Nome do Projeto
Projeto Caminhadas Ancestrais do território do Passo dos Negros- Pelotas/ RS
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
25/03/2026 - 31/12/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Meio ambiente
Linha de Extensão
Desenvolvimento regional
Resumo
O projeto Caminhadas Ancestrais no Território do Passo dos Negros nasce a partir de pesquisas e práticas desenvolvidas por Patrícia Fernandes Mathias, museóloga, em parceria com a antropóloga Simone Fernandes Mathias, que atua diretamente na comunidade. A iniciativa configura-se como uma tecnologia social de preservação patrimonial e de resistência política em um território ancestral situado em Pelotas/RS. Mais do que um roteiro turístico, o projeto constitui-se como um ato de retomada simbólica e física de um território historicamente invisibilizado pelas narrativas oficiais e, atualmente, ameaçado pela especulação imobiliária predatória.
Objetivo Geral
Consolidar a rota Caminhadas Ancestrais no Território do Passo dos Negros como uma ferramenta de produção afroturismo social na região do Rio Grande do Sul, promovendo a valorização do patrimônio cultural afro-referenciado, o fortalecimento do território e o empoderamento socioeconômico da comunidade local.
Justificativa
Justificativa desta iniciativa fundamenta-se na necessidade urgente de enfrentar o apagamento sistemático da memória negra em Pelotas, cidade cuja narrativa oficial e o turismo tradicional historicamente silenciam o protagonismo das populações negras e indígenas na construção de sua opulência econômica, social e cultural. Diante desse cenário, o projeto Caminhadas Ancestrais no Território do Passo dos Negros propõe uma ação estratégica que articula educação patrimonial, afroturismo e justiça histórica, voltada à valorização dos saberes, trajetórias e territorialidades negras, bem como à construção de narrativas contra-hegemônicas que reconheçam a centralidade da população negra na formação da cidade.
Metodologia
O Afroturismo como Tecnologia de desenvolvimento: Alinhada ao Decreto nº 12.277/2024, do Governo Federal, a iniciativa reconhece o Afroturismo como uma tecnologia social de desenvolvimento territorial. Ao inserir o Passo dos Negros no circuito do turismo cultural nacional e local. O projeto fomenta a economia da vizinhança, fortalece o comércio local e amplia as redes comunitárias de apoio, promovendo desenvolvimento sustentável com justiça social, assim como a promoção de vivências educativas e turísticas que valorizam a ancestralidade negra que constitui um gesto concreto de reparação histórica. O projeto fortalece o sentimento de pertencimento dos moradores, contribui para a educação antirracista de visitantes e amplia a compreensão sobre a complexidade da resistência negra no Sul do Brasil, transformando a dor do passado em potência de futuro.
Indicadores, Metas e Resultados
A participação e o protagonismo da população negra são centrais na concepção, no desenvolvimento e na execução da iniciativa. O projeto Caminhadas Ancestrais no Passo dos Negros foi criado e é conduzido por mulheres negras pesquisadoras, profundamente vinculadas ao território por laços históricos, ancestrais e afetivos, o que garante legitimidade, responsabilidade ética e compromisso comunitário às ações realizadas. A população negra do Passo dos Negros atua de forma ativa como guardiã da memória, compartilhando saberes por meio da oralidade, das práticas culturais, das religiosidades e das experiências de vida que estruturam as narrativas das caminhadas. Moradores e moradoras participam como mediadores da memória, orientando os percursos, identificando pontos de referência simbólicos e históricos e fortalecendo a leitura do território a partir de uma perspectiva negra e comunitária. Esse protagonismo se expressa também na tomada de decisões, na articulação política pela defesa do território, no diálogo com o poder público e na construção de estratégias de afroturismo de base comunitária. Ao colocar a população negra como sujeito do conhecimento e não como objeto de estudo, a iniciativa fortalece a autonomia comunitária, valoriza identidades negras e reafirma o direito à memória, ao território e à cidade.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| CLAUDIO BAPTISTA CARLE | 2 | ||
| ELIANA CARDOSO BARCELLOS | |||
| PATRÍCIA FERNANDES MATHIAS MORALES | |||
| SIMONE FERNANDES MATHIAS |