Nome do Projeto
TRAVESSIAS NA LINHA DE FRONTEIRA BRASIL-URUGUAY: controvérsias e mediações no espaço público de cidades gêmeas (prorrogação)
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/08/2020 - 31/07/2021
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Sociais Aplicadas
Resumo
O projeto de pesquisa “TRAVESSIAS NA LINHA DE FRONTEIRA BRASIL-URUGUAY: controvérsias e mediações no espaço público de cidades-gemêas”, tem como objetivo geral: investigar o uso do espaço público da linha de fronteira Brasil-Uruguay, definido pelas cidades-gemeas (Chuí-Chuy, Jaguarão-Rio Branco, Aceguá-Aceguá, Santana do Livramento-Rivera, Barra do Quaraí-Bella Union e Quaraí-Artigas), utilizando como metodologia a “cartografia urbana”; com a intenção de mapear esses fenômenos urbanos próprios da contemporaneidade e contribuir para projetos futuros de políticas publicas integradoras e leituras mais heterogêneas de regiões fronteiriças.

Objetivo Geral

Objetivo Geral: Investigar o uso do espaço público da linha de fronteira Brasil-Uruguay, definido pelas cidades-gemêas, utilizando como metodologia a “cartografia urbana”; com a intenção de mapear esses fenômenos urbanos próprios da contemporaneidade e contribuir para projetos futuros de políticas públicas integradoras e leituras mais heterogêneas de regiões fronteiriças.

Justificativa

Em portaria publicada em 2014 pelo Ministério da Integração Nacional (2014) a partir da necessidade de estabelecer um conceito oficial para “cidade-gêmea” com fins a implementação de políticas públicas e integração latino-americana, estabelecendo três critérios quanto a suas classificações no território nacional: 1- todos aqueles municípios cortados pela linha de fronteira (não somente o território do município, mas também sua sede faz limite com o país vizinho), seca ou fluvial, que tenham potencial de integração cultural e econômica, podendo apresentar conurbação ou semi-conurbação com comunidade do país vizinho e manifestações “condensadas” dos problemas característicos da fronteira; 2- não serão cidades-gêmeas aquelas que apresentem menos de 2.000 habitantes e; 3- O Ministério da Integração Nacional anexa na portaria uma lista com as cidades gêmeas reconhecidas pelo governo brasileiro (no qual constam, a partir de dados do IBGE 2010: Aceguá/RS- 4.394 habitantes, Barra do Quaraí/RS4.012 habitantes, Chuí/RS- 5.917 habitantes, Jaguarão/RS- 27.931 habitantes, Quaraí/RS23.021 habitantes e Santana do Livramento/RS- 82.464 habitantes). A fronteira Brasil-Uruguay do sul do estado do Rio Grande do Sul se estende por 985 km desde a tríplice fronteira Brasil- Argentina-Uruguai a oeste até a foz do Arroio Chuí, ponto extremo Sul do Brasil. No trecho oeste a fronteira é marcada pelo Rio Quaraí, afluente do Rio Uruguai e pelas “Coxilhas de Santana”. No trecho mais a leste pelo Rio Jaguarão que deságua na Lagoa Mirim e pela porção sul dessa lagoa até o Chuí. Na fronteira Brasil- Uruguai localizam-se as seguintes cidades: Chuí-Chuy: população juntas de 16.320 habitantes, separadas apenas por uma avenida comum a ambas as cidades. Essa avenida tem o nome de Av. Brasil no lado uruguaio e Av. Uruguai no lado brasileiro. - Jaguarão-Rio Branco: população juntas de 41.398 habitantes, ligada a Rio Branco (Uruguai) pela Ponte Internacional Mauá (340m) sobre o Rio Jaguarão. - Aceguá-Aceguá: população juntas de 5.887 habitantes, menores cidades da fronteira em ambos os lados. - Santana do Livramento-Rivera: população juntas de 146.939 habitantes, maiores cidades da fronteira em ambos os lados, ligada a Rivera (Uruguai) também separada apenas por uma via comum, a Av. 33 Orientales, no lado uruguaio, e Av. João Pessoa, no lado brasileiro, como se fosse uma só avenida, e também pela comum Av. Paul Harris, que tem esse nome nos dois lados, na chamada “Fronteira da Paz” ou “La Mas Hermana de Todas Las Fronteras del Mundo”. - Barra do Quaraí-Bella Unión: população juntas de 17.208 habitantes, ligadas por uma ponte internacional sobre o rio Quaraí. - Quaraí-Artigas: população juntas de 67.021 habitantes, ligadas pela Ponte Internacional da Concórdia (750m) sobre o Rio Quaraí.
Espaços público, lugares do encontro e desencontro, de uma certa hospitalidade e/ou hostilidade. Podemos destacar diferentes perspectivas ou categorias que podemos analisar espaços públicos: Hertzberger (1999) volta sua atenção para a acessibilidade, as formas de uso e os usuários; Roberto da Matta (1997) percebe a relação dinâmica entre o espaço doméstico e as atividades na rua, relacionando-os; o geografo Milton Santos (1985) vai voltar suas observações para os fluxos com um viés econômico afirmando que: “o subsetor governamental orienta os fluxos econômicos e humanos e determina a sua viabilidade e direção” (SANTOS, 1985, p. 76).
A partir de toda essa complexidade analítica frente as práticas humanas em espaços públicos, própria da contemporaneidade, podemos vislumbrar a possibilidade de cartografar tais dinâmicas afim de desvelar seus potenciais, possibilidades e tensões na linha fronteiriça. Tendo introduzido os principais conceitos que envolvem a proposta, algumas questões são levantadas: como acontece a ocupação/vida urbana na linha de fronteira? Os usos dos lugares públicos (parques, avenidas, largos, etc.) sofrem alguma alteração por fazerem parte de uma fronteira? Como e quem são as pessoas que apropriam desses lugares? Ao percorrer toda linha Brasil-Uruguay, há alguma diferença ou semelhança entre as cidades fronteiriças? A linha de fronteira é um dos locais de maior evidência das características fronteiriças de complexidade e interatividade, mas que apesar desta constatação ainda é um lugar pouco explorado quanto ao uso e apropriação dos espaços urbanos. É imprescindível o entendimento do dinamismo das manifestações públicas, culturais, de vivência para uma adequada mediação. Sendo assim, o projeto torna-se uma base para sustentar/auxiliar as possíveis propostas de execução de políticas públicas para essa linha de fronteira com diversas particularidades.

Metodologia

Vamos cartografar os espaços públicos na linha de fronteira Brasil-Uruguay, através das práticas de mapear, desenhar, fotografar, filmar, narrar e conversar. Pensando no espaço público na linha de fronteira como produtor de subjetividade – na relação espaço-corpo –, sempre no (em) processo. Esse é nosso método e filosofia da pesquisa.
As cidades, escreve Guattari, “são imensas máquinas produtoras de subjetividade individual e coletiva” (2000, p. 172). As experiências na linha de fronteira (materiais e imateriais) participam da composição da experiência humana sob os mais variados aspectos. Os contatos humanos com a linha de fronteira como os parques, praças, ruas e vazios podem cada um a seu modo e de diferentes maneiras, interpelar os cidadãos gerando experiências subjetivas. Portanto, cartografar os territórios (zonas de experiência) na linha de fronteira é dar voz para os lugares onde se expressa materialmente à multiplicidade do ser humano.
São muitos atravessamentos na vida cotidiana, que acaba por suportar muitas trocas. E, para nos aproximarmos da vida cotidiana, a noção de prática acaba por ser essencial. De Certau (2000, p. 34) acredita que as práticas da vida cotidiana possuem uma peculiar criatividade para subverter as formas padronizadas de viver, as quais são impostas pela comunicação, publicidade, espaços geométricos e pelas instituições do desenho urbano na cidade.
Cartografar os espaços públicos na linha de fronteira consiste em cartografar a contemporaneidade nas cidades. Cartografias urbanas e sentimentais. Uma reunião entre a geografia, a filosofia, a arquitetura, o urbanismo e as artes contemporâneas.
Nas viagens aos espaços públicos na linha de fronteira Brasil-Uruguay, os autores do mapa são sujeitos ativos na comunicação cartográfica. É preciso, na montagem ou leitura de um mapa, estar à espreita, reparar, espiar, reinventar e, de alguma forma, sentir a vida que passa pela rua, praça, parque ou vazio urbano.

Indicadores, Metas e Resultados

1o. A viagem pela linha de fronteira Brasil-Uruguay e 2o. Ouvir vozes da linha fronteira Brasil-Uruguay ,anos foram concluídos no projeto anterior.
3o. ANO: Inscrever sobre a linha fronteira Brasil-Uruguay (renovação)
1) Atualização de website da pesquisa: atualização de website interativo.
2) Revisão de Bibliografia 3o ano: complementação de referências teórico críticas.
3) Organização de publicação para eventos, editoras e revistas científicas: redação e preparação de material para divulgação científica e para as comunidades das cidades-gêmeas
envolvidas.
4) Preparação de seminário aberto e exposição de imagens “TRAVESSIAS NA LINHA DE FRONTEIRA BRASIL-URUGUAY”: organização do evento internacional e da exposição de imagens fotográficas e fílmicas da pesquisa, divulgação e inscrições.
5) Seminário aberto e exposição de imagens: “TRAVESSIAS NA LINHA DE FRONTEIRA BRASIL-URUGUAY”: evento internacional, com convidados das cidades-gêmeas envolvidas e pesquisadores da temática fronteiriça.
6) Sistematização e organização do material coletado em seminário e exposição: transcrição de palestras do evento e arquivamento das imagens da exposição para posterior turnê pelas cidades-gêmeas envolvidas.
7) Seminário aberto de avaliação final: encontro para avaliar as atividades finais do projeto de pesquisa e conclusões; aberto ao público em geral.
8) Análise do material geral coletado: complemento das análises do material coletado no 1o. e 2o. anos da pesquisa e possíveis atravessamentos, a partir de análise de conteúdo e mapeamentos sensíveis.
9) Redação de relatório final: texto completo descrevendo todas as atividades e considerações para o conhecimento acumulado durante os três anos de pesquisa.
10) Encaminhamento de publicação para eventos, editoras e revistas científicas: envio e divulgação dos resultados finais da pesquisa.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALINE NASCIMENTO DOS SANTOS
ANA PAULA VIECELI2
ANDRE DE OLIVEIRA TORRES CARRASCO2
BIANCA RAMIRES SOARES
BÁRBARA DE BARBARA HYPÓLITO2
CAROLINA FRASSON SEBALHOS
CAROLINA MESQUITA CLASEN
CRISTIANE DITTGEN MIRITZ2
EDUARDO ROCHA10
EMANUELA DI FELICE2
GABRIELE VARGAS DA SILVA MOREIRA
HUMBERTO LEVY DE SOUZA
ISABELLA KHAUAM MARICATTO
LAÍS DELLINGHAUSEN PORTELA
MAURICIO COUTO POLIDORI2
NATÁLIA LOHMANN D'ÁVILA
OTAVIO MARTINS PERES2
PIERRE MOREIRA DOS SANTOS
SHIRLEY TERRA LARA DOS SANTOS
TAÍS BELTRAME DOS SANTOS
VALENTINA MACHADO
VANESSA FORNECK

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