Nome do Projeto
Geografia e tráfico de drogas: Redes, segurança pública e as disputas por territórios na fronteira do Brasil com o Uruguai.
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
16/11/2020 - 14/12/2022
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
O objetivo geral do presente projeto é analisar a formação das redes de integração do tráfico de drogas na fronteira do Brasil com o Uruguai, buscando compreender as disputas territoriais neste recorte espacial e os impactos na região. Compreedemos que o conceito de fronteira é polissêmico, transpassando discussões que vagam por diversas escalas de análise, desde a perspectiva clássica do limite político-administrativo entre Estados até discussões que envolvem os diversos grupos que disputam territórios nestas regiões. Assim, a fronteira entre o Brasil e o Uruguai desperta nos últimos anos um forte interesse de determinados grupos que veem no país vizinho um possível mercado consumidor de entorpecentes, principalmente da cannabis sativa (maconha). O movimento espacial dos grupos criminais pode ser compreendido não somente através do aumento de apreensões de drogas no estado do Rio Grande do Sul nos últimos anos, mas também na escalada da violência nos municípios fronteiriços. Como perspectiva metodológica para analisar este processo, o projeto se ramifica em cinco etapas: revisão bibliográfica; levantamento de dados oficiais brasileiros e uruguaios relativos aos tráfico de drogas; tabulação e mapeamento dos dados; entrevistas com agentes de segurança pública atuantes na região de fronteira; análise e cruzamento dos dados.

Objetivo Geral

O objetivo geral do presente projeto é analisar a formação das redes de integração do tráfico de drogas na fronteira do Brasil com o Uruguai, buscando compreender as disputas territoriais neste recorte espacial e os impactos na região.

Justificativa

Existe na atualidade uma gama de interesse na região fronteiriça entre o Brasil e o Uruguai, tendo em vista que a mesma representa um marco territorial que possibilita estabelecer relações entre diversos atores destes países, além de representar um limite de passagem para o mercado emergente uruguaio. Segundo Dorfman e França (2013), a fronteira sul é um importante ponto de ligação entre a produção e o mercado, e, ao mesmo tempo, atrai diversos grupos que se utilizam destas rotas para contrabandear determinadas mercadorias.
Destacamos que devido a uma posição estratégica, o estado do Rio Grande do Sul apresenta uma faixa de fronteira ampla com o Uruguai, possuindo diversos municípios no limite fronteiriço. Além disso, a existência de cidades gêmeas com o espaço urbano integrado facilitam a entrada e saída de artigos de grande interesse por estes grupos.
O estado sulino possui uma fronteira com o Uruguai de 1.003 quilômetros de limites secos ou divididos por rios, sendo que esta dimensão apresenta-se como um problema para o controle do território por parte de agentes do Estado e, ao mesmo tempo, desperta o interesse de grupos relacionados a transações que se encontram a margem da lei na região. No caso das facções relacionadas ao trafico de drogas, muito além de passar pela linha divisória, todo o caminho ao centro de dispersão de mercadorias é complexo e denota a necessidade de pensar a logística territorial. Logo, a fronteira apresenta-se como um ponto importante, correlacionado a uma rede de municípios que são bases estratégicas e que fazem parte de uma rota arquitetada pelos grupos que transportam ilícitos.
Esta perspectiva é corroborada a partir da analise da expansão do tráfico de drogas para a fronteira, pois evidencia-se o crescimento das apreensões de entorpecentes no estado do Rio Grande do Sul nos últimos anos. Notamos que há uma ampliação histórica de casos relacionados ao contrabando de drogas no estado gaúcho desde 2005, possuindo um momento de diminuição nos anos de 2014 a 2016 e um vertiginoso crescimento a partir 2017 de apreensões de ilícitos em sua variedade (maconha, cocaína, crack, etc.).
Logo, compreender as múltiplas relações escalares do narcotráfico na fronteira e o crescente interesse de atores diversos nesta região torna-se um desafio necessário para o desenvolvimento de politicas de segurança pública nas zonas de fronteira.

Metodologia

Articulando-se ao objetivo geral, a metodologia do projeto se divide em cinco etapas que compreendem:

1. Uma revisão bibliográfica acerca da geografia política, tráfico de drogas, redes, território, coletivos criminais e arcabouços teórico-metodológicos destas temáticas.

2. Levantamento de dados estatísticos a partir de órgãos oficiais, sendo os principais:

1. Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul;
2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas;
3. Polícia Rodoviária Federal;
4. Polícia Federal;
5. Ministério Del Interior (Uruguay)
6. Estrutura viária Nacional Transportes.

Os dados selecionados nos órgãos citados referem-se as seguintes categorias:

I. Estrutura populacional do Rio Grande do Sul e dos municípios fronteiriços;
II. Dados socioeconômicos do Rio Grande do Sul e dos municípios fronteiriços;
III. Densidade demográfica total por município Rio Grande do Sul e dos municípios fronteiriços;
IV. Apreensão de Drogas no Rio Grande do Sul e nos Municípios Fronteiriços;
V. Apreensão de Drogas nos departamentos Uruguaios fronteiriços.
VI. Apreensão de Drogas por rodovia Federal no Rio Grande do Sul
VII. Homicídios dolosos no Rio Grande do Sul e nos Municípios Fronteiriços;
VIII. Homicídios dolosos nos Departamentos Uruguaios fronteiriços.

3. Tabulação dos dados no programa Microsoft Excel e espacialização dos mesmos através do Software QGIS.

4. Realização de entrevistas com agentes de Segurança Pública atuantes na região de Fronteira;

5. Após o levantamento dos dados estatísticos e das entrevistas será realizado o cruzamento dos mesmos objetivando compreender os impactos do narcotráfico na região da fronteira do Brasil com o Uruguai.

Indicadores, Metas e Resultados

Como possíveis resultados, espera-se construir uma base teórica e técnica sobre o tráfico de drogas, suas redes e articulações na fronteira do Brasil com o Uruguai, bem como entender os impactos que esta pratica espacial dem ocasionando nas regiões de fronteira. Além disso, busca-se consolidar não só parcerias de pesquisa do grupo GEOTER em conjunto com o Laboratórios de Estudos Urbanos da universidade Federal de Pelotas, mas também construir diálogos com outras instituições. Esse projeto também contribui para a consolidação das linhas de Pesquisa Análise Territorial e Análise Ambiental do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFPel, a partir do incentivo na formação outros projetos de pesquisas e produção de artigos científicos que versem sobre esta temática.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANTONIO LOURENCE KILA DE QUEIROZ
ANTONIO LOURENCE KILA DE QUEIROZ
EDUARDO SCHUMANN
GERSON DA ROCHA CORREA
GUILHERME AUGUSTO CABREIRA
JOAO PEDRO DA FONSECA ORCINA
ROBINSON SANTOS PINHEIRO4
RODRIGO DE OLIVEIRA PERALDO
SAMUEL DE JESUS CABRAL
SIDNEY GONÇALVES VIEIRA2
TIARAJU SALINI DUARTE25
WILLIAM MARTINS LOURENÇO

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