Nome do Projeto
Fatores associados à Apneia Obstrutiva do Sono em crianças e adolescentes
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
02/01/2022 - 02/12/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma severa condição de Distúrbio Respiratório do Sono. Caracteriza-se pela obstrução parcial (hipopneia) ou total (apneia) das vias aéreas superiores e afeta negativamente a saúde geral e oral de crianças e adolescentes. A Odontologia desempenha papel fundamental no diagnóstico da SAOS e intervenção precoce minimizando prejuízos à saúde e a progressão dessa doença para a idade adulta. A evidência científica atual relacionada aos fatores associados à SAOS, bem como a prevalência e a severidade da doença em crianças e adolescentes, ainda é escassa e apresenta divergências nessas faixas etárias. Será realizado um estudo transversal que investigará a prevalência, severidade e fatores sociodemográficos, comportamentais, clínicos e de qualidade do sono associados à SAOS em crianças e adolescentes diagnosticados pela PSG, usando-se os critérios preconizados pela Academia Americana de Medicina do Sono (AASM). A amostra será composta por indivíduos que responderam aos questionários (através do autorrelato ou relato dos responsáveis), realizaram a PSG no Instituto do Sono de Pelotas e encaixaram-se nos critérios de inclusão do estudo. Os dados coletados serão submetidos a análise estatística adequada em nível de significância de 5%.

Objetivo Geral

Investigar os fatores associados à SAOS em crianças e adolescentes diagnosticados através de polissonografia, por meio de um de um estudo transversal conduzido no Instituto do Sono de Pelotas (ISP).

Justificativa

Há evidências na literatura que a SAOS resulta em morbidade significativa em crianças e adolescentes, ocasionando em complicações cardiovasculares, metabólicas, neurocognitivas e redução da qualidade de vida (ANDERSEN, 2016; CORDERO, 2013; PABLA, 2018; SÁNCHEZ, 2018). Somado a isso, a SAOS é associada a diversas alterações craniofaciais e orais, como retrognatia, má oclusão classe II, crescimento vertical da face e bruxismo do sono (DE LUCA CANTO, 2014a). Torna-se clara a importância do cirurgião-dentista na identificação de fatores associados a SAOS em crianças e adolescentes, sendo este o primeiro passo para o diagnóstico precoce e definitivo, seguido do tratamento adequado, a fim de minimizar os danos à saúde desta população. Sendo assim, este estudo tem como intuito estudar os fatores associados a SAOS, a prevalência e a severidade da doença em crianças e adolescentes, tendo em vista que a evidência científica atual é escassa e divergente, especialmente quando da utilização do padrão ouro de diagnóstico com polissonografias, nessas faixas etárias.

Metodologia

Metodologia
Delineamento do estudo
Será realizado um estudo clínico transversal a partir de dados sociodemográficos, comportamentais, clínicos e de eficiência e qualidade do sono e diagnóstico através de exames polissonográficos realizados em crianças (1-9 anos) e adolescentes (10-19 anos), no Instituto do Sono de Pelotas, uma clínica médica privada, no período de compreendido entre Janeiro de 2015 a Dezembro de 2017. Os pais ou responsáveis foram esclarecidos sobre a finalidade do estudo e, em concordância com ele, lhes foi lido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e solicitada sua assinatura em duas vias, sendo uma delas entregue a eles.

Informações Éticas
Este estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Odonologia da Universidade Federal de Pelotas sob o parecer número 88221418.4.0000.5318 (Anexo A). O estudo foi conduzido de acordo com a World Medical Association Declaration of Helsinki, que estabelece os princípios éticos para pesquisa médica envolvendo humanos e o reporte do estudo seguirá o Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology - STROBE (VON ELM et al., 2014).

Critérios de Elegibilidade
Foram selecionados indivíduos que se encontrassem nas faixas etárias de crianças (1 a 9 anos) e adolescentes (10 a 19 anos,) que procuraram atendimento ou foram encaminhados ao Instituto do Sono de Pelotas (ISP) para realização do exame de polissonografia no período de Janeiro de 2015 a Dezembro de 2017, com suspeita de distúrbio respiratório do sono. Todos os autorrelatos (adolescentes) e relato dos pais ou responsáveis (quando a criança tinha menos de 10 anos) foram incuídos e revisados. Tanto as crianças, quanto os adolescentes foram auxiliados pelos pais ou cuidadores durante o preenchimento dos questionários e formulários. Com o objetivo de detectar uma diferença de 10% na média dos valores obtidos, um poder de 80% e nível de significância de 5%, foi realizado um cálculo amostral com base no estudo de Bixler e cols. (BIXLER, 2009) e determinado que 110 indivíduos deveriam ser incluídos, os quais deveriam atender os seguintes critérios de inclusão: não fazer uso de medicação ou apresentar doença ou condição que interferisse no sono; não ter história pregressa de doença mental, transtorno invasivo do desenvolvimento, transtorno bipolar ou transtorno alimentar, comportamento suicida ou auto-mutilação.
Além disso, foram excluídos do estudo os questionários preenchidos incorretamente e aqueles em que os pais ou cuidadores foram incapazes de responder as questões.

Instrumentos e Coleta de Dados
Questionário
A coleta de dados foi obtida através da aplicação de um questionário, que compõe o prontuário do ISP, com perguntas sobre as características sociodemográficas e comportamento do sono rotineiramente preenchido pelos pais das crianças (quando a criança tinha menos de 10 anos) ou pelos próprios adolescentes quando procuram a clínica para fazerem o exame de polissonografia. Ainda é preenchido pelos pacientes ou cuidadores, um formulário de registro contendo perguntas sobre dados sociodemográficos: idade das crianças e adolescentes no período da coleta de dados (1-11 e 12-19 anos), gênero (masculino ou feminino), estrutura familiar dos pais ou cuidadores (nuclear ou não-nuclear) e história médica pregressa para identificar possíveis critérios de exclusão da amostra. As perguntas que compuseram o questionário foram elaboradas conforme os critérios definidos pela American Association of Sleep Medicine (AASM 2014) e foi composto por perguntas abertas e fechadas (Anexo B)

Exame Polissonográfico
O exame polissonográfico foi realizado para diagnosticar distúrbios respiratórios do sono em crianças e adolescentes, incluindo a apneia do sono e o bruxismo. Os pacientes dormiram por uma noite na clínica do sono para realização do exame e coleta dos dados a respeito da eficiência e qualidade do sono. Um sistema ambulatorial de polissonografia foi utilizado para realizar o exame completo (Alice 5 International; Philips Respironics). Os seguintes canais foram gravados: eletroencefalografia (EEG) (F3M2, F4M1, C3M2, C4M1, O1M2, O2M1); eletro-oculograma (EOG) (direito e esquerdo); eletrocardiograma (ECG) (3 derivações); eletromiografia (EMG) do queixo, dos músculos masseter (bilateral); registro da atividade rítmica dos músculos masseter (RMMA) e do músculo tibial anterior (bilateral) para registrar a atividade de distúrbio de movimento periódicos límbicos dos
membros inferiores. Parâmetros respiratórios foram avaliados por gravação de esforço abdominal e torácico, fluxo de ar (cânula oronasal), ronco, e oximetria. Sensores de movimentos foram usados para detectar as posições do sono. Gravações audiovisuais foram feitas simultaneamente para distinguir episódios de BS de outras atividades oromandibulares. O registro dos sinais da polissonografia foi realizado por um técnico com experiência. Os escores foram confirmados por uma médica otorrinolaringologista membro titular da Associação Brasileira do Sono (C.D.C). Todas análises do sono foram realizadas utilizando épocas de 30 segundos. O estadiamento do sono foi pontuado de acordo com os critérios padrões do AASM manual for the scoring of sleep and associed events versão 2.5 (AASM, 2018).
As apneias foram identificadas quando houve uma queda de ≥ 90% no fluxo de ar durante pelo menos duas respirações. Apneias obstrutivas foram definidas como apneias associadas ao esforço respiratório durante todo o período do evento. Apneias mistas foram definidas como apneias com esforço respiratório ausente durante uma porção do evento e presença de esforço respiratório em outra porção do evento. As hipopneias foram identificadas se houve uma queda de ≥ 30% no fluxo de ar pela duração de pelo menos duas respirações associadas a uma dessaturação de oxigênio ≥ 3%. O índice de apnéia e hipopnéia (IAH) foi definido como o número de apnéias obstrutivas, apneias mistas e hipopneias por hora de sono, enquanto o índice de dessaturação de oxigênio (ODI) foi definido como o número de dessaturações de oxigênio ≥ 3% por hora de sono. A SAOS foi definida como AHI≥1 e foi dividida nas seguintes categorias: AOS leve (IAH 1-4,9), AOS moderada (IAH 5-9,9) e AOS grave (IAH≥10).
A atividade elétrica do masseter foi detectada com base em um limiar de EMG (20% da força voluntária máxima de aperto dos dentes). Atividade elétrica do masseter excedendo 0,25 segundos de duração foram apontados como atividade oromotora de acordo com critérios já publicados (LAVIGNE; CARRA; HUYNH, 2012). Episódios oromotores separados por intervalos de 3 segundos foram reconhecidos como atividade muscular mastigatória rítmica (RMMA) se eles correspondessem a 1 dos 3 seguintes padrões: fásico (3 ou mais episódios de atividade eletromiográfica, cada uma com duração de 0,25 a 2 segundos), tônico (1 episódio de atividade eletromiográfica com duração de mais de 2 segundos), ou episódio misto (ambos
episódios de atividade eletromiográfica). As atividades elétricas dos músculos na EMG foram consideradas dentro do mesmo episódio de RMMA se o intervalo entre eles for mais curto do que 2 segundos. Participantes receberam o diagnóstico de BS pela polissonografia quando o índice de RMMA foi maior do que 2 episódios por hora de sono.
A eficiência do sono compreende a porcentagem do tempo total de gravação em que o paciente realmente está dormindo e é calculada pela soma dos estágios N1, N2, N3 e sono REM, dividida pelo tempo total de gravação, multiplicado por 100. A eficiência do sono foi classificada em boa quando >85% ou ruim quando <84,9%.

Análise dos Dados
Para análise dos dados será o software Stata 14.0 (Stata Corp, College Station, USA). O diagnóstico de SAOS será baseado no exame polissonográfico, em concordância com os critérios diagnósticos da ICSD-3 (AASM, 2014), e este diagnóstico será associado aos fatores sociodemográficos, comportamentais, clínicos e de eficiência e qualidade do sono auto-relatas ou relatas pelos pais ou cuidadores. Depois será realizada análise estatística apropriada com nível de significância de 5%.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se que este estudo amplie os conhecimentos sobre as desordens do sono e a dor orofacial para que os profissionais que atuam na área da saúde possam atuar de forma multidisciplinar evitando o sub ou o sobre tratamento de comportamentos relacionados ao sono e ao ranger de dentes durante a vigília. A proposta aborda uma temática que possibilitará o embasamento científico e preparo dos acadêmicos para a abordagem de indivíduos com queixas de DTMs, o que tem sido cada vez mais necessário e procurado pela comunidade atendida pela instituição onde o projeto será desenvolvido, a Universidade Federal de Pelotas. Este é um importante aspecto uma vez que ainda é escasso o conhecimento sobre os distúrbios do sono ou qualquer outra dor orofacial, o que resulta em prejuízo na formação profissional e impacta diretamente o tratamento e atendimento dos pacientes na esfera regional publica e privada, com prejuízo direto e indireto para a sociedade. Assim, com este estudo busca-se auxiliar na elaboração das políticas públicas voltadas para a parcela da população acometida, produzindo a indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão e o real envolvimento entre a Universidade e a sociedade, com a prática clínica diária exercida pelos profissionais da área da saúde tendo em vista que recentemente foi proposto que a dor orofacial fosse inclusive abordada dentro do contexto de saúde pública.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
JOÃO PEDRO DO COUTO CAETANO
JÚLIA MACHADO SAPORITI
MARILIA LEAO GOETTEMS1
NOELI BOSCATO7

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