Nome do Projeto
Seminário Morte, Arte Fúnebre e Patrimônio
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
02/04/2018 - 09/11/2018
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Educação
Linha de Extensão
Patrimônio cultural, histórico e natural
Resumo
Seminário com apresentações e debates de pesquisas sobre morte, arte fúnebre e patrimônio, com intenção de compreender: os significados dos estudos de tanatologia na cultura artística e visual contemporânea, as práticas mortuárias e concepções de morte através dos vestígios da cultura material compreendidos na sua historicidade, considerando também os espaços cemiteriais como evidências culturais, religiosas e patrimoniais em diferentes contextos.

Objetivo Geral

O Seminário tem por objetivo promover apresentações e debates de diversas áreas do conhecimento que envolvem pesquisas e estudos sobre morte, arte fúnebre e patrimônio, sendo voltado à comunidade social e acadêmica.

Justificativa

O espectro da morte paira sobre a cidade, em suas dimensões urbana e rural. No cotidiano da existência humana, revela a extensão dos seus domínios, sobretudo, ao romper a linha da vida e submeter o ser humano ao maior dos seus conflitos existenciais: a morte do outro e a certeza do aniquilamento de sua própria existência.

Perante a consciência do fim de todas as coisas, a sociedade ocidental contemporânea, revela outras perspectivas de como as aflições, angústias, medos, e outros sentimentos diversos que assumem características peculiares na paisagem a partir das experiências do homem e seu encontro com a dor mais profunda da alma: a morte. Na caminhada pelas zonas fúnebres da existência humana, notadamente os cemitérios, o espectro da morte ganha materialidade, nos espaços urbanos e rurais, nas mais diferentes formas construtivas, a exemplos de túmulos, capelas, memoriais, esculturas, portões, jardins, objetos de arte, como ainda, manifestações artísticas e culturais que ganham museus e espaços públicos da cidade ao explorar a temática da morte.

As estruturas que têm o objetivo de celebrar a memória daqueles que se foram – em lugares que se tornam a “morada definitiva”, na terra dos vivos, como os cemitérios – ganham significados simbólicos diversos, de acordo com as experiências individuais e coletivas, bem como possibilitam perceber as (re)construções de imaginários em torno da morte, dos mortos e do morrer. Assim, monumentos in memoriam, erguidos para celebrar a memória dos mortos, expressam também dimensões de arte, crenças religiosas, constituição de formas de encarar a morte, de significações sociais para o morrer, etc.

Nos cemitérios, em particular, o silêncio, as lembranças e melancolia são membranas invisíveis que envolvem os vivos ao percorrem suas alamedas e ao vagarem entre seus túmulos e jardins. Esse território presente no cotidiano urbano, a todo momento denuncia o fim da existência da vida, mas também, expõe dinâmicas de concepções culturais e ritos em torno do morrer e do viver capazes de se configurarem enquanto cultura e patrimônio para diferentes grupos sociais.

Diante das fronteiras físicas e imaginárias onde vida e morte se combinam e se confundem, cadenciados pelo tempo de nossa existência, as perguntas que surgem diante do espectador contemporâneo que vivencia as paisagens fúnebres é:

a) Como lidar com as representações do seu aniquilamento como algo natural, que faz parte da sua natureza e da sua própria existência?
b) Por que a morte haveria de ser encarada naturalmente?
c) Quais os diferentes modos de encarar a morte e o lugar dos mortos hoje?
d) O que esses modus expressam em termos de diferenças culturais, religiosas e patrimoniais?
e) O que a materialidade e a paisagem cemiterial revelam sobre a arte fúnebre e seus significados?

Diante dessas problemáticas que são atravessadas por tensões e pelo imponderável, as trocas simbólicas e o trânsito de ideias e representações que ganham formas e significados na concretude do espaço cemiterial, podem conduzir reflexões sobre os diferentes processos de integração entre o mundo dos mortos no mundo dos vivos.

Mediante a perspectiva aqui apresentada sobre o temática da morte, da arte e do patrimônio, considera-se que há um potencial significativo a ser explorado com vista a ampliar discussões que vêm sendo realizadas no âmbito das pesquisas sobre história da morte, arte e arquitetura fúnebre, memória e patrimônio cemiterial.
O campo temático da paisagem no Brasil não possui uma tradição de pesquisas ou mesmo literatura específica voltada ao estudo de lugares dedicados aos ritos de consagração e celebração da memória dos mortos no desenho da paisagem urbana. Ou seja, são reduzidos os trabalhos e publicações que estabeleçam uma análise especificamente voltada a uma perspectiva sobre as características da paisagem que desenha esses espaços ou que demonstram manifestações artísticas ou culturais que se assente sob o signo da morte.

Os trabalhos acadêmicos ou obras publicadas (livros, dissertações de mestrado, teses de doutorado) que abordam o tema – em uma perspectiva voltada à cultura paisagística presente em nossas cidades – ainda são escassos, fato esse que reforça e justifica o interesse no debate do assunto.

No domínio da História e do Patrimônio, diferentes leituras e interpretações já foram feitas e muitas vêm sendo realizadas no Brasil, especialmente a partir de abordagens interdisciplinares. A crescente de estudos, de publicações e de interesses sociais no tema, também constitui outro elemento a justificar a realização deste Seminário, uma vez que busca agregar e discutir os caminhos da pesquisa.

Diante desse quadro aqui indicado – escasso para estudos paisagísticos, razoável para estudo em História e Patrimônio –, a proposta do projeto, visa, em primeiro lugar, a iluminar, a partir da epistemologia dos estudos da paisagem, a pesquisa dos espaços ditos fúnebres da cidade considerando a relação entre arte, memória, natureza, paisagem e patrimônio.

Metodologia

O Seminário busca agregar pesquisadores e discutir resultados de investigações acerca da morte, da arte fúnebre e do patrimônio. Para tanto, metodologicamente, cumpre destacar uma série de tarefas a serem desenvolvidas pela equipe organizadora, com auxílio de bolsistas e alunos voluntários, para a efetiva promoção da atividade. Entre eles destaca-se:

a) Criação da arte de divulgação do Seminário em formato físico (cartazes) e digital (via e-mail e redes sociais).
b) Estruturação prévia do local onde ocorrerá o evento.
c) Contatos prévios a partir de cartas convites aos pesquisadores-apresentadores.
d) Reuniões periódicas com a equipe organizadora antes da realização do Seminário.
e) Divulgação e promoção do evento em fóruns de pesquisas, sites institucionais e demais plataformas de compartilhamento de informações

Indicadores, Metas e Resultados

Com a realização do Seminário, espera-se:

a) Tornar público resultados de pesquisas que vêm sendo realizadas em várias áreas do conhecimento, no âmbito das Artes Visuais em seu campo ampliado, História, Arquitetura, Paisagismo e Patrimônio.

b) Desenvolver atividades do Grupo de Pesquisa “Paisagens Híbridas” (EBA-UFRJ) e consolidar parceria com a UFPEL.

c) Aproximar a pesquisa acadêmica e a comunidade social, visando a ampla apropriação dos saberes produzidos na Universidade.

d) Publicação do material resultante do seminário na Revista eletrônica Paisagens Híbridas.

e) Instaurar através do site do grupo Paisagens Híbridas da Escola de Belas Artes, um fórum virtual permanente associado a temática do Seminário com objetivo de tornar o projeto em um fórum permanente no âmbito nacional.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
BÁRBARA DENISE XAVIER DA COSTA
DIEGO LEMOS RIBEIRO3
ELAINE MARIA TONINI BASTIANELLO
FABIO VERGARA CERQUEIRA2
FERNANDO CEZAR RIPE DA CRUZ
GABRIEL CARVALHO KUNRATH
GILSON MOURA HENRIQUE JÚNIOR
LUCAS DE SOUZA PEDROSO
LUIZA FABIANA NEITZKE DE CARVALHO3
MARCIA JANETE ESPIG6
MAURO DILLMANN TAVARES2
MOZART MATHEUS DE ANDRADE CARVALHO
PATRÍCIA DUARTE PINTO
TAMIRES FERREIRA SOARES
THAYNÁ VIEIRA MARSICO

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