Nome do Projeto
Ditadura e democracia na América Latina: ações formativas e diálogos entre a Universidade e a sociedade
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
30/04/2026 - 31/10/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Direitos Humanos e Justiça / Educação
Linha de Extensão
Direitos individuais e coletivos
Resumo
O presente Projeto se constitui a partir de ações direcionadas à organizar o VI Encuentro Internacional de la Red de Procesos Represivos, Empresas, Trabajadores/as y Sindicatos en América Latina (RIProR), que será realizado entre os dias 20 e 23 de maio de 2026 na cidade de Pelotas (RS). Trata-se de um evento promovido pela Red de Procesos Represivos, Empresas, Trabajadores/as y Sindicatos en América Latina (RIProR) em parceria com o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pelotas. Ele busca congregar investigadores e investigadoras vinculados a RIProR, pesquisadores/as, estudantes, ativistas e representantes de movimentos sociais para promover e divulgar o estudo crítico sobre a história recente da América Latina, com foco nas experiências ditatoriais que marcaram a região a partir da segunda metade do século XX, nas estruturas de poder econômico que financiaram tais regimes e nas experiências de resistência e de lutas sociais, fundamentais para a transição democrática vivenciada nestes países.

Objetivo Geral

O evento objetiva oportunizar espaços de reflexão acerca de temáticas como: os processos repressivos no Cone Sul; a complexa atuação de empresas e empresários e sua cumplicidade com a violência no passado e no presente; os processos de resistência e as lutas sociais protagonizadas por diferentes grupos sociais (camponeses/as, povos e comunidades tradicionais, etc); as experiências históricas e contemporâneas de trabalhadores/as e de sindicatos na região; os processo de transição para a democracia e as políticas de memória, justiça e reparação na região; as graves violações de direitos humanos na América Latina, no passado e no presente. Assim, busca não apenas reforçar o compromisso com a memória, a justiça e a reparação, mas também aprofundar a compreensão das estruturas de poder e da violência econômica e política que historicamente moldaram e continuam presentes na América Latina, tensionando os limites de nossas democracias.

Justificativa

A realização do VI Encontro se justifica pela necessidade de aprofundarmos e diversificarmos a pesquisa e o debate acadêmico e público acerca das temáticas pautadas no evento, especialmente no momento histórico em que vivemos, marcado pela ascensão de grupos/partidos de extrema direita, ameaças à democracia e proliferação de discursos autoritários em diferentes países da região. Além disso, cabe destacar a importância da realização deste VI Encontro fora dos grandes centros urbanos, na Universidade Federal de Pelotas, situada em uma área de fronteira, uma vez que permite democratizar o acesso a eventos internacionais na parte Sul do estado do Rio Grande do Sul e qualificar a formação de recursos humanos na área de Ciências Humanas e Sociais na região.

Metodologia

O projeto será realizado a partir de uma articulação entre docentes e discentes da UFPel, que compõem a Comissão organizadora, e demais pesquisadores/as do Brasil, Uruguai, Chile e Argentina. A organização do evento será desenvolvida a partir de reuniões periódicas entre os membros da equipe. Em relação ao evento propriamente dito, a programação foi elaborada conjuntamente, conforme segue:

Quarta-feira - dia 20/5/2026

Manhã (das 8h30 às 12h)
Credenciamento

Tarde (das 14h às 17h30)
Reunião da Red de Procesos Represivos, Empresas, Trabajadores/as y Sindicatos en América Latina (RIProR) / Encontro de Grupos e Projetos de pesquisa vinculados à RIProR

Noite (19h): Mesa de Abertura - A América Latina entre ditaduras e democracias: reflexões nos marcos dos 50 anos do Golpe empresarial-militar na Argentina

Palestrantes: Victoria Basualdo (CONICET/FLACSO - Argentina), Robinson Silva Hidalgo (Universidad Austral de Chile), Sabrina Alvarez (Universidad de la Republica - Uruguai) e Edson Teles (Universidade Federal de São Paulo)
Coordenação: Alex de Souza Ivo (Instituto Federal da Bahia) – só se houver recurso

Ementa: A Mesa de Abertura do evento visa discutir sobre os regimes ditatoriais implantados na América Latina nos anos 1960 e 1970, os processos de transição que se seguiram e a (re)construção da democracia nestes países. O evento ocorre nos marcos dos 50 anos do Golpe empresarial-militar de 1976 na Argentina, e essa efeméride nos provoca a pensar sobre os Golpes de Estado e as regimes ditatoriais na região, bem como sobre seus desdobramentos e permanências no tempo presente. Para isso, reúne pesquisadores e pesquisadoras da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, na tentativa de estabelecer algumas aproximações e diferenças entre as experiências de cada país, bem como pensar sobre os desafios enfrentados em tempos democráticos.

Quinta-feira – Dia 21/5/2026

Manhã (das 8h30 às 12h): Simpósios Temáticos** - Apresentação e discussão de trabalhos acadêmicos

Tarde (das 14h às 17h):

Oficina/Taller 1: Fontes e metodologias de pesquisa sobre processos repressivos, trabalhadores/as e sindicatos
Ministrantes: Lorena Gill (Núcleo de Documentação Histórica/Universidade Federal de Pelotas) e Pablo Ghigliani (Universidad Nacional de La Plata/IdIHCS - CONICET)
Ementa: A Oficina Fontes e metodologias de pesquisa sobre processos repressivos, trabalhadores/as e sindicatos tem como proposta abordar a questão do acesso e manejo de fontes e metodologias de pesquisa. A Oficina parte da experiência dos ministrantes, cujos estudos focam nos mundos do trabalho e na história dos/as trabalhadores/as e do movimento sindical, que é atravessada por processos repressivos, tanto durante regimes ditatoriais quanto em tempos democráticos. Neste sentido, a Oficina visa oportunizar momentos de formação teórica e prática para os/as participantes e problematizar aspectos referentes aos usos e possibilidades de diferentes fontes de pesquisa, bem como discutir sobre questões metodológicas pertinentes a este tipo de acervo temático. Serão oferecidas 3 Oficinas simultaneamente; os e as participantes do evento poderão eleger uma das oficinas para participarem.

Oficina/Taller 2: História pública e divulgação científica
Ministrantes: Clarice Gotardo Esperança (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Gabriel Pereira da Silva Teixeira (UNIFESP/Associação Brasileira de Reforma Agrária)
Ementa: A Oficina História pública e divulgação científica busca oportunizar momentos de reflexão e formação acerca de projetos e ações de divulgação científica e História Pública, a partir da experiência dos dois ministrantes. Trata-se de um espaço para o desenvolvimento de atividades práticas e interativas, que oportunizem o compartilhamento de experiências e a instrumentalização dos/as participantes para a produção de ações focadas na divulgação do conhecimento científico e na História Pública.

17h: Atividade cultural: Monólogo teatral - Subversivas

Noite: Mesa Redonda - As lutas sociais no campo e a ação repressiva privada e estatal: passado e presente

Palestrantes: Silvia Gabriela Nassif (IdIHCS - CONICET), Airton Pereira dos Santos (Universidade Estadual do Pará) e Dinamam Tuxá (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - APIB)

Coordenação: Graciela Bonassa Garcia (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)

Ementa: A Mesa Redonda "As lutas sociais no campo e a ação repressiva privada e estatal: passado e presente" busca oportunizar reflexões acerca das experiência de repressão e resistência vivenciadas pelos povos do campo na América Latina. Tanto durante os regimes ditatoriais como no tempo presente, as disputas em torno do uso e da propriedade da terra tem gerado uma série de conflitos no campo, com dezenas de vítimas a cada ano. Pesquisas recentes tem evidenciado, com maior centralidade, as conexões entre a ação repressiva privada e estatal nestes conflitos. Assim, a mesa busca debater o tema a partir de diferentes olhares e territórios.

Sexta-feira – dia 22/5/2026

Manhã (das 8h30 às 12h): Simpósios Temáticos ** - Apresentação e discussão de trabalhos acadêmicos

Tarde:

14h - Painel de Diálogos I - Os (des)caminhos das políticas de memória, justiça e reparação na América Latina

Painelistas:
Alejandra Esponda (Huellas Digitales de la Memoria - Argentina)
Janaína de Almeida Teles (UEMG/Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos - Brasil)
Magdalena Garcés Fuentes (Londres 38 e Museu Memoria Neltume - Chile)
Rodrigo Loza (Intersindical Direitos Humanos - Argentina)
Sebastião Neto (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas – Brasil)
Suzana Lisboa (Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos - Brasil)
Coordenação: Rodrigo Lentz (Comissão de Anistia – Brasil)

Ementa: Este Painel visa oportunizar espaços de diálogo e reflexão junto a atores da sociedade civil, vitimados, entidades de direitos humanos e movimentos sociais. Trata-se de sujeitos com vasta experiência na proposição e na construção de políticas de memória, verdade, justiça e reparação para pessoas atingidas pelas políticas repressivas das ditaduras vigentes nos países do Cone Sul. A participação dessas pessoas é de singular importância, uma vez que compartilharão um tipo específico de conhecimento, impossível de adquirir por meio de pesquisas ou leituras, qual seja, o conhecimento proveniente da prática, historicamente negligenciado. Nesse sentido, nossa proposta se alinha ao campo de estudos sobre ação coletiva que concebe os movimentos sociais como produtores de conhecimento (EYERMAN E JAMISON, 1991; CASAS, CORTÉS, OSTERWEIL e POWELL, 2008; NIEMEYER, 2014), razão pela qual decidimos dedicar o devido espaço aos representantes de entidades e dos movimentos sociais na programação do evento.

16h - Painel II - Os (des)caminhos das políticas de memória, justiça e reparação para as populações do campo

Painelistas:
Antônio Leonel Rodrigues Soares (Federação das Comunidades Quilombolas do Rio Grande do Sul)
Cláudia Claudia Calvo (Familiares de víctimas de Masacre de Napalpi en el Chaco - Argentina)
Francisco das Chagas da Silva Vasques (Associação dos Atingidos da Gleba Cidapar)
Gilney Vianna (Comissão Camponesa da Verdade)
Maria Salete Campigotto (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/Rio Grande do Sul)
Rita de Cássia Vidal Vasques (Associação dos Atingidos da Gleba Cidapar)
Coordenação: Halyme Ray Franco Antunes (DEMCA-Ministério do Desenvolvimento Agrário)

Ementa: Este Painel visa oportunizar um espaço de escuta e reflexão junto a atores da sociedade civil, vitimados, entidades de direitos humanos e movimentos sociais com atuação junto aos povos do campo, dando sequência às discussões iniciadas no Painel I. Busca-se, assim, estabelecer uma interlocução privilegiada com sujeitos com vasta experiência na proposição e na construção de políticas de memória, verdade, justiça e reparação para pessoas e grupos sociais vítimas de graves violações de direitos humanos ocorridas no meio rural em nosso passado recente.

Noite: Mesa de Encerramento - Responsabilidade empresarial, violações de direitos humanos e reparações (im)possíveis: passado e presente

Palestrantes: María Alejandra Esponda (FLACSO-UNAJ), Gabriele Abreu (Instituto Marielle Franco) e Edson Luís de Almeida Teles (CAAF-Universidade Federal de São Paulo)
Coordenação: Monica Piccolo Almeida Chaves (Universidade Estadual do Maranhão)

Ementa: Esta mesa visa oportunizar um espaço de discussão em torno do tema da cumplicidade/responsabilidade empresarial por graves violações de direitos humanos, bem como sobre os limites e os contornos das políticas e propostas de reparação. Nos últimos anos, tanto no Brasil quanto na Argentina, várias ações judiciais buscaram responsabilizar empresas envolvidas em episódios de violações de direitos humanos durante os regimes ditatoriais. Estas ações fizeram emergir um debate mais mais amplo sobre as políticas de memória, justiça e reparação, tendo em vista a dimensão dos danos causados por tais empresas. A Mesa busca discutir, de forma mais aprofundada, sobre as concepções e propostas de reparação que tem sido objeto de discussão e disputa neste cenário recente.

Sábado – dia 23/5/2026

Manhã: Saída de Campo: Assentamento Conquista da Liberdade (MST) – Piratini (RS)

Indicadores, Metas e Resultados

No que se referem às metas e resultados esperados, estes se relacionam com a possibilidade de ofertar espaços de discussão qualificados acerca dos temas centrais do evento (democracia, ditadura e direitos humanos). Neste sentido, como indicadores apontamos a participação de pessoas no evento e o envolvimento de representantes de entidades e movimentos sociais na sua realização.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALESSANDRA GASPAROTTO6
DARLISE GONÇALVES DE GONÇALVES
LORENA ALMEIDA GILL40
RYAN DOS SANTOS CARDOSO
VANESSA MORAIS DORNELLES
WILIAN JUNIOR BONETE42

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