Nome do Projeto
Ciência além da visão: acessibilidade no ensino de Ciências para estudantes com deficiência visual
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
25/05/2026 - 31/01/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
De acordo com o Decreto nº 5.296/2004, a cegueira caracteriza-se como uma limitação severa da visão, mesmo com o uso de correção óptica, sendo definida quando a acuidade visual é igual ou inferior a 0,05 no melhor olho. Já a baixa visão ocorre quando ainda há certa percepção visual, embora com dificuldades mais acentuadas no cotidiano, sendo identificada quando a acuidade se encontra entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, também com a melhor correção óptica (BRASIL, 2004). Além disso, na perspectiva da Lei nº 14.126, de 22 de março de 2021, a visão monocular passou a ser reconhecida como deficiência visual, por implicar redução do campo visual e prejuízos na percepção de profundidade (BRASIL, 2021). Todos esses casos estão assegurados pela Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, garantindo às pessoas com deficiência visual o acesso pleno à educação, não se restringindo ao espaço físico, mas também ao acesso à informação e aos materiais didáticos de forma autônoma (BRASIL, 2015). Tendo em vista que a área de Ciências envolve conteúdos complexos, frequentemente associados a elementos visuais e a níveis elevados de abstração, garantir uma perspectiva verdadeiramente igualitária para todos os alunos pode ser um grande desafio no contexto educacional. Nesse sentido, no caso de pessoas com deficiência visual, sobretudo pessoas cegas, a compreensão do mundo ocorre por meio de vias alternativas à visão, principalmente pelos sentidos tátil e auditivo, o que exige uma mediação adequada para que a aprendizagem aconteça. Assim, destacam-se as tecnologias assistivas, entendidas como recursos que atuam como mediadores entre a pessoa com deficiência visual e a realidade (GUNTZEL, 2020). A utilização de materiais táteis apresenta-se como um importante recurso para representar imagens de forma acessível, permitindo que formas, estruturas e texturas sejam percebidas de maneira concreta, ao transformar conteúdos visuais e abstratos em algo palpável para os estudantes.(BERNARDO, 2018). Os jogos didáticos, por sua vez, possibilitam que os estudantes aprendam de modo lúdico, favorecendo não apenas a compreensão dos conteúdos, mas também o desenvolvimento psicocognitivo, das relações interpessoais com professores e colegas, além de estimular posturas mais ativas no contexto social. Quando pensados de forma inclusiva, podem ser elaborados para atender a todos os alunos, incorporando recursos como letras ampliadas, audiodescrição e marcações em braille, propiciando a participação e aprendizagem (GONZAGA, 2017). Entre os diversos conteúdos abordados no ensino de Ciências, alguns se destacam pela complexidade e pela relevância de adaptação metodológica, como a Botânica e a Ecologia. No caso da Botânica, trata-se de uma área frequentemente percebida como conteudista e pouco atrativa pelos estudantes, o que pode levar a um distanciamento em relação ao tema (KATON, 2013). Já no campo da Ecologia, conteúdos como cadeias e teias alimentares exigem dos estudantes elevada capacidade de abstração, uma vez que envolvem relações dinâmicas e interdependentes entre os seres vivos e o ambiente, demandando uma diversidade metodológica que favoreça a aprendizagem (OLIVEIRA, 2021). O presente projeto é o Trabalho de Conclusão de Curso do aluno Gustavo Maciel Zurschimittem.

Objetivo Geral

Objetivo geral
Investigar a acessibilidade no ensino de Ciências para estudantes com deficiência visual, com ênfase nos conteúdos de morfologia floral e teias alimentares, visando à proposição, elaboração e validação de recursos didáticos adaptados.

Objetivos específicos
· Realizar uma pesquisa com os professores da Associação Escola Louis Braille, com o intuito de investigar as estratégias de adaptação de conteúdos de Ciências utilizadas no atendimento a estudantes com deficiência visual;
· Desenvolver materiais didáticos acessíveis voltados ao ensino de morfologia floral;
· Elaborar materiais didáticos acessíveis direcionados ao ensino de teias alimentares;
· Aplicar uma atividade educativa na Escola de Educação Especial Louis Braille, com base nos materiais didáticos desenvolvidos, visando à sua validação;
· Analisar a acessibilidade e a eficácia dos materiais didáticos produzidos, considerando sua contribuição para a compreensão dos conteúdos e para a construção de novos conhecimentos pelos estudantes;
· Produzir um livro digital que reúna orientações para a promoção da acessibilidade no ensino de Ciências para estudantes com deficiência visual, incorporando um guia prático de produção e utilização dos materiais didáticos desenvolvidos ao longo da pesquisa.

Justificativa

A acessibilidade no ensino de Ciências ainda representa um grande desafio no contexto escolar, especialmente quando se trata de estudantes com deficiência visual. Muitos conteúdos, como aqueles relacionados à morfologia floral e às teias alimentares, são frequentemente abordados de forma predominantemente visual, o que pode dificultar a compreensão por parte desses estudantes e contribuir para seu afastamento dos processos de aprendizagem.
Nesse sentido, torna-se necessário repensar as práticas pedagógicas e a forma como os conteúdos são apresentados, buscando estratégias que possibilitem a participação efetiva de todos os alunos, promovendo a equidade. A utilização de recursos táteis, audiodescrição e materiais didáticos acessíveis surge como uma alternativa importante para tornar o ensino mais inclusivo, permitindo que o estudante explore o conhecimento por diferentes vias sensoriais.
Outrossim, é necessário considerar que muitas escolas ainda apresentam limitações na produção e na utilização de materiais acessíveis, especialmente no ensino de Ciências. Dessa forma, investigar as estratégias já utilizadas e compreender quais práticas são mais eficazes torna-se fundamental para a construção de propostas mais adequadas à realidade escolar.
A escolha dos conteúdos de morfologia floral e teias alimentares está relacionada à sua relevância no ensino de Ciências e, ao mesmo tempo, à dificuldade de adaptação desses temas, uma vez que envolvem estruturas e relações que, muitas vezes, são apresentadas de forma abstrata ou visual. Assim, a elaboração de materiais didáticos acessíveis voltados a esses conteúdos pode contribuir para a compreensão dos conceitos e para a construção de novos conhecimentos pelos estudantes.
Por fim, este trabalho justifica-se pela necessidade de promover práticas mais inclusivas no ensino de Ciências, contribuindo não apenas para o aprendizado de estudantes com deficiência visual, mas também para a reflexão sobre a importância da acessibilidade no ambiente escolar. A produção de um livro digital com orientações e propostas práticas busca ampliar o alcance da pesquisa, possibilitando que outros professores tenham acesso a estratégias e materiais que favoreçam a inclusão em suas práticas pedagógicas.

Metodologia

Delineamento Metodológico

A presente pesquisa caracteriza-se como aplicada, de abordagem qualitativa, com objetivos exploratórios e descritivos. Quanto aos procedimentos, envolve pesquisa de campo, desenvolvimento de materiais didáticos e aplicação de intervenção pedagógica.

Pesquisa na Escola de Educação Especial Louis Braille

Inicialmente, será realizada uma investigação na Escola de Educação Especial Louis Braille com o objetivo de compreender, de forma mais aprofundada, as práticas desenvolvidas em um contexto especializado.
Para a coleta de dados, será elaborado um questionário composto por questões objetivas e discursivas, abordando metodologias, estratégias de ensino e recursos didáticos acessíveis utilizados no atendimento a estudantes com deficiência visual. O instrumento será aplicado por meio da plataforma Google Forms.
Após a aplicação dos questionários, os dados obtidos serão organizados e analisados de forma qualitativa, buscando identificar padrões, estratégias recorrentes e principais desafios relacionados à acessibilidade no ensino de Ciências.

Desenvolvimento de Materiais Didáticos Acessíveis

Com base nos dados obtidos na etapa anterior, será realizada a produção de materiais didáticos acessíveis voltados ao ensino de Ciências para estudantes com deficiência visual.
Para o ensino de morfologia floral, será elaborado um modelo tátil utilizando EVA, arame, biscuit, tinta acrílica e cola quente, com o objetivo de representar as principais estruturas da flor por meio de diferentes texturas.
Ainda no contexto da Botânica, será desenvolvido um jogo da memória tátil com base em texturas vegetais. Inicialmente, serão selecionadas partes de plantas considerando suas características morfológicas. Em seguida, os exemplares serão coletados em pares, com auxílio de tesoura de poda e pá de jardinagem. Após a coleta, as plantas serão organizadas em folhas de jornal e armazenadas em uma prensa botânica, sendo posteriormente levadas à estufa para secagem. Após esse processo, os materiais serão fixados em bases de EVA e organizados em suporte que delimite o posicionamento das peças do jogo.
Para o ensino de teias alimentares, serão produzidas oito peças táteis utilizando biscuit, representando os elementos sol, planta, gafanhoto, coelho, rã, serpente, águia e decompositores. A modelagem será realizada com o auxílio de ferramentas específicas, buscando diferenciar formas e texturas entre os elementos.
Complementarmente, será elaborado um jogo de cartas didático, denominado Pife da teia alimentar. Inicialmente, serão definidas as regras do jogo, seguidas da elaboração das cartas por meio da plataforma Canva. Após a impressão e recorte, as cartas serão identificadas com marcações em braille, utilizando o método de puncionamento manual com reglete e punção. Além da versão física, será desenvolvida uma versão digital do jogo (voltada para alunos com baixa visão), com o auxílio da plataforma Base44. Para isso, será elaborado um comando detalhado contendo orientações estéticas e de funcionalidade, com o objetivo de estruturar o desenvolvimento do jogo em ambiente virtual. Na sequência, serão realizados testes de jogabilidade, visando avaliar sua funcionalidade, acessibilidade e dinâmica, permitindo ajustes e aprimoramentos. A versão digital poderá ser utilizada tanto em um único dispositivo eletrônico quanto em múltiplos aparelhos, ampliando as possibilidades de interação entre os participantes.

Oficina de Validação dos Materiais Acessíveis

A validação dos materiais será realizada por meio de uma atividade educativa na Escola de Educação Especial Louis Braille, com a participação de estudantes do sétimo ao nono ano do Ensino Fundamental.
Serão realizados dois encontros, cada um com duração aproximada de quarenta e cinco minutos. No primeiro encontro, será desenvolvida uma atividade voltada ao conteúdo de morfologia floral, utilizando o modelo tátil e o jogo da memória. No segundo encontro, será abordado o conteúdo de teia alimentar, com a utilização do modelo tátil e do jogo didático.
Durante as atividades, os estudantes poderão explorar os materiais, possibilitando a análise de sua funcionalidade e acessibilidade.

Pesquisa com os Estudantes e Validação dos Materiais

Após a aplicação das atividades, será realizada a avaliação dos materiais por meio de um instrumento composto por questões objetivas e abertas, aplicado de forma oral aos estudantes participantes, considerando as especificidades dos estudantes com deficiência visual. O registro das respostas será realizado por meio de gravação em áudio.
As questões terão como objetivo avaliar a compreensão dos conteúdos abordados, a facilidade de utilização dos materiais, bem como sua acessibilidade e contribuição para o processo de aprendizagem, além de possibilitar a expressão das percepções dos estudantes acerca da experiência vivenciada.
Os dados obtidos serão analisados de forma qualitativa, buscando avaliar a eficácia dos recursos desenvolvidos e identificar possíveis melhorias.

Desenvolvimento do livro digital

Como etapa final da pesquisa, será desenvolvido um livro digital com o objetivo de reunir orientações voltadas à promoção da acessibilidade no ensino de Ciências para estudantes com deficiência visual.
Inicialmente, será realizada a organização dos conteúdos a partir dos dados obtidos nas etapas anteriores, incluindo a investigação nas escolas, a experiência na Associação Escola Louis Braille e os resultados da aplicação e validação dos materiais didáticos. A partir disso, serão selecionados os principais aspectos relacionados às metodologias, recursos e práticas que se mostraram mais eficazes.
O livro digital contemplará uma abordagem teórica inicial, abordando aspectos relacionados à deficiência visual, às principais dificuldades no processo de ensino e aprendizagem em Ciências e à importância da acessibilidade no contexto educacional. Em seguida, serão apresentadas orientações práticas sobre metodologias de ensino, recursos didáticos acessíveis e estratégias como autodescrição, audiodescrição, uso do sistema braille, materiais táteis e adaptação de conteúdos.
Além disso, o material contará com exemplos práticos elaborados pelo discente, incluindo a descrição detalhada dos materiais didáticos produzidos ao longo da pesquisa, bem como orientações para sua construção e aplicação em sala de aula. Esses recursos serão disponibilizados no próprio livro digital, possibilitando sua utilização e adaptação por professores e demais profissionais da educação.
A elaboração do livro digital será realizada com o auxílio de plataformas de edição, como o Canva, visando à organização visual e à acessibilidade do material. Serão considerados aspectos como clareza das informações, estrutura do conteúdo e possibilidade de acesso por diferentes dispositivos.
Por fim, o material será disponibilizado em formato digital, com o intuito de ampliar o acesso às estratégias propostas, contribuindo para a promoção de práticas pedagógicas mais acessíveis e inclusivas no ensino de Ciências.

Indicadores, Metas e Resultados

O Projeto objetiva alcançar três principais metas, uma estando relacionada a organização de uma lista contendo metodologias e recursos já utilizados em relação a adaptação de aulas para deficientes visuais. Ademais, os materiais produzidos pelo pesquisador devem ser validados pelos estudantes deficientes visuais, demonstrando sua efetiva aplicabilidade enquanto recurso didático inclusivo. Por fim, todos os materiais devem ser esquematizados e disponibilizados em forma de livro digital, para de tal modo viabilizar que professores tenham acesso, bem como, o público geral que possua interesse em explorar o que foi construído.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
GUSTAVO MACIEL ZURSCHIMITTEM
RAQUEL LUDTKE2

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