Nome do Projeto
Bioquímica inovATIVA - Aprendizagem ativa para além do conteúdo
Ênfase
Ensino
Data inicial - Data final
07/12/2020 - 31/12/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
A sociedade contemporânea passou por diversas transformações que também atingiram a educação. Entretanto, a sala de aula dos dias atuais parece não ter acompanhado essa evolução, mostrando padrões metodológicos empregados há séculos, com um modelo onde o professor é responsável por transmitir o conhecimento, os alunos assumem um papel passivo, os conteúdos são previsíveis e há poucas atividades estimulantes. Isto culmina com uma situação muito comum atualmente: por um lado, estudantes descontentes, desestimulados, que reclamam das aulas enfadonhas, rotineiras e pouco dinâmicas e, por outro, professores frustrados pela pouca participação e desinteresse dos alunos, desvalorização em relação às aulas e necessidade de buscar novas estratégias para chamar a atenção dos estudantes. Uma alternativa para modificar esse panorama e aumentar o engajamento em sala de aula é a utilização de metodologias ativas de aprendizagem, as quais desconstroem o perfil do professor conservador, transmissor de conteúdos; em contrapartida, os alunos tornam-se partícipes e desenvolvem sua autonomia, num processo que exige novas atitudes e conhecimentos de ambos os lados. Na sala de aula, o papel do professor passa a ser o de um orientador, supervisor, facilitador do processo de aprendizagem, e não mais o único detentor do conhecimento. Essas metodologias pressupõem a autonomia do estudante, interação entre colegas e professores, responsabilidade e comprometimento com as atividades propostas. Estão baseadas em formas de desenvolver novos processos de ensinar e aprender, utilizando experiências reais ou simuladas, para que os estudantes possam pensar em maneiras de como solucionar os desafios que irão enfrentar na sua futura profissão. As metodologias ativas têm como proposta uma concepção educacional que possibilita ao estudante do ensino superior assumir o protagonismo de seu aprendizado. Desse modo, o engajamento do estudante em relação às suas aprendizagens torna-se parte de seu processo formativo, pois no momento em que aprende, vivencia situações da sua futura profissão e prepara-se para o exercício profissional. Sendo assim, o presente projeto propõe a utilização de metodologias ativas na Disciplina de Bioquímica. A proposta visa, com isto, contornar a densidade e complexidade do conteúdo pela utilização de recursos inovadores, tornando o processo de ensino e aprendizagem um momento lúdico, onde o estudante possa usar a criatividade, se emocionar, desenvolver habilidades socioemocionais e participar ativamente da construção do conhecimento. Desta maneira, é possível motivar e instigar o interesse dos estudantes, melhorar o desempenho, evitar a evasão, visando uma aprendizagem significativa e articulada com a futura profissão.

Objetivo Geral

- dinamizar o ensino e a aprendizagem da Disciplina de Bioquímica, tornando o processo mais interessante, estimulante e significativo.

Justificativa

Bioquímica é o estudo das moléculas componentes dos organismos vivos, assim como das transformações metabólicas que ocorrem no interior dos mesmos. O conceito clássico de ensino de Bioquímica envolve a combinação da sala de aula tradicional com aulas de laboratório, mesclando o aprendizado teórico com o prático. Esta Disciplina é considerada bastante complexa, contando com conteúdos densos e extensos, o que muitas vezes ocasiona índices de reprovação e desistência elevados. Entretanto, ela se encontra na base da grade curricular de inúmeros cursos, alicerçando a formação profissional, sendo primordial que se consiga bons níveis de aprovação e aprendizado, para que o estudante avance em sua trajetória acadêmica.
Analisando sob um ponto de vista histórico, nota-se que ao longo dos séculos as práticas pedagógicas discursivas tiveram papel de destaque nas formas de comunicação docente-discente, nos processos de ensino-aprendizagem. O tipo de aula “Palestra magna em auditorium” protagonizou um modelo pedagógico-arquitetônico dedicado à educação por mais de mil anos. Posteriormente esse modelo se diferenciou com a introdução paulatina do quadro-negro (marcando a transição do auditorium para a sala de aula), e vem sendo utilizado há mais de três séculos, alcançando o século XXI. Poucas modificações foram feitas, sendo as mais marcantes, o uso de retroprojetores, projetores de slides e projetores multimídias. Dito de outra forma, a sala de aula não acompanhou essa evolução e segue a mesma metodologia do século XIX, marcada por um modelo em que o professor fica responsável por transmitir o conhecimento, os alunos são basicamente copistas, os conteúdos são previsíveis e há poucas atividades estimulantes.
As mudanças na sociedade contemporânea e o avanço tecnológico trouxeram à tona novos paradigmas para o processo de ensino-aprendizagem e geraram questionamentos em relação a educação do século XXI. A educação no Ensino Superior, nesse contexto histórico, em que se vive a “sociedade da informação e do conhecimento”, apresenta de alguma forma resquícios do modelo tradicional de ensino, com cadeiras enfileiradas, silêncio, predomínio do uso do quadro e do giz, reprodução dos conteúdos, aulas expositivas e presenciais. A relação professor e aluno, acontece de modo verticalizado, sendo o professor o detentor dos conhecimentos e o aluno o sujeito passivo, que memoriza e os repete. Essa estrutura organizacional de ensino acaba sendo incompatível com as demandas atuais. Para modificar essa situação é essencial dinamizar e modernizar o ensino, para que os alunos se sintam engajados no processo.
Partindo do princípio de que o aluno não seja apenas seja um recipiente vazio, a ser enchido com conhecimento, mas um participante ativo do processo de ensino e aprendizagem, alguns esforços, no sentido de dinamizar a educação e ir ao encontro dos avanços tecnológicos da sociedade, têm sido realizados, gerando grandes desafios às instituições de ensino, desde a Educação Básica até o Ensino Superior, no Brasil e em todas as partes do mundo.
Pesquisas, estudos e aplicações de novas soluções acadêmicas relacionadas aos modelos de ensino-aprendizagem revelam que, na prática pedagógica, não é mais possível apresentar aulas unicamente em seus formatos tradicionalmente lineares, onde a figura do professor continua sendo o centro único de provimento de informações qualificadas para os estudantes. A centralidade da sala de aula, com um professor atuando estritamente como informador, não mais atende às necessidades educacionais dos jovens, até mesmo porque a marca cultural da atualidade é constituída pela multiplicidade de canais de comunicação, interação em tempo real e ampla liberdade de escolha quanto ao conteúdo e acesso à informação generalista.
Pelo exposto, depreende-se que ensinar no século XXI é um verdadeiro desafio e, por isto, torna-se ainda mais necessário transformar o papel do professor. Neste contexto, a adoção de metodologias ativas no Ensino Superior é uma tendência para a modernização das Universidades, tanto no âmbito social quanto do próprio mercado de trabalho, pois as mesmas, além de melhorar o desempenho acadêmico dos estudantes, podem favorecer o desenvolvimento de habilidades e competências indispensáveis ao exercício de sua profissão, atendendo assim os interesses e as necessidades da sociedade em que estão inseridos.
Ao aplicar as inúmeras estratégias didáticas incluídas como metodologias ativas, o professor se torna um mentor, um facilitador, um mediador, um orientador e não aquele que detém todo conhecimento. Assim, o professor passa a desempenhar a função de curador de aprendizagem, para que o aluno conquiste seu próprio desenvolvimento e aprendizado, constituindo um triângulo interativo professor-conteúdo-aluno. Como consequência, as metodologias ativas possibilitam que o aluno ocupe um lugar central no processo de ensino e aprendizagem, através da realização de atividades envolventes, desafiadoras, que facilitam e qualificam seu aprendizado. O aluno passa a ser protagonista de suas próprias descobertas, um participante ativo, responsável por seus avanços, e o papel do professor passa a vincular-se a orientar, desafiar e facilitar o processo educativo.
Diferente das metodologias tradicionais de ensino, a aprendizagem ativa, criativa e colaborativa é uma parceria entre professor e aluno na busca pelo conhecimento. A ideia é estimular a autonomia intelectual dos alunos por meio de atividades planejadas pelo professor para promover o uso de diversas habilidades de pensamento como interpretar, analisar, sintetizar, classificar, relacionar e comparar. 
Assim, ele se torna agente da construção do próprio conhecimento e consegue desenvolver aspectos cognitivos, socioeconômicos, afetivos, políticos e culturais. O uso de problemas e situações reais nas estratégias de aprendizagem possibilitam o maior engajamento do aluno, a participação em atividades mais complexas e que incentivam a tomada de decisão e avaliação de resultados.
Entre as principais metodologias ativas de aprendizagem tem-se a aprendizagem baseada em problemas, a aprendizagem baseada em projetos, a instrução pelos pares (peer instruction), a aprendizagem combinada (blended learning), aprendizagem mão na massa, cultura maker, sala de aula quebra-cabeça, mapas mentais, dinâmicas de grupos (team based learning), story telling, sala de aula invertida (flipped classroom) e gamificação. Estas duas últimas abarcam em si uma gama de infinitas possibilidades em termos de estratégias e ferramentas disponíveis para sua implementação.
As metodologias ativas também são assim denominadas por instigar a participação efetiva do estudante, em uma estratégia de preparação da mente para aprender, gerada pela ativação neural e a liberação de dopamina, em função da proposta de vivenciar experiências emocionantes de aprendizagem. Desta forma, busca-se minimizar os entraves ocasionados pela ilusão de fluência e pela cultura da ditadura da nota, além de aumentar o engajamento dos estudantes.
Em relação aos impactos alcançados, as metodologias ativas estão muito ligadas à teoria da pirâmide de aprendizagem de William Glasser. Segundo o psiquiatra, o aprendizado se dá, efetivamente, quando o estudante discute, pratica e ensina. Glasser explica que não se deve trabalhar apenas com memorização, porque a maioria dos alunos simplesmente esquece os conceitos após a aula. Em vez disso, o psiquiatra sugere que os alunos aprendem efetivamente fazendo, interpretando, analisando, sintetizando, classificando, relacionando e comparando. Corroborando esta teoria, de acordo com o National Training Laboratories (Washington, EUA), quando o ensino acontece por meio das metodologias ativas, ou seja, o aluno aprende por meio da exploração dos conteúdos, a retenção chega a 90%. Por outro lado, quando o ensino é feito por meio de aulas expositivas ou leitura de artigos ou livros, esse alcance não passa de 20%. Ainda, as metodologias ativas contribuem para que os objetivos de aprendizagem possam ser definidos para alcançar níveis superiores, tomando-se como referência a taxonomia de Bloom. Esta considera seis níveis de complexidade ou de desenvolvimento cognitivo (relembrar, entender, aplicar, analisar, avaliar e criar), sendo os três primeiros tidos como inferiores em termos de desenvolvimento cognitivo, e os três últimos, superiores.
De acordo com o fundador da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, Leo Burd, esta é o caminho para ensino no século XXI. A proposta da aprendizagem criativa é integrar desde as habilidades socioemocionais até conteúdos específicos de cada disciplina. Para ele, a criatividade é uma forma de ver o mundo. Na aprendizagem criativa, parte-se da curiosidade dos alunos, levantando uma série de perguntas para as quais se buscarão respostas, em ambientes que permitam exploração de aspectos de seu cotidiano, de uma forma inquisitiva e curiosa.
Desta forma, o presente projeto traz a proposta de que a Bioquímica seja estudada de modo mais contextualizado, evidenciando a estrutura das moléculas, a integração dos processos metabólicos e sua importância para a manutenção da vida, mas também mostrando sua relação com o cotidiano dos estudantes, através da utilização de metodologias ativas, em suas diversas nuances. A proposta visa, com isto, contornar a densidade e complexidade do conteúdo pela utilização de recursos inovadores, que tornem o processo de ensino e aprendizagem um momento lúdico, onde o estudante possa usar a criatividade, se emocionar, desenvolver habilidades socioemocionais e participar ativamente da construção do conhecimento. Dessa maneira, será possível motivar e instigar o interesse dos estudantes, melhorar o desempenho, evitar a evasão, visando uma aprendizagem significativa e articulada com a futura profissão.

Metodologia

O projeto será desenvolvido através de:
- utilização de metodologias ativas de aprendizagem nas aulas e em atividades extra-classe;
- utilização de ferramentas educacionais lúdicas e plataformas digitais interativas diversas;
- desenvolvimento de atividades com e sem o uso de tecnologias;
- realização de atividades que relacionem o estudo do conteúdo contido nos livros com o dia-a-dia dos alunos;
- curadoria e preparação de materiais a serem utilizados nas aulas e nas atividades extra-classe;
- as ações serão embasadas nas metodologias ativas, criativas e inovativas, sendo que cada ação envolverá um número variável de estratégias, utilizadas isoladamente ou combinadas, de acordo com a proposta e os objetivos de aprendizagem.

Indicadores, Metas e Resultados

- protagonismo do aluno no processo de ensino-aprendizagem;
- motivação do aluno a aprender sem decorar;
- estabelecimento de vínculos afetivos;
- desenvolvimento de inteligência socioemocional;
- formação não somente técnica, mas também de cidadania;
- obtenção de maiores índices de aprovação e aprendizado;
- redução dos índices de reprovação e evasão.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA LUCIA SOARES CHAVES4
ANDREI LUCAS PADILHA PEREIRA
BRENO SOUTO D OLIVEIRA
CAMILA BRUM BERTOLDO
CAROLINA MÜLLER CARDOSO
CAROLINE BOTELHO DA SILVA
DIAGO DUTRA LIMA
EDUARDA SOARES DA SILVA
GIOVANA DUZZO GAMARO2
JERRI TEIXEIRA ZANUSSO2
LAIS GOULART RIBEIRO
LUCIANA BICCA DODE2

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