Nome do Projeto
Grupo de Estudos sobre Geografias Negras
Ênfase
Ensino
Data inicial - Data final
25/03/2026 - 03/01/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
As Geografias Negras constituem um campo em expansão que, nas últimas décadas, vem se consolidando não apenas como um conjunto de estudos voltados às espacialidades da população negra, mas como uma área em processo de amadurecimento teórico, metodológico e epistemológico. Um número crescente de intelectuais, pesquisadores e docentes tem se dedicado à investigação dessas dinâmicas no Brasil, abordando temas como territórios quilombolas (Nascimento, 1985; Anjos, 2001; 2009; Monteiro, 2016; Almeida et al., 2022; Gois, 2023), desigualdades socioespaciais e a relação entre raça, espaço e poder (Campos, 2005; Santos, 2023), educação para as relações étnico-raciais (Souza, 2016; Souza e Machado, 2021; Ratts, 2024) e as intersecções entre raça, gênero, classe no âmbito da geografia (Souza e Ratts, 2008; Ferreira, 2021). Esse movimento tem ampliado o interesse pelas Geografias Negras como uma perspectiva analítica capaz de evidenciar tanto as dinâmicas estruturais e cotidianas que aprofundam desigualdades raciais quanto os processos de produção de sentidos de lugar e de construção de territórios e territorialidades pela população negra (Sodré, 2002; McKittrick, 2006; Silveira, 2021; Bledsoe, 2015; Mosquera-Vallejo, 2025). Tal interesse também se faz presente entre estudantes de graduação em Geografia em diferentes regiões do Brasil (Flores, 2026). Em Pelotas, particularmente no curso de Geografia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), discussões sobre territórios quilombolas (Mancilia, 2026), a relação entre desigualdades socioespaciais, raça e fome (Cabral, 2026), bem como os vínculos entre a produção da consciência nacional e a mestiçagem (Garcia, 2025), evidenciam a centralidade das relações raciais na produção do espaço brasileiro. Para além do crescimento quantitativo das pesquisas, observa-se ainda um movimento de autorreflexão no interior desse campo, no qual pesquisadores passam a problematizar criticamente suas escolhas teóricas, metodológicas e analíticas. Dessa forma, as Geografias Negras se afirmam não só como um campo relevante para a compreensão dessas dinâmicas, mas também como uma chave interpretativa para a análise de processos sociais e espaciais mais amplos da sociedade brasileira. Com isso, esta proposta busca criar um espaço sistemático de estudo, diálogo e troca em torno das Geografias Negras no Brasil e no mundo, visando aprofundar a formação teórica e metodológica dos estudantes de Geografia da UFPel. Pretende-se, assim, contribuir para o desenvolvimento de uma leitura crítica das dinâmicas socioespaciais brasileiras, bem como fortalecer a capacidade analítica dos participantes diante das relações entre raça, negritude e produção do espaço.

Objetivo Geral

Constituir um grupo de estudos como espaço sistemático de leitura, diálogo e construção coletiva do conhecimento em torno das Geografias Negras no Brasil e no mundo, visando aprofundar a formação teórica e metodológica dos estudantes de Geografia da UFPel, bem como desenvolver uma perspectiva crítica sobre as relações entre raça e produção do espaço.

Justificativa

As Geografias Negras vêm se consolidando como um campo relevante para a compreensão das relações entre raça, negritude e produção do espaço, articulando dimensões analíticas e empíricas. Nesse processo, têm contribuído para o desenvolvimento de categorias, conceitos e abordagens que ampliam a interpretação das dinâmicas socioespaciais, tanto no Brasil quanto em diálogo com experiências da diáspora africana (Anjos, 2011; Butler e Domingues, 2020; Ratts, 2023). Apesar desses avanços, o aprofundamento teórico e metodológico nesse campo ainda se apresenta como um desafio no contexto da formação em Geografia, especialmente na graduação. Em muitos casos, o contato com essas discussões ocorre de forma pontual ou fragmentada, dificultando a construção de uma compreensão mais sistemática e crítica dessas problemáticas.

Nesse contexto, a criação de um grupo de estudos se justifica como estratégia para enfrentar essa lacuna, ao constituir um espaço contínuo de leitura, debate e reflexão coletiva. Trata-se de uma proposta pedagógica que reconhece a aprendizagem como um processo não apenas individual, mas fundamentalmente construído por meio da interação, do diálogo e da troca entre os participantes (Lopes, Maia e Soares, 2018). O grupo de estudos configura-se, assim, como um ambiente no qual interpretações, questionamentos e referências teóricas podem ser compartilhados e problematizados coletivamente, favorecendo o amadurecimento intelectual dos estudantes.

Além disso, a proposta dialoga com o próprio modo de produção do conhecimento no campo das Geografias Negras, historicamente marcado por redes de colaboração, grupos de pesquisa e espaços coletivos de reflexão. Desse modo, o grupo de estudos não apenas fortalece a formação intelectual dos estudantes, mas os insere em uma lógica de produção científica baseada na interlocução, na circulação de ideias e na construção compartilhada do conhecimento.

Metodologia

A proposta será desenvolvida por meio da constituição de um grupo de estudos com participação de professores, estudantes da graduação e da pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Pelotas. Os encontros terão periodicidade quinzenal e serão organizados a partir de uma dinâmica de construção coletiva, envolvendo:

• Seleção compartilhada de textos, realizada em diálogo com os participantes;
• Leitura prévia dos materiais indicados para cada encontro;
• Discussão orientada dos textos, com ênfase na análise de conceitos, abordagens teóricas e estratégias metodológicas;
• Exibição e debate de materiais artísticos e audiovisuais, como documentários, entrevistas, palestras, pinturas e esculturas, entre outras manifestações artísticas;
• Realização de encontros com convidados, quando possível, incluindo pesquisadores da área.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se que os participantes desenvolvam um repertório teórico e conceitual consistente na área da Geografia, capaz de subsidiar a compreensão crítica das dinâmicas socioespaciais, especialmente aquelas relacionadas à população negra.

Além disso, espera-se que os estudantes sejam capazes de mobilizar conceitos e abordagens analíticas na interpretação de fenômenos sociais e espaciais; produzir leituras mais aprofundadas, complexas e situadas da realidade; aplicar os conhecimentos construídos na elaboração de trabalhos acadêmicos, como TCCs, dissertações, teses, artigos e projetos de pesquisa; e reconhecer a produção do conhecimento como um processo coletivo, baseado no diálogo e na troca de saberes. Por fim, espera-se que o grupo contribua para a consolidação de um espaço permanente de debate e formação em Geografias Negras no âmbito da instituição.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA CLARA MARTINS SANTANA
GABRIELA RODRIGUES GOIS2
LARA DALPERIO BUSCIOLI
LIZETH STEPHANIE BOHORQUEZ PALACIOS
REBECA JERÔNIMO NUNES DA SILVA
SIMONE DA SILVA FLORES
SOLANGE DE OLIVEIRA
WENDELL SOARES CANEZ

Página gerada em 21/04/2026 06:22:00 (consulta levou 0.196615s)