Nome do Projeto
POSIÇÃO DO PACIENTE PARA INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL NO CENÁRIO COVID-19
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
21/09/2020 - 30/06/2021
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Nesse contexto, os principais efeitos adversos relacionados às tentativas sucessivas e malsucedidas de intubação são: intubação esofágica, dessaturação de oxigênio, aspiração testemunhada, intubação do brônquio principal, extubação acidental, vazamento do balonete, traumatismo dentário, laringoespasmo, pneumotórax, hipotensão, disritmia e, no pior dos prognósticos, parada cardíaca12. Nesse sentido, o efeito adverso mais recorrente após sucessivas intubações é a dessaturação de oxigênio, caracterizada por paciente com saturação de oxigênio menor que 90%. A partir de dados retirados de uma pesquisa realizada em um Departamento de Emergência Universitário 12 comprovou-se que a dessaturação ocorreu em 9% dos pacientes na primeira tentativa e em 38% em múltiplas tentativas. Em seguida, na mesma pesquisa, aparece a incidência da chamada aspiração testemunhada, caracterizada majoritariamente pela presença de êmese na entrada glótica visualizada durante a intubação em uma via aérea previamente limpa. Se a intubação foi bem sucedida na primeira passagem, a incidência de aspiração foi de apenas 1%. No entanto, se várias tentativas foram necessárias, a incidência de aspiração subiu para 6%. Nesse viés, após uma intubação malsucedida, a administração de uma ventilação com bolsa válvula máscara para aumentar a saturação de oxigênio aumenta o risco de insuflar o estômago com ar, causando a êmese pela tentativa de expulsão aérea e, consequentemente, obstrução das vias respiratórias, além de aumentar a chance de disseminação do coronavírus. Outra técnica relevante para reduzir a chance desses erros, e consequentemente o risco de contaminação, é a utilização do videolaringoscópio. Este aparelho facilita muito a IET por tornar a visualização das vias aéreas mais fácil e clara, aumentando as chances de acertá-la na primeira tentativa. O uso deste aparelho reduz a chance de falha na Intubação e torna o processo mais fácil, particularmente em pacientes com uma via aérea difícil prevista ou conhecida 13. Apesar do videolaringoscópio representar a técnica ideal para intubação dos pacientes com COVID-19, esse recurso ainda não está disponível em muitos serviços e nem a maioria dos profissionais tem experiência no seu uso. Por isso, a técnica convencional de laringoscopia ainda é utilizada. Nesse sentido, as estratégias para aumentar a probabilidade de intubação bem sucedida na primeira tentativa são importantes. Assim sendo, o uso da técnica de laringoscopia bimanual 7 para localizar rapidamente as cordas vocais e a posição do farejador para alinhar os eixos da boca, faringe e laringe e facilitar a visualização das cordas vocais são fundamentais no ambiente COVID-19, especialmente se os profissionais estiverem utilizando o box de acrílico. A posição do farejador consiste em elevar a cabeça e mantê-la elevada com o suporte de um coxim. A técnica descrita corresponde à flexão do pescoço na sua base, ou seja, junto com a parte superior da coluna dorsal e a hiperextensão da cabeça, na altura da articulação atlanto-occipital. Em geral, o posicionamento ideal é alcançado, quando os meatos acústicos externos se encontram no mesmo plano horizontal da fúrcula esternal.

Objetivo Geral

Identificar se a técnica com uso da posição do farejador aumenta a probabilidade de intubação endotraqueal na primeira tentativa com profissionais clínicos ou com estudantes de medicina.

Justificativa

No contexto da pandemia de COVID-19, medidas de prevenção são extremamente importantes1. Os pacientes portadores do vírus que evoluem para uma forma mais agressiva da doença podem precisar de intubação3. No entanto, a técnica gera dispersão de aerossóis, aumentando a preocupação com a biossegurança da equipe8. A intubação na primeira tentativa provavelmente diminui as chances de contaminação das equipes de saúde12. Dessa forma, evoluções na técnica de intubação que permitam aumentar a taxa de sucesso na primeira tentativa, por mais simples que pareçam, devem ser estudadas.

Metodologia

DELINEAMENTO
Ensaio clínico randomizado, realizado em um laboratório de simulação, para comparar a técnica de intubação endotraqueal normal com a técnica de intubação com uso da posição do farejador. O estudo será dividido em duas fases.
AMOSTRA
Na primeira fase do estudo, estarão elegíveis para participar, médicos e estudantes de medicina participantes do curso de “Atendimento Padrão à Parada Cardíaca para Clínicos no Cenário COVID-19” .
Na segunda fase do estudo, que será realizada quando houver retorno às atividades práticas no curso de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, estarão elegíveis todos os médicos e estudantes de medicina vinculados a esta universidade.
Estima-se que o número de participantes na primeira fase seja 10 e na segunda fase seja 100.
RANDOMIZAÇÃO
Os participantes serão randomizados da seguinte forma: o primeiro participante do estudo irá realizar uma intubação com uso da posição do farejador primeiro, realizando uma intubação normal em sequência, repetindo 3 vezes este ciclo. Já o segundo participante irá realizar uma intubação normal primeiro, realizando uma intubação com uso da posição do farejador depois, repetindo 3 vezes este ciclo.
INSTRUMENTOS
O instrumento de aplicação do estudo se dividirá no questionário do estudo (Anexo 1) e na parte prática (Anexo 2). O questionário será enviado para preenchimento virtual pelo participante, enquanto o formulário da parte prática será preenchido pelos avaliadores.
MATERIAIS
A parte prática do estudo será composta por um boneco de simulação, um laringoscópio, um tubo endotraqueal de 7.5 mm, lubrificante, seringa de 10mL, êmbolo de uma seringa de 5mL, um clamp, um escudo facial por participante e um
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box acrílico oferecidos pelo Laboratório de Ensino por Simulação da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas e pelo Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas.
VARIÁVEIS
As variáveis de exposição serão: ser estudante de medicina ou ser médico, autoavaliação da experiência em intubação e uso ou não da técnica de intubação com a posição do farejador.
As variáveis de desfecho serão: a intubação com a técnica adequada na primeira tentativa e número de tentativas necessárias para realizar a intubação com sucesso.
SELEÇÃO E TREINAMENTO DE PESSOAL
Estudantes de medicina voluntários receberão instruções sobre como aplicar a pesquisa na amostra, assim como instruções sobre a avaliação da técnica.
COLETA DE DADOS
A coleta de dados da primeira fase se dará durante o curso “Atendimento Padrão à Parada Cardíaca para Clínicos no Cenário COVID-19” ofertado aos profissionais do Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas entre os dias 17 e 21 de agosto de 2020.
Na segunda fase, a coleta se dará a partir da segunda semana após o retorno das atividades presenciais, com autorização das instâncias acadêmicas, em sala ampla e arejada e com observância às medidas de biossegurança recomendadas para a época em que ocorrer.
Os participantes elegíveis receberão o termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo 3) e o questionário do estudo (Anexo 1). Os avaliadores irão preencher um formulário com a parte prática do estudo (Anexo 2).
Cada participante irá executar 3 vezes a técnica de intubação normal e 3 vezes a técnica de intubação com uso da posição do farejador, respeitando a ordem estabelecida na randomização.
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ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
Todos os participantes serão orientados a manter o distanciamento social de 2 metros entre si. A parte prática presencial será realizada em uma sala com ampla ventilação.
Será ofertado álcool 70% para o participante ao entrar na sala e antes e depois da simulação. Antes e depois de cada participação individual na parte prática do estudo, o boneco simulador e todos os instrumentos utilizados serão higienizados com álcool 70%.
Todas as etapas da pesquisa, com exceção da coleta de dados, serão realizadas de forma remota.
REVISÃO CONTÍNUA
Por ser um assunto recente, os autores do projeto realizarão revisões semanais de literatura na base de dados PubMed, bem como buscarão periodicamente artigos em outras bases de dados. As revisões terão como temática os objetivos do estudo, bem como a biossegurança contemporânea.
ANÁLISE DE DADOS
Os dados serão repassados a um banco de dados e analisados em um programa estatístico. Serão realizadas análises descritivas por meio de frequências absolutas e relativas. Para cada cruzamento de variáveis de exposição com a de desfecho, serão calculadas razões de prevalência e intervalos de confiança de 95%

Indicadores, Metas e Resultados

O uso da posição do farejador aumenta a probabilidade de intubar na primeira tentativa.
Médicos e estudantes de medicina que relatam boa experiência em intubação endotraqueal têm maior probabilidade de intubar corretamente na primeira tentativa.
A técnica de intubação endotraqueal correta pode ser realizada em 1 minuto e meio, entre o posicionamento da cabeça e o insuflamento do balonete.
O sucesso da intubação endotraqueal na primeira tentativa está associado com os seguintes fatores: ser médico formado há mais tempo, ser estudante de medicina em semestre mais avançado, possuir residência médica em anestesiologia e/ou medicina intensiva e já ter lido material teórico sobre intubação endotraqueal.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ERICK RODRIGUES FREITAS
LUAN LUCAS VALINS DA SILVEIRA
MURILO SILVEIRA ECHEVERRIA
OLIVIA ABRANTES BORGES
RAFAELA DOS SANTOS SCHNEID
RODRIGO DA SILVA NOGUEIRA
SAMIR LUIZ DOS SANTOS SCHNEID5

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