A pesquisa no campo da nutrição de ruminantes tem predominantemente empregado bovinos ou ovinos como modelos. Com a escassez de recursos para pesquisa, os bovinos tornaram-se uma opção dispendiosa para muitos cientistas, e, em muitos casos, os ovinos são adotados como substitutos em estudos modelares para bovinos. Os bovinos, caracterizados como pastejadores não seletivos, possuem tratos gastrointestinais extensos, nos quais retêm alimentos por períodos prolongados. Eles obtêm uma parcela substancial de energia por meio da digestão microbiana da parede celular (fibra) das plantas no retículo-rúmen (WELCH e HOOPER, 1988).Por outro lado, os ovinos representam ruminantes intermediários entre o seletivo e o não seletivo, consumindo uma dieta com teor de fibra relativamente menor, a qual fermenta de forma mais rápida em comparação com dietas de alta fibra (VAN SOEST, 1982). Soto –Navarro e seu colaboradores mostraram em 2014 que existem diferenças na digestibilidade de forragens. Embora as digestibilidades totais aparentes geralmente sejam comparáveis entre as espécies quando se avaliam forragens de qualidade moderada a alta, os ovinos não representam um modelo adequado para os bovinos quando se trata de forragens de baixa qualidade. A confirmação da hipótese de que os bovinos digerem forragens de baixa qualidade de maneira mais completa do que os ovinos será obtida. No entanto, a digestibilidade de forragens de qualidade moderada a alta parece ser semelhante entre ovinos e bovinos. Portanto, a substituição de ovinos por bovinos em contextos de pesquisa não é aconselhável ao considerar forragens de baixa qualidade. Dessa forma, é necessário promover mais estudos comparativos entre bovinos e ovinos, abordando especificamente a inclusão de concentrado na dieta com dietas a base de forragens de baixa qualidade. Essa abordagem mais abrangente permitirá fazer previsões mais precisas sobre possíveis cenários futuros, especialmente diante da crescente escassez de forragens de qualidade. Ao incorporar o concentrado na dieta, é possível avaliar como ambas as espécies respondem a condições simuladas de escassez de forragem de qualidade e como a adição de alimentos concentrados pode influenciar a digestibilidade e o desempenho nutricional. Esses estudos mais detalhados são cruciais para orientar práticas de manejo mais eficientes e estratégias nutricionais adaptadas às complexidades das condições futuras previstas.
Diante disso, em termos de manejo nutricional e interferência direta no rumem, a utilização de alguns aditivos pode trazer efeitos positivos na fermentação ruminal e redução de metano entérico produzido pelo animal. A monensina é uma molécula de ionóforo que vem sendo pesquisada intensamente na nutrição de ruminantes quanto ao seu potencial em melhorar a eficiência alimentar por intermédio de alterações na fermentação ruminal. A monensina age no rúmen desempenhando uma seleção da população bacteriana, diminuindo a quantidade de bactérias gram-positivas. (KONE et al., 1989), bactérias essas que são responsáveis por grande parte da ineficiência da fermentação ruminal.O modo de ação mais importante da monensina é a mudança na proporção de produção dos ácidos ruminais a partir da seleção bacteriana, bem como pela diminuição de lactato e aumento dos níveis de succinato (SCHELLING, 1984). Ainda, A seleção bacteriana realizada pela monensina contra bactérias formadoras de hidrogênio e a favor de bactérias formadoras de succinato pode gerar diminuição na produção de metano (CHEN and WOLIN, 1978). Outro aditivo novo no mercado é o 3-nitrooxypropanoal(3-NOP). De acordo com o “Summary of scientific research how 3-NOP effectively reduces enteric methane emissions from cows –DSM Nutrition” o aditivo serácapazder reduzir a emissão de metano em todas as dietas que seráutilizado, porém, ainda a dose e a estratégia de aplicação precisarão ser adaptadas para diferentes tipos de sistemas de alimentação.
Com base no que será abordado, ainda é necessário expender esforços para orientar estratégias nutricionais adaptadas a complexidade das condições futuras previstas. Esses esforços são cruciais não apenas para garantir a segurança alimentar, mas também para mitigar os impactos ambientais associados à produção agropecuária.