Nome do Projeto
O Jogo de Regras é um instrumento para o sucesso escolar em alunos com história de fracasso escolar?
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
15/12/2021 - 15/12/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
O presente projeto de pesquisa tem como base a teoria histórico-cultural de Lev Semenovich Vygotsky, Alexis N. Leontiev e Daniil B. Elkonin, propõe investigar se o jogo de regras no contexto de uma intervenção individualizada é um instrumento para o sucesso em alunos com história de fracasso escolar. A maioria dos estudos sobre fracasso escolar enfoca a existência, a origem e as dificuldades em si sem avançar na busca de caminhos para minimizá-lo. A pesquisa ganha relevância, também, pela inexistência de um trabalho de investigação propondo a busca de caminhos para o enfrentamento de um problema de tamanha complexidade como o fracasso escolar. Por fim, contribuir para a produção de novos saberes que poderão contribuir na formação dos professores e desencadear novas pesquisas. A pesquisa tem caráter qualitativo é baseada em intervenções estruturadas em três momentos: avaliação inicial e final junto aos alunos, mães e professoras e intervenções por meio dos jogos “memória”, “cara a cara” e “damas”. Será efetuada junto a alunos com história de fracasso escolar que estejam cursando o ensino fundamental da Rede Pública da cidade de Pelotas-RS. As intervenções serão realizadas no Serviço Escola de Psicologia (SEP) na sala de Avaliação e Intervenção em Crianças (AICs), estruturada pela autora e em escolas públicas. Os instrumentos que serão utilizados para coletar os dados das FPS trabalhadas e do desempenho escolar dos sujeitos serão: entrevistas junto aos responsáveis e professores, análise documental (boletim acadêmico), observação, avaliação emocional por meio do teste psicológico HTP (House, Tree, Person), avaliação qualitativa neuropsicológica (Cardona e Quintanar-Rojas, 2018) e instrumento construído no grupo de pesquisa para avaliação mediada da leitura, escrita e cálculo com base na psicologia histórico-cultural. A aplicação dos instrumentos será de maneira mediada, ou seja, com apoio e a avaliação será qualitativa e quantitativa (acerto e erro). O registro das ações, das falas e observações das intervenções será realizado no diário de campo, como também gravado. A análise e interpretação dos dados será por meio do método microgenético e de análise de conteúdo do tipo temática. A pesquisa tem aprovação pelo Comitê de Ética do MEC – Plataforma Brasil (CAAE 04017512.7.0000.5323). Solicita-se aos participantes a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE e Termo de Assentimento. Projeto foi desenvolvido no doutorado da Universidade Federal de Pelotas-Faculdade de Educação e teve continuidade no pós-doutorado da pesquisadora junto à Universidade de Aveiro em Portugal e no PPGE da FAE e está sendo proposto sua atualização no sistema unificado e sua prorrogação. Os resultados esperados é que por meio do jogo possa-se realizar a alteração das funções psicológicas superiores e em decorrência os alunos apresentem melhores rendimentos escolares. A repercussão será direta para os alunos do ensino fundamental. Para os acadêmicos de psicologia a repercussão será na utilização da intervenção por meio de jogos em suas práticas psicológicas.

Objetivo Geral

Investigar se o jogo de regras no contexto de uma intervenção individualizada é um instrumento para o sucesso em alunos com história de insucesso escolar.

Objetivos específicos:
Investigar, se:
o jogo de memória, cara a cara e damas auxiliam o desenvolvimento das FPS;
a mediação realizada pela pesquisadora, no jogo, possibilita o melhor desempenho do aluno nas jogadas;
ocorre imitação por parte do aluno às jogadas da pesquisadora;
o jogo possibilita a criação de ZDP;
o jogo influencia outras áreas do comportamento.
Construir:
intervenção por meio de jogos para crianças com histórico de fracasso escolar com base na psicologia histórico-cultural.
Avaliar:
instrumento para avaliação mediada da leitura, escrita e cálculo com base na psicologia histórico-cultural

Justificativa

O insucesso escolar no ensino fundamental brasileiro tem sido objeto de pesquisas e é motivo de preocupação de todos os profissionais que trabalham na área por apresentar índices elevados nos grupos de nível socioeconômico baixo, como mostram os dados decorrentes da última prova de Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) de 2016 (INEP, 2017). Prova que foi construída para avaliar os níveis de alfabetização e foi aplicada nos alunos do final do 3º ano do ensino fundamental e aplicada em mais de dois milhões de alunos, em 48 mil escolas públicas. Os resultados mostraram que 55% dos alunos do 3º ano têm conhecimento insuficiente nas áreas de matemática, de leitura e de escrita. Este percentual significa, por exemplo, que na matemática, as crianças apresentam dificuldade em reconhecer figuras geométricas, valor monetário de uma cédula e em contar objetos. Na leitura apresentam dificuldade para ler palavras com mais de uma sílaba e para identificar o assunto de um texto mesmo estando no título. Na escrita, 34% das crianças avaliadas, não são capazes de escrever as palavras de maneira alfabética, acabam produzindo textos ilegíveis.
Em 2018 o Brasil tinha 1,22 milhão de jovens de 7 a 14 anos de idade que não sabiam ler ou escrever, dos quais 1,15 milhão (93,8%) estavam matriculados em escolas localizadas em diferentes regiões do país. Estes dados foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) com base em microdados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (Bôas, 2019).
Somados aos dados anteriores tem-se os resultados do Índice de desenvolvimento da Educação básica (Ideb) de 2019, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2020). Os anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) indicam uma melhora no desempenho de 5,8 em 2017 para 5,9. Na segunda etapa do ensino fundamental (6º a 9º ano) de 4,7 em 2017 para 4,9. Ambos avançaram, mas continuam muito aquém do que seria adequado para um ensino de qualidade e indicam que é preciso continuar investindo no ensino fundamental brasileiro.
Na compreensão dos fatores que causam o insucesso ainda predomina a ideia de que a culpa é dos alunos, da família, dos professores, na maioria das vezes não é problematizado como uma construção social, histórica, multifacetada, e passível de ser modificado. O insucesso escolar não permite que as crianças se apropriem dos conhecimentos historicamente construídos pela sociedade como também, não desenvolvam seu psiquismo o que acarreta a exclusão social (Meira, 2007; Pinheiro et al, 2020). A pesquisa, fundamenta-se na Psicologia Histórico-Cultural, principalmente nas ideias de mediação, funções psicológicas superiores, dupla estimulação, aprendizagem e desenvolvimento, zona de desenvolvimento proximal e jogo desenvolvidas por Vygotsky, Elkonin e Leontiev.
A maioria dos estudos sobre fracasso escolar enfoca a existência, a origem e as dificuldades em si sem avançar na busca de caminhos para minimizá-lo, esta pesquisa investigará se o jogo de regras no contexto de uma intervenção individualizada é um instrumento para o sucesso em alunos com história de fracasso escolar. A pesquisa ganha relevância, também, pela inexistência de um trabalho de investigação propondo a busca de caminhos para o enfrentamento de um problema de tamanha complexidade como o fracasso escolar. Por fim, contribuir para a produção de novos saberes que poderão contribuir na formação dos professores e psicólogos e desencadear novas pesquisas.
Justificativa da Renovação
O presente projeto foi aprovado em 5/09/2013 no COCEPE com o código 3906, posteriormente em 2018 foi renovado com o código 9625. Esta sendo atualizado para o sistema unificado de projetos devido ao término do prazo de vigência. A solicitação de renovação é para realizar novamente a intervenção com alterações realizadas na avaliação inicial e final, testar o instrumento construído e diversificar os jogos utilizados na intervenção em si. Ações previstas que não foram integralmente realizadas em decorrência da Pandemia de COVID-19.

Metodologia

A pesquisa que embasará este projeto tem caráter qualitativo é baseada em intervenções estruturadas em três momentos: avaliação inicial e final junto aos alunos, mães e professoras e intervenções por meio dos jogos “memória”, “cara a cara”, “damas” e outros. Será efetuada junto a 16 alunos com história de fracasso escolar que estejam cursando o ensino fundamental da Rede Pública da cidade de Pelotas-RS. As intervenções serão realizadas no SEP na sala de AICs construída pela autora e acadêmicas do Curso de Psicologia e em escolas de ensino fundamental publicas. Os instrumentos que serão utilizados para coletar os dados das FPS trabalhadas e do desempenho escolar dos sujeitos serão: entrevistas semi-estruturadas junto aos responsáveis e professores, análise documental (boletim acadêmico), observação, avaliação emocional por meio do teste psicológico HTP (House, Tree, Person), avaliação qualitativa neuropsicológica (Cardona e Quintanar-Rojas, 2018) e instrumento construído no grupo de pesquisa para avaliação mediada da leitura, escrita e cálculo com base na psicologia histórico-cultural. A aplicação dos instrumentos será de maneira mediada, ou seja, com apoio e a avaliação será qualitativa e quantitativa (acerto e erro). O registro das ações, das falas e observações das intervenções será realizado no diário de campo, como também gravado. A análise e interpretação dos dados será por meio do método microgenético e de análise de conteúdo do tipo temática. A pesquisa tem aprovação pelo Comitê de Ética do MEC – Plataforma Brasil (CAAE 04017512.7.0000.5323). Solicita-se aos participantes a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE e Termo de Assentimento. Os instrumentos que serão utilizados para coletar os dados das FPS trabalhadas e do desempenho escolar dos sujeitos serão: entrevistas semi-estruturadas, análise documental (boletim acadêmico), observação, e instrumento que esta sendo construído no grupo de pesquisa para avaliação da leitura, escrita e cálculo com base na psicologia histórico-cultural. A aplicação do teste será de maneira mediada, ou seja, com apoio e a avaliação quantitativa (acerto e erro). O registro das ações, das falas e observações das intervenções será realizado no diário de campo, como também gravado. A análise e interpretação dos dados será por meio do método microgenético (GÓES, 2000) e de análise de conteúdo do tipo temática (MINAYO, 2004).
Realizar-se-á, para amenizar as fragilidades desse tipo de delineamento e validar as conclusões, a triangulação dos diferentes resultados obtidos nos instrumentos aplicados na avaliação inicial e final.
Foi realizado um estudo piloto objetivando refinar os procedimentos de coleta e registro de dados, testar a intervenção e estabelecer possíveis categorias de análise dos efeitos da intervenção. A análise e interpretação dos dados terão como base os pressupostos da teoria histórico-cultural e serão realizadas de maneira qualitativa delimitando categorias analíticas definidas anteriormente e as empíricas que decorrerão do experimento (MINAYO, 2004).


Indicadores, Metas e Resultados

Os resultados esperados é que por meio do jogo possa-se realizar a alteração das funções psicológicas superiores e em decorrência os alunos com queixa escolar apresentem melhoras no rendimento escolar. A repercussão será direta para os alunos do ensino fundamental. Para os acadêmicos de psicologia a repercussão será na utilização do jogo em suas práticas psicológica, repensem sua maneira de realizar a avaliação psicológica e a intervenção. Os resultados serão disponibilizados por meio de relatório final e a e amostra por meio de entrevistas individuais. Também serão propostas palestras, seminários, apresentações em CIC e publicações de artigos científicos.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALANA VICTORIA SILVA ROSTIROLLA
EDUARDA MARTINS MALUE
MARLUZ DUARTE GUNDLACH
MARTA MIELKE VARZIM
PAMELA PIEPER DOS SANTOS
SILVANA DE MATOS BANDEIRA2
SILVIA NARA SIQUEIRA PINHEIRO16
TIFFANI GOMES CARDOZO

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