Nome do Projeto
LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO E IDENTIFICAÇÃO DE FUNGOS MACROSCÓPICOS NO CAMPUS CAPÃO DO LEÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS, CAPÃO DO LEÃO, RS, BRASIL
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/10/2022 - 30/09/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
O conceito de biodiversidade pode ser entendido como um conjunto dos seres vivos, terrestres ou marinhos, que compartilham uma comunidade e podem ser classificados desde o nível de organização celular até o de ecossistemas. O Brasil é conhecido como detentor de uma das mais altas biodiversidades do mundo, entretanto o trabalho de catalogar espécies conhecidas ocorreu de maneira independente por muito tempo, com acadêmicos publicando em diferentes revistas as listas de espécies descritas em suas regiões. Mesmo com tantas iniciativas, estamos longe de ter uma taxa aceitável de espécies descritas versus a estimativa total de alguns grupos. No caso do Reino Fungi, as estimativas mais conservadoras falam em cerca de 2,2 milhões de espécies e as mais ousadas estimam até quase 4 milhões (HAWKSWORTH & LUCKING, 2017). No entanto, ao se comparar esses números com as cerca de 120 mil espécies de fungos descritas, percebemos que conhecemos apenas 3% a 8% do total. O projeto Flora e Funga do Brasil (2022), pertencente ao programa Reflora, reconhece o registro de 6331 espécies de fungos no país, os quais estão aos poucos sendo adicionados à atual lista pelos taxonomistas. Devido a publicação desses resultados, o número de registros de regiões tem demonstrado um crescimento significativo ao longo dos biomas. As principais maneiras para descrever espécies micológicas são através de suas estruturas taxonômicas, considerando as relações entre espécie/área (BASS & RICHARDS, 2011). Estamos em uma fase de grandes extinções de espécies decorrentes das ações humanas e por conta disso, a realização de inventários e listas com nomes dos espécimes é fundamental para garantir a qualidade e sobrevivência dos ecossistemas e seus recursos naturais (COSTELLO et al., 2013). Além disso, devida a sua função ecossistêmica, os fungos são os principais decompositores de matéria orgânica em ecossistemas florestais, atuando na ciclagem de nutrientes, no transporte e estocagem de água e minerais no solo (WICKLOW & CARROLL, 1981).Com isso, o ambiente sofre uma alteração química que é essencial para transformar biomassa em solo e possibilitar a ciclagem de nutrientes no processo de decomposição da matéria orgânica morta, como é o caso dos Basidiomycota que são decompositores de lignina. Algumas espécies de fungos fazem associações simbióticas, por exemplo com plantas, o que auxilia na formação de uma rede de ectomicorrizas, sendo importante para preservação e proteção de ambientes como florestas nativas (FARIA et al., 2017). Os macrofungos, integrantes dessa biodiversidade, são aqueles que produzem o esporóforo, estruturas reprodutivas macroscópicas, o qual apresenta como função a produção e dispersão de esporos que permitem a sua disseminação. Devido à escassez de estudos sobre a diversidade de fungos macroscópicos da região sul do Estado do Rio Grande do Sul, especificamente no Campus Capão do Leão da Universidade Federal de Pelotas, o presente projeto visa preencher essa lacuna a partir de um estudo de natureza taxonômica em Micologia. Pretende-se, de uma maneira geral, reconhecer o maior número possível de espécies que ocorram neste ambiente, contribuindo de forma direta ao conhecimento da micobiota, na formação de um banco de imagens virtual e no desenvolvimento de uma coleção de fungos da região.

Objetivo Geral

Conhecer a diversidade de fungos macroscópicos;
Elaboração de uma listagem das espécies conhecidas na área de estudo;
Comparar padrões geográficos, ecológicos e taxonômicos das espécies estudadas;

Justificativa

o presente projeto visa preencher essa lacuna de conhecimento da biodiversidade micológica macroscópica a partir de um estudo de natureza fotográfica e taxonômica dos cogumelos do Campus Capão do Leão.

Metodologia

No decorrer do projeto serão realizadas saídas de campo semanais no perímetro do
Campus Capão do Leão da UFPel, como pode ser observado na Figura 1. Essas incursões
servirão para coletar os dados e para obter fotografias da biodiversidade macrofúngica do
local.
Para os registros fotográficos seguiremos o protocolo de captura de imagens de
Macrofungos, o qual foi desenvolvido pelos pesquisadores responsáveis pelo Monitoramento
e Inventário da Diversidade Neotropical de Fungos - MIND.Funga (BITTENCOURT et al.
2022). Nesse protocolo são salientados dois pontos principais: o preparo da cena e o foco nas
principais partes do fungo. O primeiro refere-se a limpeza do local, enquadramento da
amostra no seu substrato, e o cuidado com a luminosidade. O segundo ponto está relacionado
aos registros das características que auxiliam no reconhecimento do táxon, como o estipe, o
píleo, o tipo de himenóforo e a cor dos esporos – bem como características derivadas dessas
partes. Durante a coleta serão feitas anotações de campo dos caracteres que não se conservam
por muito tempo ou que desapareçam após a secagem do fungo. Todos os espécimes coletados
terão uma ficha de dados contendo: local de coleta, data, coletor, substrato, cor (especificando
as partes coloridas), forma (desenho esquemático simples ou fotografia), medidas,
consistência e observações, a qual pode ser observada no Anexo 1.
As atividades restantes foram realizadas no Laboratório de Biologia, Ecologia e
Aplicação de Fungos do Departamento de Microbiologia e Parasitologia do Instituto de
Biologia da Universidade Federal de Pelotas, onde os pesquisadores, autores deste trabalho,
analisaram detalhadamente alguns dos exemplares coletados. A utilização de lupas de
aumento possibilitou uma melhor observação das características supracitadas.
Para auxiliar na classificação taxonômica, iremos desenvolver diversos comparativos
entre os registros do Campus Capão do Leão - UFPel com a literatura presente chaves
específicas para a taxonomia fúngica e/ou nos livros: Guia de los hongos de la región
pampeana: Hongos con laminillas e Guia de los hongos de la región pampeana: Hongos sin
laminillas (WRIGHT & ALBERTÓ, 2002, 2006); The pocket guide to Mushrooms (POLESE,
2005); Pocket nature Fungi (EVANS & KIBBY, 2010); Livro Primavera Fungi – Guia de
Fungos do Sul do Brasil (TIMM, 2021). Após serem identificados e secos os fungos serão
conservados no Laboratório de Micologia, onde permanecerão à disposição para posteriores
estudos taxonômicos.

Indicadores, Metas e Resultados

Elaboração de um banco de imagens virtual;
Implementar e ampliar uma coleção de fungos da região na UFPel;
Formação de recursos humanos (alunos de iniciação científica) em Micologia;
Montagem de um manual prático de identificação;
Publicação dos resultados em periódicos especializados.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
EDUARDO BERNARDI6
ELISA PICCOLO WERLANG
GUSTAVO GRUTZMANN BORCHARDT
JOAO ANDRE LARA LEAL MARTINS
KARINE MASSIA PEREIRA1
LAURA ECHER BARBIERI
LUIZ CARLOS BOEMEKE JUNIOR1
VINICIO DA SILVA MARTINS JÚNIOR

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