Nome do Projeto
FINGIMENTO EM ESTUQUE: A IMITAÇÃO DE PEDRA E MOTIVOS ORNAMENTAIS NOS ACABAMENTOS DO CASARIO HISTÓRICO DE PELOTAS, RS, BRASIL.
Ênfase
PESQUISA
Data inicial - Data final
03/10/2011 - 02/01/2014
Unidade de Origem
Resumo
“Fingimento de pedra” é a denominação tradicional da arte decorativa que, mediante técnicas distintas, simula ou finge a aplicação de blocos de rocha, sobretudo mármores, nas superfícies visíveis, internas e externas, de edificações tradicionais. Em Pelotas, a “pedra fingida” teve larga aplicação em estuques lustrados, nas residências integrantes do casario histórico, preservando-se sobretudo em átrios ou halls de entrada, como evidente signo de distinção social. A memória dos artífices desta técnica em Pelotas, e as variações locais das grandes composições ornamentais em estuque, nunca formam objeto principal de um projeto acadêmico de pesquisas. Isto contribuiu para a ausência, ou quase ausência, de referências ao casario pelotense em publicações acerca da história da ornamentação em estuques, uma prática decorativa milenar e transcontinental. Compreendendo levantamentos imagéticos (fotografia e desenho), documentais (em arquivos e hemerotecas, ou mediante entrevistas) e bibliográficos (estudos da ornamentação em estuques e de seu papel na história da arquitetura), o presente projeto visa resgatar a memória do fingimento de pedra e de seus artífices, mitigados no imaginário e na historiografia locais. Constituindo-se como esforço de pesquisa transdisciplinar, o projeto terá a colaboração de acadêmicos, técnicos e professores ligados às áreas de Conservação e Restauro, Arqueologia, Museologia, Arquitetura, História e Antropologia. Buscando revalorizar bens integrados pouco favorecidos pelos esforços preservacionistas, e apontar cronologias e autorias, o projeto procura fazer apontamentos para uma história do fingimento de pedra em Pelotas, e necessitará do envolvimento de profissionais aposentados da construção civil e seus familiares, além de conservadores-restauradores, gestores públicos e proprietários.

Objetivo Geral

O objetivo mais abrangente é a revalorização histórica e patrimonial dos revestimentos ornamentados do casario histórico de Pelotas. O que implica num esforço conjugado de levantamento, documentação, análise estilística e divulgação dos estuques com fingimento de pedra e outros motivos, preservados em casarões pelotenses. Seus modos de feitura, suas qualidades compositivas, motívicas e técnicas também deverão ser objetos de estudo e divulgação, motivo pelo qual as atividades de pesquisa previstas no projeto devem ser desenvolvidas junto à comunidade acadêmica (local, regional e transregional) e ao grande público, se valendo de diferentes contribuições, necessárias para que o objetivo maior do projeto seja atingido.
A revalorização e a divulgação aqui propostas objetivam preencher também duas importantes lacunas documentais: a primeira diz respeito ao reconhecimento dos agentes envolvidos diretamente no fingimento de pedra, às condições de trabalho e de subsistência dos fingidores e estucadores, bem como de sua inserção, notoriedade e eventuais vínculos com grupos sociais auto-afirmativos. Há, portanto, um interesse biográfico acerca daqueles que ornaram de pedra fingida e de outros ornatos os casarões pelotenses. Eles serão objetos de investigação dos característicos veios de mármore e assinaturas que tenham traçado, até os inventários e compromissos de dívida nos quais tenham sido lembrados, preservados em arquivos históricos.
As ditas “escaiolas” ou “escariolas” não contam atualmente com nenhum dispositivo legal de proteção. Na sua maioria executadas no interior dos edifícios, não foram, até o momento, consideradas em inventários e tombamentos. Por terem se preservado muitas vezes em átrios, corredores e cômodos de grande circulação, os estuques ornamentados estão sujeitos a uma depredação cotidiana, potencializada pelas patologias habituais da exposição à luz, à umidade e aos poluentes do ar, além de muitas terem sido afetadas por intervenções restaurativas abusivas ou incompletas. Por tais razões, a revalorização proposta parece ser a etapa inicial necessária a um esforço continuado de preservação patrimonial deste tipo de bem integrado.
Compreendendo levantamentos imagéticos (em fotografia e desenho), documentais (em arquivos e hemerotecas, além de história oral) e bibliográficos (estudos precedentes sobre a técnica de ornamentação em estuques e sobre a construção civil em Pelotas); o projeto visa resgatar a memória do fingimento de pedra e de seus artífices, mitigados tanto no imaginário, quanto na historiografia local.



Metas:
O presente projeto, por sua condição ao mesmo pericial, biografista, patrimonial e preservacionista, requer metas variadas que mobilizam especialistas e estudantes de distintas áreas, bem como colaboradores externos à universidade. Ações e levantamentos propostos visam as metas a seguir, bem como o envolvimento dos seguintes atores, nos locais respectivamente apontados:

Meta A: Prospecção de campo: levantamento prévio (gráfico e descritivo) das edificações que abrigam bens integrados do tipo estuque lustrado com fingimento de pedra e outros ornatos; cadastro sintético dos proprietários e gestores destes imóveis, condições de acesso, horários propícios à visitação dos pesquisadores, etc. (atividade a ser realizada concomitantemente às ações do projeto de pesquisas Estuques lustrados com fingimento de pedras e ornatos no casario histórico de Pelotas: Levantamento sistemático e análise preliminar).
Atores: acadêmicos e bolsistas do projeto, sob a orientação do proponente (Arqueólogo e docente do curso de Museologia), e dos seguintes colaboradores: Profa. Daniele B. Fonseca (Arquiteta e docente do curso de Conservação e Restauro); Mestrando Jéferson Salaberry (técnico do curso de Conservação e Restauro); Mestranda Marta Regina Nunes (Aluna do programa de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo).
Locais: Zonas de proteção do patrimônio cultural (loteamentos I e II, Porto e Caieira), definidas pelo Plano diretor da cidade (lei municipal 5.502 de 11 de setembro de 2008), priorizando os 1.189 sítios apontados no Inventário do Patrimônio Cultural de Pelotas (lei municipal no. 4.568/2000 e decretos 4.490/2003 e 4. 703/2004).

Meta B: Análises periciais (atribuição). A partir de uma seleção de conjuntos decorativos bem conservados, dotados de características técnicas notáveis, bem como de registros gráficos e descritivos, promover a análise comparativa que permitirá relatar proximidades estilísticas e definir as formulae (pormenores que o artista tem por hábito repetir) e, a partir delas, a oeuvre (conjunto reconhecido das obras atribuídas a um mesmo artista) dos diferentes fingidores que trabalharam em Pelotas.
Atores: acadêmicos e bolsistas do projeto, sob a orientação do proponente (Arqueólogo e docente do curso de Museologia), e do seguinte colaborador: Mestrando Jéferson Salaberry (técnico do curso de Conservação e Restauro).
Locais: Zonas de proteção do patrimônio cultural (loteamentos I e II, Porto e Caieira), definidas pelo Plano diretor da cidade (lei municipal 5.502 de 11 de setembro de 2008), laboratórios do curso de Conservação e Restauro da UFPel.

Meta C: levantamento etno-arqueológico e história oral dos artistas remanescentes. Identificação de profissionais aposentados, seus familiares, amigos e encomendantes; realização de entrevistas com tais informantes acerca do fingimento de pedra ornamental sobre estuque; resgate de modelos e técnicas, bem como documentação de eventuais gabaritos e esboços.
Atores: acadêmicos e bolsistas do projeto, sob a orientação do proponente (Arqueólogo e docente do curso de Museologia).
Locais: Município de Pelotas e suas circunvizinhanças, eventualmente outra localidade, mediante relato confirmado de informante neste local.

Meta D: Levantamento arquivístico-documental. Pesquisa em arquivos públicos e pessoais locais, regionais e, eventualmente, nacionais acerca da prática do fingimento em estuque na cidade de Pelotas e da biografia de seus artistas. Inclui-se nesta meta o inventário epigráfico das assinaturas de artista presentes em algumas raras composições ornamentais (tendo como base o levantamento proposto enquanto “Meta A” deste projeto).
Atores: acadêmicos e bolsistas do projeto, sob a orientação do proponente (Arqueólogo e docente do curso de Museologia).
Locais: Arquivo Histórico da Biblioteca Municipal de Pelotas; Arquivo da Câmara de Vereadores de Pelotas; Arquivo Histórico do Estado do Rio Grande do Sul; arquivos pessoais e, eventualmente, outros arquivos, alhures.

Meta E: estudos terminológico, técnico e histórico acerca da pintura mural sobre estuques, suas tradições instituídas, seus motivos característicos, relação com as diferentes tipologias arquitetônicas, com os valores estéticos e costumes do período em que foram feitos e encomendados em Pelotas (1850 a 1940 ). Importa a esta meta a relação com as condições econômicas da sociedade pelotense à época, posto que interferem diretamente na relação entre os artistas e seus encomendantes, no florescimento e perpetuação das práticas decorativas (atividade a ser realizada concomitantemente às ações do projeto de extensão universitária Grupo de Estudos e Pesquisa de Estuques).
Atores: acadêmicos e bolsistas do projeto, sob a orientação do proponente (Arqueólogo e docente do curso de Museologia), além de todos demais colaboradores.
Locais: Sala de reuniões do Departamento de Museologia, Conservação e Restauro da UFPel; Biblioteca do Instituto de Ciências Humanas da UFPel e Biblioteca Municipal Pelotense.

Meta F: Divulgação sistemática dos resultados. Publicações acadêmicas e de grande circulação, além da promoção de eventos abertos à comunidade onde serão convidados a palestrar os profissionais aposentados da construção civil, conservadores-restauradores, proprietários, acadêmicos e professores ligados às áreas de Conservação e Restauro, Arqueologia, Museologia, Arquitetura, História e Antropologia. Estes eventos terão acesso público e gratuito, e a divulgação será ampla. O cumprimento de cada uma das metas anteriores (A, B, C, D e E) será marcado por um destes eventos de divulgação.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
3
3
3
3
3
4
FABIANA FAGUNDES PALLA216/01/201202/01/2014
JEFERSON DUTRA SALABERRY203/10/201102/01/2014

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