Nome do Projeto
Antropologia e Educação: diversidade e cidadania
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
15/06/2026 - 31/12/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Educação / Direitos Humanos e Justiça
Linha de Extensão
Metodologias e estratégias de ensino/aprendizagem
Resumo
O projeto procura explorar as possíveis contribuições das áreas de Antropologia e Sociologia para a abordagem de temas transversais em práticas pedagógicas do Ensino Fundamental e Médio, com ênfase na educação das relações étnico-raciais (Leis 10.639 e 11.645), violência e direitos humanos (Resolução CNE/CP nº 1/2012) e educação ambiental, com foco nas mudanças climáticas (Leis 9.795/1999 e 14.926/2024). Pretende-se, por meio de ações específicas construídas em colaboração com comunidades escolares interessadas, aproximar a universidade desses importantes ambientes, contribuindo para a construção conjunta de conhecimentos que valorizem a diversidade humana e a formação de princípios de cidadania que contemple a coexistência de perspectivas de mundo diversas.

Objetivo Geral

Estreitar e potencializar as articulações entre universidade e escolas, especialmente no âmbito das áreas de Antropologia e Sociologia, colaborando com a comunidade escolar na abordagem de temas sensíveis à convivência cidadã na sociedade contemporânea, como: racismo, sexismo, misoginia, mudanças climáticas, violência, xenofobia, dentre outros que se apresentarem relevantes.

Justificativa

Esta proposta de trabalho tem por objetivo fortalecer as ações de reparação e reconhecimento no âmbito da educação, relativas às relações étnico-raciais, consoante a Resolução Nº 1 de 17 de junho de 2004 do Conselho Nacional de Educação. Assim como, fortalecer práticas educativas direcionadas para o respeito da dignidade humana, no sentido de reconhecer as profundas contradições constitutivas da sociedade brasileira e que se fazem sentir, inclusive, no ambiente educacional, gerando situações de discriminações e exclusões que contribuem para a violação dos direitos humanos e fundamentais básicos, conforme salientado pela Resolução Nº 1 de 30 de maio de 2012 do Conselho Nacional de Educação.
Considerando que o direito à um meio-ambiente não degradado também vem se somando, nas últimas décadas, ao rol de direitos humanos e fundamentais, o presente projeto avança para o assessoramento na implementação da Lei 9.795 de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, assim como sua atualização na Lei 14.926 de 2024, que incide sobre a importância da abordagem das mudanças climáticas, desastres socioambientais e proteção à biodiversidade.
Resta enfatizar a pertinência de se abordar tais temas (relações étnico-raciais, direitos humanos e mudanças climáticas) à luz de um olhar antropológico, uma vez que esta área do conhecimento incide sobre a diversidade humana, manifestada por meio dos mais diversos marcadores de diferença e alteridade. Estudos recentes apontam o quanto as mudanças climáticas, decorrente de formas predatórias de relações com o ambiente, afetam, sobretudo, grupos racialmente vulnerabilizados, gerando o racismo ambiental. Assim como, a preservação de modos de vida particulares, por parte dos mais diversos coletivos, como um direito humano, reverbera na não dissociabilidade entre sociodiversidade e biodiversidade. A antropologia, apoiada na sociologia, permite um olhar abrangente sobre esses temas, permitindo que sejam abordados nas suas devidas conexões.
A escola é uma das instituições basilares da socialização humana na sociedade contemporânea, justamente por isso, precisa estar alinhada à uma perspectiva de desconstrução de formas de relações que geram menosprezo à determinados segmentos sociais, estejam elas ancoradas em marcadores de raça, gênero, classe, religião ou outros. O preconceito e discriminação raciais possuem raízes profundas no imaginário brasileiro, e decorrem tanto de um infeliz legado do escravismo colonial, como de interesses do presente, relativos à manutenção de privilégios socioeconômicos e políticos do segmento branco da população, historicamente consolidados (SILVA Jr., 2002; GOMES, 2017).
A presença de preconceitos e discriminações em um ambiente em que crianças e adolescentes estão constituindo sua subjetividade e identidade pessoal, assim como suas competências para a inserção social futura de maneira digna, contribui para o aprofundamento da coletivização de traumas e sofrimentos psíquicos. Contribui, ainda, para a reiteração de desigualdades e estereótipos que o ambiente escolar deveria estar comprometido em desconstruir: crianças e jovens menosprezados, porque racialmente marcados, possuem menos oportunidades de inserções futuras, o que significa que permanecerão ocupando posições na base da pirâmide social em razão da escolarização precária. Reitera-se, desse modo, o estereótipo de que são incapazes ao exercício de funções e papeis que exigem competências intelectuais. Fecha-se, dessa forma, o ciclo pernóstico que articula racismo e desigualdade socioeconômica.
Educar para o respeito mútuo, assim como ao ambiente que sustenta a nossa vida planetária, constitui uma necessidade que deve abarcar todos(as) os(as) envolvidos(as) no ambiente escolar, independente da faixa etária e da posição ocupada (se educadores ou educandos). Se constitui em um pré-requisito para a construção de uma sociedade democrática em que todos(as) estejam comprometidos(as) com a promoção de direitos, tanto quanto, com as responsabilidades e deveres relativos à construção de uma vida social comum minimamente equitativa. É com esse intuito que a equipe do projeto pretende se colocar à disposição de instituições educacionais abertas à cooperação mútua.

Metodologia

O marco metodológico geral ancora-se na pesquisa-ação e antropologia colaborativa (GARRABÉ, 2022), pois procura-se conhecer e compreender como determinados temas são abordados e vivenciados no âmbito de comunidades escolares específicas, mas contribuindo de forma prática para o diálogo intercultural e uma educação inclusiva, assim como, para a formação de um senso crítico sobre situações problemáticas vividas no contexto atual.
Neste sentido, alguns procedimentos e técnicas serão acionados, como: 1) Dinâmicas de discussão coletiva, com participação tanto de integrantes da comunidade acadêmica como de pessoas representativas dos temas trabalhados e que atuem em movimentos sociais, organizações civis, órgãos públicos, etc; 2) Contação de histórias; 3) Oficinas temáticas; 4) Uso de audiovisuais; 5) Visitas guiadas à espaços que proporcionem reflexões sobre os temas trabalhados, como museus, unidades acadêmicas, espaços públicos e sociais, etc. 6) Práticas de pesquisas ou criações conjuntas com os estudantes e professores da rede educacional sobre temas de interesse; 7) Mediação de ações e projetos de outras áreas do conhecimento presentes dentro da universidade junto a estes espaços educacionais; 8) Realização de questionários ou grupos focais para apreender melhor o que integrantes da comunidade escolar estão pensando sobre determinados temas.

Indicadores, Metas e Resultados

No tempo de vigência do projeto, pretende-se alcançar os seguintes resultados:
- Realizar no mínimo 10 dinâmicas ou rodas de conversa sobre relações étnico-raciais, temáticas ambientais e direitos humanos em escolas públicas ou grupos atendidos pelos Centros de Referência de Assistência Social;
- Realizar no mínimo 10 exibições de audiovisuais sobre relações étnico-raciais, temáticas ambientais e direitos humanos em escolas públicas ou grupos atendidos pelos Centros de Referência de Assistência Social;
- Realizar no mínimo 10 contações de histórias em escolas públicas ou grupos atendidos pelos Centros de Referência de Assistência Social;
- Constituir um arquivo de materiais de referência sobre os temas abarcados pelo projeto (documentários, filmes, livros, brincadeiras, jogos, etc.) e dinâmicas para potencializar o seu uso.
- Realizar no mínimo 10 encontros da equipe para a discussão de textos de referência e materiais de base para a realização das atividades.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DETINHA DJÚ
LARISSA DE OLIVEIRA MANSKE DE VASCONCELOS
LEONOR MÁRA RODRIGUES DE RODRIGUES
MARIANA BRAUNER LOBATO
NILZA MORAES DUARTE
REJANE ANTUNES MONTEIRO
ROSANE APARECIDA RUBERT6
THAINARA PEREIRA DE SOUZA

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