Nome do Projeto
Deslocamentos poéticos das Sobras do Cotidiano no contexto pandêmico
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
15/07/2020 - 31/08/2021
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Linguística, Letras e Artes
Resumo
O projeto visa investigar e promover a pesquisa em poéticas visuais a partir de uma reflexão sobre o contexto atual e as mudanças diárias em nosso cotidiano frente ao novo coronavírus. O problema desta pesquisa Deslocamentos poéticos das Sobras do Cotidiano no contexto pandêmico invoca estas dúvidas: Como a pandemia nos afetou e como os procedimentos do processo criativo podem ser reinventados para lidar com as transformações de nosso cotidiano? Como podemos transformar esta realidade poética- e visualmente? O projeto visa orientar trabalhos artísticos que deslocam em ambiente virtual de alunos do Curso de Artes Visuais-Bacharelado do Centro de Artes da UFPel. Ao considerar a situação mundial da pandemia, surge a necessidade de repensar o processo criativo dos alunos e enfatizar propostas que utilizam meios eletrônicos e digitais e uma bibliografia distinta, bem como desenvolver modos práticos para atuar como artista à distância, utilizando os meios tecnológicos, plataformas de comunicação como web conferência e redes sociais, para efetuar trocas poéticas e para expor. O projeto realizará reuniões online, grupos de leitura e propostas coletivas para promover a produção de colaboradores por meio de duas propostas coletivas. A primeira proposta consiste em efetuar trocas de arte postal entre estudantes da UFPel e os de outras universidades no Brasil e outros países ao longo do ano, resultando num exposição virtual. As questões que emergem destas práticas, tais como a noção de ‘deslocamento virtual’, seriam o tema para participação no CIC/UFPel, outros eventos e publicações. A segunda proposta é uma mostra audiovisual organizada a partir de produções experimentais dos alunos colaboradores e com artistas convidados. Nesta pesquisa, o conceito de “sobra” se amplia além da noção de ‘sobras materiais’ (ou seja, o uso de materiais reaproveitados na obra de arte). Inerente na palavra “sobra” é o potencial de transformar algo que restou em algo melhor e mais útil - como as sobras do almoço que são reaproveitados para fazer o jantar e que nos alimenta fisicamente. Se o que sobra do cotidiano for a arte, esta “sobra poética” se torna um “acréscimo de ser”, citando esteta Hans Georg Gadamer. O que sobrou de nosso cotidiano, em relação à pandemia, pode ser doloroso; necessitamos transformar aquilo que resta em potencial de uma arte curadora, que alimenta o ser e que torna a vida mais leve e poética. Ao enfrentarmos o covid-19, achamos meios para nos aproximarmos à distância e convivemos em ambientes virtuais. O cotidiano mudou e, repentinamente, todos mudaram seus modos, seus hábitos. Da mesma forma, o aluno de artes visuais precisa aprender a experimentar com o os novos meios tecnológicos e inventar ou apropriar novos procedimentos para se deslocar em ambiente virtual, para compartilhar sua produção em plataformas eletrônicas e com públicos em redes sociais. Este projeto de pesquisa unificado se vincula ao projeto de extensão unificado em andamento Contextos de Atuação do Artista (CA/UFPel) e ao Grupo de Pesquisa DeslOCC – Deslocamentos, Observâncias e Cartografias Contemporâneos (CNPq/UFPel, liderado por Alice Monsell e Duda Gonçalves).

Objetivo Geral

Promover e orientar a produção artística de alunos de Artes Visuais-Bacharelado do Centro de Artes da UFPel, partindo de um questionamento sobre o contexto atual da pandemia e como afeta o cotidiano, impulsionando a necessidade do aluno-pesquisador em poéticas visuais experimentar e apropriar novos procedimentos e meios tecnológicos para desenvolver seu processo criativo, e para expor, apresentar e circular sua produção artística em redes sociais e ambientes virtuais à distância.

Justificativa

Diante do contexto da pandemia, o professor e o aluno de Artes Visuais enfrentam uma necessidade de repensar seus modos de construir suas imagens, objetos e propostas artísticas. Estamos diante de um contexto que talvez não permita o estudante de Artes Visuais expor sua produção em galerias tradicionais de forma presencial, pelo menos no futuro próximo, se não houver uma vacina contra o covid-19. Como professora, orientadora e pesquisadora em Artes Visuais, tenho certa urgência para pensar em modos diversos que minha produção artística e a dos alunos poderiam continuar a ser desenvolvida e exposta em ambientes virtuais.
Para realizar uma trabalho que é relevante parece urgente que os pesquisadores das áreas humanas e das artes perguntem: Como nosso cotidiano mudou?; Como a pandemia afetou a família?; Como nossas práticas mais comuns mudaram?
É a partir destas dúvidas que pensei neste projeto e adaptar o modo de orientar alunos da área de Artes Visuais. Junto, podemos descobrir e experimentar modos de operar no contexto da pandemia que impulsiona o artista na direção das novas tecnologias.
Os pesquisadores em arte e orientadores enfrentam o seguinte questionamento: Como as mudanças cotidianas consequentes da pandemia também afetam a os modos de produzir a arte e o processo criativo do aluno? E, em termos mais práticos, perguntamos: Como o estudante de Artes Visuais possa desenvolver sua poética visual e “expor” sua produção utilizando meios virtuais e redes sociais?
Ao criar este projeto, pensei na situação de alunos que poderiam experimentar com formas visuais que se adaptam melhor ao transmissão pelas redes sociais, como o audiovisual, o vídeo, a fotografia digital e a imagem digitalizada. Para a geração mais jovem, usar estes meios não é distante de sua realidade cotidiana. Entretanto, a pandemia exigiu que os meios eletrônicos fossem incorporados no seu processo criativo de forma repentina. Em que maneira o professor-pesquisador possa facilitar e encorajar a experimentação com estes meios tecnológicos?
Na maioria dos casos, os alunos que estudam as Artes Visuais trabalham com materiais físicos e procedimentos manuais, com tinta, lápis grafite, papel, tela, argila e metais; elaboram a escultura, a pintura e a gravura, bem como a fotografia, a performance e o vídeo. Durante a pandemia, estes alunos continuam a desenvolver suas poéticas visuais utilizando meios materiais e corporais. Entretanto, no próximo ano, a crise de saúde exige que desenvolvam modos não presenciais para expor e apresentar sua produção.
Assim, a pandemia cria um contexto que demanda a flexibilidade de experimentar, estudar e aprender métodos novos para apresentar a produção por meio do vídeo e outros registros digitais. Este projeto visa fornecer apoio para tal demanda e propor outros formas de apresentar, veicular e circular a produção visual, e experimentar com formas de deslocar e propor a arte em rede.
O projeto visa desenvolver propostas coletivas que envolvem trocas em rede sociais e modos de expor em espaços virtuais. (Vale observar que o termo “redes sociais” também inclui a possibilidade de utilizar o correio tradicional, tanto quanto o correio eletrônico, bem como outras plataformas sociais.)
O deslocamento em rede possibilita a visibilidade internacional de uma produção artística, bem como trocas com públicos diversos em muitos locais no mundo. Trocas em rede também podem instaurar trocas afetivas entre os colaboradores e estabelecer contatos com artistas e pesquisadores à distância, abrindo possibilidades de realizar entrevistas, reuniões e salas de leitura em grupo, os quais incorporam-se no processo criativo do aluno.
Em termos de fomentar a reflexão crítica sobre o processo criativo que incorpora os novos meios tecnológicos para produzir e circular a arte, várias questões vão emergir que necessitam de uma bibliografia específica que considere as implicações de trabalhar com a imagem digital fotográfica e videográfica e a circulação de uma arte em rede. Alguns autores e leituras que possam avançar a reflexão crítica dos alunos em torno de sua produção são os seguintes: Leituras sobre a questão de uma arte em rede no livro Arte Contemporânea de Anne Cauquelin; A questão de uma arte emergente no contexto globalizado do livro Estética da Emergência de Reinaldo Laddaga (2012); textos selecionados do livro Tramas da rede organizados por André Parente(2019); o artigo de Gilbertto Prado (2008) Redes e ambientes virtuais artísticos da revista RUA; O que é o virtual? de Pierre Lévy(1996); bem como, o estudo sobre artistas e pesquisadores em arte brasileiros que trabalham com a arte em rede social, tais como a dissertação de Diogo Gonçalves dos Santos (2017) Glitches Poéticos em Relatos Afetivos. 2017 (que foi meu orientando no Mestrado em Artes Visuais da UFPel).

Metodologia

A metodologia de pesquisa utilizada nesta pesquisa é a metodologia de pesquisa em poéticas visuais que enfatiza, em primeiro lugar, a produção prática do pesquisador e, a partir desta produção poética, emergem as questões teóricas a serem desenvolvidas.
Algumas das questões em torno do uso de meios tecnológicos na arte foram abordadas na Justificativa (acima), tais como a necessidade de estudar as noções ligadas a arte em rede e o ambiente virtual como meio artístico. A abordagem não se limita a considerar o ambiente virtual meramente como meio para apresentar uma obra acabada que é “circulada” em rede para um público espectador, mas como meio para criar propostas participativas e interativas (formas virtuais de “Arte Propositiva”), as quais são de fato realizadas em rede social com a participação de um público colaborador.
Para abordar e desenvolver a reflexão sobre tais questões teóricas e também sobre o contexto em que vivemos atualmente, será realizado um grupo de leitura semanalmente de uma bibliografia relevante às noções de arte em rede, espaço virtual, a virtualidade, redes sociais e sobre artistas referentes contemporâneos que trabalham com meios eletrônicos, o vídeo e imagem digital. Outras leituras e discussões em grupo podem ser mais gerais, sobre a experiência e o cotidiano durante a pandemia, e sobre o cotidiano em si (pensamos no livro de Michel de Certeau, A reinvenção do cotidiano). Outras reuniões do grupo podem focar em organização de eventos, a discussão sobre a produção dos membros do grupo com encontros para orientação em grupo sobre a produção ou orientações individuais de bolsistas.
Em termos práticos, planejamos realizar duas propostas artísticas coletivas ao longo do ano, um utilizando arte postal e o outro com vídeo/audiovisual:
A proposta coletiva de Arte Postal envolve correspondências via correio tradicional ou correio eletrônico. Esta proposta é propositiva e participativa e envolve a produção do cartão postal a partir de imagens criadas pelos alunos do Bacharelado em Artes Visuais do CA/UFPel que colaboram com a pesquisa; a preparação de uma lista de remetentes e destinatários, que envolve fazer contato com alunos dos Cursos de Artes Visuais em USFM, FURG e URGS. As trocas de arte postal podem ser realizadas internacionalmente com outras universidades da América do Sul, tais como universidades em Colômbia e Udelar em Montevideo, Uruguai, notando que as trocas podem ser facilitadas se trabalhamos com alunos de Cursos de Artes Visuais que estudam em universidades com convênios com UFPel. Embora que a própria troca já constitui uma produção artística de Arte Propositiva, posteriormente, uma exposição virtual pode ser realizada online. (Esta proposta também será desenvolvida com alunos que se matriculam na disciplina optativa, chamada Arte Propositiva, que é parte do currículo a ser oferecido para o calendário complementar do Centro de Artes durante a pandemia).

A segunda proposta em grupo é a realização de um evento local ou internacional de um Festival de Videoarte e Audiovisual com uma temática que enfatiza a necessidade de transformar o contexto por meio da arte: “O que sobra de seu cotidiano na pandemia?” ou “Como transformar as sobras da pandemia e do cotidiano?”. Este evento inclui a realização de trabalhos videográficos ou sequências fotográficas videografadas, os quais seriam criados pelos alunos sobre suas experiências da pandemia. A proposta engloba a possibilidade de convidar outros artistas, (por exemplo, os alunos de outras universidades que participaram na proposta de Arte Postal). Para ajudar na organização deste evento, convidei como colaboradora a Professora Dra. Visitante do Mestrado em Artes Visuais Rosângela Fachel de Medeiros que tem ampla experiência com a organização de tais eventos. Ela organizou e publicou recentemente um dossiê sobre Videoarte na Edição 12 da revista Paralelo 31 e atualmente organiza o Festival Internacional de Videodança com o Mestrado em Artes Visuais da UFPel e a Fundação Cultural ECARTA de Porto Alegre.

Observamos que a metodologia também envolve procedimentos artísticos que são inerentes ao Grupo de Pesquisa Deslocamentos, observâncias e cartografias contemporâneas. Em outros tempos, o “deslocamento” – viagens, atos de caminhar em grupo - constituiu um procedimento utilizado pelo professor-orientador para promover a produção de alunos por meio do ato de se deslocar em Pelotas e observar o entorno, do qual emergiram produções de arte postal, fotografias, entre outras. É importante refletir como a pandemia afeta os procedimentos artísticos, como a deslocamento, que não pode ser realizado de forma presencial. A pandemia necessita inventar novos métodos para se deslocar nos ambientes e redes virtuais.

Indicadores, Metas e Resultados

A partir deste projeto, visamos realizar uma proposta regional e possivelmente internacional de Arte Propositiva de trocas de arte postal entre alunos de Cursos de Artes Visuais em universidades como UFSM e FURG. A partir deste trabalho poético, será produzido um artigo publicado em revista de pesquisa da Área de Artes visuais e participações em eventos de pesquisa como CIC/UFPel. A participação de colaboradores do Curso de Artes Visuais-Bacharelado, do Mestrado em Artes Visuais da UFPel e seus professores é também um resultado importante para a aderência do Curso do Mestrado e como impacto na região. Isso também pode ser dito para outro resultado planejado, que é a organização de um evento Festival Internacional de Videoarte dos alunos de graduação e pós-graduação em Artes Visuais que colaboram com a pesquisa, do qual também será escrito um artigo e uma participação em evento de pesquisa, como CIC/UFPel e ANPAP – Encontro de Associação de Pesquisadores em Artes Plásticas. Em conjunto com textos e produções de outro projeto de pesquisa, há planos para realizar um livro sobre os projetos e exposições que foram realizados em torno do conceito de Sobras do Cotidiano que será publicado em 2021 ou 2022. Outro impacto regional afeta a ligação deste projeto com o projeto de extensão que realizo na comunidade do Quadrado, Contextos de Atuação do Artista, onde planejo realizar a proposta de Arte Postal como modo de continuar os trabalhos com as crianças e jovens que foram interrompidos durante a pandemia, devido à impossibilidade de realizar encontros presenciais das oficinas.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALICE JEAN MONSELL6
EDUARDA AZEVEDO GONCALVES2
EDUARDO TOLEDO SILVA
GABRIELA FARIAS MUNIZ KACELNIKAS
HELENE GOMES SACCO2
MARA REGINA DA SILVA NUNES
MARINA PEREIRA DURO
RAFAEL DA SILVA GONCALVES
RAQUEL SANTANA BETUN
ROGGER DA SILVA BANDEIRA
ROSANGELA FACHEL DE MEDEIROS4
THIAGO LIGABUE PINTO
VIVIAN MAURER PARASTCHUK

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