Nome do Projeto
Facilitadores e barreiras para adesão à alimentação adequada e saudável em usuários do serviço de nutrição de uma Unidade da Atenção Básica
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
07/07/2022 - 31/12/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A população brasileira tem enfrentado mudanças significativas nos padrões demográfico, socioeconômico, ambiental, agrícola e de saúde, que se relacionam com a ocorrência da transição epidemiológica e nutricional. Diante desse cenário, o Brasil tem realizado muitos esforços nas últimas décadas com o intuito de promover a saúde e melhorar a qualidade de vida da população. Com o objetivo de instruir de forma estratégica as ações de promoção da alimentação adequada e saudável, com ênfase na Atenção Básica, foi elaborado o Guia Alimentar para a população brasileira. Na sua segunda edição é apresentada a classificação NOVA, que permite categorizar os alimentos para além de seus aspectos nutricionais, incorporando os aspectos sociais, culturais e ambientais envolvidos nos sistemas alimentares. Ao encontro da proposta do Guia é necessário entender o processo de adesão às suas recomendações, pois ele é tão importante quanto a informação transmitida ou aconselhamento ofertados aos indivíduos. Portanto, o objetivo desta pesquisa é avaliar a adesão à alimentação adequada e saudável (AAS) identificando facilitadores e barreiras nesse processo. Será desenvolvido estudo transversal com adultos que receberam orientação nutricional em uma Unidade Básica de Saúde. A coleta de dados será por meio da aplicação de questionário estruturado. A adesão à AAS será mensurada por meio de uma escala, elaborada e validada para avaliar a alimentação conforme as recomendações do Guia Alimentar para a população brasileira. Variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentais, identificadas em revisão da literatura compreenderão os facilitadores e barreiras para AAS. Os resultados dessa pesquisa permitirão direcionar futuros planejamentos de estratégias em saúde que favoreçam a adesão da população à AAS e que resulte em melhores condições de saúde e qualidade de vida.

Objetivo Geral

Avaliar a adesão à AAS identificando os fatores facilitadores e as barreiras nesse processo, em adultos que receberam orientação nutricional em UBS localizada no município de Pelotas/RS.

Justificativa

A PNAN constitui-se numa estratégia apropriada contida no SUS para gerenciar o enfrentamento da complexidade da situação alimentar e nutricional da população brasileira, de maneira a promover a AAS e a atenção nutricional para todas as fases do curso da vida (BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013). No entanto, a adesão à AAS é aquém do desejado, contribuindo ainda para a má nutrição dos brasileiros e agravamento dos problemas de saúde (DE TOLEDO; ABREU; LOPES, 2013; DIMATTEO, 1994; LINDEMANN; OLIVEIRA; MENDOZA-SASSI, 2016; SANTOS et al., 2012).
Sabe-se que o diagnóstico de saúde e nutrição da população favorece o planejamento das ações de promoção, proteção e apoio que objetivam o acesso e o consumo de uma alimentação mais saudável (BORTOLINI et al., 2020). No entanto, a não adesão aos tratamentos e à AAS traz um alerta para os gestores e profissionais do SUS, pois evidencia a necessidade de revisão dos métodos empregados e a compreensão de forma analítica da transversalidade peculiar de metodologias já reconhecidas como eficazes (BORGES; PORTO, 2014). Nesse sentido, é necessário reconhecer e considerar todos os fatores que interferem no processo de adesão, podendo ser uma possibilidade eficaz de cuidado a abordagem comportamental na AB (FAUSTINO-SILVA; JUNG; LA PORTA, 2019).
Então, considerando a importância da AAS para a qualidade de vida e prevenção de doenças é necessário entender melhor o processo de adesão às recomendações de estilo de vida saudável, sobretudo da AAS no âmbito da AB. Portanto, pretende-se avaliar a adesão à AAS e verificar os seus fatores facilitadores e as barreiras em usuários do serviço de nutrição de uma UBS, localizada em uma cidade de médio porte do extremo Sul do Brasil. Com esse trabalho será possível desenvolver estudos de implementação de práticas e estratégias fundamentadas voltadas a melhorar a adesão à AAS no âmbito da AB. Dessa forma, resultar em melhores condições de saúde e qualidade de vida da população.

Metodologia

Estudo transversal a ser realizado na UBS Vila Municipal na cidade de Pelotas/RS. A população estimada da área de abrangência da UBS é de 3.500 indivíduos, distribuídos em quatro microáreas. A população do estudo será composta por indivíduos adultos e idosos que receberam atendimento nutricional no período de 2015 a 2019 e que residiam na área adstrita da UBS no momento do atendimento nutricional. Como critério de inclusão no estudo ainda será utilizado ser residente da área adstrita da UBS no momento da coleta dos dados. Não será incluído no estudo o indivíduo portador de alguma condição (física ou mental) que dificulte ou limite a resposta ao questionário e que esteja institucionalizado (prisões, asilos, hospitais).
A logística da pesquisa foi planejada considerando a situação pandêmica e economia de recursos financeiros. Inicialmente será realizada uma reunião com a equipe da UBS Vila Municipal sobre a realização da pesquisa para expor a logística e solicitar autorização para consultar os prontuários dos pacientes, apoio para a divulgação, atualização cadastral e busca dos indivíduos elegíveis, principalmente aos ACS que possuem maior conhecimento das pessoas residentes na região. Como estratégias de divulgação e de busca ainda será realizada a fixação de capaz na UBS sobre a pesquisa, criação de perfil em rede social, busca no sistema de registro eletrônico do SUS, o e-sus.
Após a busca nos registros eletrônicos, os indivíduos serão contatados por chamada telefônica ou redes sociais para receberem a divulgação e convite para participarem da pesquisa. Nessa fase será solicitada a ajuda das ACS para a atualização dos números de telefone para novas tentativas de contato com os indivíduos que não forem encontrados por rede social e pelos números de telefones já cadastrados. No primeiro contato, os indivíduos receberão as informações sobre a pesquisa a respeito dos objetivos, tempo necessário, formato por chamada telefônica e será agendado um horário para a realização da entrevista para aqueles que não puderem no momento. Para os agendados para chamada telefônica serão disponibilizados os números dos chips que farão as ligações para promover a identificação, estimulando que atendam à ligação no dia da entrevista.
As entrevistas serão preferencialmente por chamada telefônica, mas conforme a disponibilidade dos indivíduos poderá ser agendada uma visita no domicílio para uma entrevista presencial. Além disso, serão realizadas três tentativas de contato telefônico em momentos diferentes e se ocorrer de o indivíduo não atender às chamadas será realizada visita no domicílio. Se ocorrerem três tentativas de visita no domicílio sem contato será considerado como perda.
Para as entrevistas por meio de chamada telefônica, serão utilizados os aparelhos de telefone celulares das entrevistadoras e, com o intuito de preservar o número do celular delas, serão disponibilizados chips de celular destinados apenas para esse fim. Para essas entrevistas, a entrevistadora fará a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e solicitará o consentimento oral para sua participação na pesquisa. Para os indivíduos que forem participar da pesquisa de forma presencial será solicitada a assinatura no TCLE em papel impresso.
Os questionários para as entrevistas via telefone terão formato eletrônico desenvolvido na plataforma do Formulários Google®. no qual fornecerá as informações em formato de planilha eletrônica. Para isso, serão utilizados os computadores pessoais das entrevistadoras, que possuírem os aparelhos e aceitarem disponibilizá-los, ou da Faculdade de Nutrição mediante agendamento e autorização da direção da faculdade. Para as entrevistas presenciais serão utilizados questionários impressos, após conclusão da entrevista, serão digitados na plataforma Formulários Google®. Os dados eletrônicos serão armazenados em arquivo sigiloso e, diariamente será realizada cópia de segurança também para arquivo em
Para controlar a qualidade dos dados, as primeiras 20 entrevistas serão utilizadas como estudo piloto para verificação e adequação do trabalho de campo, testagem final dos questionários eletrônicos e físicos e verificação e do desempenho das entrevistadoras. Será mantido um grupo via aplicativo de conversas com a pesquisadora e entrevistadoras para possibilitar a troca de informações e solução de dúvidas em tempo real. Serão ainda agendadas reuniões semanais com as entrevistadoras para padronização de solução de problemas e imprevistos. Após o período de entrevistas, 10% destas serão sorteadas e refeitas com versão reduzida do questionário para identificação de possíveis respostas não verdadeiras ou erros.
Serão selecionadas e treinadas em torno de cinco voluntárias, acadêmicas do Curso de Nutrição da UFPel e/ou Faculdade Anhanguera. O treinamento consistirá em apresentar a pesquisa, ensinamento sobre técnicas de abordagem e de entrevistas, preenchimento e tabulação do questionário eletrônico e impresso e dramatizações (aplicação do questionário entre as participantes do treinamento sob supervisão). Após o período de coleta de dados será realizada a digitação dos mesmos. Todas que participarem dessas etapas receberão certificado com as horas correspondentes ao trabalho realizado no projeto de pesquisa.
O instrumento de coleta dos dados conterá questões sobre características gerais do indivíduo, da família e domicílio, saúde e comportamentos relacionados sua saúde, tempo de atividades cotidianas, conhecimento sobre AAS, acesso e disponibilidade dos alimentos, preferências e práticas alimentares . As variáveis foram elencadas com base na revisão de literatura anteriormente descrita, sendo que a variável dependente adesão à AAS e as vaiáveis independentes insegurança alimentar, atividade física e alimentação emocional serão coletadas conforme questionários validados e as demais variáveis por meio de perguntas formuladas pela equipe de pesquisa. A variável tempo desde a última consulta com a nutrição será obtida em meses por meio da diferença entre a data da entrevista e data da última consulta com a nutrição. As informações sobre as datas da primeira e última consulta, bem como o número de consultas serão obtidas nos prontuários dos pacientes.
Os dados dos questionários eletrônicos serão analisados no Stata® 12.0.
O projeto já foi aprovado pelo CEP com o parecer nº 5.373.094.

Indicadores, Metas e Resultados

Hipóteses:
- Utilizando o instrumento proposto por Gabe e Jaime (2019), cujos escores mais altos indicam maior adesão à AAS, espera-se encontrar uma adesão média de 36 pontos e prevalência de 26,6% dos indivíduos com os maiores escores de adesão.
- Quanto às características demográficas e socioeconômicas, a adesão à AAS estará positivamente associada ao sexo feminino, à idade acima de 40 anos, a ter cor da pele branca, ter companheiro(a), a maiores estratos de renda e a maiores níveis de escolaridade. Serão observados maiores escores de adesão à AAS entre os indivíduos com maior tempo de prática de atividades físicas e não fumantes.
- Os facilitadores para a adesão à AAS que estarão associados positivamente aos maiores escores de AAS serão: motivo de reeducação alimentar na primeira consulta com a nutrição, menor tempo desde a última consulta com a nutrição e na UBS, maior número de consultas com a nutrição, considerar a adesão à AAS importante para ter saúde, bem-estar e qualidade de vida, excesso de peso na primeira consulta com a nutrição, maior apoio familiar, maior tempo disponível para o preparo das principais refeições, receber orientações sobre AAS por profissionais da saúde, maior conhecimento sobre AAS, ter proximidade de lugares para a compra de alimentos in natura e minimamente processados e gostar muito do sabor de frutas, verduras e legumes.
- As barreiras para a adesão à AAS que estarão associadas positivamente aos menores escores de AAS serão: maior número de pessoas por domicílio, apresentar três ou mais doenças crônicas, excesso de peso atual, altos escores de alimentação emocional, cuidar de outras pessoas, maior carga de trabalho, falta de tempo para alimentação saudável, ter proximidade de lugares para a compra de alimentos processados e UP e estar em situação de insegurança alimentar.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DENISE PETRUCCI GIGANTE
FRANCINE SILVA DOS SANTOS
GABRIELE PERLEBERG
GICELE COSTA MINTEM
GICELE COSTA MINTEN
MABEL NILSON ALVES
MABEL NILSON ALVES20

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