Nome do Projeto
O ensino de Botânica na educação básica: ressignificando a partir da perspectiva docente
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
25/05/2026 - 15/12/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
O ensino de Ciências e Biologia na educação básica frequentemente enfrenta desafios relacionados à falta de interesse dos estudantes, muitas vezes associada ao uso de nomenclaturas complexas e abordagens pouco contextualizadas. Nesse cenário, torna-se essencial que o professor realize uma transposição didática eficiente, lançando mão de estratégias e recursos que favoreçam não apenas a compreensão, mas também o engajamento ativo dos alunos no processo de aprendizagem (Nicola e Paniz; 2016). No campo da Botânica, essa problemática se intensifica. Wandersee e Schussler (2002) introduziram o termo “cegueira botânica” para descrever a incapacidade dos indivíduos de perceber a importância das plantas na biosfera e no cotidiano, bem como a dificuldade de reconhecer suas características únicas e sua relevância em relação aos outros seres vivos. Esse fenômeno é agravado no contexto urbano contemporâneo, onde o contato com as plantas ocorre de forma indireta, geralmente mediado por produtos industrializados, o que contribui para a dissociação entre os organismos vegetais e sua origem natural (Salatino e Buckeridge; 2016). Outro fator que amplia a desvalorização da Botânica está relacionado à própria formação docente. Muitos professores apresentam lacunas em sua formação na área, o que dificulta a abordagem do conteúdo de maneira atrativa e significativa. Segundo Salatino e Buckeridge (2016) essa limitação compromete tanto a transmissão de entusiasmo quanto a implementação de práticas pedagógicas eficazes. Nessa perspectiva, o ensino de Biologia e, especificamente, da Botânica, não deve restringir-se à transmissão de conteúdos isolados. Pelo contrário, ele precisa ser compreendido como um processo formativo mais amplo, capaz de somar o repertório cultural e científico dos estudantes, favorecendo o desenvolvimento do pensamento crítico e a capacidade de interpretar situações do cotidiano (Ursi et al; 2018). Quando os conteúdos não são contextualizados, cria-se um distanciamento entre o conhecimento científico e a realidade dos alunos, o que enfraquece o sentido da aprendizagem e reduz sua relevância social. A ausência de contextualização contribui diretamente para a formação de um ciclo de desinteresse, reforçando que a Botânica é um campo pouco relevante ou excessivamente complexo. Diante desse cenário, o uso de recursos didáticos diversificados apresenta-se como uma alternativa promissora para tornar o ensino de Botânica mais significativo. Estratégias como saídas de campo, atividades práticas, gamificação e o uso de modelos didáticos permitem aproximar os estudantes da realidade, favorecendo a construção ativa do conhecimento e a superação da visão fragmentada dos conteúdos, formando sujeitos mais críticos, conscientes e capazes de compreender e intervir em sua realidade. (Nicola e Paniz. 2016; Ursi et al; 2018). O presente projeto é o Trabalho de Conclusão de Curso da aluna Júlia da Silva Silveira

Objetivo Geral

Objetivo geral e específicos
Analisar a percepção dos professores de Ciências e Biologia acerca do ensino de Botânica, a partir da realização de uma oficina pedagógica com recursos didáticos, visando ressignificar a forma como essa área é abordada no ensino básico.

Específicos:
Identificar quais dificuldades, desafios e limitações os professores enfrentam ao ensinar conteúdos de Botânica;
Analisar quais metodologias, recursos e práticas são frequentemente utilizados no ensino de Botânica;
Propor estratégias pedagógicas que contribuam para tornar o ensino de Botânica mais acessível e atrativo para os alunos do ensino básico;
Realizar uma oficina pedagógica com professores, voltada ao uso de recursos didáticos acessíveis;
Avaliar a percepção dos professores sobre a aplicabilidade dos recursos didáticos apresentados na oficina.

Justificativa

O ensino de Botânica foi escolhido como tema deste trabalho a partir de experiências vivenciadas ao longo da minha formação escolar. Durante o ensino básico, o conteúdo relacionado à Botânica foi abordado de forma limitada, geralmente restrito a tópicos de Fisiologia Vegetal, como a fotossíntese, e tratado de maneira superficial e descontextualizada. Essa abordagem reducionista contribuiu para uma visão negativa e pouco atraente da disciplina, tanto para mim quanto, possivelmente, para muitos outros estudantes.
Esse cenário começou a se modificar com o ingresso na graduação, quanto tive acesso a uma variedade de disciplinas específicas da área de Botânica, como morfologia e sistemática. Ao explorar essa nova gama de conteúdos e perceber a riqueza e a importância dos conhecimentos relacionados à Botânica, minha perspectiva em relação ao tema mudou drasticamente. A Botânica, antes vista com receio e desinteresse, passou a despertar entusiasmo e curiosidade, especialmente pelas possibilidades de conexão entre teoria e prática, e pela relevância que tem em diferentes aspectos da vida humana.
A motivação para essa pesquisa também se deu pela constatação de que muitos colegas e professores compartilham dessa mesma percepção, a Botânica, apesar de ser uma parte essencial da Biologia e estar presente em diversos aspectos do nosso cotidiano, alimentação, meio ambiente, saúde e cultura, ainda enfrenta resistência tanto por parte dos alunos quanto dos próprios educadores.
Dessa forma, surgiu o desejo de investigar mais profundamente como a Botânica tem sido ensinada nas escolas e quais são os principais desafios enfrentados pelos professores na abordagem desse conteúdo. Mais especificamente, entender por que, mesmo sendo uma área tão presente em nossas vidas, ela ainda é vista como “difícil” ou “chata” por muitos alunos. A partir dessas inquietações pessoais e acadêmicas, surgiu a necessidade de olhar para o ensino de Botânica com mais cuidado, refletindo sobre a forma como ele é tratado na educação básica e no ensino superior, buscando compreender como podemos contribuir para que ele se torne mais atraente, compreensível e relevante no contexto escolar.

Metodologia

Delineamento da pesquisa:
O presente estudo se caracteriza como uma pesquisa quali/quantitativa, de natureza descritiva e exploratória. A escolha da pesquisa exploratória justifica-se pela tentativa de reunir informações ainda pouco discutidas na literatura sobre o problema em foco. Por sua vez, a natureza descritiva refere-se à sistematização e análise das características do grupo de professores participantes, permitindo a identificação de possíveis padrões entre formação, experiência profissional e estratégias didáticas empregadas (GIL, 2002). Essa combinação metodológica possibilita um olhar mais amplo e profundo sobre o fenômeno investigado.


Sujeitos da pesquisa:
Participam do estudo professores de Ciências e Biologia que atuam preferencialmente em escolas da rede pública da cidade de Pelotas e região. A seleção dos participantes ocorreu por meio de amostragem não probabilística, baseada na adesão voluntária.

Instrumentos de coleta
A coleta de dados será realizada por meio de um questionário misto. O instrumento contará com perguntas abertas e fechadas e será estruturado em blocos temáticos, com o objetivo de investigar diferentes aspectos relacionados ao ensino de Botânica. Os blocos incluíram:
Dados pessoais (idade, identidade de gênero);
Perfil profissional (formação, nível de instrução, tempo de atuação docente);
Experiências no ensino de Botânica;
Dificuldades enfrentadas no ensino do conteúdo;
Avaliação da oficina e percepção sobre os recursos didáticos.

Ademais, é importante ressaltar que todos os participantes receberam um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) conforme exigido pelos princípios éticos da pesquisa.

Análise de dados
A análise de dados coletados nesta pesquisa será conduzida com base na análise descritiva, conforme Appolinário (2006), que define essa abordagem como um conjunto de técnicas para organizar, sintetizar e apresentar os dados. Os procedimentos adotados serão os seguintes:
Coleta de dados através de questionário;
Organização das respostas obtidas por meio da criação de categorias apropriadas;
Elaboração de tabelas e gráficos para análise quantitativa, permitindo identificar frequências, comparações e possíveis correlações entre variáveis;
As respostas abertas serão analisadas por meio da identificação de categorias e padrões recorrentes;
Síntese dos dados quantitativos e qualitativos;
Interpretação dos resultados a partir de gráficos e esquemas.

Indicadores, Metas e Resultados

Indicadores: Número de professores participantes da pesquisa; Taxa de participação na oficina; Grau de aceitação dos recursos didáticos apresentados; Mudança na percepção dos professores em relação ao ensino de Botânica.

Metas: Alcançar a participação de pelo menos 20 professores da rede pública; Identificar os principais desafios enfrentados pelos participantes; Apresentar no mínimo dez estratégias didáticas aplicáveis ao ensino de Botânica; Obter avaliação positiva de pelo menos 75% dos participantes sobre a oficina.

Resultados esperados: Compreender as dificuldades enfrentadas pelos docentes no ensino de Botânica; Sistematizar as práticas pedagógicas mais utilizadas; Ampliar o repertório metodológico dos participantes; Valorizar a Botânica enquanto área relevante no ensino de Ciências e Biologia.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
JULIA DA SILVA SILVEIRA
RAQUEL LUDTKE9

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