Nome do Projeto
Resveratrol: efeitos no sistema purinérgico, parâmetros inflamatórios e de estresse oxidativo em modelo experimental de hipertireoidismo induzido em ratos.
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/05/2026 - 30/04/2030
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
Os hormônios tireoidianos exercem papel fundamental na regulação de diversos sistemas do organismo, incluindo os sistemas nervoso central (SNC), cardiovascular e imunológico. No SNC, são essenciais para a maturação cerebral no período pré-natal e, em adultos, promovem aumento do estado de alerta e vigília. No sistema cardiovascular, elevam a frequência e o débito cardíaco, além de aumentarem a taxa metabólica e da termogênese. O hipertireoidismo é um distúrbio endócrino caracterizado por níveis elevados de hormônios tireoidianos circulantes, que induzem um estado hipermetabólico no organismo. Essa condição está frequentemente associada a complicações cardiovasculares, alterações no SNC e aumento do estresse oxidativo, exigindo constante monitoramento e ajustes terapêuticos precisos. O estresse oxidativo, por sua vez, resulta do desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) e a capacidade antioxidante do organismo, promovendo dano celular e disfunção tecidual. Neste contexto, a sinalização purinérgica tem se destacado como um mecanismo regulatório relevante, participando de processos inflamatórios, vasculares e redox, por meio da ação de nucleotídeos como ATP e adenosina. Uma compreensão aprofundada a respeito da interação entre essas vias pode contribuir significativamente na elucidação dos eventos celulares e moleculares que levam a progressão das complicações associadas ao hipertireoidismo. Diante disso, terapias antioxidantes naturais e com uma infinidade de propriedades benéficas já descritas, surgem como estratégias promissoras no manejo complementar da saúde dos acometidos. O resveratrol, polifenol presente em diversas espécies vegetais, tem demonstrado potencial para modular a resposta inflamatória, melhorar a função endotelial e o perfil lipídico além de proteger as células contra o dano oxidativo além de já ter sido descrito como modulador da sinalização purinérgica em diferentes contextos patológicos. Sua ação integrada sobre esses sistemas pode representar um avanço no manejo das disfunções induzidas pelo hipertireoidismo. Frente ao exposto, o presente estudo objetiva investigar os efeitos do resveratrol sobre os mecanismos moleculares e bioquímicos desses sistemas associados ao hipertireoidismo induzido por tiroxina (1.2mg/mL) em ratos Wistar. Os animais serão divididos em 10 grupos experimentais e tratados com diferentes doses de resveratrol (25 e 50 mg/kg). Ao final do protocolo, serão realizadas análises bioquímicas, moleculares e histológicas, permitindo uma avaliação abrangente dos efeitos do tratamento. Ao integrar diferentes linhas de evidência, espera-se que os resultados obtidos possam contribuir para a elucidação de novos alvos terapêuticos bem como confirmar o potencial do resveratrol como agente terapêutico complementar, contribuindo com novas perspectivas para o tratamento dessa endocrinopatia.

Objetivo Geral

Investigar os efeitos do resveratrol na sinalização purinérgica, biomarcadores de estresse oxidativo e parâmetros inflamatórios em ratos com hipertireoidismo induzido por tiroxina.

Justificativa

O estudo das doenças tireoidianas vem ganhando espaço na pesquisa científica, dada a complexidade da etiologia e sintomatologia envolvidas. Os pacientes fazem uso de terapia cujos fármacos atuam diretamente na síntese dos hormônios tireoidianos. Contudo, a dose e o manejo dos sintomas, devem ser avaliados periodicamente e com extrema cautela, visto que, nem todos os pacientes respondem ao tratamento da maneira adequada e efetiva. Cabe ressaltar que, a esses distúrbios estão associadas alterações cardiovasculares de forma expressiva, como a disfunção endotelial e ainda, alterações a nível de sistema nervoso central, o que demanda extrema atenção do sistema de saúde (Rasvi et al., 2018).
Em particular, a literatura demonstra que o estresse oxidativo tem sido identificado como um dos pontos chave na patologia cardiovascular associado ao hipertireoidismo (Sultana; Shahin; Jawadul, 2022; Teixeira; Fernandes-piedras, 2019a; Žarković, 2012). O estresse oxidativo resulta de um desequilíbrio entre as espécies reativas ao oxigênio (EROs) e a capacidade do organismo em neutralizá-las, ocasionando danos celulares que afetam a função vascular e consequentemente a função cardíaca (Russo et al., 2018). Supõem-se que estas alterações não ocorrem de maneira isolada, mas que interajam com a sinalização purinérgica que envolve nucleotídeos como o ATP (importante neurotransmissor), adenosina, molécula com importantes propriedades anti-inflamatórias e que regula processos como a vasodilatação (Baldissarelli et al., 2019). Neste sentido, terapias antioxidantes advindas de produtos naturais surgem como promissoras adjuvantes, pois possuem capacidade de atenuar os efeitos deletérios do estresse oxidativo (Macvanin; Gluvic; Za, 2023).
O resveratrol é um composto polifenólico, encontrado em variadas espécies de plantas que exibe diversos benefícios à saúde humana (Bradamante et al., 2003; Weiskirchen; Weiskirchen, 2016). Dentre os múltiplos benefícios já relatados, destacam-se a capacidade de modular a resposta imunológica, melhora da função endotelial e do perfil lipídico, regulação da homeostase energética e ainda confere proteção às células tireoidianas contra o dano oxidativo, desse modo, oferecendo uma alternativa complementar para melhorar a eficácia dos tratamentos convencionais e qualidade de vida dos pacientes. Estudos in vitro também demonstram os efeitos cardiovasculares (Elíes et al., 2011), neuroprotetores (Bournival; Quessy; Martinoli, 2009), antioxidante (Zhang et al., 2010) e anti-inflamatório (Cicha et al., 2011) do resveratrol, evidenciando a importância de abordagens mais amplas em doenças frequentes na população.

Metodologia

Serão utilizados ratos Wistar machos e fêmeas adultos, provenientes do Biotério Central da UFPel. Os animais serão divididos em 10 grupos experimentais, 5 grupos de animais machs e 5 grupos de fêmeas, aos quais será administrado: água, L-tiroxina (hormônio sintético), L-tiroxina + metimazol (terapia padrão hipertireoidismo), L-tiroxina + resveratrol 50 mg/kg e L-tiroxina + resveratrol 25 mg/kg. Todos os animais serão mantidos em período de adaptação de 5 dias, e a indução do hipertireoidismo terá duração de 15 dias. No 16º será iniciado o tratamento com o resveratrol e metimazol o que terá duração de 3 semanas.
O consumo hídrico e alimentar será aferido diariamente, enquanto o peso corporal dos animais será aferido semanalmente. Após o período experimental os animais serão submetidos à eutanásia e o sangue será coletado para separação de soro, plasma, plaquetas e linfócitos onde serão avaliados parâmetros da sinalização purinérgica e inflamatórios, além de biomarcadores de estresse oxidativo. O hipertireoidismo será confirmado pela dosagem dos níveis séricos de T3, T4 e TSH.

Os cuidados com os animais seguirão a Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa Científica – CONCEA, tendo o projeto obtido aprovação pela Comissão de Ética em Experimentação Animal da Universidade Federal de Pelotas, CEUA nº 023383/2025-17.


Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se contribuir para o entendimento das causas e progressão das alterações que ocorrem concomitantemente com os distúrbios tireoidianos, além dos possíveis efeitos protetores do resveratrol e, assim, possibilitar oportunidades de prevenção e melhora no prognóstico da doença. Além disso, compreender as respostas do sistema purinérgico e seu envolvimento no hipertireoidismo. Ainda, contribuir para o desenvolvimento da pesquisa no departamento e para a formação de graduandos e pós-graduandos através da realização deste trabalho e elaboração de resumos a serem apresentados em congressos nacionais e internacionais. Ao final do projeto, espera-se a publicação de artigos científicos em periódicos internacionais e a divulgação dos resultados também em linguagem de fácil entendimento para a sociedade e portadores de hipotireoidismo.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA CLARA DOS ANJOS ALVARENGA
BRUNA FERRARY DENIZ1
BÁRBARA GONÇALVES DE FREITAS
CRISTIANI FOLHARINI BORTOLATTO1
JUCIMARA BALDISSARELLI3
LARA VALENTE FARIAS
VINICIUS TONIOLLI

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