Nome do Projeto
Laboratório de Ensino por Simulação - LABENSIM
Ênfase
Ensino
Data inicial - Data final
13/04/2020 - 14/04/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O projeto unificado do Laboratório de Ensino por Simulação (LABENSIM) da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) tem por objetivo oficializar no sistema Cobalto essa unidade de ensino, extensão e pesquisa, que vem atuando há 6 anos nessa instituição. O foco de trabalho no LABENSIM é a educação do estudante em nível de graduação dos cursos da área da saúde especialmente em relação aos aspectos cognitivos sobre o ser humano e sobre ciência aplicada a área da saúde, bem como em relação as habilidades psicomotoras para o diagnóstico das doenças e para o manejo inicial adequado das situações de emergência, procurando reconhecer e promover atitudes éticas e comprometidas com sua própria segurança e com o meio ambiente.

Objetivo Geral

• Oferecer um ambiente de aprendizagem para os estudantes de medicina que lhes permita aprender ativamente os conceitos científicos, as habilidades psicomotoras e as atitudes necessárias à sua futura atuação profissional em clínica médica.
• Colaborar oferecendo recursos de simulação úteis para o aprendizado dos estudantes de graduação da área da saúde
• Promover a formação do acadêmico de medicina por meio de atividades de ensino, de pesquisa e de extensão relacionadas com educação médica.
• Permitir o trabalho integrado com acadêmicos de outras faculdades da área da saúde com a finalidade de treinamento de técnicas de comunicação e dinâmica de equipe respeitando os princípios éticos das respectivas futuras profissões.

Justificativa

Na última década, fica cada vez mais claro que a exposição a pacientes em um ambiente clínico com sessões educacionais ad hoc não é suficiente para formar profissionais de saúde competentes. Além disso, é evidente que há necessidade de padronização curricular, prática repetida de habilidades, exercícios estruturados e avaliação embasada em resultados com feedback. O treinamento sem esses componentes, deixa a competência exposta ao acaso. Dada a natureza de alto risco da prática médica e dado que os resultados afetam diretamente a saúde e os meios de subsistência dos pacientes, isso é menos do que aceitável. O foco crescente e sustentado na redução de erros médicos e segurança do paciente(6), e a necessidade de fornecer treinamento seguro, ético e centrado no aluno, conduzem a um modelo que aproxime a prática da teoria. No nosso meio, há uma dicotomização entre o conhecimento prático (phronesis) e o conhecimento teórico (epistimes). O razoável é aprender com a prática e com a teoria, um complementando o outro e como descreve Donald Schön sobre a aprendizagem de adultos no seu livro O Prático Reflexivo: como os profissionais pensam em ação.
A formação de novos profissionais médicos é tema prioritário para qualquer sociedade contemporânea. O Sistema Único de Saúde (SUS), os planos de saúde, os pacientes individualmente estão pagando um preço alto pela quantidade de exames desnecessários e prejudiciais que têm sido cada vez mais solicitados à medida que a tecnologia investigativa avança e a capacitação semiotécnica recua. Além disso, a “transição epidemiológica” do século passado trouxe as doenças cardiovasculares e o trauma para as primeiras posições entre as principais causas de morbimortalidade. O manejo destes agravos requer trabalho organizado em equipe, o que implica capacitação e treinamento dos profissionais envolvidos para lidarem de forma efetiva com a condição de emergência. Nesse sentido, no seu artigo IV, as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina deixam clara a necessidade do treinamento em ambiente simulado.
“DIRETRIZES CURRICULARES
IV – Aprender em situações e ambientes protegidos e controlados, ou em simulações da realidade, identificando e avaliando o erro, como insumo da aprendizagem profissional e organizacional e como suporte pedagógico;”
Há alguns anos, preparar estudantes para diagnosticar e manejar doenças envolvia o exame dos próprios colegas, a exposição de doentes nos hospitais e até mesmo o sacrifício de animais para o aprendizado de técnicas operatórias fundamentais. O relatório Flexner influenciara fortemente a estruturação dos currículos das faculdades de medicina norte-americanas. Flexner padronizou o ensino da medicina nos Estados Unidos reforçando o embasamento científico biológico na formação médica. A medicina, no nosso meio, vem sendo ensinada desde então com um sentido único: da teoria para a prática. O estudante tem sido preparado para o raciocínio lógico sobre as doenças, a explicação fisiopatológica é o que diferencia o estudante principiante do profissional experiente. Esses, os profissionais experientes, têm sempre a descrição mais completa do “mecanismo” do adoecer. Tal comportamento, reforça a dicotomia em relação à competência profissional: a visão de que apenas o que se faz na prática é o que realmente importa. As teorias de análise matemática dos dados objetivos aplicadas na medicina embasada em evidências, mudaram o paradigma de apoio à tomada de decisão médica. Atualmente, o profissional decide mais em função da sua habilidade para administrar as incertezas inerentes ao cenário clínico, ancorado em algumas evidências científicas, do que pela análise fisiopatológica do quadro clínico, como se fazia há duas décadas.
Neste ambiente, surge a proposta de criação de um centro de educação médica simulada. A simulação como ferramenta de aprendizagem e de treinamento teria sido utilizada primeiramente pelos militares. O próprio tabuleiro de xadrez é citado como um dos primeiros ambientes de simulação e aprendizagem. Individualmente, as atividades da vida adulta são simuladas nas brincadeiras infantis. Alguns filhotes de mamíferos, por exemplo, treinam suas habilidades de caça como se estivessem brincando. Atualmente, três estratégias de simulação têm sido utilizadas na formação discente: manequins, teatralização e realidade virtual. Em relação ao treinamento simulado com manequins, Moretti publicou estudo multicêntrico realizado na cidade de São Paulo, onde conseguiu demonstrar que as chances de sobrevivência de uma vítima de parada cardíaca em ambiente hospitalar aumentam de zero para 18% um ano após o evento se houver pelo menos uma pessoa certificada em Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS, na sigla em inglês) compondo a equipe que atende a emergência. Já em relação ao uso dos recursos de artes cênicas para enriquecer o processo de aprendizagem dos estudantes, a possibilidade de trabalhar de forma transdisciplinar vem ao encontro dos objetivos deste projeto. Tendo em vista a abrangência dos assuntos em saúde e a riqueza da ferramenta simulação, é necessário que se tenham objetivos bem definidos, para garantir a efetividade do ensino.
A proposta pedagógica das faculdades de medicina deve estar orientada por critérios claros, que definam os assuntos e as habilidades imprescindíveis ao futuro clínico. O clínico precisa aprender sobre emergências, porque não terá a oportunidade de consultar as informações necessárias em tempo hábil para a tomada de decisão.
Acreditamos que o projeto será útil para a formação dos estudantes de enfermagem, de terapia ocupacional e de medicina da UFPel. O professor, que coordena as atividades, e o grupo de acadêmicos da LEM está comprometido com a organização, a pontualidade e a responsabilidade profissional. Um dos objetivos do LABENSIM é desenvolver o profissionalismo e o interprofissionalismo, ou seja, permitir que os estudantes de enfermagem e de medicina possam aprender a trabalhar em equipe no cuidado dos pacientes em ambiente simulado. Além disso, esperamos que o ambiente de simulação seja agradável para os estudantes e sirva, assim, como um estímulo para o seu aprimoramento como futuro profissional.

Metodologia

O LABENSIM é coordenado pelo seu idealizador, professor Samir Schneid, e administrado pela servidora Cláudia Caldeira com o suporte da Liga de Educação Médica (LEM), tendo a estudante de medicina, Gabriella Godinho, atual presidente da LEM, como referência.
Do ponto de vista metodológico, as atividades de educação no LABENSIM são preparadas de acordo com os Conceitos Educacionais Essenciais da American Heart Association (AHA) para Cuidados Cardíacos de Emergência (ECC), os quais se aplicam a todos nossos módulos de ensino. Os oito Conceitos Educacionais Essenciais estão listados e explicados abaixo.
1. Simplificação - O conteúdo do curso deve ser simplificado tanto na apresentação do conteúdo quanto na amplitude do conteúdo em um único curso, a fim de facilitar o cumprimento dos objetivos do curso.
2. Consistência - O conteúdo do curso e as demonstrações de habilidades devem ser apresentadas de maneira consistente. A instrução mediada por vídeo e prática enquanto assiste é o método preferido para o treinamento de habilidades psicomotoras básicas, porque reduz a variabilidade do instrutor e as possíveis distrações que se desviam do plano pretendido para o curso.
3. Baseado em objetivos - Objetivos cognitivos, psicomotores e afetivos devem ser incluídos em todos os cursos.
4. Prática - É necessária prática substancial para atender aos objetivos de desempenho das habilidades psicomotoras.
5. Contexto - Os princípios de aprendizagem de adultos devem ser aplicados a todos os cursos, com ênfase na criação de cenários de treinamento relevantes que possam ser aplicados praticamente ao cenário do mundo real dos alunos, como fazer com que os alunos hospitalares pratiquem a reanimação cardiopulmonar (RCP) em um leito hospitalar, em vez de no chão.
6. Baseado na competência - A conclusão bem-sucedida do curso deve basear-se na capacidade do aluno em demonstrar a consecução dos objetivos do curso, em vez da participação no curso.
7. Prática de excelência - Habilidades-chave e conteúdo do curso devem ser repetidos a exaustão para maximizar o aproveitamento.
8. Avaliação - As estratégias avaliativas devem aferir a competência e promover o aprendizado. Os objetivos de aprendizagem devem ser claros e mensuráveis e servirem como base de avaliação.
A metodologia de aprendizagem é ativa e utiliza a simulação como ferramenta. O LABENSIM está organizado em MÓDULOS DE APRENDIZAGEM. Os estudantes serão aceitos mediante uma avaliação objetiva classificatória para aquele MÓDULO que estiverem aptos e que tenham interesse.
Os módulos são de quatro níveis diferentes:
I. Nível básico (sem pré-requisitos),
II. Nível secundário (tem que ter completado o ciclo básico),
III. Nível terciário (ciclo básico e os módulos básicos e secundário) e
IV. Nível avançado (todos os módulos anteriores são pré-requisitos).
A avaliação para ingressar no MÓDULO consta de prova objetiva de escolha múltipla escolha, com quatro alternativas e apenas uma correta, projetada com multimídia e com tempo de um minuto por questão. A bibliografia é disponibilizada gratuitamente com antecedência de um mês para todos os que se interessarem pelo assunto. Após a prova, os alunos são classificados e chamados em grupos de 8 a 11 integrantes para as atividades teórico-práticas. Uma vez cursando o módulo de ensino, o estudante terá acesso a aulas teóricas e atividades práticas de simulação com manequins, manequins vivos (atores) e peças de simulação.
Os módulos são organizados e executados pelo professor com os multiplicadores respeitando as cinco etapas do ciclo de instruções proposto pela AHA:
1. preparar (briefing),
2. ensinar,
3. testar (avaliação) e corrigir (feedback),
4. fechar (debriefing) e
5. manter-se atualizado.
No final de cada módulo, o estudante deverá prestar uma prova prática com o professor coordenador do Laboratório para receber seu certificado de proficiência no tema do curso. Os alunos que, naquele momento, não estiverem preparados para atuar de acordo com o protocolo proposto terão a chance de repetir uma vez mais a prova depois de retreinarem com os multiplicadores. Se não demonstrarem preparo para atuar de acordo com o protocolo proposto, terão que repetir todo o curso. Havendo mais de um professor em condições de avaliar, o estudante pode solicitar para fazer a prova com o outro professor. Os alunos aprovados e que tiverem demonstrado boa interação e boa iniciativa durante o curso, serão convidados a seguirem como como multiplicadores. Desses, os que tiverem interesse, serão entrevistados pelo professor e assistirão a aula de instrução para os novos multiplicadores.
O LABENSIM necessita de três bolsas de monitoria para os acadêmicos que participam ativamente da programação de ensino, pesquisa e extensão.

Indicadores, Metas e Resultados

[A] Módulos básicos:
1. RCP adulto - ativo
2. RCP pediátrico – falta equipamento.
3. Primeiros socorros - ativo
4. Higiene das mãos – pronto
5. Acesso venoso periférico - ativo
6. Técnicas de estudo – projeto
7. Como elaborar o seu Currículo Lattes - projeto
8. Módulo Seja Bem Vindo - ativo
9. Módulo de Propedêutica Médica (marco de competência nível Básico)– projeto
10. Módulo de Como Elaborar Projetos – projeto
11. Módulo de Inglês Técnico – projeto
12. Módulo de Como Revisar a Literatura Técnica – projeto
13. Módulo sobre as bases da informática para médicos - projeto

[B] Módulos secundários:
1. Ausculta cardiopulmonar - ativo.
2. Fundo de olho - pronto.
3. ABC do eletrocardiograma - projeto.
4. Propedêutica médica (marco de competência nível Secundário) - projeto.
5. As bases racionais do diagnóstico clínico - pronto
6. Exame neurológico padrão - projeto
7. Contenção e Imobilização - projeto
8. Avaliação das funções mentais – projeto
9. Projeto debates - projeto
10. Projeto veteranos, espaço para conversar sobre educação médica – pronto
11. Como dar más notícias e preencher a Declaração de Óbito - projeto
12. EndNote gerenciador de referências - projeto

[C] Módulos terciários:
1. Sedação e analgesia procedimental - projeto
2. Punção arterial e gasometria arterial - pronto
3. Ventilação bolsa-máscara - pronto.
4. Sequência rápida de intubação - pronto
5. Acesso intraósseo - projeto.
6. Atendimento padrão da parada cardíaca – adulto – pronto (falta o cardioversor)
7. Atendimento padrão da parada cardíaca – pediátrico - projeto
8. Emergências cardiovasculares - projeto
9. Emergências pediátricas - projeto
10. Emergência psiquiátricas - projeto
11. Abordagem do trauma grave em nível pré-hospitalar – projeto
12. Acesso venoso central - projeto

[D] Módulos avançados:
1. Vias aéreas difíceis e Cricotireoidotomia - projeto
2. Situações especiais de parada cardíaca – adulto - projeto
3. Fundamentos de ventilação mecânica não invasiva – adulto - projeto
4. Fundamentos de ventilação mecânica invasiva – adulto - projeto
5. Ultrassom para clínicos POCUS e FAST - projeto
6. Aspectos éticos e legais da prática médica - projeto
7. Módulo farewell - pronto
8. História do Labensim – projeto
9. Módulo de desenvolvimento de games para ensino de medicina - projeto
10. Módulo de pesquisa e tecnologia – projeto

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
BLENO BEZERRA SILVA
CAROLINA IGANCI HEIDEN
CLAUDIA CALDEIRA GOMES115
CLEOMAR RODRIGUES DA SILVA JUNIOR
EMANUELE FONSECA BARBOSA
ERICK RODRIGUES FREITAS
GIULIA PACHECO SOUZA
GUILHERME HENRIQUE LELLIS MENDES
ISADORA MENDONÇA NASCENTE
ISADORA UGOSKI DAME PACHECO
ISIS FELDENS MULLER
LARA COELHO SIQUEIRA
LEYENE OERTEL BURGERT
LEYENE OERTEL BURGERT
LUAN LUCAS VALINS DA SILVEIRA
LUCAS FRANCO MELCHIADES
LUCAS MARQUES DA SILVA
LUIZ HENRIQUE GARLET LEAL
LUIZE DA PORCIUNCULA CORREA
LUTERO REGIS SEGALIN CASSOL
MARIA HELENA ROMANO SANTIN
MARINA PERES BAINY
MATEUS DIONATAN GOBETTI LOPES
MURILO SILVEIRA ECHEVERRIA
OLIVIA ABRANTES BORGES
RAFAELA DOS SANTOS SCHNEID
RAYSSA CHRISTINA DE SOUZA
RENAN BORGES SOARES
RENATO RUIZ RIZZO
RODRIGO ALVES CORREA VIEIRA
ROGERIO DA SILVA LINHARES
SAMIR LUIZ DOS SANTOS SCHNEID118
TATIANE CRISTINA PATUCCI
TCHANDRA MACHADO DE VARGAS
THALES MOURA DE ASSIS
TURÍBIO MATIVI JÚNIOR
VICTOR ESPINDOLA VIEIRA DA SILVA
VICTOR MELO ISMERIO

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