Nome do Projeto
Alternativas para o controle do ciclo estral de bovinos e ovinos
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
31/01/2021 - 31/01/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
A progesterona (P4) é amplamente utilizada em ovinos e bovinos, em protocolos de indução e sincronização de estro e ovulação. Devido a sua ampla utilização em biotécnicas reprodutivas, evidencia-se a necessidade de mais estudos para aprimorar seu uso e investigar possíveis fontes alternativas de aplicação. A utilização de P4 injetável (P4i) possui algumas vantagens em relação aos implantes intravaginais, como a redução de descartes no meio ambiente, ausência de perdas de dispositivos, vantagens higiênico-sanitárias, além de praticidade no manejo dos animais. Portanto, o presente projeto tem por objetivos avançar no entendimento do metabolismo e ação da progesterona injetável em fêmeas ovinas e bovinas, para utilização em biotécnicas da reprodução envolvendo o controle do ciclo estral. Uma série de experimentos serão conduzidos para determinar curvas dose-resposta de progesterona injetável e avaliar os efeitos do tratamento com P4i antes de protocolos convencionais de indução de estro e ovulação em fêmeas bovinas e ovinas. Além disso, a viabilidade de substituição de implantes vaginais pela progesterona injetável em protocolos de indução de estro e ovulação, será investigada em ovelhas. Com os estudos propostos, espera-se estabelecer novas abordagens para a suplementação de progesterona em ruminantes, o que poderá beneficiar técnicos e produtores rurais, aumentando a eficiência reprodutiva dos rebanhos.

Objetivo Geral

Avançar no entendimento do metabolismo e ação da progesterona injetável em fêmeas ovinas e bovinas, para utilização em biotécnicas da reprodução envolvendo o controle do ciclo estral.

Justificativa

A progesterona (P4) vem sendo muito utilizada em ruminantes, na indução da puberdade, no tratamento de doenças reprodutivas e em protocolos de indução e sincronização de estro e ovulação. A suplementação exógena de P4 é realizada para induzir a ciclicidade em fêmeas pré-púberes e no pós parto, promover feedback negativo na liberação de GnRH, quando associada ao estrógeno, levando a atresia de folículos ovarianos; e também para favorecer o reconhecimento e manutenção da gestação. Geralmente são utilizados dispositivos intravaginais de liberação lenta de P4, embora tenham sido descritas outras vias como a subcutânea (implantes auriculares), intramuscular, oral e adesivos transdérmicos. Recentemente, com a disponibilidade de formulações de P4 injetável de longa ação, novas abordagens têm sido propostas, principalmente para fêmeas bovinas zebuínas. Portanto, o presente projeto irá estabelecer curvas dose-resposta, investigar a metabolização da P4 injetável e avaliar a viabilidade de utilização desta formulação em protocolos de indução de ciclicidade e como uma alternativa ao uso de implantes vaginais.

Metodologia

Experimento 1
Serão utilizadas 60 fêmeas ovinas em anestro (progesterona abaixo de 1ng/mL). No dia de início do tratamento (D0), as fêmeas serão divididas em três grupos: grupo 1 (n=20) que irá receber uma injeção IM de 37,5 mg de progesterona injetável (P4i) de longa duração (Sincrogest®, Ourofino, Brasil); grupo 2 (n=20) que irá receber 75 mg de P4i, e grupo controle (n=20) que não irá receber P4i. Dez dias após (D10), todos os animais dos três grupos receberão um DIV impregnado com 60 mg progestágeno (acetato de medroxiprogesterona - MAP), que será mantido 11 dias (até o D21). Após esse período, os DIV serão removidos e os animais receberão uma injeção IM de 400UI de eCG. A partir do D23 até o D25, as fêmeas serão expostas a machos sexualmente maduros na proporção de 10% para identificação do número e momento de início do estro. Serão realizadas avaliações ultrassonográficas e os níveis séricos de P4 serão determinados no D0, D2, D4, D7, D10 e D15 em subgrupos dos animais tratados com P4i (n=8, por grupo). Níveis séricos de P4 de todos os animais serão determinados no D6 e D12 após o estro confirmado (D0).

Experimento 2
Serão utilizadas 200 fêmeas ovinas aleatoriamente alocadas em dois grupos: Controle: protocolo padrão de manutenção de DIV com 60mg de MAP por 7 dias e no momento da retirada do DIV, será feita aplicação IM de 150ug de PGF e 300UI de eCG; Tratamento: injeção IM de 75mg de P4i (D0) e, no D7, injeção IM de 150ug de PGF e 300UI de eCG. A partir do D9, as fêmeas serão expostas a machos sexualmente maduros na proporção de 10% (n=20) para identificação do estro e monta natural ou inseminação artificial. As fêmeas que não apresentarem estro até 54 h após a administração do eCG, serão inseminadas artificialmente pela via cervical superficial. Os níveis séricos de P4 serão determinados em subgrupos (n=15) de ambos os tratamentos no momento da remoção do implante e aos 6 e 12 dias após o estro confirmado.

Experimento 3
Durante a estação reprodutiva, serão utilizadas 200 fêmeas ovinas aleatoriamente alocadas em dois grupos: Controle: protocolo padrão de manutenção de DIV com 60mg de MAP por 7 dias e no momento da retirada do DIV, será feita aplicação IM de 150ug de PGF e 250UI de eCG; Tratamento: injeção de 75mg de P4i no D0 e, no D7, injeção IM de 150ug de PGF e 250UI de eCG. Após, será realizada monta natural com carneiros equipados com coletes marcadores. As fêmeas que não apresentarem estro até 54 h após a administração de eCG, serão inseminadas pela via cervical superficial, conforme descrito no experimento 2. Os níveis séricos de P4 serão determinados em subgrupos (n=15) de ambos os tratamentos no momento da remoção do implante e aos 6 e 12 dias após o estro confirmado.

Experimento 4
Serão utilizadas 30 fêmeas taurinas com escore de condição corporal (ECC) mínimo 3 (escala de 1 a 5). Os animais serão mantidos em campo nativo com livre acesso a sal mineral e água. As fêmeas terão a fertilidade suspensa por imunização anti-GnRH, de acordo com a recomendação do fabricante. Posteriormente as fêmeas serão divididas em 3 grupos de tratamentos que receberão uma aplicação de diferentes doses de P4: grupo A = injeção IM de 75 mg de P4i (n=10); grupo B = injeção IM de 150 mg de P4i (n=10) e grupo C = injeção IM de 300 mg de P4i (n=10). Os níveis séricos de P4 serão determinados em amostras de sangue coletadas no momento da aplicação do tratamento (D0) e a cada 48h durante 16 dias (90 amostras/grupo).

Experimento 5
Após a identificação das curvas de metabolização de P4i, será realizado um estudo com objetivo de identificar se uma exposição prévia interfere na metabolização de aplicações subsequentes. Serão utilizadas 30 fêmeas taurinas com ECC mínimo 3. As fêmeas terão a fertilidade suspensa utilizando imunização anti-GnRH, de acordo com a recomendação do fabricante. As vacas serão divididas em 3 grupos de tratamentos: grupo zero – não tratado com P4i (n=10); grupo 150 = injeção IM de 150 mg de P4i (n=10) e grupo 300 = injeção de 300 mg de P4i (n=10). Vinte dias após o tratamento inicial, todas as fêmeas receberão uma injeção IM de 300 mg de P4i. Para determinar a influência desse tratamento, os níveis séricos de P4 serão mensurados no momento do tratamento e a cada 48h durante 16 dias.

Experimento 6
Novilhas taurinas (n=314) em programa comercial de IATF, serão aleatoriamente divididas em dois grupos para avaliar o efeito da exposição prévia à P4i: Grupo controle (n=157) = será submetido a protocolo convencional de IATF utilizado na propriedade. Grupo tratamento (n=157) = injeção IM de 150 mg de P4i no mínimo 20 dias antes do início do protocolo convencional para IATF, que será idêntico nos dois grupos. Todos os animais serão marcados com tinta na região sacral para facilitar a identificação do estro e avaliados por palpação retal. A função luteal será avaliada mediante determinação dos níveis séricos de P4. Adicionalmente, serão comparadas as taxas de prenhez e perdas gestacionais.

Experimento 7
Vacas taurinas com cria ao pé (n=314), em programa comercial de IATF, serão aleatoriamente divididas em dois grupos para determinar o efeito da exposição prévia à P4i. O grupo controle (n=157) será submetido a protocolo convencional de IATF utilizado na propriedade. No grupo tratamento (n=157), as vacas receberão uma injeção IM de 150 mg de P4i no mínimo 10 dias antes do início do protocolo convencional para IATF, que será idêntico nos dois grupos. Todos os animais serão marcados com tinta na região sacral para facilitar a identificação do estro. Serão coletadas duas amostras de sangue de um subgrupo de animais (n=50/grupo) para avaliação da função luteal. Serão comparadas as taxas de prenhez e perdas gestacionais.

Indicadores, Metas e Resultados

Estabelecer as curvas de concentração dose específicas de progesterona injetável em ovelhas em anestro sazonal.
Avaliar o efeito do tratamento com progesterona injetável previamente a um protocolo de indução de ciclicidade em ovelhas.
Avaliar a viabilidade de utilização de progesterona injetável em substituição ao uso de implantes vaginais.
Avaliar a fertilidade de fêmeas ovinas sincronizadas com progesterona injetável na estação reprodutiva.
Avaliar as concentrações plasmáticas de progesterona após tratamento com progesterona injetável em fêmeas bovinas
Avaliar o efeito aditivo do tratamento prévio com progesterona injetável em protocolos de IATF em fêmeas bovinas

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDREZ PASTORELLO BOHN
ARNALDO DINIZ VIEIRA1
BERNARDO GARZIERA GASPERIN2
CAMILA AMARAL D'AVILA
FABIANE PEREIRA DE MORAES
LIGIA MARGARETH CANTARELLI PEGORARO
LUCIANO DA COSTA OLIVEIRA
LUCIANO DA COSTA OLIVEIRA
MONIQUE MAZZAROLLO FRATA
MONIQUE TOMAZELE ROVANI
RAFAEL GIANELLA MONDADORI2
THOMAZ LUCIA JUNIOR1
VILSON BORBA PINTO1
WAGNER MARQUES DE LIMA

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
CAPES / Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível SuperiorR$ 15.000,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339030 - Material de ConsumoR$ 15.000,00

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