Nome do Projeto
Efeito Crônico da Hiperinsulinemia na Resistência Hipotalâmica à Insulina e Leptina
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
05/01/2026 - 21/12/2029
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Biológicas
Resumo
A obesidade e os distúrbios metabólicos associados representam um dos maiores desafios globais de saúde, sendo caracterizados por alterações precoces no controle hipotalâmico da homeostase energética. Hormônios como insulina e leptina atuam no cérebro para regular a ingestão alimentar e o metabolismo da glicose, mas em condições de obesidade suas vias de sinalização tornam-se comprometidas. Apesar de modelos com dieta rica em gordura terem demonstrado inflamação hipotalâmica e resistência hormonal, ainda não está claro se essas alterações são causadas pela dieta e pela adiposidade ou se podem ser desencadeadas isoladamente pela hiperinsulinemia crônica. Evidências sugerem que níveis persistentemente elevados de insulina, mesmo sem obesidade, podem prejudicar a sinalização central e contribuir para resistência à leptina. O problema central desta proposta é determinar se a hiperinsulinemia crônica, isolada de fatores dietéticos e da obesidade, é suficiente para induzir resistência hipotalâmica à leptina e inflamação central, configurando um mecanismo primário de desregulação metabólica. Nossa hipótese é de que a hiperinsulinemia crônica isolada induz resistência central à leptina, acompanhada de neuroinflamação e prejuízo da resposta anorexigênica à leptina. Evidências de estudos prévios in vivo e in vitro indicam que a insulina pode induzir mediadores inibitórios como SOCS3 e modular negativamente a sinalização da leptina, sugerindo que a hiperinsulinemia por si só é plausível como fator causal. Para testar essa hipótese, camundongos C57BL/6J serão submetidos a infusão contínua de insulina murina por minipumps osmóticas durante seis semanas, sob dieta padrão. Serão avaliados parâmetros metabólicos periféricos, testes comportamentais de sensibilidade à leptina e análises moleculares e histológicas do hipotálamo e tecidos periféricos. Esse modelo experimental permitirá estabelecer a contribuição direta da hiperinsulinemia na resistência central à leptina e abrir novas perspectivas para estratégias preventivas e terapêuticas na obesidade e diabetes tipo 2.

Objetivo Geral

Determinar se a hiperinsulinemia crônica, na ausência de manipulação dietética ou obesidade, é suficiente para induzir resistência hipotalâmica à leptina e à insulina, bem como caracterizar as alterações moleculares, comportamentais e metabólicas periféricas associadas em um modelo murino.

Justificativa

Compreender se a hiperinsulinemia crônica é um fator causal da resistência hipotalâmica à insulina e leptina é de importância fundamental para a pesquisa metabólica básica e translacional. Até o momento, a maioria dos modelos experimentais não consegue isolar os efeitos da insulina elevada daqueles induzidos por dietas ricas em gordura, ganho de peso ou inflamação sistêmica (THALER et al., 2012; ENGIN, 2017).
Este projeto busca enfrentar essa limitação diretamente por meio de um modelo controlado de hiperinsulinemia isolada — obtido pela infusão subcutânea contínua de insulina murina em camundongos mantidos em dieta padrão. Esse modelo permite examinar a sensibilidade hormonal central na ausência de confundidores dietéticos ou relacionados à adiposidade, oferecendo uma oportunidade única de dissecar o papel específico da insulina na desregulação hipotalâmica.

Metodologia

Este estudo utilizará minipumps osmóticas para infundir insulina murina ou veículo em camundongos machos C57BL/6J por seis semanas. Os animais serão randomizados em dois grupos:
Grupo Experimental Substância Infundida Dieta Duração n (por grupo)
Controle (Veículo) Salina Ração padrão (10% gordura) 6 semanas 10
Hiperinsulinemia Insulina murina Ração padrão (10% gordura) 6 semanas 10
As minipumps serão implantadas subcutaneamente no Dia 0 sob anestesia. A dose de insulina será ajustada para manter hiperinsulinemia moderada e crônica, sem induzir hipoglicemia. Durante todo o experimento, serão monitorados ingestão alimentar, peso corporal, glicemia de jejum e hormônios plasmáticos semanalmente.
Ao final do protocolo (6 semanas), todos os animais serão submetidos a:
1. Testes in vivo de sensibilidade hormonal:
o Injeção subcutânea de leptina (2 mg/kg) utilizada tanto para avaliação comportamental quanto molecular.
o Análise de p-AKT e p-STAT3 no hipotálamo por Western blot.
2. Teste de supressão da ingestão alimentar induzida por leptina:
o Medição da ingestão alimentar 4 h após injeção de leptina.
3. Análises moleculares e histológicas:
o RT-qPCR para marcadores inflamatórios e inibitórios (SOCS3, TNF-α, IL-6, IL-1β).
o Imunohistoquímica para Iba1 e GFAP no hipotálamo mediobasal.
o Coleta de tecidos periféricos (fígado, músculo, tecido adiposo) para análises histológicas e de expressão gênica.
4. Avaliações metabólicas:
o Insulina, leptina e glicose plasmáticas.
o Cálculo de HOMA-IR, HOMA-β e índice de disposição.

Indicadores, Metas e Resultados

Meta 1 – Estabelecer modelo experimental de hiperinsulinemia crônica isolada em camundongos.
• Indicadores: Níveis plasmáticos de insulina mantidos 2–3 vezes acima do basal sem hipoglicemia; 100% dos animais monitorados quanto a peso, glicemia e hormônios plasmáticos.
Meta 2 – Avaliar a sensibilidade central à leptina e à insulina.
• Indicadores: Realização de teste de supressão da ingestão alimentar em todos os animais; quantificação de p-STAT3 e p-AKT no hipotálamo; resultados analisados estatisticamente com significância (p < 0,05).
Meta 3 – Caracterizar alterações inflamatórias e de feedback negativo no hipotálamo.
• Indicadores: Expressão de SOCS3, IL-6, IL-1β e TNF-α quantificada por RT-qPCR em ≥ 90% das amostras; detecção de glioses (Iba1, GFAP) por imunohistoquímica; documentação digital depositada em repositório aberto.
Meta 4 – Identificar efeitos metabólicos periféricos da hiperinsulinemia isolada.
• Indicadores: Avaliação de HOMA-IR, HOMA-β e índice de disposição em 100% dos animais; análises histológicas e de expressão gênica em fígado, músculo e tecido adiposo; identificação de alterações metabólicas significativas.
Meta 5 – Disseminar resultados e consolidar modelo experimental.
• Indicadores: Submissão de pelo menos 1 artigo científico em periódico internacional de impacto; submissão de 1 artigo de protocolo metodológico; depósito de dados brutos e processados em repositório aberto (com DOI); apresentação de resultados em congresso internacional da área.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALICE KÜNZGEN SCHEER
ALICE KÜNZGEN SCHEER
AUGUSTO SCHNEIDER2
CARLOS CASTILHO DE BARROS8
GABRIELLE SILVEIRA BONET ROSA

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
PROAP/CAPES / Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível SuperiorR$ 3.000,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339030 - Material de ConsumoR$ 3.000,00

Página gerada em 29/11/2025 09:37:47 (consulta levou 0.111169s)