Nome do Projeto
A MONITORIA APLICADA AO ENSINO DAS CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS E BIOLOGIA CELULAR
Ênfase
ENSINO
Data inicial - Data final
04/05/2015 - 31/12/2015
Unidade de Origem
Área CNPq
Ciências Biológicas - Morfologia - Histologia
Resumo
A Histologia estuda os quatro tecidos básicos que constituem o organismo animal: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. Juntamente com a Anatomia, constitui as Ciências Morfológicas (Morfologia). Atualmente, a Histologia relaciona-se com outros campos da ciência, como a Bioquímica, Biologia Molecular e a Fisiologia, o que a torna fundamental na base curricular. Os conteúdos de Histologia - Anatomia Microscópica - são considerados difíceis de serem assimilados pelos estudantes, provavelmente devido à dificuldade de abstração exigida na análise das imagens microscópicas. Para esse tipo de estudo é fundamental o manejo adequado do microscópio, que é uma tarefa que requer tempo e nem sempre é bem vinda por muitos alunos. Além disso, a compreensão das imagens visualizadas ao microscópio exige um conjunto de conhecimentos e habilidades como: ótica, memória visual, interpretação de imagens e a reprodução do que está sendo observado no microscópio através de desenhos ou esquemas. O aluno apresenta grande dificuldade nesse último aspecto, ou seja, ele precisa construir mentalmente a imagem tridimensional a partir da imagem bidimensional observada no microscópio de luz (ML). Essas dificuldades exigem uma atenção individual aos alunos durante a aula prática. Entretanto, essas são apenas algumas das dificuldades enfrentadas pelos alunos, outro obstáculo é relacionar a teoria com a prática. Isso decorre do fato de que muitos conceitos ou definições, descritos na literatura, que são trabalhados na aula teórica, não podem ser observados e, portanto, confirmados nas aulas práticas. Seguindo essa linha de pensamento, também é difícil a contextualização, tendo em vista a busca de um caráter interdisciplinar, uma vez que os objetivos da disciplina de Histologia devem estar especificamente voltados a formação básica, para auxiliar na compreensão dos conteúdos das disciplinas seguintes (CARVALHO, 2004). A Monitoria é uma modalidade acadêmica que insere o estudante universitário nas práticas de ensino da graduação, tendo como principal finalidade contribuir para a qualidade de formação dos estudantes, o que ocorre por meio da mediação dos monitores nos processos pedagógicos. Segundo SOUSA JR et al. (s/d), a Monitoria é uma atividade que coloca o aluno em interação com atividades didáticas. A rotina do ensino, o preparo de aulas, bem como o treinamento da postura frente as mais diversas situações encontradas na docência, servem como base sólida para aqueles que desejam seguir carreira acadêmica. A Monitoria durante a graduação está inserida como uma atividade de apoio aos processos de ensino e de aprendizagem, bem como a possibilidade de aquisição de conhecimento. Por este motivo, cada vez mais tem sido um instrumento utilizado nos cursos superiores. A literatura aponta que a Monitoria é uma possibilidade de aprendizagem mais aprofundada do conteúdo da disciplina, assim como uma forma de aprendizagem da prática pedagógica da função docente. Neste sentido, usada nas universidades, pode ser entendida como um instrumento que contribui para a formação do docente de nível superior (SCHNEIDER, 2006; PESSOA, 2007; GUEDES FILHO et al., 2007). Pelo fato do aluno monitor conhecer o conteúdo da disciplina, a didática do professor, e por ter uma relação de maior proximidade com este e com os alunos da disciplina, ele tem uma função de facilitador do processo de ensino e de aprendizagem, esclarecendo dúvidas em horários alternativos ou ajudando na aula (PAIXÃO et al., 2010). Vista como um instrumento para trabalhar com a diversidade em sala de aula, no âmbito universitário, a Monitoria proporciona uma contribuição no sentido de que possibilita que as novas formas de saber, fazer e ensinar instiguem mudanças no contexto da população discente, levando a uma aproximação maior do que se denomina escola democrática, e assim busque atender às novas exigências da sociedade. Nesse sentido, esta atividade é realizada normalmente em Instituições de Ensino Superior (I.E.S.), e para tanto é regida por normas fixadas pelos respectivos conselhos de ensino, pesquisa e extensão (SCHNEIDER, 2006), devendo o orientador supervisionar o aluno monitor constantemente (SANTANA & FERREIRA, 2010). Desta forma, a Monitoria se mostra como uma ferramenta que possibilita o cumprimento de um dos objetivos básicos do processo de aprendizagem na graduação, o processo de “aprender a aprender”. Isto implica em dizer que a Monitoria favorece o desenvolvimento de habilidades de busca, seleção e avaliação crítica dos dados e informações teóricas que são disponibilizadas em livros, periódicos e bases de dados. Favorece também a utilização de fontes pessoais de informação, advindas da própria experiência profissional e pessoal. Neste sentido, a Monitoria possibilita o aluno a alinhavar os três aspectos básicos do bom professor: o conhecimento técnico, o teórico e a atitude (FEUERWERKER et al., 2000; SANTANA & FERREIRA, 2010). A prática da Monitoria deriva do encontro de duas demandas. De um lado situa-se a demanda do aluno, animada pelo ensaio de docência, pelos créditos concedidos, pelo retorno financeiro em forma de bolsas ou diversas outras razões igualmente honestas. Na outra parte reside a demanda do docente que, embora não se desvincule da ética pedagógica, por vezes parece concebida na forma de demanda de força de trabalho. Somente uma pequena fração das disciplinas dispõe de tal função: a existência de monitores acompanha as necessidades dos departamentos, das disciplinas e dos professores e a disponibilidade dos estudantes de exercerem essa função. A atividade de Monitoria tem uma função fundamentalmente importante na definição do perfil profissional do futuro docente, como afirmam FERNANDES et al. (2001). A importância da Monitoria nas disciplinas do ensino superior extrapola o caráter de obtenção de um título. Vai mais além, seja no aspecto pessoal de ganho intelectual do Monitor, seja na contribuição dada aos alunos monitorados e, principalmente, na relação de troca de conhecimentos, durante o programa, entre professor orientador e aluno monitor. O monitor tende a funcionar como um elo entre professor e aluno, disposto a colaborar com o processo ensino-aprendizagem desse aluno. A Monitoria torna-se uma prática cada vez mais relevante e, por isso, incentivada no âmbito acadêmico (FRANCO, 1998; HAAG et al., 2008), embora ainda seja necessário otimizar suas potencialidades. Estudantes exibem diferentes estilos de aprendizagem, demonstrando preferências totalmente particulares sobre a maneira de adquirir e processar as informações a eles apresentadas. Respostas diferentes também surgem por ações de mecanismos visuais, verbais, gráficos ou outros diversos, quando utilizados nos procedimentos de ensino. É óbvio que tanto o aluno, quanto o futuro profissional, devem apresentar habilidade em mostrar um poder de compreensão no decorrer de todas as formas de transmissão da informação ou conhecimento. Um grande instrumento é a observação realizada pelo monitor, ele poderá avaliar as práticas e vivências de seu(s) professor(es) orientador(res) e, por meio desta contemplação, criar seu modo próprio de ministrar o conteúdo, atendendo a necessidade de cada turma e/ou aluno. Ou seja, na universidade, o conhecimento deve ser construído pela experiência ativa do estudante e não mais ser assimilado passivamente, como ocorre o mais das vezes nos ambientes didático-pedagógicos do ensino básico (SEVERINO, 2007). Faz-se importante destacar que o fato do monitor estar em contato direto com alunos, na mesma condição de acadêmico, propicia uma melhor aproximação entre ele e os demais matriculados na disciplina. A elaboração de estudos e pesquisas, com o objetivo de esclarecer as dúvidas e os questionamentos dos alunos monitorados, acaba por contribuir, de forma determinante, para a formação do espírito de pesquisador, condição fundamental àquele que pretende seguir a carreira da docência no ensino superior (MACENA JUNIOR et al., 2007). Durante o programa de Monitoria, o aluno monitor experimenta em seu trabalho docente, de forma amadora, as primeiras alegrias e dissabores da profissão de professor universitário. O fato de estar em contato direto com alunos na mesma condição que a sua (acadêmicos), propicia situações inusitadas, que vão desde a alegria de contribuir pedagogicamente com o aprendizado de alguns, até a momentânea desilusão, em situações em que a conduta de alguns alunos mostra-se inconveniente e desestimuladora. O privilégio oferecido aos aprovados nos programas de Monitoria torna-se de fundamental importância para a descoberta da vocação docente, evitando, assim, que, no futuro, possa tornar-se um profissional descontente com a carreira escolhida. As aulas de revisão, ministradas pelo aluno monitor, com a supervisão do professor orientador, são de fundamental importância para exercitar, no aluno monitor, a capacidade de concentração, argumentação e domínio do grupo. A elaboração de estudos e pesquisas, com o objetivo de esclarecer as dúvidas e os questionamentos dos alunos monitorados, acaba por contribuir, de forma determinante, para a formação do espírito de pesquisador, condição fundamental àquele que pretende seguir a carreira da docência no ensino superior.

Objetivo Geral

Na última década, os professores das disciplinas de Histologia e Biologia Celular manifestaram-se favoráveis a uma retomada mais sistemática do seu trabalho com monitores como uma atividade de caráter coletivo. Criou-se, então, um espaço próprio e equipado para o melhor desempenho dessa função, com os seguintes objetivos:

OBJETIVOS GERAIS
Facilitar e incrementar o processo ensino/aprendizagem nas áreas de Histologia e Biologia Celular por meio da socialização entre monitores, discentes e docentes.

Justificativa

Os professores das disciplinas de Histologia e Biologia Celular sempre observaram as dificuldades enfrentadas pelos alunos em relação ao estudo das disciplinas, principalmente durante as aulas práticas. A correta utilização do microscópio, assim como a compreensão das imagens visualizadas através deste, tornam-se muito difíceis para os alunos que estão ingressando na Universidade (1º e 2º semestres), sem um acompanhamento individualizado. Nos últimos anos, o aumento do número de alunos nas turmas que estão ingressando na Universidade, e também a criação de novos cursos que são atendidos pelas disciplinas de Histologia, agravaram este problema, pois houve um aumento no número de alunos atendidos por cada professor durante as aulas práticas. Portanto, cada vez mais está sendo necessária a presença dos alunos monitores, principalmente durante as aulas práticas, mas também nas aulas de revisão extraclasse, para auxiliar os professores e os alunos das disciplinas de Histologia. Diante disso, foi constatado que:
I. Os alunos necessitam de um material didático disponível em um ambiente diferente do laboratório de Microscopia, que permita adequar melhor os seus horários de estudos. Desse modo, a formação de uma equipe de monitores que atue junto aos alunos em um laboratório específico para a Monitoria pretende enriquecer a aprendizagem da Histologia e da Biologia Celular.
II. Uma equipe de monitores é essencial para o atendimento individualizado que deve ser dispensado a cada aluno durante as aulas práticas. Este é fundamental para que os alunos possam trabalhar o conjunto de ideias (texto, desenho esquemático e finalmente imagens histológicas). É uma prática de ensino que vem sendo aplicada durante o ensino prático pelos professores dessa disciplina, a qual será beneficiada com a presença dos quatro monitores solicitados neste projeto.
III. Durante o tempo em que não estiver presente na aula prática no laboratório de Histologia, o aluno poderá apreciar as imagens geradas pelas diferentes técnicas de coloração no laboratório de monitoria, junto com o monitor. O monitor é fundamental para trabalhar as representações gráficas que, pareadas com as imagens histológicas, possibilitarão estabelecer uma relação entre o que é estudado na literatura indicada e a sua observação no microscópio.

Metodologia

O projeto será desenvolvido no Instituto de Biologia – Departamento de Morfologia – Disciplinas de Histologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). As disciplinas que farão parte do projeto serão: Histologia Geral, Histologia Especial, Biologia Celular e Anatomia Humana. Cada uma dessas disciplinas tem a sua carga horária dividida em aulas práticas e aulas teóricas, e são ofertadas no ciclo básico durante cada semestre letivo regular dos seguintes cursos:

- Ciências Biológicas Bacharelado (45 vagas), duas turmas/semestre
- Ciências Biológicas Bacharelado Licenciatura (45 vagas), duas turmas/semestre
- Farmácia (60 vagas), duas turmas/semestre
- Medicina (65 vagas), duas turmas/semestre
- Medicina Veterinária (70 vagas), duas turmas/semestre
- Medicina Veterinária Turma Especial (65 vagas), duas turmas/semestre
- Nutrição (60 vagas), duas turmas/semestre
- Odontologia (65 vagas), duas turmas/semestre
- Zootecnia (60 vagas), duas turmas/semestre


Seleção dos Monitores
A seleção será feita após entrevista, prova teórico pratica e análise da grade de horários. A disponibilidade de 20 horas semanais para a monitoria será obrigatória para o candidato ser aprovado na seleção. Após a seleção dos monitores, os mesmos receberão um cronograma com todas as atividades que deverão ser desenvolvidas pelos mesmos, juntamente com os professores orientadores e os alunos de graduação. Constará nesse cronograma toda a bibliografia que poderá ser consultada durante os trabalhos didáticos.
Uma equipe de quatro (4) monitores juntamente com os três (3) professores orientadores irão desenvolver um conjunto de seis (6) ações que proporcionem atingir os objetivos propostos no item 3.3 desse projeto de ensino. Essas ações são:
a) Seminários Integradores
b) Preparação de Aulas Práticas
c) Auxílio nas Aulas Práticas
d) Oficinas de Microscopia de Luz
e) Seminários Teóricos
f) Práticas de Laboratório de Histologia/Biologia Celular

a) Seminários Integradores (Monitores/Professores Orientadores)
Os seminários serão sempre realizados com uma semana de antecedência em relação às aulas práticas onde os monitores irão atuar.
Através de uma consulta ao cronograma, os monitores saberão quais conteúdos terão que preparar para o seminário. A preparação consistirá em uma pesquisa na bibliografia citada no cronograma sobre o conteúdo que será ministrado na aula prática.
Durante a realização do seminário, os monitores terão a oportunidade de sanar dúvidas, ampliar seus conhecimentos e também treinar estratégias pedagógicas para auxiliar os alunos de graduação durante as aulas práticas.

b) Preparação de Aulas Práticas (Professores orientadores/Monitores)
A preparação das aulas práticas consistirá em:
- escolher, no laminário da Histologia, o elenco de lâminas mais adequado para estudo em cada aula prática de microscopia de luz;
- revisar e arrumar as caixas de lâminas que serão utilizadas pelos alunos da graduação durante as aulas;
- organizar a vidraria e o material biológico e preparar as soluções necessárias para cada aula de Biologia Celular.

c) Auxílio nas Aulas Práticas (Professores orientadores/ Monitores/ Alunos de graduação)
A equipe de monitores organiza o material que vai ser trabalhado por cada aluno da graduação, de forma individual.
O professor regente da disciplina realiza uma explanação teórica durante os primeiros 30 minutos de aula, que deve sempre ser assistida pela equipe de monitores. Logo após, os alunos de graduação iniciam os estudos em seus microscópios de forma individual. Cada aluno tem um conjunto de microscópio e caixa de lâminas histológicas.
Os monitores e professores orientadores iniciam o atendimento individual aos alunos durante o tempo restante de aula. Nesse sentido, os trabalhos em sala de aula se concentram em:
- auxiliar no manejo do microscópio;
- auxiliar a visualizar e interpretar o material biológico observado;
- recolher e organizar o material que foi utilizado durante a aula.

d) Oficinas de Microscopia de Luz (Monitores/Alunos de graduação)
Serão realizadas oficinas de microscopia com os alunos de graduação e a equipe de monitores. Cada oficina terá apenas um monitor responsável.
Cada monitor será responsável por 4 horas de oficina por semana, totalizando 16h por semana de oficinas.
As oficinas acontecerão em espaço próprio para isso, que é o Laboratório de Monitoria já existente no Departamento de Morfologia. Este laboratório é equipado com microscópios de luz, caixas de lâminas, roteiros de aulas práticas, atlas de Histologia e quadro branco.
Nessas oficinas, os monitores auxiliarão os alunos no estudo das lâminas histológicas, sanando suas dúvidas e exercitando conceitos fundamentais para o entendimento da Morfologia dos tecidos e sistemas assim como da Biologia Celular.

e) Seminários Teóricos (Monitores/Alunos de graduação)
Os seminários teóricos para os alunos de graduação serão organizados e agendados pela equipe de monitores. Aqui os alunos terão a oportunidade de discutirem com os monitores suas dúvidas em relação aos conteúdos teóricos. Esse será o momento oportuno para enfatizar a relação das disciplinas de Histologia e Biologia Celular com outros saberes como Bioquímica, Biologia Molecular, Fisiologia e Anatomia.
Nesse momento, cada monitor poderá desenvolver, junto aos alunos de graduação, um assunto da atualidade que tenha relação científica com as disciplinas do projeto.
Serão agendados quatro seminários por semestre, cada um com um monitor responsável.

f) Práticas no Laboratório de Histologia/Biologia Celular (Professores orientadores/ Monitores/ Técnicos de Histologia)
A equipe de monitores terá no seu cronograma de atividades quatro horas por semana para acompanhar os técnicos de Histologia na confecção de lâmias de coloração permanente. Participando da rotina do laboratório eles aprenderão a manipular a vidraria, reagentes, material biológico e aparelhos essenciais para a confecção das lâminas. 

Resultados Esperados

Através desse projeto esperamos melhorar o processo de compreensão e aprendizado do conteúdo pelos alunos, reduzindo a dissociação entre o conhecimento teórico e o conhecimento prático, minimizando a evasão e falta de motivação nas disciplinas. Esperamos também estabelecer uma maior cooperação entre o corpo docente e discente dessas disciplinas.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALDRÍO ALVES DA SILVA2004/05/201531/12/2015
JORGE LUIZ PERON DE SOUZA PINTO2004/05/201531/12/2015
LAURA BEATRIZ OLIVEIRA DE OLIVEIRA404/05/201531/12/2015
MARIA GABRIELA TAVARES RHEINGANTZ304/05/201531/12/2015
POLIANA MARIA RODRIGUES DA SILVEIRA DOS SANTOS2004/05/201531/05/2015
ROSANGELA FERREIRA RODRIGUES304/05/201531/12/2015
VICTOR BRACHT DE OLIVEIRA2004/05/201531/05/2015

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