Nome do Projeto
Especialização esportiva precoce e desfechos psicológicos em jovens ginastas
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
07/02/2023 - 05/01/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Segundo a American Orthopaedic Society for Sports Medicine, a especialização esportiva é caracterizada pela participação do atleta em uma única modalidade esportiva, com envolvimento no processo de treinamento e/ou competição ao longo de todo o ano. Já especialização esportiva precoce refere-se a essa prática iniciada antes dos 13 anos de idade. Embora a associação entre a especialização esportiva e o volume de treinamento com psicológicos em jovens atletas seja amplamente teorizada, faltam estudos que associem diretamente a exposição a esses desfechos. Sendo assim, o objetivo do estudo será comparar os desfechos psicológicos entre os níveis alto, moderado e baixo de especialização esportiva em jovens ginastas de 10 a 12 anos. Para a sua realização, todas as ginastas da categoria Infantil que competem o Torneio Nacional e Campeonato Brasileiro da Confederação Brasileira de Ginástica serão convidadas a participar, e aquelas que aceitarem e forem autorizadas por seus responsáveis irão responder a uma série de questionários: sociodemográfico, de especialização esportiva, sobre a rotina de treinamento, motivação, intenção de seguir praticando e competindo na próxima temporada, sintomas de depressão e ansiedade, além de estresse pré-competitivo. A análise estatística será realizada através do software SPSS 20.0. A comparação das variáveis numéricas entre os níveis de especialização esportiva será analisada através do teste estatístico ANOVA one-way, seguido do post-hoc de Bonferroni. Dependendo da distribuição dos dados, para verificar a força de associação entre o volume de treinamento e as demais variáveis será utilizada a correlação de Spearman ou Pearson, de acordo com as categorias previamente estabelecidas. Será adotado um índice de significância de α = 0,05.

Objetivo Geral

Comparar os desfechos psicológicos entre os níveis alto, moderado e baixo de especialização esportiva em jovens ginastas do sexo feminino.

Justificativa

O envolvimento de crianças e adolescentes no esporte é um fenômeno crescente no mundo. Quando realizado sob orientação adequada, ainda nessa faixa etária, é uma ferramenta importante para o desenvolvimento de benefícios físicos, sociais, psicológicos e motores (BENETTI; SCHNEIDER; MEYER, 2005). Em contrapartida, a ênfase no sucesso competitivo dessas crianças e jovens têm trazido à tona uma tendência preocupante nessa população, o alto volume de treinamento intensivo e a especialização esportiva precoce (EEP).
Segundo a American Orthopaedic Society for Sports Medicine (2016), a especialização esportiva (EE) é caracterizada pela participação em uma única modalidade esportiva, com envolvimento no processo de treinamento e/ou competição ao longo de todo o ano. Já a EEP refere-se a essa prática iniciada antes dos 13 anos de idade. Esse processo de especialização na Ginástica Artística Feminina (GAF) é um ponto que muito se discute no meio científico (BARKER-RUCHTI; SCHUBRING, 2016; NUNOMURA; CARRARA; TSUKAMOTO, 2010). Ela é considerada uma modalidade de coordenação complexa, que exige de seus praticantes um alto grau de habilidade motora (AMARAL; SANTOS; FERREIRINHA, 2009), o que leva a uma exigência de treinamento sistematizado a longo prazo, levantando preocupações em relação a idade ideal de especialização (PION et al., 2017).
Ainda, por ser uma modalidade em que, na maioria dos casos, o pico de rendimento ocorre antes do processo de maturação ser completado (ERLANDSON et al., 2008), pesquisadores reportam um início de participação e especialização bastante precoce, com dados apontando uma média de 5 e 9 anos, respectivamente (ERLANDSON et al., 2008; PASULKA et al., 2017). Essa tendência de treinamento intensivo em tenra idade é tão preocupante que várias organizações médicas se posicionaram contrárias à EEP, alertando que ela pode estar relacionada com uma maior incidência de lesões, síndrome de Burnout e desistência da prática competitiva (DIFIORI et al., 2014; LAPRADE et al., 2016; VALOVICH MCLEOD et
al., 2011). Outro fator preocupante entre jovens atletas é com relação ao volume de treinamento semanal que, em muitos casos, ultrapassa as recomendações de saúde para a faixa etária (ZETARUK, 2000).
As recomendações existem com o intuito de proteger a integridade física e psicológica desses jovens envolvidos com o treinamento esportivo (POST et al., 2017). As mais recorrentes na literatura sobre o treinamento infantil estão relacionadas aos meses por ano e horas semanais de participação em esportes organizados. Elas afirmam que crianças e jovens não devem estar envolvidos em uma única modalidade esportiva por mais de oito meses ao ano, não devem ultrapassar a sua idade em horas semanais de treinamento e não devem exceder o total de 16 horas por semana de prática (DIFIORI et al., 2014; LAPRADE et al., 2016). No entanto, apesar de a associação entre a EE e o volume de treinamento com desfechos físicos e psicossociais em jovens atletas seja amplamente teorizada, faltam estudos originais que associem diretamente a exposição a esses desfechos (LARSON et al., 2019; POST et al., 2017). Quando a fonte dessas informações é analisada, percebe-se que os padrões de citação são majoritariamente teóricos - como, por exemplo, documentos e recomendações embasados na opinião de especialistas (DIFIORI et al., 2014; LAPRADE et al., 2016).
Sendo assim, o presente estudo justifica-se pela necessidade de se agregar evidências à literatura científica acerca da EE e do volume de treinamento de jovens atletas. Para isso, é importante o conhecimento dos potenciais riscos e benefícios do treinamento intensivo e especializado nessa população, de forma a proteger a integridade física e psicológica deles, contribuindo para uma experiência positiva no esporte - seja para uma futura carreira esportiva, ou para a manutenção de um estilo de vida mais ativo e saudável. Esse tipo de evidência é fundamental para analisar criticamente as recomendações já existentes na literatura e, dessa forma, não resultar em consequências indesejadas, como, por exemplo, limitar desnecessariamente o envolvimento positivo de jovens no esporte. Dessa forma elaborou-se o seguinte problema de pesquisa: Existe diferença nos desfechos psicológicos entre os níveis alto, moderado e baixo de especialização esportiva na GAF?

Metodologia

O presente estudo caracteriza-se por ser de caráter transversal observacional. Serão recrutadas todas as meninas participantes dos campeonatos de primeira e segunda divisão da modalidade de GAF da CBG, na categoria infantil (10-12 anos). Essa amostra resultará em um número de, aproximadamente, 120 ginastas. Esse é o número total de ginastas da categoria infantil (10 a 12 anos) que competem em nível nacional no país. Iremos enviar o convite de participação a todas elas e, dentre estas ginastas, iremos incluir as que concordarem em participar e obtiverem a autorização dos pais (entregarem os termos de consentimento e assentimento). O contato dos responsáveis das possíveis participantes será solicitado através de contato com a CBG. Ainda, os treinadores das atletas serão contatados a fim de auxiliarem na mobilização das mesmas. Uma vez contatados, os responsáveis e as atletas serão informados sobre os objetivos e logística da pesquisa. Mediante aceitação de participação e preenchimento dos termos de consentimento livre esclarecido e termo de assentimento livre esclarecido, as participantes receberão o link dos questionários. Será realizada uma reunião virtual, através do Google Meet, a fim de explicar os instrumentos e logística às participantes e responsáveis. As reuniões serão realizadas em grupos de até 10 participantes. As dúvidas poderão serem explanadas na reunião, e o contato dos pesquisadores será fornecido às mesmas. As participantes responderão, no início da temporada competitiva, a uma série de questionários: sociodemográfico, de especialização esportiva, sobre a rotina de treinamento, motivação, estresse pré-competitivo; sintomas de estresse, ansiedade, depressão e intenção de seguir praticando e competindo na próxima temporada. Será solicitado aos responsáveis pelas participantes que auxiliem no preenchimento dos questionários sociodemográficos, de especialização esportiva, rotina de treinamento e histórico de lesões. Já os instrumentos de motivação, estresse pré-competitivo; sintomas de estresse, ansiedade, depressão e intenção de seguir praticando e competindo na próxima temporada serão enviados em um link separado, e serão respondidos sem a presença dos responsáveis, para que as atletas se sintam à vontade ao respondê-los. Considerando a Lei Geral de Proteção de Dados para pesquisas e o procedimento de coleta deste projeto (questionário on -line), os dados serão armazenados em drive externo e ficarão sob responsabilidade do pesquisador por um período de cinco anos.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se que as meninas que apresentarem maiores níveis de especialização tenham uma menor motivação, e maiores níveis de stress pré- competitivo e sintomas de ansiedade, depressão e estresse.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CINTIA EHLERS BOTTON
MARINA KRAUSE WEYMAR
MAURÍCIO TATSCH XIMENES CARVALHO
STEPHANIE SANTANA PINTO2

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