Nome do Projeto
Desastres Naturais e Impactos Microeconômicos
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/08/2026 - 31/07/2030
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Sociais Aplicadas
Resumo
O objetivo centra deste projetol é produzir evidências causais sobre os efeitos de desastres naturais, em especial os de natureza hidrológica (enchentes, inundações, enxurradas e alagamentos), predominantes no Brasil e no Rio Grande do Sul, sobre decisões e desfechos microeconômicos de famílias, firmas e governos locais. O projeto estrutura-se em quatro linhas de investigação interdependentes, das quais derivarão subprojetos, teses, dissertações e trabalhos de iniciação científica: (i) desastres e capital humano, com estimação dos impactos sobre indicadores educacionais municipais (taxas de abandono, reprovação e aprovação, distorção idade-série, proficiência e medidas sintéticas de inclusão educacional); (ii) desastres e decisões de mobilidade das famílias, com mensuração dos efeitos sobre os padrões migratórios dos municípios brasileiros a partir dos censos demográficos do IBGE; (iii) desastres e mercado de trabalho, com análise da reestruturação da demanda por habilidades (cognitivas, sociais, manuais e de execução de rotinas) a partir da compatibilização dos dados da RAIS com a pesquisa O*NET; e (iv) desastres e finanças públicas municipais, com estimação dos impactos sobre arrecadação e gastos públicos a partir dos relatórios de execução orçamentária do Tesouro Nacional. A exposição municipal aos desastres será codificada com base no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) e no Atlas de Desastres Naturais, cobrindo o período de 1991 a 2024.
Objetivo Geral
Produzir evidências causais sobre os efeitos de desastres naturais, em especial os de natureza hidrológica, sobre decisões e desfechos microeconômicos de famílias, firmas e governos locais no Brasil, com recorte específico para o Rio Grande do Sul, nas dimensões de capital humano e educação, migração, mercado de trabalho e finanças públicas municipais, articulando, sob um mesmo arcabouço teórico-metodológico, subprojetos de pesquisa, atividades de formação de recursos humanos e a tradução dos resultados em subsídios para políticas públicas de prevenção, resposta e adaptação a eventos climáticos extremos.
Justificativa
A pertinência deste projeto apoia-se em razões de ordem científica, de política pública e de caráter institucional. No plano científico, o volume de desastres naturais registrados no mundo é crescente e acompanha a maior frequência de eventos climáticos extremos. No Brasil, são os fenômenos associados ao excesso de água, como enchentes, inundações e enxurradas, os que concentram a maior parcela dos danos e das mortes provocadas por desastres. O Rio Grande do Sul é um dos estados mais afetados: dados da Defesa Civil (S2ID) indicam que o estado respondeu por mais de 10% dos desastres hidrológicos registrados no país entre 1991 e 2023, com cerca de 3 mil episódios e prejuízos diretos estimados em quase 30 bilhões de reais no período, sem contar as enchentes de maio de 2024, o maior desastre já registrado no estado.
Apesar disso, persistem lacunas importantes na literatura. A produção internacional sobre desastres e desfechos socioeconômicos concentra-se em catástrofes de natureza distinta da que predomina no Brasil (terremotos, furacões, tornados), enquanto a produção nacional se dedica sobretudo a desdobramentos macroeconômicos e sanitários. Pouco se sabe, com métodos causais modernos, sobre os efeitos de desastres hidrológicos de baixa e média intensidade sobre a educação básica, a migração interna, a demanda por habilidades no mercado de trabalho e as finanças dos governos municipais brasileiros. Em algumas dessas frentes, como a relação entre desastres e demanda por habilidades, não há, no conhecimento da equipe, trabalho publicado em periódico com revisão por pares para o Brasil. A geração de evidências causais consistentes para a realidade brasileira constitui, assim, contribuição relevante e original.
Do ponto de vista das políticas públicas, dimensionar com rigor os efeitos dos desastres permite: desenhar políticas de proteção da trajetória escolar em situações de emergência climática; identificar os perfis populacionais mais propensos a migrar após os eventos, subsidiando políticas de retenção e de acolhimento; calibrar a oferta de cursos de qualificação profissional conforme as habilidades efetivamente demandadas no pós-desastre, reduzindo o desemprego friccional; e fornecer aos municípios e ao estado estimativas das perdas de arrecadação e das despesas emergenciais, ampliando sua capacidade argumentativa na solicitação de recursos e nos processos de renegociação fiscal junto às esferas estadual e federal.
Por fim, no plano institucional, consolidar uma agenda de pesquisa já em desenvolvimento pelo grupo de pesquisa em avaliação de políticas públicas e economia dos desastres naturais da UFPel, permitindo que subprojetos específicos (iniciações científicas, dissertações, teses, estágios de pós-doutorado e colaborações interinstitucionais) sejam vinculados a uma estrutura comum de dados, métodos e objetivos, com ganhos de escala, coerência e continuidade da produção científica e da formação de recursos humanos.
Apesar disso, persistem lacunas importantes na literatura. A produção internacional sobre desastres e desfechos socioeconômicos concentra-se em catástrofes de natureza distinta da que predomina no Brasil (terremotos, furacões, tornados), enquanto a produção nacional se dedica sobretudo a desdobramentos macroeconômicos e sanitários. Pouco se sabe, com métodos causais modernos, sobre os efeitos de desastres hidrológicos de baixa e média intensidade sobre a educação básica, a migração interna, a demanda por habilidades no mercado de trabalho e as finanças dos governos municipais brasileiros. Em algumas dessas frentes, como a relação entre desastres e demanda por habilidades, não há, no conhecimento da equipe, trabalho publicado em periódico com revisão por pares para o Brasil. A geração de evidências causais consistentes para a realidade brasileira constitui, assim, contribuição relevante e original.
Do ponto de vista das políticas públicas, dimensionar com rigor os efeitos dos desastres permite: desenhar políticas de proteção da trajetória escolar em situações de emergência climática; identificar os perfis populacionais mais propensos a migrar após os eventos, subsidiando políticas de retenção e de acolhimento; calibrar a oferta de cursos de qualificação profissional conforme as habilidades efetivamente demandadas no pós-desastre, reduzindo o desemprego friccional; e fornecer aos municípios e ao estado estimativas das perdas de arrecadação e das despesas emergenciais, ampliando sua capacidade argumentativa na solicitação de recursos e nos processos de renegociação fiscal junto às esferas estadual e federal.
Por fim, no plano institucional, consolidar uma agenda de pesquisa já em desenvolvimento pelo grupo de pesquisa em avaliação de políticas públicas e economia dos desastres naturais da UFPel, permitindo que subprojetos específicos (iniciações científicas, dissertações, teses, estágios de pós-doutorado e colaborações interinstitucionais) sejam vinculados a uma estrutura comum de dados, métodos e objetivos, com ganhos de escala, coerência e continuidade da produção científica e da formação de recursos humanos.
Metodologia
O projeto adota o arcabouço de resultados potenciais (Rubin, 1974) como referência comum a todas as linhas de investigação, tendo como parâmetro de interesse recorrente o efeito médio do tratamento sobre os tratados (ATT). A exposição aos desastres hidrológicos (tratamento) será codificada a partir dos registros do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) da Defesa Civil e do Atlas de Desastres Naturais, que cobrem todos os municípios brasileiros desde 1991, em especificações binárias (ocorrência de ao menos um evento no período de referência), ordinais e contínuas (número de episódios, pessoas afetadas, danos estimados e, para as enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, fração da área, da população ou do estoque construído atingida segundo as manchas de inundação georreferenciadas).
As variáveis de desfecho serão construídas a partir de bases de dados administrativas e censitárias de acesso público: indicadores educacionais municipais do Censo Escolar e do SAEB (Inep), combinados com as projeções populacionais do IBGE; quesitos de migração dos censos demográficos do IBGE (2000, 2010 e, quando disponibilizados, 2022); vínculos formais de emprego da RAIS, compatibilizados com as medidas de conteúdo ocupacional da pesquisa O*NET para a construção de índices municipais de intensidade de habilidades; e receitas e despesas municipais dos relatórios de execução orçamentária (RREO) do Tesouro Nacional.
A principal estratégia de identificação explora a variação espacial e temporal da ocorrência dos desastres em desenho de adoção escalonada: cada município passa à condição de tratado no período em que sofre o primeiro evento registrado no painel. Para contornar os vieses dos estimadores convencionais de efeitos fixos em duas vias nesse contexto, será empregado o estimador de diferenças em diferenças com múltiplos períodos de Callaway e Sant'Anna (2021), com agregação dos efeitos por coorte e tempo de exposição (estudos de evento), testes de pré-tendências e análise de sensibilidade a violações de tendências paralelas. Estimadores robustos alternativos (Sun e Abraham, 2021; de Chaisemartin e D'Haultfoeuille, 2020; Borusyak, Jaravel e Spiess, 2024) serão utilizados como verificação.
De forma complementar, serão empregados: pareamento por escore de propensão e balanceamento por entropia, com verificação de suporte comum, qualidade do balanceamento e sensibilidade a viés oculto (limites de Rosenbaum); estudos de evento com tratamento contínuo (dose-resposta) para a estimação de elasticidades, em especial na linha de finanças públicas; modelos econométricos espaciais (Durbin espacial) para a decomposição de efeitos diretos e transbordamentos para municípios vizinhos; e métodos de aprendizado de máquina voltados à inferência causal, notadamente o double/debiased machine learning (Chernozhukov et al., 2018) e as florestas causais (Wager e Athey, 2018), para a estimação flexível de efeitos médios e heterogêneos por atributos demográficos e socioeconômicos.
Em todas as linhas serão adotados procedimentos sistemáticos de robustez: testes placebo com tratamentos fictícios, variação dos limiares de intensidade que definem o tratamento, restrição da amostra a municípios tratados uma única vez versus nunca tratados, inclusão de controles municipais observáveis (PIB per capita, população, gastos, entre outros), definições alternativas do grupo de comparação e inferência com erros-padrão agrupados no nível do município ou da microrregião, com bootstrap quando apropriado. As bases de dados e os scripts de tratamento e estimação serão documentados de forma a garantir a replicabilidade dos resultados dos subprojetos vinculados.
As variáveis de desfecho serão construídas a partir de bases de dados administrativas e censitárias de acesso público: indicadores educacionais municipais do Censo Escolar e do SAEB (Inep), combinados com as projeções populacionais do IBGE; quesitos de migração dos censos demográficos do IBGE (2000, 2010 e, quando disponibilizados, 2022); vínculos formais de emprego da RAIS, compatibilizados com as medidas de conteúdo ocupacional da pesquisa O*NET para a construção de índices municipais de intensidade de habilidades; e receitas e despesas municipais dos relatórios de execução orçamentária (RREO) do Tesouro Nacional.
A principal estratégia de identificação explora a variação espacial e temporal da ocorrência dos desastres em desenho de adoção escalonada: cada município passa à condição de tratado no período em que sofre o primeiro evento registrado no painel. Para contornar os vieses dos estimadores convencionais de efeitos fixos em duas vias nesse contexto, será empregado o estimador de diferenças em diferenças com múltiplos períodos de Callaway e Sant'Anna (2021), com agregação dos efeitos por coorte e tempo de exposição (estudos de evento), testes de pré-tendências e análise de sensibilidade a violações de tendências paralelas. Estimadores robustos alternativos (Sun e Abraham, 2021; de Chaisemartin e D'Haultfoeuille, 2020; Borusyak, Jaravel e Spiess, 2024) serão utilizados como verificação.
De forma complementar, serão empregados: pareamento por escore de propensão e balanceamento por entropia, com verificação de suporte comum, qualidade do balanceamento e sensibilidade a viés oculto (limites de Rosenbaum); estudos de evento com tratamento contínuo (dose-resposta) para a estimação de elasticidades, em especial na linha de finanças públicas; modelos econométricos espaciais (Durbin espacial) para a decomposição de efeitos diretos e transbordamentos para municípios vizinhos; e métodos de aprendizado de máquina voltados à inferência causal, notadamente o double/debiased machine learning (Chernozhukov et al., 2018) e as florestas causais (Wager e Athey, 2018), para a estimação flexível de efeitos médios e heterogêneos por atributos demográficos e socioeconômicos.
Em todas as linhas serão adotados procedimentos sistemáticos de robustez: testes placebo com tratamentos fictícios, variação dos limiares de intensidade que definem o tratamento, restrição da amostra a municípios tratados uma única vez versus nunca tratados, inclusão de controles municipais observáveis (PIB per capita, população, gastos, entre outros), definições alternativas do grupo de comparação e inferência com erros-padrão agrupados no nível do município ou da microrregião, com bootstrap quando apropriado. As bases de dados e os scripts de tratamento e estimação serão documentados de forma a garantir a replicabilidade dos resultados dos subprojetos vinculados.
Indicadores, Metas e Resultados
O acompanhamento do projeto será feito por indicadores de produção científica, de formação de recursos humanos, de produtos técnicos e de inserção social, com as seguintes metas para a vigência de 48 meses:
– Artigos científicos submetidos/aceitos: meta de ao menos 3 artigos submetidos a periódicos com revisão por pares, (indicador: número de artigos submetidos/aceitos);
– Divulgação científica: meta de ao menos 3 trabalhos apresentados em congressos e seminários nacionais ou internacionais (indicador: número de apresentações);
– Formação de recursos humanos: meta de ao menos 1 plano de iniciação científica ou trabalhos de conclusão de curso, 1 dissertações de mestrado e 1 teses de doutorado vinculados ao projeto, iniciados ou concluídos na vigência (indicador: número de orientações vinculadas e concluídas);
– Produtos de política pública: meta de ao menos 4 notas técnicas ou policy briefs em linguagem acessível a gestores (indicador: número de documentos publicados);
– Inserção social: meta de ao menos 2 seminários ou eventos de devolutiva com gestores públicos e interlocutores estratégicos (indicador: número de eventos realizados).
Como resultados esperados, antecipam-se: evidências causais inéditas sobre os efeitos de desastres hidrológicos na educação básica, na migração, na demanda por habilidades no mercado de trabalho e nas finanças públicas municipais no Brasil e no Rio Grande do Sul; a identificação dos canais de transmissão e da dinâmica temporal desses efeitos, bem como de suas heterogeneidades por etapa de ensino, perfil demográfico e socioeconômico, porte da firma e intensidade do evento; a consolidação do grupo de pesquisa da UFPel em economia dos desastres naturais como referência nacional na temática; e subsídios concretos para políticas públicas de proteção escolar, retenção populacional, qualificação profissional e planejamento fiscal em contextos de risco climático crescente.
– Artigos científicos submetidos/aceitos: meta de ao menos 3 artigos submetidos a periódicos com revisão por pares, (indicador: número de artigos submetidos/aceitos);
– Divulgação científica: meta de ao menos 3 trabalhos apresentados em congressos e seminários nacionais ou internacionais (indicador: número de apresentações);
– Formação de recursos humanos: meta de ao menos 1 plano de iniciação científica ou trabalhos de conclusão de curso, 1 dissertações de mestrado e 1 teses de doutorado vinculados ao projeto, iniciados ou concluídos na vigência (indicador: número de orientações vinculadas e concluídas);
– Produtos de política pública: meta de ao menos 4 notas técnicas ou policy briefs em linguagem acessível a gestores (indicador: número de documentos publicados);
– Inserção social: meta de ao menos 2 seminários ou eventos de devolutiva com gestores públicos e interlocutores estratégicos (indicador: número de eventos realizados).
Como resultados esperados, antecipam-se: evidências causais inéditas sobre os efeitos de desastres hidrológicos na educação básica, na migração, na demanda por habilidades no mercado de trabalho e nas finanças públicas municipais no Brasil e no Rio Grande do Sul; a identificação dos canais de transmissão e da dinâmica temporal desses efeitos, bem como de suas heterogeneidades por etapa de ensino, perfil demográfico e socioeconômico, porte da firma e intensidade do evento; a consolidação do grupo de pesquisa da UFPel em economia dos desastres naturais como referência nacional na temática; e subsídios concretos para políticas públicas de proteção escolar, retenção populacional, qualificação profissional e planejamento fiscal em contextos de risco climático crescente.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| ANA ELISSA ACEIRO | |||
| ANDRE CARRARO | 2 | ||
| CAROLINA SILVA DA TRINDADE | |||
| FELIPE GARCIA RIBEIRO | 4 | ||
| JOÃO FELIPE ALVES MOREIRA PORTUGAL | |||
| LILANA SOUZA DA COSTA | |||
| REGIS AUGUSTO ELY | 1 | ||
| RODRIGO NOBRE FERNANDEZ | 1 | ||
| VINÍCIUS HALMENSCHLAGER |