Nome do Projeto
Escolas Sustentáveis e Resilientes: formação e redes de multiplicação da Educação Ambiental nas redes de ensino
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
21/04/2026 - 22/12/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Eixo Temático (Principal - Afim)
Educação / Meio ambiente
Linha de Extensão
Educação Ambiental
Resumo
A proposta consiste na realização de uma formação a distância voltada à implementação do Programa Nacional de Escolas Sustentáveis e Resilientes, com foco no fortalecimento da educação ambiental no contexto escolar e na promoção de práticas educativas comprometidas com a sustentabilidade, a justiça socioambiental e a resiliência climática. A formação busca apoiar os profissionais da Educação Básica, agentes que compõem a rede de governança da PNEAE e gestores escolares, qualificando-os para atuarem em eixos que compõem o paradigma nas escolas e redes escolares, a partir da educação ambiental crítica e baseada nos princípios da diversidade, inclusão, equidade e justiça climática. Estruturado em módulos temáticos, o curso abordará fundamentos da educação ambiental crítica, políticas públicas e marcos legais da área, metodologias participativas de diagnóstico territorial, educomunicação socioambiental e estratégias de planejamento de ações educativas voltadas à sustentabilidade e à resiliência climática das comunidades escolares. A proposta também estimulará a articulação entre escola, território e comunidade, valorizando saberes locais, participação estudantil e iniciativas coletivas de transformação socioambiental. Como resultado, espera-se fortalecer a capacidade das escolas e redes de ensino de desenvolver projetos educativos voltados à sustentabilidade, contribuir para a implementação da educação ambiental nas políticas educacionais e ampliar a produção e difusão de experiências e conhecimentos relacionados à construção de escolas sustentáveis e resilientes em diferentes contextos territoriais do país.

Objetivo Geral

A formação tem como objetivo fortalecer capacidades técnicas, pedagógicas e institucionais de gestores escolares, servidores da educação que atuam em EA e agentes territoriais de EA, qualificando-os para implementar processos de EA crítica voltados à construção de escolas sustentáveis e resilientes, em diálogo com os territórios, a gestão democrática, a inclusão, a equidade e a justiça climática.

Justificativa

A intensificação das crises socioambientais e climáticas nas últimas décadas evidencia, de forma cada vez mais contundente, os limites do modelo civilizatório hegemônico e das respostas institucionais tradicionalmente oferecidas pelo sistema educacional (Loureiro, 2021). Eventos extremos, como as enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul em 2024, não podem ser compreendidos apenas como desastres naturais isolados, mas como expressões de um processo histórico de degradação ambiental, desigualdade social e fragilização das políticas públicas.
Dessa forma, é inadiável repensar o papel da universidade na formação de profissionais capazes de compreender a complexidade das relações sociedade–natureza e de intervir, de maneira ética e politicamente comprometida, em contextos marcados por vulnerabilidade socioambiental, como fundamento para um futuro imediato que exige menos neutralidade e mais responsabilidade institucional.
Tais eventos mencionados têm evidenciado a necessidade de fortalecer a capacidade das escolas e redes de ensino para atuar em contextos de risco socioambiental, o que impõe novos desafios às redes públicas de ensino, exigindo formação continuada qualificada para gestores, professores e técnicos, capazes de implementar políticas públicas de Educação Ambiental (EA) de forma estruturante.
Nesse contexto, a Política Nacional de Educação Ambiental Escolar (PNEAE), apresentada durante a COP-30 em 2025 , representa um marco estratégico para promover a transversalidade da EA nos currículos, fortalecer a implementação da EA nas escolas e estimular práticas educativas voltadas à sustentabilidade, à justiça socioambiental e à resiliência climática nas escolas. Assim, a implementação da política depende da articulação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, estruturada por meio do regime de colaboração federativa.
A proposta responde diretamente ao objeto da Carta-Convite da SECADI/MEC, que visa selecionar Instituições Federais de Educação Superior para oferta de formações continuadas a distância voltadas ao fortalecimento da PNEAE.
A formação proposta dialoga com os objetivos indicados pela Carta-Convite, especialmente no que se refere ao fortalecimento da governança da EA no sistema educacional brasileiro; a consolidação de arranjos institucionais entre União, estados e municípios; a ampliação da transversalidade da EA nos currículos escolares; o desenvolvimento de estratégias de monitoramento e avaliação da política; a articulação entre redes educacionais, territórios e comunidades na implementação da PNEAE.
Além disso, a proposta contribui para a implementação de estratégias de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos nas escolas e redes de ensino, dialogando com protocolos e diretrizes nacionais para educação em emergências.
O curso proposto contribui principalmente para os ODS 4, 13, 16 e 17, ao fortalecer a educação para a sustentabilidade, a governança da educação ambiental nas redes de ensino e a cooperação institucional para implementação da Política Nacional de Educação Ambiental Escolar, dialogando também com os ODS 10 e 11 ao considerar justiça socioambiental, diversidade territorial e sustentabilidade das comunidades.
A proposta será desenvolvida em articulação com Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, bem como com instâncias de governança da EA, como CIEAs, UNDIME e fóruns estaduais de EA, conforme previsto na carta convite. Também contribui para consolidar a EA como política pública estruturante da educação brasileira, articulando implementação da EA nas escolas, formação continuada e fortalecimento das redes de ensino frente aos desafios socioambientais contemporâneos.
A formação também dialoga com o debate nacional sobre a incorporação da sustentabilidade, da justiça climática e da EA no novo Plano Nacional de Educação (PNE), atualmente em discussão no Congresso Nacional. Ao qualificar gestores escolares, educadores e agentes territoriais para o desenvolvimento de práticas pedagógicas e institucionais voltadas à construção de escolas sustentáveis e resilientes, a proposta contribui para o fortalecimento da EA como dimensão estruturante das políticas educacionais brasileiras.
Cabe salientar que a formação integra um conjunto articulado de iniciativas formativas voltadas ao fortalecimento da Política Nacional de Educação Ambiental Escolar, buscando promover complementaridade entre ações de governança, implementação e capilarização da educação ambiental nas redes públicas de ensino.

Metodologia

A formação será desenvolvida na modalidade educação a distância (EAD), em formato assíncrono, por meio da plataforma AVAMEC. A proposta pedagógica articula videoaulas, leituras orientadas, atividades interativas e exercícios de reflexão aplicados ao contexto das escolas e territórios educativos.
O curso adota como referência os princípios da educação ambiental crítica, valorizando a análise das realidades territoriais, a participação social e a articulação entre escola, comunidade e políticas públicas.
A proposta pedagógica também incorpora princípios da educomunicação socioambiental, compreendida como estratégia pedagógica voltada à democratização da informação, à produção colaborativa de conhecimento e à mobilização comunitária em torno de temas socioambientais.
Nesse contexto, serão discutidas possibilidades de uso da educomunicação para apoiar ações educativas voltadas à prevenção, preparação e resposta a emergências climáticas nas escolas, estimulando a produção de conteúdos educativos, campanhas escolares e iniciativas de comunicação comunitária sobre riscos socioambientais e justiça climática.
A estrutura formativa articula três dimensões pedagógicas complementares.

8.1. Análise territorial e diagnóstico educativo
No início da formação, os participantes serão convidados a refletir sobre a situação da educação ambiental em seus contextos institucionais ou territoriais, por meio de atividades diagnósticas orientadas.
Essas atividades buscarão identificar:
• práticas existentes de educação ambiental nas escolas ou redes de ensino;
• desafios institucionais para implementação da política;
• oportunidades de articulação com comunidades e territórios;
• temas socioambientais relevantes no contexto local.
Para apoiar esse processo, serão apresentadas ferramentas inspiradas em metodologias participativas utilizadas em educação ambiental e planejamento territorial, tais como:
• Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) adaptado ao contexto educacional;
• Matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) para análise institucional;
• mapeamento de atores e iniciativas socioambientais do território;
• cartografia socioambiental da escola ou comunidade.
Essas ferramentas serão apresentadas como instrumentos de análise e reflexão, podendo ser adaptadas pelos participantes às realidades de suas escolas e territórios.


8.2. Formação teórico-prática
Os módulos formativos articularão diferentes estratégias pedagógicas, incluindo:
• videoaulas estruturadas;
• leituras orientadas;
• atividades interativas e exercícios reflexivos;
• estudos de caso sobre experiências de educação ambiental;
• análise de práticas desenvolvidas em diferentes redes de ensino.
Os conteúdos dialogarão com temas como:
• educação ambiental crítica;
• justiça socioambiental e justiça climática;
• governança e gestão escolar;
• transversalidade curricular;
• participação comunitária;
• construção de escolas sustentáveis e resilientes.
Também serão apresentadas experiências de práticas educativas e iniciativas desenvolvidas em escolas e territórios brasileiros, buscando aproximar os conteúdos da realidade dos participantes.


8.3. Aplicação prática e planejamento de ações
Ao longo do curso, os participantes serão convidados a desenvolver atividades aplicadas que estimulem a reflexão sobre a implementação da educação ambiental em suas escolas ou territórios educativos.
Essas atividades poderão incluir:
• análise da situação da educação ambiental na escola ou rede de ensino;
• identificação de desafios e oportunidades para o desenvolvimento de ações socioambientais;
• elaboração de propostas de atividades pedagógicas ou projetos socioambientais;
• planejamento de ações educativas voltadas à sustentabilidade e à resiliência climática.
As atividades terão caráter reflexivo e formativo, buscando estimular a aplicação dos conteúdos discutidos ao longo da formação.

8.4. Sistematização e produção de conhecimento
A formação incentivará a sistematização das reflexões e experiências desenvolvidas pelos participantes ao longo do curso, contribuindo para a produção e circulação de conhecimentos sobre educação ambiental nas escolas e territórios educativos.
Parte dessas reflexões poderá subsidiar a produção de materiais de sistematização e conteúdos educativos voltados à difusão de experiências e referências para a implementação da educação ambiental nas redes públicas de ensino.

PROTAGONISMO DISCENTE:

A proposta adota metodologias participativas e críticas, com base na problematização da realidade socioambiental dos territórios dos participantes. Serão utilizadas estratégias como diagnóstico rápido participativo (DRP), análise FOFA, estudos de caso, produção de narrativas audiovisuais e construção coletiva de planos de ação em Educação Ambiental.

O protagonismo discente será central, com estudantes atuando como sujeitos ativos na construção do conhecimento, desenvolvendo atividades práticas vinculadas aos seus territórios e produzindo intervenções educativas reais. Os discentes da UFPel atuarão como monitores, mediadores e coautores dos processos formativos, fortalecendo sua formação acadêmica, cidadã e profissional.

A proposta prevê a participação de estudantes de graduação e pós-graduação, com quantitativo a ser definido pela SECADI. Esses estudantes atuarão no apoio pedagógico, acompanhamento de cursistas, produção de conteúdos e sistematização de resultados.

Indicadores, Metas e Resultados

A formação pretende contribuir para o fortalecimento da educação ambiental nas redes públicas de ensino, promovendo impactos formativos, institucionais e pedagógicos em escala nacional.

Entre os principais resultados esperados, destacam-se:

1. Formação de profissionais da educação

• formação em nível nacional de 1.200 gestores escolares, educadores e agentes territoriais de educação ambiental, oriundos de diferentes regiões do país;
• ampliação das capacidades pedagógicas e institucionais para a implementação da educação ambiental crítica nas escolas;
• fortalecimento da atuação de profissionais da educação na promoção da sustentabilidade e da justiça climática nos contextos escolares.

2. Fortalecimento das práticas de educação ambiental nas escolas

• desenvolvimento de reflexões e propostas pedagógicas voltadas à implementação da educação ambiental nos currículos escolares;
• ampliação de práticas educativas voltadas à sustentabilidade, à participação comunitária e à resiliência climática nas escolas;
• fortalecimento da articulação entre escola, território e comunidade na promoção de ações socioambientais.

3. Produção e difusão de materiais formativos

• produção de uma coleção digital composta por três volumes, reunindo referências conceituais e pedagógicas sobre educação ambiental escolar;
• produção de cinco cadernos formativos, correspondentes aos módulos do curso, voltados ao apoio pedagógico de educadores e gestores escolares;
• produção de uma série audiovisual formativa, abordando temas relacionados à educação ambiental crítica, justiça climática, escolas sustentáveis e educomunicação socioambiental.

4. Ampliação da circulação de referências sobre educação ambiental escolar

• disponibilização dos materiais produzidos em acesso aberto, ampliando o alcance das ações formativas;
• fortalecimento da circulação de referências pedagógicas e metodológicas pautadas na EA crítica e voltadas à construção de escolas sustentáveis e resilientes no Brasil.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA PAULA NUNES7
GREICI MAIA BEHLING3
LUCIARA BILHALVA CORREA
NAIANE CHAVES E CHAVES
ROBERTA AVILA PEREIRA

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
MEC / Ministério da EducaçãoR$ 162.800,00Fundação Delfim Mendes da Silveira

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339039 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa JurídicaR$ 162.800,00

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