Nome do Projeto
Tradução, adaptação e materialidades da comunicação
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
13/11/2019 - 12/11/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Linguística, Letras e Artes
Resumo
Este projeto tem como objetivo aprofundar os estudos da tradução intersemiótica e dos estudos da adaptação, em uma interface com o estudo das materialidades da comunicação. A tradução intersemiótica, ou transmutação, toma por base a definição de Roman Jakobson (2000, p. 114), como sendo “uma interpretação de signos verbais por meio de sistemas de signos não verbais”. A adaptação, conforme Linda Hutcheon (2011, p. 10) “é uma forma de transcodificação de um sistema de comunicação para outro”. As duas vertentes teóricas têm muitos pontos em comum, bem como várias divergências, conforme Krebs (2012), por exemplo. Parte do aprofundamento proposto está em justamente buscar definições nas áreas cinzas entre adaptação e tradução intersemiótica, através do estudo da modificação de materiais literários e artísticos: poemas que se transformam em canções, livros que viram filmes, histórias em quadrinhos que viram séries de TV, peças de teatro que viram HQs, letras de música que viram poesia traduzida. Essa análise se dará com basilar auxílio teórico do estudo das materialidades da comunicação, conforme pensada a princípio por Hans Ulrich Gumbrecht na conferência “O campo não hermenêutico” (1998) e o artigo “Rhythm and meaning” (1999). A leitura de Gumbrecht leva à obra de dois autores, que funcionarão como suporte para reenquadramento das noções teóricas citadas ao início: o estudo da relação entre oralidade e cultura escrita de Walter Ong (2012), e a teoria dos sistemas sociais comunicacionais de Niklas Luhmann (1995). São esperadas produções de artigos e apresentações em eventos em pelo menos duas vertentes: a implicação das materialidades da comunicação na tradução de histórias em quadrinhos no Brasil, e a relação entre música e poesia em canções populares.

Objetivo Geral

Aprofundar o estudo da tradução intersemiótica e da adaptação utilizando a teoria das materialidades da comunicação.

Justificativa

O Brasil consome traduções em grande número, de todos os tipos. Entre elas, as adaptações aparecem cada vez mais, como produto do sistema comercial e de entretenimento no atual estágio do capitalismo. Não por acaso, Michael Cronin (2013) prefere chamar o atual estado da cultura humana de “era da tradução” em vez de “era da informação”. O cenário atual do capitalismo aumentou em muito as adaptações e traduções intersemióticas: livros são adaptados para séries de TV, poemas transformam-se em canções, histórias em quadrinhos viram filmes, canções têm versões em várias línguas e são modificadas, viram musicais ou peças de teatro. É comum que uma história seja adaptada para mais de um veículo. É o caso do conto de fadas “Branca de Neve” que, somente nos últimos anos, foi base para uma série televisiva de grande sucesso internacional (“Once Upon a Time”, 2011) e uma série de Histórias em quadrinhos (“Fábulas”, 2003): produto de sucesso internacional que ao mesmo tempo passa por modificações e subverte algumas tradições do gênero em que se baseia, mas também mantém outros traços básicos do mito original. Por outro lado, aparecem cada vez mais adaptações de livros clássicos para o formato de histórias em quadrinhos, na possível esperança de aumentar o interesse de leitores em formação: de “Dom Casmurro” e “O alienista”, de Machado de Assis, passando por “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa, “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust e “O poço e o pêndulo” de Edgar Allan Poe, às “Crônicas de fogo e gelo” de George R. R. Martin e “A divina comédia” de Dante Alighieri — que também já foi adaptada para videogames.

Nesse cenário, a própria indústria do cinema passa por uma modificação profunda, dado o peso que adaptações dos quadrinhos de super-heróis têm cada vez mais nas decisões dos estúdios, que acabam favorecendo projetos de adaptações (que implicam, minimamente, ideias já consumadas e de certo sucesso) em detrimento de ideias originais. Torna-se necessário, assim, estudar a movimentação das ideias e dos tropos narrativos e estéticos, seja para entender a circulação de cultura, seja para criticar o estágio de (ainda) colonização ideológica em que vários sistemas culturais se encontram.

Assim, este projeto tem algumas frentes diferentes, dada a própria natureza interdisciplinar dos Estudos da Tradução:
1. A problemática teórica e de definição entre Tradução intersemiótica e os Estudos da Adaptação
2. A aplicação do escopo teórico dos estudos de tradução intersemiótica de base peirceana à diversas traduções e adaptações.
3. O papel do que Hans Gumbrecht (1999) chama de Materialidades da Comunicação em todo processo e produto artístico, de descrição pormenorizada sobre o que acontece em uma dada obra, e as relações desta com seu contexto.
4. A expansão interdisciplinar do escopo teórico, entre traduções intersemióticas e das materialidades, na busca de uma descrição dos processos de tradução com uma base comunicacional rigorosamente fundamentada.

Metodologia

A metodologia é centralmentre bibliográfica, com leitura, interpretação e aplicação de teorias e investigação intelectual em traduções intersemióticas e adaptações de diversos produtos culturais. Algumas das obras investigadas teoricamente são:

AGAMBEN, Giorgio. What is the contemporary. In: ____: What is an apparatus. Stanford: Stanford University Press, 2009, p. 39-55.
ÁLVAREZ, Róman; VIDAL, Carmen-África (eds.). Translation, Subversion, Power. Clevedon, Philadelphia, Adelaide: Multilingual Matters, 1996.
BATESON, Gregory. Steps to an ecology of mind. Collected essays in anthropology, psychiatry, evolution, and epistemology. New Jersey: Jason Aronson Inc., 1987.
CRONIN, Michael. Translation and globalization. Abingdon, New York: Routledge, 2003.
HUTCHEON, Linda. Uma teoria da adaptação. Tradução de André Cechinel. Florianópolis : Ed. da UFSC, 2013.
LUHMANN, Niklas. Theories of distinction: redescribing the descriptions of modernity. Tradução para o inglês de Joseph O’Neil et al. Stanford: Stanford University Press, 2002.
LUHMANN, Niklas. Social systems. Tradução para o inglês de John Bodnarz, Jr. e Dirk Baecker. Stanford: Stanford University Press, 1995.
LUHMANN, Niklas. A improbabilidade da comunicação. Tradução de Anabela Carvalho. Lisboa: Passagens, 2006.
PIERCE, Charles Sanders. *Peirce on Signs*: Writings on Semiotic by Charles Sanders. Chapel Hill e Londres: The University of North Carolina Press, 1991.
ONG, Walter. Orality and literacy: the technologizing of the word. Londres; Nova York: 2002.
RAW, Lawrence (org.). Translation, adaptation and transformation. Londres; Nova York: Bloomsbury, 2012.
SNELL-HORNBY, Mary. What’s in a turn? On fits, starts and writhings in recent translation studies. Translation Studies, v. 2, n. 1, p. 45-51, 2009. Retrieved from: http://dx.doi.org/10.1080/14781700802496225.
VENUTI, Lawrence (org.). The translation Studies reader. Londres; Nova York: Routledge, 2000.
ZIPES, Jack D. Why fairy tales stick: the evolution and relevance of a genre. Londres, Nova York: Routledge, 2008.

Algumas obras a investigar (outras serão adicionadas com o desenrolar do projeto:
LLIS, Warren; CASSADAY, John; MARTIN, Laura. Planetary. Books One and Two. Barueri: Panini Brasil, 2019. Translated by Érico Assis.

DYLAN, Bob. Letras (1961-1974). Tradução de Caetano Gallindo. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

Indicadores, Metas e Resultados

- Produção de artigos científicos para publicação em revistas especializadas, com análises sobre os temas teóricos
- Produção de artigos científicos para publicação em revistas especializadas, com análises sobre produtos culturais e artísticos
- Apresentação de trabalhos em eventos

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DANIEL SOARES DUARTE2
FRANCISCO MUENZER SOARES
MÁRCIA TAVARES CHICO
MÁRCIA TAVARES CHICO

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