Nome do Projeto
A Carne da Imagem: apontamentos de cinema, vídeo e fotografia numa prática em pintura.
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
17/05/2021 - 22/05/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Linguística, Letras e Artes
Resumo
Esta pesquisa propõe a investigação poética visual de uma prática de pintura cotidiana em ateliê, tecendo uma análise sobre minha produção poética em sua relação com as lógicas imagéticas próprias aos meios do cinema, do vídeo e da fotografia analógicos – que são inseridos nessa situação pictórica por meio de apropriações. Ou seja, a partir da análise em termos da feitura dessa pintura, numa produção contínua de mais de uma década, serão estudadas algumas das reverberações e determinações visuais advindas de uma imiscuição entre estes meios visuais técnicos, eletrônicos, químicos e óticos, na medida em que se colocam como matéria-prima desta pintura.

Objetivo Geral

O trabalho da pesquisa pretende contemplar e abranger a poética de um processo de trabalho em pintura em suas intersecções com os meios da fotografia e do vídeo (como produtores de imagens que são minuciosa e fielmente pintadas). Numa tessitura pictórica construída a partir da retícula vídeográfica que se dá por uma confrontação visual sutil e pulsante – lentidão da fatura e observação pictórica que remontam o resíduo da fugacidade contínua derivada do vídeo, congelado pela captação fotográfica. Uma matéria-prima advinda de um cenário urbano organizado em sintonia e dependência com a difusão e produção de imagens e informações, no qual as imagens da mídia acabam por definir toda uma realidade coletiva.

Justificativa

A noção de excesso visual implicada na poética que essa pesquisa se propõe a acompanhar e investigar – ou seja, aquilo que excede, que sobra, que ultrapassa – aponta para o estatuto atual das imagens, informações e meios de comunicação. Este processo poético contempla a transformação de uma imagem proveniente de tal realidade – uma imagem comum, seriada e banal, transmutada então em uma imagem única. Aqui visa-se uma poética visual que contempla uma espécie de metamorfose de uma imagem excessiva e saturada nela mesma para uma reconstrução sua na pintura, abrangendo confrontação e diálogo nesse encadeamento tenso e insolúvel.
Nesse sentido, nota-se que, no modelo atual de sociedade urbana, tanto a ação como a fala são frequente e intensamente permeadas por diversas etapas midiáticas. Sendo assim determinadas e regidas por estes novos dados e coordenadas de percepção das imagens. O filósofo Paul Virilio (1932-2018), que se dedicou justamente a teorizar a respeito destes entremeios humanos situados na contemporaneidade, acrescenta que: “De fato, não se pode falar hoje do desenvolvimento do audiovisual sem interrogar igualmente este desenvolvimento da imagerie virtual e sua influência sobre os comportamentos ou ainda sem anunciar também esta nova industrialização da visão, a instalação de um verdadeiro mercado da percepção sintética com o que isto supõe de questões éticas, (...) sobretudo a questão filosófica daquele desdobramento do ponto de vista, daquela divisão da percepção do ambiente entre o animado, o sujeito vivo, e o inanimado, o objeto, a máquina de visão” (VIRILIO, 2002, p. 86).
Aqui, o tempo prolongado do processo pictórico específico compreende uma feitura humana e manual vagarosa, que aborda e reconstitui, nos termos indicados, a imagem proveniente da captação e transposição de aparelhos óticos, químicos e eletrônicos. Uma pintura com latências de propriedades particulares de fatura, que distancia-se dessas matérias-primas, com tudo o que isto implica.

Metodologia

A partir dessa sucinta introdução ao tema da investigação, pode-se partir para a exploração dos possíveis caminhos rumo a verificação das hipóteses propostas, ou seja, a metodologia da pesquisa. Assim, serão desenvolvidos os trabalhos práticos propostos frente à confrontação teórica, discussão e pesquisa.
1º. Revisão bibliográfica sobre o tema a partir dos autores propostos anteriormente e de outros conhecidos, indicados e sugeridos. No intuito de abranger assim as teorias de percepção imagética nos meios cinematográfico (AUMONT, METZ, EISENSTEIN), fotográfico (VIRILIO, BARTHES, SONTAG, DUBOIS), videográfico (MACHADO) e da pintura (FISCHER, LASCH, DANTO); dos fluxos de informação urbanos (PEIXOTO); de história e teoria de arte (ARCHER, TASSINARI, DANTO). Além de textos de artistas; teorias sobre suas obras e de outros artistas.
2º. Produção inicial das pinturas. Seleção de imagens no “arquivamento” e fotografia destas em slides. Preparação de telas (processo chapa de metal na funilaria e elaboração de um fundo branco). Primeira camada de cor.
3º. Produção subseqüente das pinturas em atelier. Feitura das camadas das cores quentes. Feitura das camadas das cores frias. Finalização.
4º. Elaboração textual, intercalada com todas as etapas anteriores.
Seguindo-se dessa maneira esta metodologia aqui proposta, através da produção de um trabalho prático e uma pesquisa específica para este caso, acredita-se que será possível averiguar as hipóteses inicialmente instituídas.

Indicadores, Metas e Resultados

A pintura que a presente pesquisa procura contemplar visa uma execução particular que manifesta delicadeza e um percurso paciente, e que se situa numa temporalidade distinta daquela dos fluxos de percepção próprios à fotografia, ao vídeo e ao cinema.
Assume-se conscientemente tal postura na pintura, com materiais visuais elencados no sentido de extrapolar seus limites, no podem gerar ao visar o avesso e a possível dissipação de si mesmos. Esse direcionamento se dá por um caminho que não busca se impor pelo abrupto ou pelo exagero – mas que se norteia pela discrição, pela tensão e intensidade possíveis na sutileza, na delicadeza e na busca de uma fissura através da qual o trabalho possa existir em meio aos universos de visualidade aqui considerados, ao mesmo tempo que se constitui a partir de escombros desses mesmos universos.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CLOVIS VERGARA DE ALMEIDA MARTINS COSTA4
EMANUEL ANTUNES DOS SANTOS
RICARDO PERUFO MELLO4

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