Nome do Projeto
Do Intestino ao Cérebro: Caminhos para o Bem-Estar Infantil
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
11/12/2025 - 01/12/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Resumo
Este projeto tem como objetivo investigar os efeitos de intervenções educativas interdisciplinares sobre indicadores comportamentais, emocionais e biológicos relacionados ao eixo microbiota-intestino-cérebro em crianças de 5 a 9 anos matriculadas em escolas públicas. A proposta fundamenta-se em evidências científicas que demonstram a participação da microbiota intestinal na modulação do comportamento, da inflamação e da saúde mental durante a infância. O estudo será desenvolvido em três etapas: (i) capacitação da equipe de pesquisa; (ii) implementação das intervenções educativas estruturadas; e (iii) coleta e análise de dados. Serão realizadas avaliações comportamentais e emocionais antes e após a intervenção, associadas à coleta de amostras fecais em uma subamostra das crianças, para análise da composição da microbiota intestinal, dos níveis de calprotectina fecal como marcador inflamatório e da concentração de ácidos graxos de cadeia curta. Os dados obtidos serão analisados por meio de procedimentos estatísticos apropriados, permitindo a avaliação dos efeitos da intervenção e a correlação entre variáveis comportamentais e biológicas. O projeto será conduzido em parceria com escolas públicas e profissionais da atenção básica, no contexto do SUS, estando alinhado ao Eixo I, linha I-10 do edital PPSUS. Espera-se que os resultados contribuam para a produção de conhecimento científico sobre determinantes precoces da saúde mental infantil, fornecendo subsídios para o desenvolvimento e o aprimoramento de estratégias preventivas e políticas públicas voltadas à infância.

Objetivo Geral

Investigar os efeitos de intervenções educativas baseadas em evidências científicas sobre o eixo microbiota-intestino-cérebro nos indicadores de bem-estar físico, emocional e comportamental de crianças de 5 a 9 anos matriculadas na rede pública de ensino, considerando aspectos relacionados à saúde intestinal, alimentação, regulação emocional e uso de tecnologias digitais.

Justificativa

O aumento da prevalência de alterações emocionais, comportamentais e psicossociais na infância tem sido reconhecido como um problema relevante de saúde pública, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Evidências científicas recentes indicam que o eixo microbiota-intestino-cérebro desempenha papel central na modulação de processos inflamatórios, metabólicos e neurocomportamentais, porém ainda são limitados os estudos que investigam, de forma integrada, a relação entre intervenções educativas, saúde intestinal e indicadores de saúde mental na infância, particularmente no contexto da rede pública de ensino brasileira.
Neste sentido, a proposta “Do Intestino ao Cérebro: Caminhos para o Bem-Estar Infantil” justifica-se pela necessidade de produzir evidências científicas sobre os efeitos de intervenções educativas estruturadas nos desfechos comportamentais, emocionais e biológicos relacionados ao eixo microbiota-intestino-cérebro em crianças. O projeto alinha-se às prioridades do Eixo I do edital PPSUS — Saúde Pública, Qualidade de Vida e Promoção da Saúde, ao abordar determinantes precoces da saúde mental infantil e ao investigar estratégias preventivas com potencial aplicação no âmbito do SUS.

A realização do estudo em escolas públicas permite a análise do fenômeno em um cenário real, ampliando a relevância externa dos resultados e possibilitando a avaliação de fatores contextuais associados à saúde infantil. A inclusão de marcadores biológicos, como a composição da microbiota intestinal, calprotectina fecal e ácidos graxos de cadeia curta, associada à avaliação de indicadores comportamentais, contribui para uma abordagem inovadora e integrada, ainda pouco explorada em estudos nacionais.
Adicionalmente, a formação de estudantes envolvidos no projeto contribuirá para o desenvolvimento de competências em pesquisa científica interdisciplinar, fortalecendo a articulação entre ciência e políticas públicas. Espera-se que os resultados obtidos ampliem a compreensão sobre mecanismos envolvidos na saúde mental infantil e subsidiem o planejamento de futuras estratégias preventivas e ações intersetoriais no SUS, especialmente no contexto da atenção básica e da saúde escolar

Metodologia

A pesquisa será conduzida em três fases principais:

Fase 1 – Planejamento do estudo e preparação metodológica
Será realizado um levantamento inicial do contexto escolar das instituições participantes, em articulação com a Secretaria Municipal de Educação de Pelotas, incluindo informações sobre perfil etário das crianças, infraestrutura disponível e organização pedagógica. Esses dados serão utilizados exclusivamente para caracterização do cenário de pesquisa e adequação logística do estudo.
Serão realizadas reuniões técnicas com gestores escolares e profissionais da saúde da rede pública com o objetivo de alinhar os procedimentos operacionais da pesquisa, definir cronograma e pactuar os fluxos necessários à execução do estudo no ambiente escolar.
Os materiais educativos e os instrumentos de avaliação (questionários, escalas psicométricas e protocolos de observação) serão elaborados com base na literatura científica e adaptados à faixa etária estudada. Os instrumentos passarão por pré-teste em grupos piloto, visando assegurar clareza, adequação linguística e consistência metodológica.
A equipe de pesquisa, composta por estudantes e pesquisadores das áreas de Psicologia, Farmácia, Nutrição, Pedagogia, Biotecnologia e Biomedicina, será treinada quanto aos protocolos do estudo, abordagem ética em pesquisa com crianças e padronização da aplicação dos instrumentos e das intervenções, assegurando a reprodutibilidade dos procedimentos.

Fase 2 – Implementação da intervenção educativa
A intervenção educativa será realizada no ambiente escolar, em pequenos grupos de crianças, com encontros de aproximadamente 60 minutos, ao longo de período previamente definido. As atividades abordarão conteúdos relacionados à saúde intestinal, alimentação, regulação emocional e uso de tecnologias digitais, estruturadas de forma padronizada para todas as turmas participantes.
As oficinas seguirão roteiros previamente estabelecidos, utilizando estratégias lúdicas como jogos, dinâmicas corporais e atividades interativas, assegurando uniformidade na aplicação da intervenção entre os grupos.
Durante a execução das atividades, será realizada observação sistemática padronizada, utilizando protocolo previamente definido para registro de comportamentos, interações sociais, expressões emocionais e engajamento das crianças. Esses registros serão utilizados como dados complementares para análise dos efeitos da intervenção.

Fase 3 – Coleta e análise de dados
Avaliação comportamental e emocional
As avaliações comportamentais serão realizadas antes e após a intervenção, com o apoio de professores e responsáveis legais, por meio de questionários estruturados e escalas psicométricas validadas e adaptadas à faixa etária. Serão investigados indicadores relacionados à regulação emocional, comportamento, hábitos alimentares, sono e uso de tecnologias.
Entrevistas individuais com as crianças serão conduzidas com auxílio de formulários digitais em tablets, respeitando critérios éticos e metodológicos adequados à idade.

Coleta e processamento de amostras fecais
A coleta de amostras fecais será realizada em domicílio, mediante consentimento dos responsáveis, utilizando kits individuais contendo coletor estéril, luvas descartáveis e instruções ilustradas. As amostras serão mantidas sob refrigeração doméstica (4 °C) e entregues à equipe de pesquisa em até 24 horas. Posteriormente, serão transportadas em caixa térmica e armazenadas a −80 °C até o processamento.

Análise da microbiota intestinal
A caracterização da microbiota intestinal será realizada por sequenciamento do gene 16S rRNA. O DNA bacteriano será extraído com kits comerciais, avaliado quanto à qualidade e submetido à amplificação por PCR em tempo real, seguida de purificação e sequenciamento para análise da diversidade e abundância relativa dos táxons bacterianos.

Dosagem de biomarcadores inflamatórios e metabólicos
A concentração de calprotectina fecal será determinada por ensaio imunoenzimático do tipo ELISA, utilizando kits comerciais validados. A análise de metabólitos microbianos, com foco em ácidos graxos de cadeia curta (acetato, propionato e butirato), será realizada por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS).

Expressão gênica
A expressão gênica da calprotectina será avaliada por PCR em tempo real, após extração de RNA dos leucócitos presentes nas fezes, utilizando o kit RNeasy Power Fecal Pro Kit (QIAGEN). As reações serão conduzidas pelo método TaqMan®, em termociclador QIAquant (QIAGEN).

Análise estatística
Os dados quantitativos serão analisados utilizando testes estatísticos apropriados, como teste t pareado, ANOVA e análises de correlação. Para os ensaios de calprotectina fecal e expressão gênica, será aplicado teste t não paramétrico, conforme a distribuição dos dados. As análises serão realizadas no software GraphPad Prism 8 (GraphPad Software Inc., San Diego, CA, USA), adotando-se nível de significância de p < 0,05.

Disseminação científica dos resultados
Os resultados obtidos serão sistematizados e divulgados por meio de publicações em periódicos científicos, apresentações em congressos e elaboração de relatórios técnicos, visando contribuir para o avanço do conhecimento científico e subsidiar futuras estratégias preventivas no âmbito das políticas públicas de saúde infantil.

Indicadores, Metas e Resultados

Serão considerados como indicadores do estudo:
- Indicadores comportamentais e emocionais, avaliados por instrumentos padronizados aplicados antes e após a intervenção, incluindo escores de regulação emocional, comportamento ansioso, irritabilidade, interação social e uso de tecnologias digitais.
- Indicadores biológicos, determinados a partir de amostras fecais, incluindo diversidade e composição da microbiota intestinal; níveis de calprotectina fecal, como marcador de inflamação intestinal; concentração de ácidos graxos de cadeia curta (acetato, propionato e butirato).
-Indicadores de adesão e resposta à intervenção, incluindo frequência de participação nas atividades, engajamento observado durante as oficinas e completude dos instrumentos de avaliação.
-Indicadores científicos, relacionados à produção de dados originais, como número de bases de dados consolidadas, análises estatísticas concluídas e produtos científicos gerados.

Metas:
-Realizar a coleta de dados comportamentais e biológicos em todos os participantes elegíveis, antes e após a intervenção educativa;
-Analisar estatisticamente as diferenças pré e pós-intervenção nos indicadores comportamentais e emocionais;
-Caracterizar a microbiota intestinal e os níveis de biomarcadores inflamatórios e metabólicos na amostra estudada;
Investigar associações entre variáveis comportamentais, emocionais e biológicas relacionadas ao eixo microbiota-intestino-cérebro;
Sistematizar os dados obtidos em bases organizadas e passíveis de reanálise;
Produzir ao menos um manuscrito científico a partir dos resultados do estudo, com submissão a periódico indexado.

Resultados esperados
Espera-se que o estudo gere evidências científicas acerca dos efeitos de intervenções educativas estruturadas sobre desfechos comportamentais, emocionais e biológicos em crianças em idade escolar. São esperadas alterações nos escores de regulação emocional, comportamento ansioso e interação social, associadas a modificações na composição da microbiota intestinal, nos níveis de calprotectina fecal e na concentração de ácidos graxos de cadeia curta.
Adicionalmente, espera-se identificar correlações entre parâmetros biológicos e comportamentais, contribuindo para a compreensão dos mecanismos envolvidos na relação entre saúde intestinal e saúde mental infantil.
Os dados obtidos deverão subsidiar publicações científicas, comunicações em eventos acadêmicos e o desenvolvimento de novos projetos de pesquisa integrados, ampliando o conhecimento sobre determinantes precoces da saúde mental e estratégias preventivas no contexto da saúde pública.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CRISTIANE LUCHESE
CRISTINA WAYNE NOGUEIRA
JANICE LUEHRING GIONGO
LAUREN NETTO PUJOL
LUCIELLI SAVEGNAGO13
MARINA XAVIER CARPENA
RAFAELA XAVIER DE MORAES
RENATA LEIVAS DE OLIVEIRA
RODRIGO DE ALMEIDA VAUCHER
SIMONE PIENIZ8

Página gerada em 27/02/2026 00:02:20 (consulta levou 0.222654s)