Nome do Projeto
Pereiras de baixo requerimento de frio hibernal: desenvolvimento floral, efeito da tempertura, condutância hidráulica e caracterização anatômica
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
08/07/2024 - 08/07/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
A área cultivada de pereira no Brasil apresenta baixa produtividade e diminui a cada ano. Desta forma, tornando a pera a fruta fresca mais importada pelo país. Atualmente, entre os fatores que impedem o crescimento e o interesse pela cultura estão a falta de cultivares que produzam frutas de qualidade, cultivares adaptadas às condições de inverno ameno e os altos níveis de abortamento floral pelas cultivares existentes. No entanto, existem cultivares de pereiras que apresentam baixa exigência de frio, baixos níveis de abortamento floral e alta produtividade adaptadas aos locais com pouco frio hibernal. Nesse sentido, objetiva-se estudar essas plantas, através de experimentos básicos de fisiologia e anatomia. Nos quais serão determinados os conhecimentos da caracterização do desenvolvimento floral, exigências de frio, dinâmica da água e caracterização anatômica desses materiais. Estes estudos serão importantes para que se tenha conhecimento do potencial genético destes materiais em regiões de baixa ocorrência de frio hibernal, sendo uma perspectiva para a retomada do desenvolvimento da cultura da pereira no país.

Objetivo Geral

Avaliar o desempenho de pereiras de baixo requerimento de frio hibernal, através de estudos básicos de fisiologia e anatomia vegetal.

Justificativa

São frutíferas que apresentam importância econômica e social dentre as espécies de clima temperado cultivadas no mundo, com produção estimada de 23,1 milhões de toneladas em uma área plantada aproximada de 1,3 milhões de hectares em 2020. Entre os principais países produtores da fruta destacam-se a China, Itália, Estados Unidos, Argentina e Turquia (FAOSTAT, 2023).
Segundo dados do IBGE (2023), no ano de 2021, o Brasil foi responsável por uma produção estimada de 15,8 mil toneladas em 1.045 hectares de área plantada, gerando um rendimento médio de 15,1 t ha-1. Dentre os estados produtores, o Rio Grande do Sul é o que detêm maior produção, seguida por Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e São Paulo.
Devido à baixa produção do país, é necessário um elevado volume de importação da fruta para abastecer o mercado interno, e que no ano de 2021 alcançou um valor/montante aproximado de 120,8 mil toneladas. Entre os maiores exportadores de peras para o Brasil, entre 2014 e 2019, estão a Argentina representando entre 58% a 67%, seguida de Portugal (21% a 27%), Espanha (4% a 9%), Chile (1,5% a 2,8%) e
Estados Unidos (1,5%) (COMEX STAT, 2023).
Contudo, o cenário brasileiro nem sempre foi de baixa produção. Durante as décadas de 1960 e 1970, o país encontrava-se em constante crescimento, tanto em produção total como área plantada, chegando a produzir 60 mil toneladas no ano de 1970 e possuir 5,5 mil hectares de área plantada ainda na mesma década. Porém, a partir de 1977 o cultivo da pereira entrou em declínio até atingir os baixos valores produtivos atuais (FAOSTAT, 2023).
Além do mais, os limitadores para o desenvolvimento da cultura não estão apenas relacionados à falta de mercado, mas a fatores que interferem no processo produtivo (baixa produtividade e ausência de cultivares adaptadas) e fatores que viabilizam o sistema produtivo (uso de tecnologias existentes, envolvimento e interesse de pesquisadores e investimentos governamentais para o desenvolvimento da cultura) (RUFATO et al., 2021).
Os estudos voltados para o cultivo da pereira são escassos em regiões que apresentam condições climáticas de inverno ameno. Desta forma, o projeto terá como relevância estudar as cultivares de menor exigência de horas de frio hibernal através de estudos básicos de fisiologia. Dentre os tópicos a serem trabalhados para compor essa tese estão estudos da necessidade de frio para quebra da dormência através de teste biológicos de gema única sem e com a combinação de diferentes dosagens de indutores de brotação; estudos sobre o processo de condutância hidráulica e a caracterização anatômica dos vasos xilemáticos desses materiais.
Esses trabalhos serão de suma importância para compreender as necessidades de cada cultivar em condições de inverno ameno, bem como saber o funcionamento da água na planta em suas estruturas anatômicas, tendo em vista que essas informações são escassas para a cultura e nas condições climáticas em que serão estudadas.

Metodologia

Experimento 1 – Método biológico de gema única
Os materiais coletados serão oriundos de pomares experimentais localizados no INIA – Las Brujas, Rincón del Colorado, Canelones, Uruguai. Serão coletados 40 ramos entre 30 a 45 cm das cultivares Etrusca, Rocha, Williams e Williams precoce. As coletas ocorrerão na primeira quinzena de junho, durante o período de dormência.
Os ramos serão coletados e levados ao laboratório, onde serão umidecidos em papel toalha e depois embalados em plástico filme para serem enviados à UFPel. No laboratório serão armazenados em BOD em temperatura de 5°C para que obtenham acúmulo de frio (0, 250, 500 e 750). Conforme atingirem as horas necessárias, 10 ramos de cada cultivar serão seguimentados em estacas de 6 diferentes porções, sendo: apical, mediana 1, mediana 2, mediana 3, mediana 4 e basal. Em cada estaca de 7 cm será mantida apenas uma gema na parte superior, sendo as estacas cortadas bisel a um centímetro acima de uma gema íntegra.
Cada estaca será alocada em bandeja plástica com espuma fenólica umidecida em água destilada. Posteriormente, as bandejas com estacas serão postas em câmera de crescimento (BOD) com temperatura de 25 °C e fotoperíodo de 12 h.
Variáveis a serem analisadas
a) Tempo médio de brotação (TMB): tempo para atingir estágio de ponta verde – estádio C.
b) Tempo médio para aparecimento das folhas abertas (TMFA): estádio D2.
c) Porcentagem de brotação das gemas: será quantificado através da equação: [(número toral de estacas com gemas brotadas / número total de estacas) x 100)].

Experimento 2 – Método biológico de gema única com aplicação de indutores de brotação
Os materiais coletados serão oriundos de pomares experimentais localizados no INIA – Las Brujas, Rincón del Colorado, Canelones, Uruguai. Serão coletados 40 ramos entre 30 a 45 cm das cultivares Etrusca, Rocha, Williams e Williams precoce. As coletas ocorrerão na segunda quinzena de julho, durante o período de dormência.
Os ramos serão coletados e levados a laboratório, onde serão umidecidos em papel toalha e depois embalados em plástico filme para serem enviado à UFPel. No laboratório os ramos de cada cultivar serão seguimentados em estacas de 6 diferentes porções, sendo: apical, mediana 1, mediana 2, mediana 3, mediana 4 e basal. Em cada estaca de 7 cm será mantida apenas uma gema na parte superior, sendo as estacas cortadas bisel a um centímetro acima de uma gema íntegra.
Os tratamento consistirão na complicação de indutores de brotação: Erger em duas diferentes concentrações (3 e 5%) combinado com nitrato de cálcio em duas diferentes concentrações (3 a 5%); cianamida de hidrogenada através do produto comercial Dormex ® (BASF S.A.) em duas diferentes concentrações (2 a 3%) combinado com óleo mineral Assist ® (BASF S.A.) em concentração de 3%.
Cada estaca será alocada em bandeja plástica com espuma fenólica umidecida em água destilada. Posteriormente, as bandejas com estacas serão postas em câmera de crescimento (BOD) com temperatura de 25 °C e fotoperíodo de 12 h.
Os dados obtidos serão submetidos à análise de variâncias pelo teste F, e quando significativo, as médias serão comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade, utilizando o programa R (R DEVELOPMENT CORE TEAM, 2019) com o pacote 'ExpDes' (FERREIRA et al., 2014).
Variáveis a serem analisadas
a) Tempo médio de brotação (TMB): tempo para atingir estágio de ponta verde – estádio C.
b) Tempo médio para aparecimento das folhas abertas (TMFA): estádio D2.
c) Porcentagem de brotação das gemas: será quantificado através da equação: [(número toral de estacas com gemas brotadas / número total de estacas) x 100].

Experimento 3 – Caracterização do desenvolvimento morfológico das gemas de pereira
O experimento será conduzido em pomares experimentais de pereiras que pertencentem ao Instituto Nacional de Investigación Agropecuária /INIA – Estação Experimental Las Brujas, Rincón del Colorado, Canelones, Uruguai.
As cultivares estudadas serão Etrusca, Rocha, Williams e Williams precoce. Serão coletadas amostras de aproximadamente 40 – 50 gemas de esporões. A escolha da estrutura será padronizada no terço médio das planras e em ramos sem a presença de frutos, sendo coletados em ambos lados das fileiras.
As coletas ocorrerão mensalmente ao longo do ciclo vegetativo e durante da fase inicial de dormência das plantas, tendo início 40 dias após a plena floração (DAFP).
Variáveis a serem analisadas
a) Análise em microscópio eletrônico de varredura (MEV): a cada coleta, escamas e primórdios foliares serão removidos sob microscópio estereoscópio até aparecimento do ápice.
b) Caracterização climática: os dados climáticos durante o período de avaliação serão obtidos através da estação meteorológica do INIA – Las Brujas, Uruguai.
c) Análises descritivas: com o auxílio do MEV e com base nas classificações propostas por Francescatto (2014), será definida uma escala do processo evolutivo dos ápices meristemáticos das gemas de pereira. A partir disso, e conforma as datas de coleta, será possível descrever a época de ocorrência e a duração de cada estádio para cada cultivar.

Experimento 4 – Dinâmica da água e caracterização anatômica
O experimento será conduzido em pomares experimentais de pereiras que pertencentem ao Instituto Nacional de Investigación Agropecuária /INIA – Estação Experimental Las Brujas, Rincón del Colorado, Canelones, Uruguai.
As cultivares estudadas serão ‘Rocha’ e ‘Williams’ sobre diferentes porta-enxertos. As amostras serão coletadas entre 6 a 8 semanas durante do ciclo de desenvolvimento com a retirada de aproximadamente 8 ramos de cada combinação.
Os dados obtidos serão submetidos à análise de variâncias (ANOVA), e quando significativa, as médias serão comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade, utilizando o programa R (R DEVELOPMENT CORE TEAM, 2019) com o pacote 'ExpDes' (FERREIRA et al., 2014).
Variáveis a serem analisadas
a) Perda da condutância hidráulica (PLC): os ramos serão coletados mensalmente. Após coletados, os ramos serão esterilizados em solução com 2% de água destilada e hipoclorito de sódio durante 5 minutos. Em seguida, serão embalados em papel umedecido com água destilada e acomodados em sacolas plásticas até serem levados para análise laboratorial.
Em laboratório, os ramos ficarão em bancada para atingirem temperatura ambiente e, submersos em água, os ramos serão cortados em segmentos de 5 cm com auxílio de lâminas. Após, serão acoplados ao aparelho Xyl’em® (Bronkhorst, versão 2, 2012).
A porcentagem de perda de condutância do xilema (PLC) será calculada como:
𝐾′ PLC = 100 ∗ (1 − 𝐾 )

b) Caracterização anatômica: os ramos coletados mensalmente serão separados em segmentos de 5cm da porção mediana para avaliação. Estes segmentos serão cortados com lâminas em seções transversais e tingidos com safranina e corante de contraste. Após tingimento, as três secções serão preparadas em lâminas para visualização em microscópio. As imagens serão analisadas para aferições anatômicas como diâmetro dos vasos (μm), contagem de número de vasos por área (μm2), distribuição dos vasos em relação ao seu diâmetro e a área total que os vasos ocupam na imagem (μm2), assim como a espessura da parede das pontuações (μm).


Indicadores, Metas e Resultados

- Estabelecer qual a necessidade de frio brotação de cada cultivar
- Identificar qual indutor de brotação apresenta os melhores resultados nas para as cultivares estudadas;
- Encontrar qual cultivar apresenta menor perda da condutância hidráulica;
- Realizar a caracterização anatômica das diferentes cultivares.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA LUCIA SOARES CHAVES4
BERENICE SOUZA DE MUNHOZ
BRUNO CARRA
GABRIEL RODRIGUES TOMASELLA
JULIANA APARECIDA FERNANDO1
LUCIANO MACHADO KARNOPP
PAULO CELSO DE MELLO FARIAS3
RAFAELA LAGES SOARES
ÍGOR RATZMANN HOLZ

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
PROAP/CAPES / Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível SuperiorR$ 1.134,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339030 - Material de ConsumoR$ 1.134,00

Página gerada em 10/07/2026 23:23:38 (consulta levou 0.239633s)