Nome do Projeto
Coorte de idosos de Bagé-RS: situação de saúde e relação com a Estratégia Saúde da Família
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
02/08/2020 - 01/08/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Trata-se de um estudo de coorte cadastrado sob numero 8003 do COCEPE com data de execução até 01 de agosto de 2020 e intitulado Coorte de Idosos de Bagé: situação de saúde e relação com a Estratégia Saúde da Família - SIGa-Bagé. A coorte foi constituída a partir de estudo transversal de base populacional para atender a proposta da tese de doutoramento sobre a capacidade de resposta dos serviços de atenção primária à saúde. A população em estudo são os 1.593 indivíduos com 60 anos ou mais de idade, residentes na área de abrangência dos serviços de atenção primária à saúde da zona urbana do município de Bagé, RS, todos participantes do estudo realizado em 2008. A coorte identifica a incidência de doenças crônicas não-transmissíveis, agravos e síndromes geriátricas, considera a importância da estratégia de saúda da família para promover equidade considerando as desigualdades socioeconômicas na incidência de doenças, agravos e síndromes geriátricas, e na utilização de serviços de saúde. Investiga a utilização de serviços de atenção básica à saúde, consultórios privados, ambulatoriais, atenção domiciliar, urgência e emergência, e hospitalização. Analisa o efeito da Estratégia Saúde da Família na utilização de serviços de saúde, continuidade do cuidado e prevenção de agravos, além de verificar mudanças nos padrões das relações sociais. Outro diferencial do estudo é a capacidade de verificar a taxa de mortalidade e as principais causas de óbito entre os indivíduos expostos aos diferentes modelos assistenciais.

Objetivo Geral

Manter o acompanhamento da coorte de idosos SIGa-Bagé, estabelecida em 2008 e acompanhados em 2016/2017, e verificar o papel da estratégia de saúde da família na promoção da equidade.

Justificativa

Constitui-se no primeiro estudo longitudinal brasileiro sobre envelhecimento com ênfase na atenção primária à saúde, buscando identificar diferenças nas exposições dos indicadores de saúde e o impacto dos serviços de saúde, permite dentre outros temas, acompanhar as tendências temporais das doenças crônicas não-transmissíveis, agravos e síndromes geriátricas e relações sociais. É possível mensurar o padrão de mortalidade, suas principais causas, mensurar a sobrevivência e também identificar as tendências temporais em desigualdades socioeconômicas e o impacto na saúde. Por fim, possibilita verificar a influência dos modelos assistenciais de APS - modelo tradicional e Estratégia Saúde da Família (ESF) nos desfechos em estudo, levando em consideração que a gestão municipal começou a investir na conversão do modelo tradicional de atenção primária para ESF em 2003 e, nos últimos 15 anos, se observou sua expansão com consequente ampliação do acesso aos serviços de saúde com 71,0% da população coberta pela ESF (Brasil, 2018), o que destaca esta coorte em relação as demais coortes com população idosa no Brasil.

Metodologia

De acordo com as estimativas do IBGE (DATASUS, 2006) Bagé possuía, em 2006, aproximadamente 122.461 habitantes, sendo 82% (100.418) na zona urbana e 14.792 (12%) tinham 60 anos ou mais de idade. Em 2000, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) era de 0,80, sendo inferior ao do estado do RS e superior ao do Brasil. Em 2003, as principais causas de mortalidade da população de idosos, foram às doenças do aparelho circulatório (43%), neoplasias (24%) e doenças do aparelho respiratório (14%). A proporção de causas mal definidas foi de 16%, o que determina a necessidade de propor ações no sentido de qualificar o sistema de informações sobre mortalidade (DATASUS, 2006). A escolha do município de Bagé ocorreu devido a cobertura da Saúde da Família ser de 54%, na zona urbana (DATASUS, 2006), isto representava em torno de 53.871 pessoas moradores em área de abrangência sob responsabilidade das ESF, deste total, 6.464 eram idosos. Partindo do pressuposto que o restante da população (46%) deveria ser atendida pelas UBS Tradicionais, isto corresponde a aproximadamente 46.547 pessoas, das quais 5.585 idosas. Para uma amostra de 1530 idosos, 826 seriam localizados em área de cobertura do PSF e 704 em área de cobertura das UBS Tradicionais. Ao interior das microáreas, a partir de um ponto sorteado aleatoriamente, foi utilizado um pulo de cinco domicílios, garantindo uma adequada distribuição dos domicílios no território, de modo que todos os domicílios tivessem a mesma probabilidade de serem amostrados. Foram entrevistados 1.593 idosos com idade igual ou superior a 60 anos, caracterizando a área de abrangência do modelo de atenção à saúde (Tradicional ou ESF) onde os idosos residiam. O instrumento de coleta de dados também incluiu diversas variáveis para a caracterização da saúde do idoso, contemplando características demográficas, socioeconômicas, rede de apoio social (Rosa, 2004), utilização de serviços de saúde, presença de morbidades, uso de medicamentos, depressão (Sheikh et al., 1986), déficit cognitivo (Folstein et al., 1975), incapacidade funcional (Katz et al., 1963; Lawton et al., 1969), incontinência urinária e fragilidade (Fried et al., 2001). De modo a estabelecer um estudo longitudinal tendo como linha de base a pesquisa de 2008 foram realizadas reuniões iniciais no município sede do estudo, com as Secretarias Municipais de Saúde e de Políticas Públicas para a Pessoa Idosa de Bagé, com o objetivo de divulgar os resultados da pesquisa de 2008 e solicitar autorização e apoio para a realização do novo acompanhamento dos idosos; planejamento e acompanhamento das capacitações dos entrevistadores; acompanhamento do trabalho de campo. Em setembro de 2016 foi dado início a segunda coleta de dados, que se estendeu até agosto de 2017. Neste estudo de acompanhamento, foi disponibilizado aos entrevistadores uma lista com os nomes e endereços para a localização dos participantes do estudo de linha de base. Após a localização os idosos eram convidados a responder o questionário com possibilidade de agendamento. Para àqueles não encontrados os vizinhos e serviços de saúde foram consultados quanto ao atual endereço ou óbito do idoso. A relação dos óbitos identificados durante a coleta foi encaminhada à Secretaria do Estado da Saúde (SES) do RS para confirmação da data e causa básica de óbito a partir do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), por meio do Sistema de Vigilância e assinado o termo de responsabilidade sobre o uso das informações.
Foram implementadas novas tecnologias para a coleta de dados. Os instrumentos e métodos utilizados foram consistentes com os da primeira coleta realizada, permitindo comparabilidade para a maioria dos desfechos, além de adicionadas novas áreas temáticas e instrumentos como: WHOQOL-BREF - Avaliação de Qualidade de Vida (Fleck MP et al, 2000); PHQ-9 - Patient Health Questionnaire (Santos et al.,2013); PACIC - Patient Assessment of Chronic Illnes Care (Glasgow, 2005), VASS - Vulnerabilite to Abuse Screening Scale (Schofild; Mishra, 2003), Medical Outcomes Study’s social support scale (Griep et al, 2005).

Indicadores, Metas e Resultados

Dentre os indicadores
- % de idosos acompanhados em cada onda de acompanhamento
- % de idosos falecidos com identificação de causa de óbito estabelecida
- número de estudantes que utilizam os dados para tcc, dissertações e teses
- número de trabalhos apresentados em eventos científicos
- abrangência das postagens com resultados pesquisa nas redes sociais
Metas
- acompanhar 100% dos idosos entrevistados em 2008
- formação de pesquisadores da Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado
- divulgação de, no mínimo, dois artigos ao ano em revista com indexação nacional e internacional
- manter a parceria com a University College London
- divulgar resultados estudos nas redes sociais
- apresentar resultados do estudo eventos científicos locais, regionais, nacionais e internacionais
- manter articulação entre docentes e discentes das diferentes áreas da saúde
Resultados Esperados
- qualificação dos discentes em pesquisa populacional
- translação dos achados do estudo para práticas em saúde
- apoiar e fortalecer o cuidado à população
- apoiar envelhecimento saudável e rede de apoio formal e informal
- manter contato com os idosos do estudo e suas famílias
- realizar eventos científicos sobre a temática do envelhecimento
- artigos publicados

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADRIÉLI TIMM OLIVEIRA
ALITEIA SANTIAGO DILELIO2
BRUNO PEREIRA NUNES2
DEISI CARDOSO SOARES1
ELAINE THUME23
ELAINE TOMASI1
FERNANDO CARLOS VINHOLES SIQUEIRA2
JANAÍNA DUARTE BENDER
KARLA PEREIRA MACHADO
LOURIELE SOARES WACHS
LUIZ AUGUSTO FACCHINI
MARCIANE KESSLER
MARIANGELA UHLMANN SOARES27
MICHELE ROHDE KROLOW
Mirelle de Oliveira Saes
NICOLE PEREIRA XAVIER
PÂMELA MORAES VÖLZ
SUELE MANJOURANY SILVA DURO3

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