Nome do Projeto
Contaminação ambiental de praças públicas por parasitos com potencial zoonótico em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/09/2022 - 31/08/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
Embora haja registros de formas parasitárias por todo mundo, estes organismos são mais comumente encontrados em regiões tropicais e subtropicais, onde se há problemas nas condições socioeconômicas (Jafari et al., 2012; Abe et al., 2019). No Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, grande parte da população possui saneamento básico precário e se encontra em situação de vulnerabilidade social (OMS, 2013; Paiva & Souza, 2018). A contaminação de áreas públicas por fezes de animais como cães e gatos, ou até mesmo por fezes humanas, pode representar um perigo para a saúde pública em virtude da grande possibilidade de transmissão de doenças (Otranto et al., 2017; Diakou et al., 2019). Animais infectados acabam contribuindo para a contaminação desses ambientes, e estudos pelo mundo vêm evidenciando taxas consideráveis de contaminação ambiental de áreas recreativas públicas e urbanas (Traversa et al., 2014). O crescente números de animais errantes, como os cães e gatos, com livre acesso a espaços como os parques públicos, elevam as chances de contaminação do solo por ovos e larvas de helmintos, uma vez que estes animais defecam nesses locais, aumentando os riscos de infecções por parasitos (Prestes et al., 2015; Rezaiemanesh et al., 2019). Os gêneros de helmintos mais frequentemente encontrados nas fezes desses animais são Ancylostoma spp., Dipylidium sp. e Toxocara spp. A toxocaríase é a infecção parasitária mais comum, e afeta animais como cães e gatos (Magnaval et al., 2001, Chen et al., 2018), nos humanos ocasiona a migração visceral da larva, causando formas clínicas e sistêmicas (visceral, oculta e neurológica) e também ocular (MacPherson, 2013; Mendonça et al., 2013). A contaminação de espaços públicos pode também se dar por formas parasitárias intestinais de humanos como, por exemplo, Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, Strongyloides stercoralis, Taenia spp., dentre outros (Pullan & Brooker, 2012; Nooraldeen, 2015; Sadowska et al., 2019). Diversos organismos parasitários com potencial zoonótico já foram encontrados no solo de creches e escolas públicas, incluindo educandários do extremo sul do Rio Grande do Sul, representando sérios riscos para a saúde humana (Oliveira et al., 2015; Mello et al., 2022). Deste modo, a contaminação ambiental por agentes infecciosos acaba por acometer, principalmente, crianças em decorrência de que estas são mais propícias a estarem expostas a ambientes públicos como praças e parques durante suas atividades de lazer, associado ao fato destas terem um menor cuidado com hábitos higiênicos, facilitando a penetração de larvas e a ingestão de ovos e cistos de parasitos (Moura et al., 2013; Periago et al., 2015). A partir do anteriormente citado, se faz necessário um estudo atualizado sobre a contaminação ambiental em espaços destinados ao lazer no município de Pelotas, RS, Brasil, sendo que com esta investigação, será possível desenvolver ações educativas e preventivas para a população com o objetivo de reduzir as infecções por parasitos.

Objetivo Geral

O presente estudo tem como objetivo verificar a contaminação do solo por ovos e larvas de parasitos com potencial zoonótico, no solo de praças e parques públicos localizados na cidade de Pelotas, RS, Brasil.

Justificativa

A contaminação de áreas públicas por matéria fecal de cães e gatos, ou mesmo de humanos, pode representar um perigo para a saúde pública em virtude da real possibilidade de transmissão de doenças aos usuários destes locais. Animais infectados acabam contribuindo para a contaminação desses ambientes, e estudos realizados ao redor do mundo têm evidenciado taxas consideráveis de contaminação ambiental de áreas públicas por formas infectantes de parasitos. O alto números de animais errantes, como os cães e gatos - o que é observado com frequência em Pelotas - com livre acesso a espaços como os parques e praças públicas, elevam as chances de contaminação do solo por ovos e larvas de helmintos. Ademais, estudos levados a cabo acerca de uma década, comprovaram a presença de parasitos no solo de locais de lazer do município, o que justifica uma pesquisa atualizada sobre o tema.

Metodologia

As coletas começarão no mês de setembro de 2022, no município de Pelotas, sendo escolhidas seis praças/parques públicas(os) localizadas(os) no município de Pelotas, a saber: Parque da Baronesa, Praça da Av. Dom Joaquim, Praça da Rodoviária, Praça Coronel Pedro Osório, Parque Dom Antônio Zattera, e Praça da Guabiroba. Estas localidades foram selecionadas devido à grande circulação de pessoas e por serem algumas das mais frequentadas durante os finais de semana para encontro entre amigos e familiares, acompanhados de lanches e chimarrão, práticas de lazer nas quais costuma-se levar as crianças e cães para brincar e passear, além de alguns serem considerados pontos turísticos do município.
Serão visitadas as seis praças, sendo todas elas visitadas uma vez em cada estação do ano, logo, estão previstas 24 saídas de campo (uma para cada praça em cada estação) no decorrer de um ano de pesquisa. Em cada praça serão colhidas 05 amostras de solo para análise, totalizando a avaliação de 30 amostras de solo por estação do ano, totalizando a análise de 120 amostras de solo em um ano. Como cada amostra será lida quintuplicada, serão investigadas 600 lâminas no decorrer da pesquisa.
Para o diagnóstico de formas parasitárias no solo, será utilizada a técnica de Caldwell & Caldwell adaptada por Pessoa e Martins (1988). As amostras (200g) serão obtidas através da raspagem superficial do solo (02 cm), com auxílio de espátula, ao redor dos brinquedos de cada praça e também da região central. O material colhido será acondicionado em saco plástico, identificado, e transportado ao laboratório de Parasitologia Humana do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para ser averiguado.
Durante o processamento, serão pesadas alíquotas de 6 g do solo (cada amostra) as quais serão diluídas em 10 ml de solução clorada (Hipoclorito de Sódio 4-6%, diluído em 30% de água destilada); logo após, o material será filtrado através de gaze para um tubo de ensaio de 15 ml, e o mesmo será centrifugado a duas mil RPM por dois minutos; posteriormente, desprezar-se-á o sobrenadante e se adicionará 10ml de dicromato de sódio (D=1,35 mg/DL); centrifuga-se novamente a solução a 1500 RPM por três minutos e, por fim, o volume final do tubo será completado com solução de dicromato de sódio até formar o menisco sobre o qual se colocará uma lamínula. Após um mínimo de 30 minutos, tempo disponibilizado para suspensão do material até a lamínula, será proferida a leitura das amostras em microscópio óptico nas objetivas de 10 e 40 vezes. As coletas serão procedidas, preferencialmente, no período da manhã e sempre serão assinaladas características como: clima (média de temperatura e precipitação pluviométrica do mês da coleta); presença de cães errantes ou com proprietários no local; presença de matéria fecal no ambiente.
Após a leitura das lâminas, os resultados serão expressos por estatística descritiva, registrando os valores em frequência (valor observado - n), sendo tabulados e analisados no Programa Microsoft Excel a partir da elaboração de planilhas. A comparação estatística entre os grupos (praças, clima, presença de cães, visualização de fezes no dia da coleta, ocorrência de parasitos no solo) será realizada pelo teste qui-quadrado (p≤0,05) e, para as variáveis que apresentarem diferença estatisticamente significativa, também se aplicará a Razão de Chances (Odds ratio).

Indicadores, Metas e Resultados

- Atualizar a informação científica quanto a presença de parasitos com potencial zoonótico no solo de áreas de lazer de um município polo do extremo sul do Brasil;
- Verificar quais são as principais espécies de parasitos presentes nas praças públicas de Pelotas, para a partir disso, traçar planos educativos que possibilitem a diminuição da presença de formas parasitárias no solo destes ambientes;
- Confeccionar um Relatório Técnico Final com informações sobre a presença de formas parasitárias nas praças de pelotas, o qual será entregue aos órgãos públicos responsáveis pela limpeza e manutenção destas áreas;
- Elaborar material educativo específico para distribuição gratuita a população, alertando para que os indivíduos sejam mais cuidadosos com os seus animais de companhia (posse responsável), principalmente no tocante ao: recolhimento das fezes dos seus animais durante os passeios em áreas públicas; tratamento periódico dos mesmos com anti-helminticos; não abandono dos animais ou dos seus filhotes;
- Capacitar recursos humanos, graduandos e pós-graduandos, para atuarem na área de saúde pública.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
FRANCINE RODRIGUES PEDRA
GABRIELA MEDEIROS FERREIRA
MARCOS MARREIRO VILLELA6
ÍTALO FERREIRA DE LEON

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