Nome do Projeto
Geografias Quilombolas na Serra dos Tapes, Rio Grande do Sul
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
03/08/2026 - 03/08/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
Neste projeto temos como objetivo compreender as trajetórias geográficas de comunidades quilombolas da Serra dos Tapes (RS), relacionando-as à construção do espaço rural da região. Partindo de uma perspectiva crítica e relacional da Geografia, bem como do diálogo com o campo das Geografias Negras, buscamos também examinar como essas trajetórias e práticas territoriais tensionam análises e interpretações hegemônicas que invisibilizam as espacialidades negras na Serra dos Tapes. Adotamos nesta pesquisa uma abordagem qualitativa, combinando análise documental e histórica com trabalhos de campo. Serão realizadas entrevistas abertas e em profundidade, orientadas pelo método de histórias de vida, priorizando lideranças comunitárias, anciãos e outros sujeitos cujas experiências permitam compreender tanto dimensões cotidianas, quanto mais amplas do ponto de vista social, histórico e geográfico. Esperamos que a pesquisa contribua para uma leitura mais aprofundada e crítica da região, trazendo a centralidade das comunidades quilombolas na construção do espaço rural da Serra dos Tapes. Como resultados, prevemos a elaboração de materiais cartográficos, informativos e didáticos, construídos a partir das narrativas dos interlocutores, além da realização de ações de devolutiva junto às comunidades.
Objetivo Geral
O objetivo desta pesquisa é compreender de que maneira as trajetórias geográficas quilombolas constituem a produção do espaço rural da Serra dos Tapes, a partir de suas dimensões históricas, sociais, territoriais e cotidianas.
Justificativa
Atualmente, a Serra dos Tapes abriga diversas colônias agrícolas de origem germânica e italiana, além de um grande número de comunidades negras, parte delas certificadas como quilombolas (Gois, 2023, 2025). Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região conta com aproximadamente 3.055 pessoas autodeclaradas quilombolas (IBGE, 2026). A Fundação Cultural Palmares informa a existência de 29 comunidades certificadas na Serra dos Tapes, configurando-a como a área com a maior concentração de quilombos no sul do Brasil. Embora a trajetória dessas comunidades e a configuração de seus territórios remontem ao período colonial, suas histórias não se limitam à experiência da escravidão no Brasil. Nesse sentido, as articulações quilombolas são compreendidas como possibilidades de conceber e construir outras formas de relações sociais e espaciais, expressas em subjetividades e materialidades que também produzem o espaço (Nascimento B., 2018; 2021; Sodré, 2002; Massey, 2005).
A diversidade étnica e cultural da Serra dos Tapes, marcada pela coexistência de grupos de origem africana, germânica, italiana, pomerana e francesa, levou estudiosos a definirem a região como um “mosaico étnico e cultural” (Cerqueira, 2011; Salamoni e Waskiewicz, 2013). Apesar desse reconhecimento, a produção acadêmica tem analisado a Serra principalmente a partir das experiências históricas e socioespaciais dos grupos eurodescendentes, reproduzindo leituras que silenciam as territorialidades negras e desconsideram as hierarquias sociais e raciais que estruturam a região (Gois, 2023). Assim, embora ubíquas na Serra dos Tapes, as comunidades quilombolas permanecem sub-representadas nas interpretações sobre sua formação territorial.
Diante desse cenário, compreender as trajetórias individuais, familiares e coletivas quilombolas permite evidenciar como suas histórias, práticas, mobilidades, saberes e modos de vida constituem a produção do espaço rural da Serra dos Tapes. Essas trajetórias articulam-se a processos históricos e sociais mais amplos e permitem compreender a região não apenas a partir da lógica colonial e da herança europeia não portuguesa, mas como um espaço em transformação, construído por múltiplas relações (Massey, 2005). A pesquisa se justifica, portanto, pela necessidade de compreender de que maneira as trajetórias e práticas territoriais quilombolas tensionam as narrativas hegemônicas sobre a Serra dos Tapes e constituem a produção de seu espaço rural, contribuindo para ampliar as interpretações sobre a formação territorial da região a partir das experiências e espacialidades negras.
A diversidade étnica e cultural da Serra dos Tapes, marcada pela coexistência de grupos de origem africana, germânica, italiana, pomerana e francesa, levou estudiosos a definirem a região como um “mosaico étnico e cultural” (Cerqueira, 2011; Salamoni e Waskiewicz, 2013). Apesar desse reconhecimento, a produção acadêmica tem analisado a Serra principalmente a partir das experiências históricas e socioespaciais dos grupos eurodescendentes, reproduzindo leituras que silenciam as territorialidades negras e desconsideram as hierarquias sociais e raciais que estruturam a região (Gois, 2023). Assim, embora ubíquas na Serra dos Tapes, as comunidades quilombolas permanecem sub-representadas nas interpretações sobre sua formação territorial.
Diante desse cenário, compreender as trajetórias individuais, familiares e coletivas quilombolas permite evidenciar como suas histórias, práticas, mobilidades, saberes e modos de vida constituem a produção do espaço rural da Serra dos Tapes. Essas trajetórias articulam-se a processos históricos e sociais mais amplos e permitem compreender a região não apenas a partir da lógica colonial e da herança europeia não portuguesa, mas como um espaço em transformação, construído por múltiplas relações (Massey, 2005). A pesquisa se justifica, portanto, pela necessidade de compreender de que maneira as trajetórias e práticas territoriais quilombolas tensionam as narrativas hegemônicas sobre a Serra dos Tapes e constituem a produção de seu espaço rural, contribuindo para ampliar as interpretações sobre a formação territorial da região a partir das experiências e espacialidades negras.
Metodologia
Neste trabalho adotamos uma abordagem qualitativa na produção e análise dos dados, utilizando análise documental e histórica e trabalho de campo com entrevistas abertas e em profundidade, leitura e observação da paisagem, registros fotográficos, gravações de áudio e diários de campo.
Utilizaremos o método de histórias de vida, inserido no campo mais amplo da história oral (Gonçalves e Lisboa, 2007; Rosa, 2007; Jackson e Russel, 2010; Spooner, 2018). As entrevistas serão abertas, não diretivas e orientadas por eixos temáticos relacionados aos objetivos da pesquisa, considerando a centralidade da oralidade na transmissão de memórias, saberes e experiências entre as comunidades quilombolas. Os participantes serão selecionados por redes de indicação (snowball sampling), a partir do contato inicial com lideranças e referências locais (Atkinson e Flint, 2001), e o número de participantes será definido ao longo da pesquisa.
As entrevistas serão transcritas e analisadas em articulação com os demais materiais produzidos, por meio de codificação temática e com auxílio de software de análise qualitativa. Todas as etapas serão conduzidas mediante consentimento dos participantes e observando os princípios éticos da pesquisa. A análise será orientada por uma perspectiva crítica e relacional da Geografia (Massey, 2005; Elwood et al., 2017), em diálogo com o campo das Geografias Negras, considerando as articulações entre raça, classe, gênero e território na produção do espaço. Os dados também subsidiarão a elaboração de materiais cartográficos e audiovisuais.
Utilizaremos o método de histórias de vida, inserido no campo mais amplo da história oral (Gonçalves e Lisboa, 2007; Rosa, 2007; Jackson e Russel, 2010; Spooner, 2018). As entrevistas serão abertas, não diretivas e orientadas por eixos temáticos relacionados aos objetivos da pesquisa, considerando a centralidade da oralidade na transmissão de memórias, saberes e experiências entre as comunidades quilombolas. Os participantes serão selecionados por redes de indicação (snowball sampling), a partir do contato inicial com lideranças e referências locais (Atkinson e Flint, 2001), e o número de participantes será definido ao longo da pesquisa.
As entrevistas serão transcritas e analisadas em articulação com os demais materiais produzidos, por meio de codificação temática e com auxílio de software de análise qualitativa. Todas as etapas serão conduzidas mediante consentimento dos participantes e observando os princípios éticos da pesquisa. A análise será orientada por uma perspectiva crítica e relacional da Geografia (Massey, 2005; Elwood et al., 2017), em diálogo com o campo das Geografias Negras, considerando as articulações entre raça, classe, gênero e território na produção do espaço. Os dados também subsidiarão a elaboração de materiais cartográficos e audiovisuais.
Indicadores, Metas e Resultados
O método de histórias de vida, associado à Geografia, parte do entendimento de que as narrativas pessoais e coletivas de populações marginalizadas social e espacialmente podem desafiar as leituras hegemônicas sobre regiões específicas (Riley e Harvey 2007; Scott, 2019, 2020). A partir dessa perspectiva, esperamos que esta pesquisa contribua para uma compreensão mais ampla e crítica da construção do espaço na Serra dos Tapes, abordando suas especificidades geográficas, produtivas, culturais e econômicas a partir do olhar das populações quilombolas que vivem na região. Esperamos, ainda, que os resultados obtidos permitam a produção de materiais cartográficos, audiovisuais e informativos construídos a partir das narrativas e referências espaciais/territoriais dos interlocutores, de modo que façam sentido para as comunidades e possam ser apropriados por elas em seus próprios processos de afirmação, busca por visibilidade e reconhecimento na região como um todo. Além disso, pretende-se desenvolver materiais didáticos e promover ações em escolas rurais, como rodas de conversa e oficinas, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os quilombos da Serra dos Tapes e fomentar o diálogo entre as comunidades e o espaço escolar. Finalmente, planejamos publicar os resultados da pesquisa em periódico de indexação nacional e internacional, com prioridade àqueles relacionados pelas bases Scielo, SCOPUS e/ou Web of Science, contribuindo para a difusão acadêmica do trabalho realizado.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| ANA CLARA MARTINS SANTANA | |||
| CHARLENE SANTANA FERREIRA | |||
| EDER RIBEIRO FONSECA | |||
| GABRIELA RODRIGUES GOIS | 5 | ||
| INGRID BEATRIZ MOURA FERREIRA | |||
| LARA DALPERIO BUSCIOLI | 3 | ||
| REBECA JERÔNIMO NUNES DA SILVA | |||
| SANDI XAVIER MANCILIA | |||
| SIMONE DA SILVA FLORES | 3 | ||
| SOLANGE DE OLIVEIRA |
Fontes Financiadoras
| Sigla / Nome | Valor | Administrador |
|---|---|---|
| FAPERGS / Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado Rio Grande do Sul | R$ 26.000,00 | Coordenador |
Plano de Aplicação de Despesas
| Descrição | Valor |
|---|---|
| 339033 - Passagens de Despesas de Locomoção | R$ 1.612,50 |
| 339030 - Material de Consumo | R$ 1.885,01 |
| 339018 - Auxílio Financeiro a Estudantes | R$ 14.000,00 |
| 339014 - Diária Pessoa Civil | R$ 1.900,00 |
| 449052 - Equipamentos e Material Permanente | R$ 2.350,00 |
| 339039 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa Jurídica | R$ 4.252,49 |