Nome do Projeto
Socioeducação (en)cena: agenciamentos entre Psicologia Social e Teatro
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/05/2017 - 31/12/2017
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Direitos Humanos e Justiça / Educação
Linha de Extensão
Mídia-artes
Resumo
Partindo de um agenciamento entre Psicologia Social e Teatro o projeto busca criar condições de possibilidade para invenção de territórios existenciais habitáveis por adolescente em cumprimento de medida socioeducativa, bem como egressos do sistema socioeducativo. Pretende-se, também, avaliar em que medida o teatro pode ser utilizado pelo psicólogo em formação, como ferramenta de pesquisa e intervenção. A proposta gira em torno da criação e manutenção de um laboratório experimental de teatro aberto a participação de acadêmicos da Universidade Federal de Pelotas, à adolescentes em conflito com a lei, a egressos do sistema socioeducativo, seus familiares, trabalhadores da rede socioeducativa e comunidade em geral. O projeto fomenta composições coletivas (intervenções urbanas, montagens cênicas, performances, etc) buscando emergência destas em jogos teatrais e provocações da filosofia da diferença. Intenciona-se a edição de um documentário sobre o processo grupal e o método de trabalho em questão. Por fim, cabe ressaltar que está em curso uma proposta de emenda a constituição - PEC 171/93 ? cuja finalidade é reduzir a maioridade penal. Desse modo, este Socioeducação (en)cena: agenciamentos entre psicologia social surge, também, como problematização à um retrocesso histórico em curso.

Objetivo Geral

Cartografar as potencialidades testemunhais do teatro quando direcionadas a reinserção social de
adolescentes em conflito com a lei

Justificativa

Socioeducação (en)cena: Agenciamentos entre Psicologia Social e Teatro teve início em 2015, estando, portanto, em seu terceiro ano de realização. Da obra de Michel Foucault - Vigiar e Punir - o projeto retira uma de suas principais premissas: a de que o sujeito é apenas um efeito do poder. Partindo desta elaborada tese o projeto se depara com a seguinte questão: em que medida a vontade correcional – que hora localizamos na PEC 171/93 - já está presente no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE – e mesmo no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA? Em que medida esta vontade correcional estaria criando condições de possibilidade para uma estranhíssima proposta de redução de maioridade penal, ou seja, em que medida o SINASE e o própria ECA, fortaleceram a utopia correcional a tal ponto que chegássemos a uma proposta de emenda constitucional onde o conceito central de responsabilidade se vê confundido com responsabilização do indivíduo. Onde o grande sonho da utopia correcional, que é de corrigir no indivíduo um problema eminentemente social, ganhou a dimensão de uma emenda constitucional?
Buscando problematizar o que define como um grave retrocesso histórico o projeto encontra potentes agenciamentos na psicologia social e no teatro. Na psicologia social encontra, entre as pesquisas de maior relevância, nestes cem anos de existência, um consenso científico: a de que somos, psicologicamente falando, socialmente constituídos. Tais pesquisas indicam a inviabilidade de remeter os atos de um sujeito a uma vontade que preceda sua relação com o social. Dizendo de outra forma, a Psicologia Social, através de uma farta literatura - GEORGE MEAD (1982); SILVIA LANE (1994); ROSANE NEVES (2005); PEDRINHO GUARESCHI (2012); etc - demonstra que nossas vontades, desejos, quereres não podem ser pensados de forma isolada, mas sempre dentro de um contexto.
Ou seja, que devido a constituição social que nos forja torna-se inviável remeter os atos de um sujeito a uma vontade individualizante, a qual precederia a relação do sujeito com o outro. Fundamental, seria compreender, portanto, se esta obsessão pela responsabilização juvenil estaria contribuindo verdadeiramente para que adolescentes em conflito com a lei responsabilizem-se por seus atos ou se num nível mais profundo nada consiga realizar além de paralisar a responsabilidade numa ética deontológica. Dizendo de outro modo, se o sujeito é um efeito do poder, se ele é socialmente constituído, ao se buscar corrigir, reinserir, ou mesmo socioeducar o adolescente em cumprimento de medida socioeducativa o que, efetivamente, se está realizando? Evidentemente não se pode corrigir no indivíduo um problema social. Contudo, muitas políticas públicas buscam realizar essa estranha tarefa. No curso dessa realização, que aqui chamamos de Utopia Correcional, o corpo do adolescente em cumprimento de medida socioeducativa torna-se o alvo de tais conceitos.
Não estamos enfrentando, portanto, uma questão meramente teórica. Trata-se de perceber que estes conceitos criam condições de possibilidade para forçar sobre o corpo de uns uma responsabilidade que em verdade é de muitos. Aqui, finalmente se pode colocar uma questão fundamental do projeto: Seria possível ultrapassar a Utopia Correcional? O que aconteceria às Medidas Socioeducativas se o carácter deontológico, que lhe permite funcionamento, fosse desativado? Ainda assim haveria socioeducação ou estaríamos diante de outros possíveis?

Metodologia

O trabalho será realizado por equipe interdisciplinar. Desde a formação dos
professores/orientadores/ministrantes que compreendem as áreas de Psicologia, Teatro, Educação e
Artes até a dos dos alunos bolsistas que deverão estar cursando Psicologia, Teatro, Direito ou Cinema.
Tal equipe terá como horizonte a transversalidade das áreas de conhecimento, a cooperação entre os
integrantes e a realização de ações conjuntas e integradas. As ações serão implantadas no
Centro de Atendimento Sócio-Educativo - CASE - de Pelotas; na Casa de Semiliberdade -
CASEMI - de Pelotas; no Serviço de Proteção Social a Adolescentes em cumprimento de medida
socioeducativa de Liberdade Assistida - LA - de Pelotas e no Programa de Prestação de Serviço
a Comunidade - PSC - de Pelotas. O conjunto de ações a serem realizadas será conduzido com
base nos princípios que regem o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - e o Sistema
Nacional de Medidas Socioeducativas - SINASE.
O Projeto será realizado através das seguintes ações:

a) Seleção de bolsistas;
b) Constituição do laboratório cênico em dependências da Universidade Federal de Pelotas -
Ufpel;
c) Constituição do processo grupal - reuniões semanais, construção de ferramentas para
realização de auto avaliação do processo. Para melhor desempenho cada aluno bolsista contará
com professor orientador norteando seus projetos pessoais de pesquisa e colaborando com a
construção das oficinas;
d) Construção de um blog para o projeto;
e) Divulgação do projeto na mídia local;
f) Acolhimento da comunidade pelo projeto;
g) Realização de oficinas de teatro, psicologia social, artes plásticas, cinema, educação social
abertas a comunidade, egressos do sistema socioeducativos e familiares;
h) Visitas às unidades socioeducativas parceiras do projeto - CASE; CASEMI; LA; PSC - onde
serão realizados os convites para que os adolescentes que ali estejam cumprindo medida socioeducativa
venham a fazer parte do laboratório cênico;
i) Acolhimento dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas no Laboratório Cênico.
j) Oficinas de teatro, cinema, artes plásticas direcionadas ao grupo em emergência, composto agora por
alunos bolsistas, comunidade, egressos do sistema socioeducativo e adolescentes em cumprimento de
medida socioeducativa;
k) Intervenções cênicas nas instituições parcerias, na cidade, em locais a serem definidos pelo
grupo;
l) Composição do documentário;
m) Lançamento do documentário
n) Apresentações dos principais resultados do projeto em eventos específicos da extensão.
o) Enceramento do Projeto

Indicadores, Metas e Resultados

Nos dois primeiros anos do projeto realizamos uma série de atividades com a rede socioeducativa de pelotas, onde reunimos um grande acervo de fotografias e filmagens. Neste terceiro ano nossa principal meta será transformar este acervo num documentário sobre o processo desenvolvido pelo projeto. Bem como divulgar, tornar acessível tal documentário a toda rede socioeducativa do Rio Grande do Sul.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
BIBIANA VELASQUES MOROSSINO
DANIEL FURTADO SIMOES DA SILVA2
EDIO RANIERE DA SILVA10
GABRIELA PEREIRA VASTERS2
LARISSA DE OLIVEIRA PEDRA
LORRAINE CLARA DOS SANTOS
PAULO LISANDRO AMARAL MARQUES2

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