Nome do Projeto
Influência da morfometria dorsal no ajuste de diferentes tipos de encilhas em equinos de rédeas avaliada por termografia infravermelha
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/03/2026 - 01/04/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
O projeto tem como objetivo avaliar como variações morfométricas da região dorsotorácica de equinos da raça Crioula influenciam o ajuste de diferentes tipos de encilha (sela e basto), por meio da termografia infravermelha aplicada antes e após a simulação de movimentos funcionais. A pesquisa busca compreender a relação entre conformação dorsal, compatibilidade geométrica com a encilha e padrões térmicos associados à pressão e atrito, fornecendo subsídios para práticas de bem-estar, ajuste ergonômico e prevenção de lesões no cavalo atleta. Serão avaliados 60 equinos clinicamente saudáveis, previamente examinados por médico-veterinário, todos com experiência mínima em provas funcionais. A morfometria dorsal será caracterizada entre as vértebras T8 e T18 por meio de moldes transversais com régua flexível, transferência para papel milimetrado e posterior análise digital, resultando na classificação dos animais em três grupos morfológicos (dorso profundo, intermediário e plano). Cada animal será submetido a duas condições experimentais — sela + manta gel e basto + manta gel — em dias distintos, seguindo delineamento cruzado com medidas repetidas. Os equipamentos serão previamente caracterizados quanto a dimensões, materiais e área de contato, assegurando padronização. As simulações incluirão andaduras (passo, trote e canter) e manobras típicas das provas da raça (voltas sobre patas e esbarradas), totalizando aproximadamente 20 minutos de exercícios controlados por sessão. A condução será realizada pela mesma pessoa experiente, garantindo uniformidade na aplicação de carga e minimização de variáveis humanas. A termografia será realizada com câmera FLIR T1020, seguindo padronização rigorosa de distância, ângulo e ambiente controlado, com obtenção de imagens do dorso e da superfície interna dos equipamentos nos momentos prée pós-exercício. As variáveis extraídas incluirão temperatura média, máxima, mínima, amplitude térmica e padrões de assimetria ao longo das vértebras torácicas. Os dados serão analisados por modelos lineares mistos, considerando tipo de encilha e momento de avaliação como efeitos fixos, e o animal como efeito aleatório, com comparações múltiplas pelo teste de Tukey (5%). Espera-se, portanto, identificar padrões térmicos que reflitam diferenças de ajuste entre tipos de encilha e categorias morfológicas, permitindo compreender de que forma a conformação dorsal afeta a distribuição de pressão. Os resultados deverão contribuir para protocolos mais precisos de seleção e ajuste de selas na equideocultura, com implicações diretas para o bem-estar, o desempenho e a prevenção de lesões musculoesqueléticas em equinos atletas.

Objetivo Geral

Avaliar a influência das variações morfométricas da região dorsotorácica de equinos de rédeas sobre o ajuste de diferentes tipos de encilha, por meio da análise termográfica infravermelha.

Justificativa

O avanço das competições equestres no Brasil tem aumentado a exigência física e técnica sobre os cavalos atletas, gerando preocupação com os impactos biomecânicos sobre sua saúde musculoesquelética (SILVA et al., 2022). Entre os fatores que afetam o desempenho e o bemestar, o ajuste adequado da sela é essencial para garantir uma distribuição uniforme de pressão na região dorsolombar, principal área de contato com o cavaleiro (SIQUEIRA et al., 2019). Selas mal ajustadas podem causar lesões musculares, dor lombar e atrofias, frequentemente subdiagnosticadas, comprometendo o rendimento e a longevidade esportiva dos animais (ARRUDA et al., 2011). Embora o problema seja reconhecido em outras raças, faltam estudos específicos com cavalos Crioulos, especialmente em contextos de alta demanda funcional, como na principal competição da raça. O Freio de Ouro compreende de uma sequência de provas que avaliam a docilidade, condução, força, agilidade e resistência dos animais, como andaduras controladas (passo, trote e canter), esbarradas, voltas sobre patas e recuos. Esses movimentos geram sobrecargas intermitentes na coluna vertebral, especialmente na região toracolombar, que atua como ponto de transmissão de forças entre os membros anteriores e posteriores (GREVE & DYSON, 2025). O mau ajuste dos equipamentos de montaria utilizados pela raça Crioula como sela, basto, xergão, carona e manta pode causar desconforto, restrições de movimento, lesões musculoesqueléticas e prejuízo ao desempenho esportivo (ANDRADE et al., 2020). Nesse sentido, estudos que avaliem a área de contato da encilha em situações que simulam o ambiente competitivo são cruciais para orientar ajustes ergonômicos baseados em evidências. Entre as ferramentas disponíveis para avaliação do ajuste de selas, a termografia infravermelha tem se destacado, sendo altamente utilizada na equideocultura como uma técnica não invasiva, segura, eficaz e econimicamente mais viável quando comparados as mantas de pressão. Esta técnica aplicada à região do dorso equino apresenta alta confiabilidade, com acurácia estimada em 94%, permitindo mapear variações de temperatura na superfície corporal, associadas a processos inflamatórios, tensão muscular e pontos de pressão (TURNER, 2018). Estudos anteriores já demonstraram sua efetividade na avaliação dorsolombar de cavalos atletas e de seus equipamentos de montaria, como em estudos com Mangalarga Marchador (SANTOS et al., 2021), cavalo Árabe (SIQUEIRA et al., 2019) e Quarter Horse (SILVA et al., 2021). No caso do Mangalarga Marchador, por exemplo, observou-se aumento de temperatura na região lombar após montaria com sela inadequada, indicando possíveis focos de pressão excessiva. Já em cavalos Quarter Horses utilizados em provas de laço, a termografia foi eficaz na identificação de assimetrias térmicas relacionadas ao uso prolongado de equipamentos mal ajustados. Apesar dos avanços na utilização da termografia em equinos, ainda são escassas as investigações voltadas à sua aplicação em cavalos da raça Crioula, especialmente em contextos que reproduzam as exigências biomecânicas específicas das provas funcionais, como o Freio de Ouro. Essa modalidade envolve manobras de alta intensidade e curta duração, como a volta sobre patas e as esbarradas, que impõem demandas particulares sobre a região dorsolombar dos animais. Além disso, são limitados os estudos que comparem os efeitos térmicos associados ao uso de diferentes sistemas de encilha, como sela e basto na região toracolombar. Pressões mal distribuídas e o uso inadequado de equipamentos de montaria podem comprometer não apenas o bem-estar e o desempenho atlético dos cavalos, mas também favorecer o surgimento de lesões musculoesqueléticas, resultando em afastamentos e prejuízos econômicos e reprodutivos significativos para criadores e competidores (DYSON et al., 2015). Neste contexto, o presente projeto propõe avaliar as alterações térmicas na região dorsolombar de equinos da raça Crioula e na superfície inferior dos equipamentos de montaria, submetidos à simulação das principais manobras do Freio de Ouro, utilizando diferentes composições de encilha (sela e basto). A abordagem busca compreender a distribuição de contato e atrito, contribuindo com subsídios técnicos para o uso mais adequado dos equipamentos, visando maior conforto, bem-estar, segurança e desempenho do cavalo atleta.

Metodologia

O estudo será conduzido entre março e julho de 2026, em centros de treinamento localizados na região sul do Rio Grande do Sul, Brasil, sob condições climáticas típicas do período, monitoradas continuamente para controle ambiental durante as avaliações termográficas. O delineamento experimental adotado será fatorial cruzado com medidas repetidas, considerando dois tipos de encilha (sela com manta gel e basto com manta gel) e dois momentos de avaliação (pré e pós-simulação de manobras funcionais). A variável dependente principal será a temperatura superficial da região toracolombar dos equinos e das superfícies internas dos equipamentos de montaria, obtida por termografia infravermelha. O tamanho amostral foi estimado considerando medidas repetidas no mesmo indivíduo, assumindo diferença térmica mínima de interesse de 1,2 °C, nível de significância de 5% (α = 0,05) e poder estatístico de 80% (1−β = 0,80), resultando em amostra mínima de aproximadamente 11 equinos por grupo morfométrico. Considerando três grupos morfológicos e possíveis perdas experimentais, definiu-se a utilização de 40 equinos da raça Crioula, com idade média de 7 ± 3 anos, selecionados aleatoriamente e com distintas conformações dorsais.

A classificação morfológica dos animais será realizada por meio de análise quantitativa do perfil dorsolombar, adaptada da metodologia proposta por Greve e Dyson (2014), abrangendo o segmento contínuo entre as vértebras T8 e L2. Serão obtidas mensurações transversais do dorso utilizando régua flexível moldada ao contorno anatômico, com posterior transferência para papel milimetrado. Para cada vértebra avaliada, serão mensuradas larguras a 3 cm e 15 cm da linha média (W3 e W15), permitindo o cálculo de índices representativos da curvatura e conformação dorsal. A média desses índices gerará um valor único por animal, utilizado para categorização morfológica em tercis, originando três grupos: Dorso Profundo, Dorso Intermediário e Dorso Plano. Essa estratégia assegura estratificação empírica baseada na distribuição real da amostra, equilíbrio numérico entre grupos e robustez estatística para análises comparativas. Todos os animais passarão por avaliação clínica prévia, sendo incluídos apenas equinos clinicamente hígidos, sem claudicação, com no mínimo um ano de treinamento e participação em prova funcional da raça.

Cada equino será avaliado nas duas condições experimentais, em dias distintos, no mesmo horário e sob condições ambientais semelhantes, conforme delineamento fatorial com medidas repetidas. A ordem das condições será randomizada, e as imagens termográficas analisadas de forma cega. As condições ambientais serão monitoradas por dados do INMET e do CPTEC/INPE, garantindo homogeneidade de temperatura, umidade relativa do ar e radiação solar entre os dias de coleta. Os equipamentos utilizados (uma sela tradicional, um basto e uma manta gel) serão novos, previamente caracterizados quanto às dimensões físicas, peso, área de contato, espessura e propriedades dos materiais, sendo utilizado um único exemplar de cada item ao longo de todo o estudo, com o objetivo de eliminar variações estruturais entre equipamentos.

A condução dos animais será realizada por um único ginete experiente, previamente caracterizado quanto à altura e peso corporal, com histórico de participação em provas funcionais da raça Crioula. Essa padronização visa controlar a influência da massa corporal, centro de gravidade e padrão de condução do cavaleiro sobre a distribuição de cargas, pressão e geração de calor na interface sela–dorso. A simulação dos movimentos funcionais seguirá protocolo padronizado, incluindo cinco minutos de passo, cinco minutos de trote e cinco minutos de canter, conduzidos de forma bilateral, seguidos de duas voltas sobre patas para cada lado, três esbarradas com intervalos de recuperação e, ao final, três minutos adicionais de canter, totalizando 20 minutos de exercício, conforme recomendações para avaliação do ajuste de selas.

A avaliação termográfica será realizada com câmera infravermelha FLIR T1020, posicionada a 1,5 m de distância e em ângulo perpendicular à região dorsolombar e aos equipamentos. As imagens serão capturadas antes da colocação da encilha e imediatamente após a retirada dos equipamentos, em ambiente controlado, livre de radiação solar direta e correntes de ar. As áreas de interesse incluirão a região toracolombar dos equinos e as superfícies de contato da sela, do basto e da manta gel. Os dados serão processados no software FLIR Tools, permitindo a extração de temperatura média, máxima, mínima, amplitude térmica e identificação de assimetrias térmicas. A análise será orientada por referências anatômicas correspondentes às vértebras T8 a L2, assegurando precisão espacial e reprodutibilidade na interpretação dos padrões térmicos observados.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se que as análises realizadas permitam identificar padrões consistentes de interação entre a morfometria toracolombar dos equinos de rédeas, o tipo de encilha utilizado e a distribuição térmica observada após o exercício, fornecendo evidências objetivas sobre o ajuste das selas sobre o dorso dos animais. Primeiramente, espera-se que os grupos com diferentes conformações do perfil dorsal das vértebras torácicas apresentarão variações térmicas distintas na região de contato sela-dorso. Essas diferenças devem refletir zonas específicas de maior pressão, atrito ou compressão tecidual, evidenciadas por áreas de hiper e hipotermia captadas pela termografia infravermelha. Do mesmo modo, espera-se que as diferenças geométricas entre os modelos de selas avaliados, especialmente na angulação transversal e no formato do arco, influenciem diretamente a distribuição térmica dorsal. Sela cuja angulação seja incompatível com a morfometria do animal tendem a gerar padrões térmicos assimétricos, aumento de temperatura em regiões de maior atrito e eventuais zonas frias associadas à restrição de fluxo sanguíneo, o que pode indicar compressão excessiva. Ao relacionar as características morfométricas do dorso com as medidas angulares das selas, espera-se identificar pares de correspondência biomecânica que favoreçam melhor distribuição de pressão e, consequentemente, padrões térmicos mais homogêneos. Assim, animais cuja angulação dorsotorácica seja compatível com a angulação da sela devem apresentar mapas térmicos mais uniformes, evidenciando um ajuste adequado e menor risco de lesões por compressão. A padronização do ginete, utilizando o mesmo cavaleiro em todos os animais, deverá contribuir para reduzir significativamente a variabilidade associada ao peso, à postura e ao equilíbrio do condutor. Assim, espera-se que os resultados térmicos obtidos reflitam predominantemente diferenças reais entre cavalos e selas, e não variações de técnica de equitação, carga assimétrica ou habilidade individual do ginete. No conjunto, espera-se que este estudo gere indicadores térmicos e morfométricos objetivos que permitam propor diretrizes práticas para o ajuste de selas em equinos de rédeas. Os resultados deverão fornecer subsídios para o desenvolvimento de protocolos mais precisos de avaliação de ajuste de ensilha, baseados na correspondência entre morfometria equina e angulação da sela, com potencial aplicação em outras modalidades esportivas.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA SARAIVA GIORGIS
CAMILA HESS DIAS
CAROLINA BICCA NOGUEZ MARTINS BITENCOURT
CHARLES FERREIRA MARTINS4
GABRIELA HOLZ
GINO LUIGI BONILLA LEMOS PIZZI2
GUILHERME MARKUS
KARINA HOLZ
LEILA REGINA OLIVEIRA DE BORBA
MARIANA SCHWANKE HIRDES
RAFAEL GIANELLA MONDADORI2
VICTOR FERNANDO BUTTOW ROLL2

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