Nome do Projeto
Epidemiologia da dioctofimatose em cães e gatos na região sul do Rio Grande do Sul, Brasil
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/03/2017 - 20/12/2019
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Saúde / Educação
Linha de Extensão
Saúde Animal
Resumo
Dioctophyme renale (Goeze, 1782), o verme gigante do rim, tem sido relatado parasitando várias espécies de carnívoros silvestres (canídeos e mustelídeos) e cães domésticos em diversos países. O nematóide é frequentemente encontrado no rim direito, raramente em ambos os rins, no entanto há relatos de casos onde os helmintos foram encontrados na cavidade peritoneal, bem como outros sítios de infecção (Anderson, 2000). O ciclo de vida da espécie inicia com a eliminação dos ovos juntamente com a urina do hospedeiro definitivo (carnívoros) no ambiente aquático, em cerca de 35 dias a temperatura de 20°C, ocorre o desenvolvimento da larva de primeiro estágio dentro do ovo. O ovo é ingerido por oligoquetos aquáticos (hospedeiros intermediários), nos quais se desenvolve a larva de terceiro estágio infectante. Peixes e anuros são citados como hospedeiros paratênicos, os quais se infectam pela ingestão de oligoquetos aquáticos com a larva de terceiro estágio. O hospedeiro definitivo, por sua vez, se infecta ingerindo hospedeiro intermediário ou paratênico infectado com a larva de terceiro estágio de D. renale (Mace & Anderson, 1975). Este parasito tem interesse em saúde pública, visto que apresenta potencial zoonótico. Casos de infecção humana por D. renale, na pele e nos rins, foram relatados em países asiáticos provavelmente pelo consumo de peixe cru ou malcozido (Urano et al., 2001; Ignjatovic et al., 2003; Sardjono et al., 2008; Katafigiotis et al., 2013; Tokiwa et al., 2014). No Brasil, existe apenas um caso registrado, em 1945, no estado do Maranhão (Eiras et al., 2015). No Rio Grande do Sul, embora existam diversos casos de dioctofimatose canina (Kommers et al., 1999; Monteiro et al., 2002; Colpo et al., 2007; Pereira et al., 2008b; Stainki et al., 2011; Milech et al., 2012; Rappeti et al,. 2016), poucos estudos discutem sobre os possíveis fatores epidemiológicos envolvidos na parasitose.

Objetivo Geral

A carência de informações sobre a dioctofimatose em cães e gatos na região sul do Rio Grande do Sul, somado ao frequente número de casos reportados para o município de Pelotas e ao reconhecido potencial zoonótico do parasito motivaram a elaboração deste projeto, o qual tem como objetivo caracterizar a população de cães e gatos parasitados por D. renale e promover ações de conscientização sobre a parasitose para a população e os profissionais que atuam em clínicas veterinárias da região sul do Rio Grande do Sul. Nesse contexto, pretende-se:
- identificar a espécie e as raças mais acometidas;
- identificar a idade dos animais infectados;
- identificar quais os sítios de infecção mais comumente parasitados;
- identificar a procedência dos animais parasitados, ou seja, em qual bairro estes animais viviam quando foram diagnosticados;
- identificar as condições de vida desses animais, ou seja, verificar se os animais parasitados são domiciliados, semi-domiciliados ou errantes;
- realizar campanhas de conscientização sobre a parasitose para população;
- realizar eventos de divulgação e conscientização sobre a parasitose para os profissionais que atuam em clínicas veterinárias;
- gerar subsídios para elaboração de programas de controle da dioctofimatose em cães e gatos, bem como para profilaxia de infecções humanas.

Justificativa

O município de Pelotas tem sido alvo de estudos sobre a biologia de D. renale, uma vez que foram registrados quelônios e peixes de água doce parasitados por larvas de terceiro estágio do nematoide, sendo que em quelônios, Trachemys dorbigni (Emydidae), a prevalência foi 87,5% (n=32 examinados) e a intensidade média foi de 13,9 larvas/hospedeiro (Mascarenhas & Müller, 2015). Em relação aos peixes, Mascarenhas et al. (2016) relataram Hoplosternum littorale (Callichthyidae) como hospedeiro de larvas de terceiro estágio de D. renale, porém com menores índices de infecção. Mascarenhas & Müller (2015) comentaram que a alta prevalência de larvas em quelônios no município possa estar relacionada com a presença de cães domésticos parasitados, os quais disseminam ovos através da urina, contaminando os corpos d’água urbanos, onde co-habitam quelônios e oligoquetos.
A população de cães em Pelotas foi estimada em 66.723 animais (46.706 semi-domiciliados, 6.672 de rua e 13.345 domiciliados) (Prefeitura Municipal de Pelotas, 2012) o que alerta para situação do município em relação à parasitose. Rappeti et al. (2016) reportaram 95 casos de dioctofimatose (92 cães e três gatos) diagnosticados entre 1981 e 2015 no município. Além disso, há relatos de médicos veterinários de clínicas particulares da cidade que comentam que diagnosticaram o parasito nos animais atendidos. Nesse contexto, existe a necessidade de um levantamento epidemiológico da parasitose, visando gerar informações que possam auxiliar na elaboração de programas de controle e profilaxia da dioctofimatose na região sul do Estado.

Metodologia

- Coleta de dados
O estudo será conduzido com a colaboração de clínicas veterinárias particulares dos municípios de Pelotas e Capão do Leão. As clínicas parceiras serão divulgadas em material informativo durante campanhas educativas sobre a parasitose destinadas à população. Assim, espera-se incentivar os proprietários de clínicas particulares a colaborarem com o projeto. Dessa forma, o levantamento da dioctofimatose na região visa também o contato da Universidade com a comunidade, proporcionando a integração desta com o meio acadêmico. Essa troca de conhecimento e experiências é de grande importância para o crescimento dos profissionais que atuam na Instituição, a qual tem o compromisso de gerar e levar para a comunidade o produto do seu trabalho que é o conhecimento. Da mesma forma, ressalta-se que as clínicas veterinárias parceiras terão um papel importante para a sociedade, como apoiadores e geradores de informações, e não apenas como prestadores de serviço.
Os dados coletados a respeito de cada paciente serão: espécie, raça, idade, endereço do proprietário, condições de vida do animal (domiciliado, semi-domiciliado, ou errante) e sítio de infecção. Os dados serão anotados em planilhas específicas e transferidos para planilha Excel para análise das informações.
Tais informações serão recolhidas em visitas periódicas (a cada quatro meses) nas clínicas ou no momento em que a equipe do projeto for acionada pelo médico veterinário da clínica ao receber um paciente parasitado.

- Atividades de divulgação dos dados e campanhas educativas
Durante o projeto serão promovidos dois eventos direcionados às clínicas veterinárias com o objetivo de divulgar os dados e incentivar a colaboração destas no projeto (ver cronograma, item 5).
As campanhas educativas voltadas para comunidade serão realizadas conforme o cronograma de atividades (item 5). Serão utilizados como ferramentas de divulgação: exposição de painéis, distribuição de folders e divulgação nos meios de comunicação locais (jornais, TV e rádio).

Indicadores, Metas e Resultados

Através do levantamento epidemiológico de D. renale, espera-se contribuir para o conhecimento da biologia do helminto, determinar em qual bairro ou região da cidade há maior ocorrência de animais parasitados, bem como caracterizar a população destes animais fornecendo informações que poderão auxiliar:
a) no controle e profilaxia da dioctofimatose em cães e gatos na região;
b) na profilaxia de infecções humanas;
c) na conscientização da população sobre a parasitose, tanto em animais quanto em humanos por se tratar de uma zoonose.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALANA MORAES DE BORBA
ALICE GRACIELA RODRIGUEZ SUAREZ
ANA BEATRIZ DEVANTIER HENZEL
BRUNA MEDEIROS CHAVIEL
CAROLINA SILVEIRA MASCARENHAS
EDUARDA ALÉXIA NUNES LOUZADA DIAS CAVALCANTI
ELVIS BALTAZAR PUGA
EMILY COSTA SILVEIRA
EMILY SOUZA DA COSTA
FABIANA FEDATTO BERNARDON
FRANCISCO DE ASSIS ARAÚJO CAMELO JÚNIOR
GABRIELA DE ALMEIDA CAPELLA
GERTRUD MULLER ANTUNES15
ISABEL MARTINS MADRID
JOSAINE CRISTINA DA SILVA RAPPETI15
JULIA VEIGA PEREIRA
KARINA RIBEIRO DE SOUZA
MAIRA APARECIDA CHRISTELLO TRINDADE
MARIA ELISABETH AIRES BERNE1
MARINA ZANIN
MARLETE BRUM CLEFF14
MORGANA LUCHESE
MÁRCIA RAQUEL PEGORARO DE MACEDO
PÂMELA CAYE
SIMONE SCHEER
SOLIANE CARRA PERERA
TATIELE DE AGUIAR LOPES SOARES
THAINÁ DUTRA VIEIRA
VITOR MEDEIROS CRUZ
VITÓRIA GAUSMANN

Página gerada em 20/10/2019 06:48:53 (consulta levou 0.111120s)