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Ênfase
ENSINO
Data inicial - Data final
04/05/2015 - 07/12/2015
Unidade de Origem
Área CNPq
Ciências Biológicas - Biologia Geral
Resumo
A maioria das disciplinas no ensino superior, assim como o ensino básico, utiliza um modelo de ensino onde o professor é o detentor do conhecimento e o discente aquele que será ‘formatado’ conforme os conhecimentos do professor. Esse modelo é compatível com a promoção da autoridade dominante na sociedade e com a desativação da potencialidade criativa dos alunos (FREIRE e SHOR, 1986). Imersos nessa cultura, geralmente os acadêmicos tendem a estudar por meio da memorização, para assim ‘conseguir fazer a prova do professor e conseguir média’. Segundo Freire (2008) não há aprendizado verdadeiro através da memorização mecânica. Nesse caso, o aprendiz funciona mais como um paciente e não como um sujeito crítico, epistemologicamente curioso, que constrói o conhecimento do objeto ou participa da sua construção. Cunha e colaboradores (2001) em sua pesquisa sobre ensino de terceiro grau detectaram a questão da memorização e relacionaram isso com a atuação do sujeito na sociedade. Para esses autores o aluno, por se sentir submisso ao poder do professor, memoriza o conteúdo para depois reproduzi-lo de forma fidedigna. Não será possível mudar esse panorama educacional de forma simples e rápida, são necessárias várias ações e metodologias inovadoras. Uma delas é a utilização da alfabetização científica. Escolhi esse caminho porque como professora do primeiro semestre dos cursos de Ciências Biológicas (modalidades Licenciatura e Bacharelado) da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) percebo que é comum os alunos chegarem ao ensino superior com carência em conceitos científicos básicos, e mesmos os que possuem um nível de conhecimento sobre nomes científicos não sabem exatamente o lugar da biologia entre outras ciências, a história e a natureza da biologia e não entendem as interações entre a biologia e a sociedade (PENICK, 1998). A alfabetização científica é o domínio de conhecimentos científicos e tecnológicos necessários para o cidadão desenvolver-se na vida diária (in SANTOS, 2007). Para Chassot (2003) a alfabetização científica é saber ler a linguagem em que está escrita a natureza. Esse autor considera analfabeto científico aquele que é incapaz de uma leitura do universo. Nesse mesmo sentido Freire (2009) discute que a a leitura do mundo precede a leitura da palavra. A alfabetização científica é importante para conectar a ciência com o desenvolvimento econômico do país, para preparar o cidadão de forma que ele possa participar das decisões democráticas sobre ciência e tecnologia, que questione a ideologia dominante do desenvolvimento tecnológico (SANTOS, 2007, 2008). Também é importante para preparar o discente para que ele tenha conhecimentos atualizados suficientes para uma ação interativa e responsável na sociedade (SANTOS E QUEIROZ, 2007). Segundo Chassot (2003) a alfabetização científica significa possibilitar que as pessoas disponham de conhecimentos científicos e tecnológicos necessários para se desenvolver na vida diária, ajudar a resolver os problemas e as necessidades de saúde e sobrevivência básica, tomar consciência das complexas relações entre ciência e sociedade Uma pessoa alfabetizada na ciência segundo Penick (1998) tem um interesse marcante na ciência e tecnologia; tem compreensão de alguns conceitos científicos básicos; tem habilidade e desejo de aprender mais, amplia o interesse e a compreensão por iniciativa própria; toma atitudes, vasculha e aplica seu conhecimento de forma que externar estes interesses; aprecia as ciências e percebe que o conhecimento é útil na solução dos problemas e tópicos cotidianos; entende a natureza e a história das ciências em relação a esforços, ideias e práticas da atualidade; comunica de maneira eficiente as ideias das ciências para outrem; é criativo ao procurar soluções e problemas alternativos e demonstra autoconfiança e segurança ao lidar com as ciências. Nessa mesma linha, percebo que os alunos não conseguem relacionar os conteúdos científicos com o próprio cotidiano. Por isso é necessário promover a formação de sujeitos críticos, capazes de interpretarem as situações cotidianas, utilizando para isso os conhecimentos científicos. A leitura é essencial nessa busca, não uma busca mecânica e sim uma leitura crítica, onde haja percepção das relações entre o texto e o contexto (FREIRE, 2009). Ler é reescrever o que estamos lendo (FREIRE e SHOR, 1986). A alfabetização científica pode ser promovida por meio da metodologia da situação problema, que foi exemplificada e discutida por Hengemühle (2008). Segundo esse autor: “o professor parte de uma situação problema real e significativa para o aluno, despertando nele o desejo e a necessidade de buscar no conteúdo a base para a sua compreensão e solução”. Ou seja, faz-se o caminho inverso do utilizado normalmente, partir de um contexto para chegar ao conteúdo e não partir de uma lista de conteúdos e tentar encontrar significado dentro dessa lista. Freire e Faundez (2008) defendem que não se deve partir do conceito para entender a realidade, mas sim partir da realidade para, através do conceito, compreender a própria realidade. Freire (2008) também considera que o ensinar exige respeito aos saberes dos educandos e deve-se discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes na relação com o ensino dos conteúdos. Deve-se estabelecer uma intimidade entre os saberes curriculares e a experiência social dos alunos. Segundo Cunha e colaboradores (2001) “o saber dos livros e dos autores tem valor quando ressignificado pelo estudante que se confronta com a realidade e pode melhor ancorar nas suas estruturas cognitivas, afetivas e culturais”. O professor que irá orientar deverá estimular os acadêmicos a buscarem as perguntas e não as respostas, como eles foram acostumados. Segundo Freire e Faundez (2008, p.46): o professor deveria ensinar a perguntar. Somente a partir de perguntas é que sair em busca de respostas, e não o contrário: estabelecer as respostas, com o que todo o saber fica justamente nisso, já está dado, é um absoluto, não cede lugar à curiosidade nem a elementos por descobrir. Para haver liberdade no processo ensino-aprendizagem deve haver uma metodologia participativa, onde professores e discentes serão ouvidos e respeitados em suas opiniões e dúvidas. É importante reconhecer nos outros o direito de dizer a sua palavra. Direito dos alunos de falar e dever dos educadores de escutá-los. De escutá-los corretamente, com a convicção de quem cumpre um dever e não com a malícia de quem faz um favor para receber muito mais em troca (FREIRE, 2009). Tanto a interação docente/discente e discente/discente favorece o aprendizado. Segundo Sant’ana e Ramos (2009) a atividade em grupo permite desenvolver a troca, o espírito colaborativo e a socialização. Segundo Vigotski as crianças apresentam um potencial, que pode ser desenvolvido através de um ensino sistematizado, envolvendo a interação com outra pessoa, que pode ser o professor ou um colega (Bock e Teixeira, 2002)

Objetivo Geral

Promover condições para que os acadêmicos apreciem e entendam a natureza das ciências e seu papel na sociedade por meio da alfabetização científica.

Justificativa

Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo (FREIRE, 2009). Para ajudar os acadêmicos dos cursos de Ciências Biológicas a entenderem o 'mundo científico' será promovida uma busca pelo conhecimento de forma interessante, motivadora, agradável por meio da leitura de artigos científicos e sua discussão. Esse trabalho também permitirá um maior contato das diferentes áreas das ciências biológicas por meio da participação de professores diversos.

Metodologia

Primeiramente serão selecionados 12 discentes que tenham interesse em participar como ministrantes no projeto. Depois será realizado um encontro entre os alunos inscritos e os professores orientadores das diferentes áreas da biologia (Morfologia, Botânica, Microbiologia, Zoologia e Ecologia). Os alunos irão escolher uma das áreas para desenvolver o trabalho.
Cada acadêmico irá apresentar suas dúvidas sobre aquela área. Diante das curiosidades do discente, o professor vai orientá-lo a buscar na literatura de um ou mais artigos que lhe ajude na busca da resposta.
O acadêmico fará a leitura do (s) artigo(s) e à medida que as dúvidas forem surgindo, deverá procurar o professor orientador para discutir.
Depois o acadêmico irá elaborar um material em power point e apresentar ao professor orientador e depois da discussão e ajustes, o mesmo irá apresentar para o grande grupo.
Todos os alunos inscritos no projeto também irão fazer a leitura de todos os artigos para assim contribuir na discussão final.
A apresentação será no horário do almoço (12:50 às 13:50) no Instituto de Biologia no campus do Capão do Leão. Ela terá tempo de 30 minutos e o restante do tempo será utilizado para a discussão do tema no grande grupo.
Além dos discentes apresentadores, outros acadêmicos da UFPEL poderão participar da apresentação e da discussão.

Resultados Esperados

Um maior entrosamento entre professores e acadêmicos do curso de ciências biológicas;
Formação de discentes críticos e ávidos pelo conhecimento e que colaborem para a construção de uma sociedade mais justa;
Promoção de discentes conscientes sobre a importância dos conceitos científicos para a compreensão do meio em que vivem;
Formação de discentes autônomos e promotores de autonomia em seu meio social.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALEXIA BRAUNER DE MELLO119/10/201523/11/2015
ALINE ALVES ROSENDO119/10/201523/11/2015
ANA MARIA RUI304/05/201507/12/2015
ANA PAULA MARTINS LEAL119/10/201523/11/2015
ANA PAULA NUNES301/06/201507/12/2015
ANELISE VICENTINI KUSS204/05/201507/12/2015
CAMILA SALGADO LEMKE119/10/201523/11/2015
CAROLINA FERREIRA DA SILVEIRA119/10/201523/11/2015
CASSIANE BORGES DE SOUZA204/05/201523/11/2015
CRISTIANO AGRA ISERHARD301/06/201507/12/2015
DANIEL MELLO VIEIRA119/10/201523/11/2015
EDUARDA NACHTIGALL DOS SANTOS204/05/201523/11/2015
ELIZABETH MOREIRA RODRIGUES219/10/201523/11/2015
FRANCIELI CONSOLI122/10/201523/11/2015
INGRID FURTADO DELGADO106/11/201523/11/2015
JESSICA DA CUNHA RAMOS119/11/201523/11/2015
JESSICA MARQUES OBELAR RAMOS204/05/201523/11/2015
JÉSSICA EL KOURY SANTOS204/05/201523/11/2015
LARISSA BARRETO MATOS204/05/201523/11/2015
LILIANE GARCIA AFONSO119/10/201523/11/2015
LUCAS VIEIRA CORTEZ204/05/201523/11/2015
LUIZA LEMOS CASAGRANDE204/05/201523/11/2015
Lorenzo Fagian Paz204/05/201523/11/2015
MARCOS HENRIQUE FRECH TELLES119/10/201523/11/2015
MARLA PIUMBINI ROCHA604/05/201507/12/2015
MAYARA GUELAMANN DA CUNHA ESPINELLI GRECO219/10/201523/11/2015
Manoela Larrondo Bicca204/05/201523/11/2015
Mayara Gama Machado204/05/201523/11/2015
NATALIA CASTILHOS PIONER119/10/201523/11/2015
NATALIA VICENZI119/10/201523/11/2015
NICHOLAS FARIAS DA ROSA119/10/201523/11/2015
OSÉIAS NINO DA SILVA119/10/201523/11/2015
PÂMELA MARQUES DA SILVA119/10/201523/11/2015
RAFAEL ANTUNES DIAS301/06/201507/12/2015
RAQUEL LUDTKE304/05/201507/12/2015
RENATA CAMBRUZZI119/10/201523/11/2015
SABRINA MARIA BECKER204/05/201523/11/2015
THAIS LAZZARI204/05/201523/11/2015
VICTOR RIBEIRO ACOSTA119/10/201523/11/2015
VIOLETA DE PINHO BEZERRA CAVALCANTI119/10/201523/11/2015
YAN WAHAST ISLABÃO119/10/201523/11/2015
YASMIN ABELAIRA SILVEIRA119/10/201523/11/2015

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