Nome do Projeto
Recompondo memórias, projetando o futuro: assessoria colaborativa à Associação das Vilas Reunidas FRAGET
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
15/06/2026 - 31/12/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Direitos Humanos e Justiça / Educação
Linha de Extensão
Organizações da sociedade civil e movimentos sociais e populares
Resumo
O projeto se propõe ao exercício de ações de pesquisa colaborativa e extensão junto à Associação das Vilas Reunidas FRAGET, relacionadas à recomposição da memória desta organização, constituição de acervo coletivo, suporte técnico no desenvolvimento de projetos socioeconômicos, ações culturais e educação popular. Além de potencializar as ações que já são desenvolvidas por esta importante associação comunitária nas áreas de economia solidária e reciclagem, as atividades do projeto foram e serão estabelecidas em diálogo com as demandas dos atores que a compõem. Desta forma, pretende-se potencializar o protagonismo desses atores comunitários e construir junto com a equipe uma pedagogia de escuta sensível, para que os estudantes colaboradores possam ter uma formação voltada para a atuação cidadã e construção de conhecimento na fronteira entre diversas perspectivas de mundo.

Objetivo Geral

Construir, de forma colaborativa, ações de pesquisa e extensão direcionadas à recomposição da memória da Associação das Vilas Reunidas FRAGET, proporcionando a constituição de um acervo coletivo que possa ser consultado pelos seus integrantes e cidadãos em geral, especialmente os que residem na área de abrangência de ação desta organização. Concomitantemente, proporcionar um espaço de interlocução entre as áreas de Antropologia e Sociologia junto a esta Associação, por meio do assessoramento técnico dos projetos que já estão em desenvolvimento, assim como, propondo ações político-culturais que potencializem esse importante espaço de construção de cidadania, por meio do debate sobre temas de relevância social, como mudanças climáticas, violência de gênero, racismo, etc.

Justificativa

A Associação das Vilas Reunidas FRAGET foi fundada no início da década de 1980, por pessoas vinculadas às pastorais sociais da Igreja Católica, com o objetivo de construção coletiva de soluções para problemáticas que se apresentavam para a área de abrangência em que esta atuação transcorreu e transcorre até os dias atuais: Vilas Farroupilha, Real, Aurora, Guabiroba, Elza e Treptow, todas situadas no Bairro Fragata.
A história desta organização se inscreve, portanto, em um processo amplo de reorganização da sociedade civil no Brasil, em um período de luta pela redemocratização, em que emergem novos atores políticos denominados também de “novos movimentos sociais”:

[...] Ele se contrapunha às velhas formas de organização de partidos e sindicatos, centralizadores, hierárquicos, que destacavam apenas aspectos estruturais da sociedade, a relação capital x trabalho, as contradições do capitalismo e seus reflexos quase que diretos sobre a sociedade. Os novos movimentos sociais, tanto na prática como na teoria que passou a ser criada ao seu redor, reivindicavam o poder das bases, contra o centralismo organizacional; chamavam atenção para aspectos da subjetividade, clamavam pela identidade sociocultural e política dos atores em cena e suas demandas. (GOHN, 2024, p. 6-7).

No contexto atual, em que o Estado democrático e de direito tem sido constantemente colocado à prova, o projeto é de grande relevância por se propor a reconstituir memórias relacionadas à um período de redemocratização da sociedade brasileira, de forte protagonismo de movimentos e organizações sociais, que foram fundamentais na construção e consolidação de um senso de cidadania junto à classes populares.
Desde a época da sua fundação, a FRAGET vem desenvolvendo ações autônomas ou junto ao poder público que proporcionaram mudanças significativas na qualidade de vida das pessoas que residem nestes locais, destacando-se: construção de moradias, iluminação pública, educação popular, construção de uma Unidade Básica de Saúde, instalação de uma cooperativa de reciclagem de lixo, dentre outras melhorias de infraestrutura urbana.
Atualmente, possui uma atuação nas áreas de economia popular solidária, dando suporte técnico e logístico à diversos grupos de geração de renda, como: Mimos e Fuxicos, Confecções Fraget, Artesanato Fraget, Artesãs Mística, 3 Lu Alimentação, dentre outros. Sua ampla sede serve de suporte para a ação de outras organizações e ações sociais, como encontros de redes de reciclagem e assessoramento à população do entorno diante das atuais emergências climáticas, como a que ocorreu no ano de 2024 no Rio Grande do Sul, em que a sede foi intensamente utilizada para acondicionamento e distribuição de donativos.
O desenvolvimento de ações junto a esta organização proporcionará, aos estudantes envolvidos, a possibilidade de conhecimento de realidades multifacetadas, além do desafio de construir, conjuntamente com a organização, alternativas à problemáticas concretas, potencializando uma formação profissional cidadã. À própria organização, o projeto proporcionará o fortalecimento de suas ações, na medida que seu importante papel social poderá alcançar uma nova visibilidade, transformando-se em conhecimento experiências coletivas inovadoras.

Metodologia

Como assinala João Pacheco de Oliveira (2013), em uma contexto marcado por debates sobre as implicações do colonialismo na produção de conhecimento da Antropologia, a prática antropológica se desloca da simples observação distanciada e registro de informações para o envolvimento direto em demandas práticas aportadas por seus interlocutores, afinal, o que distingue os antropólogos dos sujeitos pesquisados consiste apenas nas “modalidades de organizar e transmitir o conhecimento” (OLIVEIRA, 2013, p. 52).
Este tipo de engajamento, Roberto Cardoso de Oliveira (2004) denomina de “antropologia da ação”, o qual vem sendo denominado, ainda, como “antropologia colaborativa”, a qual comporta a participação de “[...] atores não-acadêmicos na elaboração, participação e realização de projetos visando ações participativas direcionadas a estes mesmos atores, ou comunidades determinadas. [...]” (GARRABÉ, 2022). Nesse sentido, cabe salientar que o presente projeto vem sendo construído com a diretoria da FRAGET desde o final de 2025, por meio de reuniões realizadas na própria sede com a presença da proponente, estudantes do curso de Ciências Sociais e integrantes daquela organização.
As técnicas e procedimentos que poderão ser utilizados para o desenvolvimento das ações:
- reuniões com a diretoria e integrantes da Associação para a construção conjunta das ações e encaminhamentos do projeto;
- entrevistas abertas, com possível uso de audiovisual, para registro de memórias sobre a história e ações da organização;
- realização de rodas de memórias, para fins não apenas de registro, mas também de compartilhamento coletivo de lembranças;
- identificação, catalogação e acondicionamento adequado de materiais bibliográficos ou documentais da organização;
- construção, em conjunto com os grupos de economia solidária que compõem a Associação, de projetos direcionados às agências de financiamento;
- mediação para a realização de palestras, rodas de conversa ou ciclos de cinema – dentre outras ações culturais possíveis – que fortaleçam os vínculos entre a Associação Fraget e as comunidades em que está inserida.
A proposta, no bojo de uma antropologia colaborativa (GARRABÉ, 2022), é que não apenas a equipe possa contribuir para um fortalecimento da organização Fraget, mas que o contrário também ocorra, ou seja, que por meio dessa interlocução, agentes da universidade possam repensar os processos de teorização e conceitualização, de forma a construir um conhecimento a partir do trânsito entre distintas fronteiras epistemológicas.

Indicadores, Metas e Resultados

- Elaboração de um livro sobre a história e organização da Associação;
- Constituição de uma exposição itinerante sobre a história e atual composição da Associação;
- Disponibilização de um acervo físico e digital para a comunidade, com os resultados da pesquisa colaborativa sobre a memória da organização, assim como, outros materiais bibliográficos, audiovisuais ou documentais que possam ser úteis para ações culturais e educacionais da instituição;
- Encaminhamento, até o final da vigência do projeto, de no mínimo 2 projetos para agências financiadoras;
- Articulação, até o final da vigência do projeto, de no mínimo 2 atividades culturais significativas, como oficinas, rodas de conversa ou ciclos de cinema.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
BERNADETE LOVATEL
Cristiane Andrade de Miranda
ELISÂNGELA DOS SANTOS BANDEIRA
GISLAINE COSTA CHAVES
ROSANE APARECIDA RUBERT5
SAIONARA ABDALLA MHAMED MAIHUB

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