Nome do Projeto
ECOLOGIA E AVALIAÇÃO DE MÉTODOS DE CONTROLE DE GRILOS (ORTHOPTERA, GRYLLIDAE) EM PLANTIOS DE EUCALIPTO
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/06/2021 - 29/06/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
Para os grilos, os plantios de eucalipto são mais que um recurso alimentar, este ambiente também é seu local de proteção contra predação e mudanças climáticas. As fases jovens e adultas são responsáveis por ocasionar danos as mudas em viveiro e após o plantio em campo. Contudo, a adoção de medidas de controle para estes insetos é dependente da existência de pesquisas envolvendo sua biologia e aspectos comportamentais. Logo, o objetivo do projeto é estudar o comportamento dos grilos sobre a cultura, para melhor análise e avaliação de aplicabilidade de controle de diferentes formulações de ingredientes ativos, biológicos ou químicos, visando o controle do inseto quando praga. Para o estudo de ecologia, os adultos serão coletados, através de armadilhas do tipo “Pitfall”, na qual serão instaladas em diferentes ambientes nos plantios de eucalipto na empresa Klabin S. A., em Telêmaco Borba, PR. Quanto aos estudos de formulações de iscas, os grilos utilizados nos bioensaios serão oriundos do Biotério de Invertebrados Terrestres da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Serão realizados testes de preferências de grãos, óleos e aromas, efeito do nível de consumo das iscas na mortalidade (um a cinco pellets), armazenamento das iscas (frescas, quatro e oito semanas) x atratividade e preferências entre as iscas formuladas (a base de fungos entomopatogênicos, óleo de nim e inseticida sintético. Os testes serão realizados a fim de descobrir formulaçês de iscas eficientes no controle de grilos quando praga.

Objetivo Geral

Estudar a ecologia de Grillus spp sobre a cultura do eucalipto, analisando a partir de seu comportamento a avaliação de diferentes formulações de iscas com fungos entomopatogênicos, óleo natural e inseticida sintético, a fim de identificar um meio eficiente de controle de grilos em áreas de pós-plantios de mudas e árvores jovens de eucalipto.

Justificativa

Com o aumento dos casos de danos econômicos causados em mudas jovens em campo por grilos, empresas com grande capacidade de suporte de plantio tendem a observar uma maior representatividade em danos causados por esta praga. Ao longo dos anos as empresas vêm enfrentando prejuízos nos plantios de eucalipto devido ao ataque de grilos, sendo necessário o replantio das mudas devido à alta taxa de mortalidade ocasionada por estes ortópteros. Segundo Barbosa et al. (2009), as mudas de eucalipto são atrativas para os grilos até 40 dias após o plantio.
Conforme evidenciado em reunião de ideação para proposta de trabalho em parceria com a empresa Klabin, foi mencionado que os índices mais alarmantes atualmente na empresa está relacionado à eventos abióticos, como déficit hídrico ou geada, no entanto, ataques de grilos em áreas recém plantadas são verificadas em algumas estações climáticas, o que torna o problema crítico em determinadas regiões e períodos do ano sem no entanto haver um agente controlador eficiente ou mesmo registrado para uso no setor florestal, que possa minimizar casos mesmo que isolados, mas que preocupantes segundo a pesquisadora da área.
Vale ressaltar que além das mudanças climáticas aparentes em todas as regiões brasileiras, também recentemente pudemos acompanhar a onda de nuvem de gafanhotos (ortópteros) nas fronteiras do Sul Brasil, que colocou em risco tanto plantios comerciais florestais quanto agrícolas, tornando esta demanda de estudos mais específicos sobre a biologia e métodos de controle destes insetos-praga mais evidentes dentro da companhia.
Por tratar-se de uma praga pouco estudada no Brasil e a existência de dificuldade do ponto de vista taxonômico (identificação das espécies), a escassez de pesquisas com estes insetos torna-se complexa para a elaboração de boas estratégias de controle que possam ser utilizados no manejo integrado de grilos. Com isso, ressalta-se a importância de estudos sobre o comportamento do inseto em plantios de eucalipto em diferentes regiões do Estado do Paraná, bem como ensaios laboratoriais e de campo que identifiquem alternativas economicamente viáveis, eficazes e de menor impacto ambiental no controle de grilos na cultura do eucalipto.

Metodologia

Coleta dos grilos
Para o estudo de ecologia, os adultos serão coletados, através de armadilhas do tipo “Pitfall”, na qual serão instaladas em diferentes ambientes nos plantios de eucalipto na empresa Klabin S. A., em Telêmaco Borba, PR. Após a coleta serão encaminhados a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL-RS) para identificação dos espécimes.
Criação em laboratório
Para a criação em laboratório, os grilos serão oriundos do Biotério de Invertebrados Terrestres da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e seguirá a metodologia proposta por Barbosa et al. (2009). Os grilos serão acondicionados em gaiolas plásticas com abertura superior vedada com tecido voil para a aeração. Nas gaiolas serão colocadas bandejas de ovos de papelão com o intuito de aumentar a área interna e reduzir o canibalismo. A dieta dos insetos será a base de ração para gatos castrados “Golden”, e junto a ração serão colocadas placas de petri com algodão umedecido com água. A criação dos grilos será estabelecida em ambiente controlado e higienizado, com temperatura de 26º ± 2 ºC, umidade relativa de 36 ± 10% e fotofase de 12 horas.

Preparação das iscas tóxicas
As etapas a seguir para a escolha da massa da isca (grãos, óleo, aroma), tempo de armazenamento e nível de consumo para atingir a mortalidade, seguirão a metodologia descrita por Barbara e Capinera (2003). A formulação padrão mais utilizada na produção de iscas para os grilos são 1 kg de farelo de trigo, 100 g de inseticida, 100 g de açúcar ou melaço e 0,5 litros de água (GASSEN, 2002; AGROLINK, 2021). As proporções desses componentes serão utilizadas como base na produção da isca, entretanto, novos ingredientes serão testados, a fim de encontrar novas possível iscas que apresentem boa palatabilidade, atratividade pelos insetos e alta taxa de mortalidade.

Teste de preferência de grãos com chance de escolha
Três diferentes grãos serão oferecidos aos grilos em placas de petri para avaliar a sua preferência, aveia em flocos, farelo de trigo e farelo de milho. Dois grilos adultos (1 machos e 1 fêmeas) e duas ninfas serão isolados em uma gaiola e se alimentaram dos substratos por 72 horas. As placas serão pesadas antes e após a exposição aos grilos e será calculada a porcentagem da quantidade total consumida por repetição. A cada repetição serão capturados um casal e duas ninfas ao acaso e serão cinco repetições. O grão mais atraente será utilizado na preparação da isca.
Teste de preferência de óleo ou água com chance de escolha
Três opções de óleos e água serão utilizadas como diluidores dos ingredientes e oferecidos aos grilos. Para preparar a mistura será utilizado 3 g do grão mais atrativo com 1 ml de óleo de canola/milho/soja/água. Em seguida, a mistura dos dois ingredientes será transferida as placas de petri e alocadas em gaiolas com um casal e duas ninfas. O substrato permanecerá na gaiola por 72 horas. Antes e após a exposição aos grilos, as placas de petri com o substrato serão pesadas. A quantidade de massa consumida será medida em gramas e será calculada a porcentagem da quantidade total consumida por repetição. A mistura mais atraente será utilizada na preparação da isca.
Teste de preferência de aromas com chance de escolha
Um casal e duas ninfas (terceiro ínstar) de grilos serão isolados em uma gaiola e se alimentarão de substrato com essência de eucalipto, açúcar, melaço e banana por 72 horas. O substrato será pesado antes e após a liberação aos grilos. A quantidade consumida será medida em gramas e será calculada a porcentagem da quantidade total consumida por repetição. A cada repetição serão capturados um casal e duas ninfas de grilos ao acaso e serão cinco repetições. O aroma mais atraente será utilizado na preparação da isca.

Efeito do nível de consumo de iscas com fungos na mortalidade
Os isolados fúngicos comerciais Beauveria bassiana (BOVERIL® WP PL63) e Metarhizium anisopliae (METARRIL® WP E9) são produtos em pó molháveis que serão adquiridos da Koopert Biological Systems. Após a mistura dos ingredientes da isca, será adicionado a massa os isolados fúngicos. Para avaliar a eficiência da formulação com fungos, quantidades variadas de iscas serão oferecidas aos grilos. Os fungos serão avaliados em adultos e ninfas. Em cada gaiola será colocado um grilo (um adulto escolhido aleatoriamente (macho/fêmea) ou uma ninfa de terceiro ínstar) e será oferecido no primeiro dia uma isca, no 2ª dia duas iscas, no 3º três iscas, no 4º quatro iscas e por fim no 5º dia cinco iscas (Figura 4a e 4b). Ao final no quinto dia será possível determinar quantas iscas cada grilo deve ingerir para causar sua morte. Serão realizadas cinco repetições para cada nível do tratamento.
7.1. Efeito do nível de consumo de iscas com óleo de nim na mortalidade
O óleo de Nim (Azadirachta indica A. Juss.) será adquirido de forma comercial e incorporado a mistura dos grãos e do aroma (NOVO et al., 2010). Como citado no ensaio anterior, para avaliar a eficiência da formulação de iscas com o óleo de nim, quantidades variadas de iscas serão oferecidas aos grilos. O óleo será avaliado em adultos e ninfas. Em cada gaiola será colocado um grilo (um adulto escolhido aleatoriamente (macho/fêmea) ou uma ninfa de terceiro ínstar) e será oferecido no primeiro dia uma isca, no 2ª duas iscas, no 3º três iscas, no 4º quatro iscas e por fim no 5º dia cinco iscas. Ao final no quinto dia será possível determinar quantas iscas cada grilo deve ingerir para causar sua morte. Serão realizadas cinco repetições para cada nível do tratamento.

Efeito do nível de consumo de iscas com produto químico na mortalidade
O inseticida sintético a base de carbaril será adquirido de forma comercial e incorporado as iscas frescas após sua produção. Para avaliar a eficiência da formulação de iscas com inseticida sintético será utilizada a mesma metodologia citada para fungos e óleo de nim.
Armazenamento de iscas x Atratividade – Ensaio com chance de escolha
O efeito do tempo de armazenamento na atratividade das iscas também será testado. Para o ensaio será utilizado um casal e duas ninfas grandes em uma gaiola. As iscas serão oferecidas em placas de petri (20 iscas/placa). Três placas serão colocadas na gaiola, sendo uma com isca fresca, uma com isca armazenada a quatro semanas e outra com isca armazenada a oito semanas. As iscas permanecerão nas gaiolas para alimentação por 24 horas. O consumo de iscas será medido pela contagem das iscas que não foram consumidas (menos atrativas), levando em consideração a quantidade inicialmente oferecida. Será realizado cinco repetições com quatro grilos por gaiola (dois adultos e duas ninfas).
Armazenamento de iscas x Eficácia – Ensaio sem chance de escolha
Para testar o efeito do tempo de armazenamento na eficácia das iscas serão utilizados um adulto e uma ninfa grande isolados separadamente em gaiolas. Em cada gaiola será colocado um grilo (um adulto escolhido aleatoriamente (macho/fêmea) ou uma ninfa de terceiro ínstar) e será oferecido no primeiro dia uma isca, no 2ª dia duas iscas, no 3º dia três iscas, no 4º dia quatro iscas e por fim no 5º dia cinco iscas. Ao final no quinto dia será possível determinar se existe relação entre o tempo de armazenamento com a eficiência de controle das iscas. Serão realizadas cinco repetições para cada nível do tratamento.
Teste de atratividade e preferência entre os pellets formulados
Em cada gaiola serão colocados quatro grilos, duas ninfas e dois adultos. Dentro das gaiolas ficarão disponíveis quatro placas de petri com os tratamentos I1 (20 iscas de fungo Metarhizium anisopliae), I2 (20 iscas de fungo Beauveria bassiana), I3 (20 iscas de extrato de Nim), I4 (20 iscas de inseticida sintético). As iscas ficarão disponível para escolha por 24 horas. Após esse período as placas de petri serão recolhidas e feito a contagem das iscas que não foram consumidas (menos atrativas), levando em consideração a quantidade inicialmente oferecida. O ensaio contará com cinco repetições.

Análises dos dados
Os dados obtidos pelos experimentos serão analisados usando a análise de variância (ANOVA) e as médias serão comparadas pelo teste Tukey (P ≤ 0,05) (SAS INSTITUTE, 2002) (SAS Institute, 1982). A análise de Probit (FINNEY, 1971) será realizada com base nos dados de dose/mortalidade dos grilos. Todos os dados determinados como porcentagem serão submetidos à transformação de arco seno antes da análise estatística. A fórmula de Abbott (1925) será usada para corrigir as porcentagens de mortalidade de controle em todos os ensaios de eficácia.
Mc (%) = %Mo - %Mt x 100
100 - %Mt
Onde: Mc - Mortalidade corrigida, Mo - Mortalidade observada, Mt - Mortalidade no controle.

Indicadores, Metas e Resultados

• Aprimoramento no conhecimento com a espécie Gryllus assimilis;
• Adquirir aprendizagem com alguns dos métodos de controle para a redução do inseto quando praga, com o uso de óleos naturais, fungos entomopatogênicos e inseticidas sintéticos.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
EDISON ZEFA2
FLAVIO ROBERTO MELLO GARCIA16
VIVIANE DOS SANTOS SIMPLÍCIO

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
Klabin / Klabin S.A.R$ 20.345,00Fundação Delfim Mendes da Silveira

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339020 - Auxílio Financeiro a PesquisadorR$ 16.920,00
339039 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa JurídicaR$ 3.425,00

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