Nome do Projeto
Diversidade de opiliões do sul do Brasil
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/09/2023 - 31/08/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
O principal objetivo do projeto é a avaliação da diversidade de Opiliones do sul do Brasil, com ênfase nos remanescentes de vegetação nativa do estado do Rio Grande do Sul. O levantamento faunístico será completado por dados ecológicos e geográficos, assim como as fotografias de alta resolução. O material coletado será depositado em sua grande maioria no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O projeto também possibilitará a formação de um aluno / uma aluna de graduação, dentro do programa de iniciação científica (PIBIC). Os resultados esperados incluem (1) uma checklist atualizada e ilustrada de Opiliones do Rio Grande do Sul, com mapeamento da distribuição geográfica e fotografias de alta qualidade para facilitar a identificação das espécies; (2) contribuição para os acervos biológicos do Brasil, especialmente a coleção de Arachnida do Museu Nacional; (3) treinamento / formação de um aluno / uma aluna; (4) publicação dos resultados (checklist com novos registros e possivelmente táxons novos) em periódicos internacionais; (5) realização de atividades de divulgação científica.

Objetivo Geral

Objetivo geral
● Realizar um levantamento taxonômico das espécies da ordem Opiliones (Arachnida) do sul do Brasil, com ênfase no estado do Rio Grande do Sul
● Documentar a distribuição geográfica das espécies de Opiliones em diferentes regiões e biomas do Rio Grande do Sul
● Contribuir à restituição da coleção aracnológica do Museu Nacional da UFRJ e outros acervos
● Publicar registros novos e, potencialmente, descrições de espécies novas

Objetivos específicos
● Realizar saídas de campo em até 20 pontos selecionados, localizados em diferentes regiões do estado do Rio Grande do Sul, preferencialmente em áreas de vegetação nativa representando todos os biomas do estado: vários tipos de floresta (especialmente floresta ombrófila de altitude), pampa, savana, vegetação com influência lacustre, etc.
● Registrar e documentar as características morfológicas e a distribuição geográfica de cada espécie.
● Criar um arquivo fotográfico (com macrofotografia de alta qualidade) das espécies de Opiliones e outros aracnídeos encontrados, para uso em checklists, publicações taxonômicas, aulas, cursos, posters educacionais e livros, p.ex. Atlas dos Opiliões da América do Sul, guias de identificação, etc.
● Contribuir à restituição da coleção aracnológica do Museu Nacional da UFRJ, inteiramente destruída pelo incêndio em 2018, e fortalecer coleções de referência de outras instituições (UFPEL, PUCRS).
● Possibilitar a formação de alunos, com treinamento em métodos de coleta, preservação, identificação e taxonomia de Opliones em particular, e Arachnida em geral.
● Publicar os resultados em periódicos científicos internacionais, junto com colaboradores e alunos da UFPEL.

Justificativa

O estado do Rio Grande do Sul, na região Sul do Brasil, abriga uma diversidade impressionante de ecossistemas semitropicais e temperados, diferenciando-se significativamente dos demais estados brasileiros. Com suas florestas, serras e pampas, o estado oferece uma ampla gama de habitats os quais sustentam uma grande diversidade de espécies animais e vegetais. Além disso, o litoral do Rio Grande do Sul contribui à essa biodiversidade com vários ecossistemas costeiros, tais como a vegetação das bordas de lagoas e dunas de areia. Porém, a grande maioria desses habitats são altamente fragmentados e agudamente ameaçados por várias atividades humanas, incluindo desmatamento das florestas nativas, transformação da pampa para fins de agricultura, plantação de árvores introduzidos (eucaliptos, pinheiros), poluição e extensão urbana. Portanto, estudos taxonômicos e faunísticos, especialmente nos remanescentes da vegetação nativa, são extremamente importantes para a determinação e/ou melhor delimitação dos hotspots de biodiversidade do Rio Grande do Sul, e consequentemente, para o melhor manejo das unidades de conservação desse estado.

Entre as muitas formas de vida encontradas no sul do Brasil, destacam-se vários grupos de artrópodes, em particular a ordem Opiliones, conhecidos como cientificamente como opiliões, e popularmente como "aranhas-bode”, “aranhas fede-fede”, “aranhas-pai” ou ainda “cafofos” (no estado de Santa Catarina). São aracnídeos sem importância médica, caracterizados por um corpo redondo, ovalado ou quase-triangular, e com longas pernas frequentemente armadas com espinhos. Muitas espécies possuem glândulas fabricando secreções de defesa fortemente cheirosos e repugnantes. Apesar de alguma semelhança superficial com as aranhas (ordem Araneae), os opiliões representam um grupo monofilético, distinto e bem definido dentro de Arachnida, com mais de 6 000 espécies mundialmente. Brasil é o país com a maior diversidade de opiliões, com mais de 1 000 espécies registradas, a maioria delas concentrada na Mata Atlântica dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná, assim como nas florestas tropicais dos estados da Amazónia Legal. No estado do Rio Grande do Sul, um pouco mais de 40 espécies foram registradas até agora. Contudo, existe grandes lacunas de conhecimento sobre a biologia e distribuição geográfica dos opiliões no Rio Grande do Sul. Por exemplo, algumas espécies são conhecidas apenas da localidade-tipo ou foram registrados de locais desconhecidos do estado.

Opiliões preferem regiões húmidas e, portanto, se encontram com mais frequência nas florestas tropicais húmidas regiões montanhosas. Esses aracnídeos desempenham um papel fundamental nos ecossistemas, por exemplo, como predadores de outros artrópodes, incluindo insetos e caramujos, assim ajudando a controlar as populações desses animais. Eles atuam também como detritívoros e dessa maneira desempenham um papel importante na decomposição da matéria orgânica, ajudando a reciclar nutrientes e contribuindo para a saúde da serrapilheira e do solo. Algumas espécies são presentes em áreas rurais e suburbanas e podem ser encontradas em jardins, garagens e casas. Apesar da importância ecológica de Opiliones, a taxonomia dessa ordem ainda precisa de muito trabalho, assim como as informações biológicas e biogeográficas. Como para os outros artrópodes nativos do sul do Brasil, a perda e a fragmentação dos habitats naturais, o uso indiscriminado de pesticidas, os incêndios induzidos por humanos, e outras formas de degradação ambiental são as principais ameaças à existência dos opiliões, especialmente para as espécies mais especializadas.

O presente projeto tem como objetivo avaliar a diversidade da ordem Opiliones no sul do Brasil, principalmente no estado do Rio Grande do Sul, por meio de amostragem / levantamento em áreas de vegetação natural, fotografias de alta qualidade in situ, preservação e identificação do material coletado usando literatura taxonômica e consultando especialistas nacionais e internacionais. Será realizado um mapeamento da distribuição geográfica das espécies de Opiliones a fim de fornecer um panorama abrangente da diversidade desse grupo de aracnídeos em diferentes regiões e biomas do estado. Os dados de distribuição assim como as fotografias, serão utilizados em um Atlas de Opiliões da América do Sul (Kury et al., em preparação). O material coletado será majoritariamente depositado na coleção do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a curadoria do Dr. Adriano Kury, um dos colaboradores do projeto, para contribuir à restituição de uma das maiores coleções de Opiliones do mundo, inteiramente perdida no incêndio trágico do Museu Nacional em 2018. Espécimes-vouchers adicionais serão depositados no Museo de Ciências Naturais Carlos Ritter da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) em Pelotas e na coleção aracnológica da Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em Porto Alegre. O projeto também fornece uma oportunidade de iniciação científica para um aluno / uma aluna de graduação, com uma bolsa de PIBIC, a qual vai ser solicitada pelo proponente. O aluno participará ativamente em amostragem, identificação e análises morfológicas (e possivelmente moleculares) do material coletado, e terá uma chance de visitar e trabalhar nas coleções do Museu Nacional e do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), assim adquirindo o conhecimento específico do grupo e as habilidades mais gerais na área de zoologia, sistemática, macrofotografia e redação científica.

Metodologia

1. Seleção dos pontos de coleta: Usando as poucas informações disponíveis sobre a presença e distribuição de Opiliones no Rio Grande do Sul (p. ex. Kury 2004), serão selecionados até 20 pontos estratégicos representando diferentes tipos de vegetação do estado, com ênfase em florestas de altitude que tem a maior diversidade de opiliões.

2. Amostragem: As coletas de espécimes de Opiliones serão realizadas de três formas: (1) coleta visual/manual diurna: a procura ativa durante o dia, p.ex. virando pedras e troncos, inspetando cascaras de árvores e serrapilheira, sacudindo pequenos árvores (para espécies arborícolas), etc.; (2) coleta visual/manual noturna: a procura ativa durante a noite (geralmente 19.00-23.00), quando os animais são mais ativos, usando uma lanterna e lâmpada UV; (3) coleta passiva com armadilhas do tipo “pitfall”, revisados diariamente ou 1 vez por semana (para os lugares mais afastados). Durante a manipulação dos animais que não representam nenhum perigo serão utilizados pinças e frascos de coleta. Por motivos éticos, os espécimes coletados serão imobilizados / esfriados na geladeira (quando estiver disponível) antes de ser preservados em álcool 96%.

3. Documentação fotográfica: Cada espécime coletado será fotografado com uma câmera Nikon D-7100 operando com dois flashes externos e difusores, de preferência in situ (antes da coleta) e em diferentes ângulos e detalhes, assim garantindo a documentação visual completa da coloração e das características morfológicas. Além da importância para a identificação das espécies e as publicações taxonômicas, as fotografias representam um instrumento estético para a divulgação científica já que muitas espécies de Opiliones apresentam colorações chamativas ou formas espetaculares.

4. Etiquetagem e catalogação: Cada espécime coletado será devidamente etiquetado com um número de campo único, atuando como um voucher fotográfico (aparecendo na primeira fotografia do espécimen) e associado com a estação (município, localidade, dados GPS, altitude) e outros dados de coleta relevantes (data, microhabitat, horário, coletores, etc.). O material identificado será eventualmente depositado e catalogado pelos curadores com números do Museu Nacional (UFRJ) e outras intuições mencionadas acima.

Indicadores, Metas e Resultados

Indicadores:

● Número das espécies de Opiliones registradas. Esse indicador medirá a quantidade total de espécies da ordem Opiliones identificadas até gênero / espécie ou morfoespécies durante o projeto.

● Distribuição geográfica e ecológica das espécies de Opliones registradas. Será avaliada a distribuição geográfica e ecológica das espécies de Opiliones encontradas, identificando as regiões, biomas e microhabitats onde cada espécie foi encontrada.

● Diversidade taxonômica. Esse indicador medirá a diversidade de grupos taxonômicos de Opiliones presentes em cada das localidades amostradas.

Metas:

● Identificar e registrar um número mínimo de 40 espécies (incluindo morfoespécies, p. ex. em Sclerosomatidae Gagrellinae, com taxonomia problemática) de Opiliones no estado do Rio Grande do Sul durante o projeto
● Mapear a distribuição geográfica das espécies identificadas
● Criar um arquivo fotográfico dos opiliões do sul do Brasil

Resultados esperados:

● Checklist atualizada das espécies de Opiliones presentes no Rio Grande do Sul, com informações sobre as principais características morfológicas de cada espécie, sua distribuição geográfica dentro do estado, observações biológicas e/ou ecológicas (habitat, microhabitat, comportamento, alimentação, etc.), e documentação fotográfica
● Mapeamento da distribuição geográfica das espécies de Opiliones, destacando áreas de maior diversidade (= hotspots) dos opiliões do Rio Grande do Sul, e comparando essa diversidade com os índices observados em outros grupos de artrópodes, mais bem estudados (aranhas, borboletas etc.), contribuindo à melhor delimitação das áreas prioritárias para a conservação
● Arquivo fotográfico das espécies de Opiliones e outros aracnídeos do Rio Grande do Sul, disponível para trabalhos taxonômicos, consulta e divulgação
● Contribuição significativa para os acervos do Museu Nacional (UFRJ) e das coleções biológicas da UFPEL e PUCRS
● Formação de aluno(s) de graduação, com treinamento em métodos de coleta, identificação e sistemática
● Publicação dos resultados em revistas científicas internacionais, incluindo uma checklist de Opiliones do Rio Grande do Sul, com pranchas de fotografias coloridas auxiliando na identificação das espécies, assim como publicações taxonômicas (registros novos, revisões, redescrições de espécies pouco conhecidas ou raras, possivelmente descrições de espécies novas), contribuindo para o avanço do conhecimento científico da biodiversidade do Rio Grande do Sul

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ARTHUR ANKER4
Adriano Brilhante Kury
CARLOS HENRIQUE MACEDO VARGAS

Página gerada em 27/05/2024 23:15:14 (consulta levou 0.135839s)