS (Nexera UFLC + triplo quadrupolo), com otimização de ESI, transições MRM e condições cromatográficas.
(iii) In silico (ADME e docking): A predição de alvos moleculares utilizará a plataforma SwissTargetPrediction e as propriedades farmacocinéticas/toxicológicas preditivas destes polifenóis serão avaliadas por meio das ferramentas SwissADME e pkCSM, para selecionar alvos plausíveis. As simulações de acoplamento molecular utilizarão o software AutoDock 4.2.6. com estruturas obtidas do Protein Data Bank (PDB) para preparo de proteínas/ligantes e Algoritmo Genético Lamarckiano (LGA) como método de busca (150 indivíduos; 2.500.000 avaliações; 27.000 gerações; 50 execuções), análise de energia/Ki e visualização (Discovery Studio).
(iv) Modelo de resistência à insulina (in vitro): Linhagens celulares (pré-adipócitos (3T3-L1), mioblastos (C2C12) e hepatócitos (HepG2)) serão diferenciadas através de protocolos validados e tratadas com compostos majoritários identificados nas duas FBU (24/48/72 h). Serão avaliadas a Citotoxicidade/viabilidade por SRB/MTT, apoptose por Caspase-Glo 3/7, respiração mitocondrial por OCR (Oroboros 2K) e captação de glicose por 2-NBD-glucose(fluorescência). As análises dos parâmetros bioquímicos metabólicos, de estresse oxidativo e moleculares serão realizadas conforme metodologias padronizadas, pertinentes aos objetivos específicos propostos. Os dados serão avaliados estatisticamente quanto a normalidade, homocedasticidade e outliers; com testes paramétricos (ANOVA + Tukey) ou não paramétricos (Kruskal-Wallis + Dunn), conforme apropriado, no GraphPad Prism 10, com p<0,05.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se que esse trabalho possa contribuir para o entendimento dos efeitos e mecanismos envolvidos nos efeitos anti-hiperglicêmicos da FBU e seu papel nos processos relacionados com a inflamação, processos oxidativos e a correlação destes com a microbiota intestinal, como desfechos principais. Em termos de divulgação científica prevê-se a publicação de artigo em revistas científicas indexadas e a divulgação em congressos nacionais e internacionais, gerando qualificação da produção científica do grupo de pesquisa e do Programa de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição da UFPel. Adicionalmente, a realização de eventos e workshops com participação da sociedade serão organizados para compartilhar o conhecimento gerado com a comunidade científica e a sociedade em geral. Também divulgação em sites e redes sociais oficiais das universidades envolvidas e grupos de pesquisa poderão servir como forma de divulgação dos resultados para o meio não acadêmico. Além disso, espera-se que o projeto consolide e fortaleça parcerias com instituições brasileiras e, de maneira relevante, a parceria internacional estabelecida com Portugal, por meio do convênio com o CBIOS – Universidade Lusófona, em Lisboa, possibilitando coautorias internacionais, intercâmbio de estudantes e visibilidade global. Essa colaboração já é um diferencial estratégico para a internacionalização da UFPel e fortalece a repercussão dos resultados.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DEBORAH EMANUELLE DE ALBUQUERQUE LEMOS
FRANCIELI MORO STEFANELLO1
MELINA SANTOS BORBA
RAPHAELA CASSOL PICCOLI
REJANE GIACOMELLI TAVARES4
TAILA FREITAS XAVIER

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
PROAP/CAPES / Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível SuperiorR$ 1.500,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339030 - Material de ConsumoR$ 1.500,00

Página gerada em 16/02/2026 04:26:20 (consulta levou 0.127169s)