Nome do Projeto
Arqueologia e Arte: diáspora africana e patrimônio cultural
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/08/2020 - 01/08/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Cultura / Direitos Humanos e Justiça
Linha de Extensão
Artes integradas
Resumo
O projeto englobará uma série de ações arqueológicas, museológicas e artísticas visando a criar narrativas anti-racistas. Está alicerçado em projeto de pesquisa arqueológico sobre diáspora africana em Pelotas e região. E, ademais, em experiência prévia com criação de narrativas arqueológicas e espetáculo de dança afro desenvolvidos pela CIA de Dança Afro Daniel Amaro.

Objetivo Geral

a) Criar narrativas que unam trabalho arqueológico e artes afro em geral;
b) Criar narrativas de valorização da cultura afro;
c) Criar narrativas que discutam racismo estrutural e antirracismo contemporâneo

Justificativa

Arte e arqueologia possuem longa história de fertilizações cruzadas e partilhas. Desenvolvimentos de estéticas e poéticas, com inspiração arqueológica, encontra-se na literatura, na ópera, no cinema. Arqueólogos contemporâneos, contudo, raramente trabalham em sinergia com artistas. Nesse projeto, procurando superar essa lacuna, daremos vazão, prioritariamente, às relações entre o Projeto O Pampa Negro: arqueologia da diáspora africana na região meridional do RS, desenvolvido desde 2010 na UFPel, e a companhia da Dança Afro Daniel Amaro, sediada na cidade de Pelotas.
Temos vasta experiência adquirida com a Dança dos Orixás, espetáculo coreografo e dirigido por Daniel Amaro. Desde 2017, totalizando-se 11 edições , encenamos a Dança dos Orixás na Charqueada São João, palco, também, de nosso trabalho arqueológico.
Integrando-se ao percurso cenográfico da Dança dos Orixás, montamos uma exposição intitulada O Encantamento do Mundo: objetos dos escravizados da Charqueada São João. 2.500 pessoas já assistiram ao nosso espetáculo, no qual frisamos a beleza das culturas africanas e afrodescendentes em Pelotas. Proporcionamos ao público, formado por pessoas de Pelotas e, também, por turistas, o senso estético profundo das culturas afro. Ao acionar no mesmo enredo dança e arqueologia, nossa narrativa enfatiza a poética que nossos antepassados inventaram para encantar o mundo.
Dessa maneira, esse projeto dará sequência a essa experiência que complementará 3 anos.
Temos, inclusive, um novo espetáculo, intitulado A Dança de Ogum.
Esse novo espetáculo, ao contrário da Dança dos Orixás, está plenamente baseado nos achados arqueológicos da senzala da Charqueada São João. Ritmos e movimentos da coreografia, em momentos diversos do espetáculo, representam as cosmogonias relacionadas a Ogum, bem como o trabalho arqueológico e o encontro dos objetos dos escravizados na Charqueada São João. A apoteose do espetáculo é a simulação da descoberta do assentamento de Ogum, conotando-se a profundidade temporal das práticas espirituais afros em Pelotas. O espetáculo, assim, articula presente e passado, narrando a cosmogonia de Ogum desde a África até o assentamento revelado pelo trabalho arqueológico em Pelotas. O espetáculo contará, ainda, com exposição arqueológica. Aproveitaremos, desse modo, a experiência adquirida no espetáculo Dança dos Orixás.
No futuro, pretendemos construir novos espetáculos de Dança, bem como incorporar outros artistas (plásticos, por exemplo) que possam inspirar--se em nosso trabalho arqueológico a fim de ensejar a criação de narrativas antirracistas e obras de valorização da cultura Afrobrasileira.

Metodologia

A metodologia é baseada em etnografia arqueológica e pesquisa comunitária. Trata-se de usar, nas exposições arqueológicas acolchetadas aos espetáculos de Dança Afro, as classificações e interpretações das comunidades Afro locais sobre os materiais arqueológicos revelados por nossas pesquisas.
A linguagem das exposições, desse modo, incorporarão essas interpretações, por meio de linguagem visual e escrita acessível ao mundo não acadêmico.
A relação entre arqueologia e arte, a ser desenvolvida nesse projeto, é um modo de escuta da língua do povo. Isso quer dizer que algumas vozes têm que ser ouvidas mais do que outras. As vozes, práticas e memórias dos que nunca foram considerados importantes, como os afrodescendentes.Essa definição de arqueologia, que a aproxima da etnografia, talvez soe a muitos como populista. Sê-lo-ia se não passasse por filtros críticos, se não refletisse sobre o poder na arqueologia.
a arqueologia que escuta o povo não o trata como a versão pós-moderna do bom selvagem; ela é uma contraposição crítica à ontologia colonialista da modernidade, à construção monolítica e monocórdica de conhecimento, imposto de cima para baixo. Ouvir a língua do povo e saber que ele a inventa é uma forma radical de se fazer arqueologia, uma vez que a disciplina, ainda majoritariamente, é entendida como o estudo do que jaz mudo e silencioso, morto, no passado, com todas as palavras suprimidas. Essa sorte de arqueologia é desconcertante e ofensiva ao povo, e está intimamente relacionada ao controle colonial da vida, humana e não humana.
A arqueologia que escuta o povo não teme o oximoro. Pois escutar o povo significa entender, ainda, que a língua que ele inventa raramente é feita por palavras escritas. É compreender que nós, que fazemos arqueologia, somos logocêntricos e formados no colonialismo epistêmico, que nossos modos de produção do conhecimento são apenas uma parte ínfima da experiência humana. Escutar o povo é fazer arqueologia como forma de reconhecimento de que muitas de nossas habilidades e capacidades de sentir e apreciar coisas materiais e pessoas não vêm das palavras escritas. A arqueologia como modo de escuta preza pelas memórias, materiais e paisagens daqueles que inventam línguas. Primando pela justiça social, ela é um ativismo que consiste em retornar às comunidades marginalizadas a produção e usufruto do patrimônio cultural que é delas, legal e moralmente. É uma arqueologia cuja motivação é a de transformar o mundo num lugar justo para o povo.

Indicadores, Metas e Resultados

Eis as metas e resultados esperados:

a) criação de narrativas antirracistas e críticas ao racismo estrutural;
b) Encenação, em 2021, do espetáculo a Dança de Ogum;
c) Incorporação de artistas negros e negras da cidade de Pelotas, para além da Companhia de Dança Afro Daniel Amaro.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALUÍSIO GOMES ALVES2
JUAN CARLOS PINANGO CONTRERAS
LEANDRO INFANTINI DA ROSA
LEONARDO JOSE PAEZ RODRIGUEZ
LUCIO MENEZES FERREIRA2
NAIANE RIBEIRO ROSA
RITA JULIANA SOARES POLONI2
YARA ALTEZ ORTEGA

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