Nome do Projeto
Laboratório de Virologia e Imunologia Veterinária - Fase 2
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/02/2021 - 31/01/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Eixo Temático (Principal - Afim)
Saúde / Tecnologia e Produção
Linha de Extensão
Saúde Animal
Resumo
O Brasil é um dos maiores produtores de exportadores de bovinos no mundo. No entanto, diversos microorganismos como vírus, bactérias e protozoários causam uma série de enfermidades que reduzem os índices produtivos e reprodutivos dos animais, acarretando redução na lucratividade do setor, com baixo número de terneiros/vaca/ano. Além disso, a presença destes agentes etiológicos no rebanho brasileiro representa restrição à comercialização de bovinos vivos, ou de sua carne, a diversos países importadores. Dentre as enfermidades virais se destacam a leucose enzoótica bovina, causada pelo vírus da leucemia bovina (VLB), a diarreia viral bovina, considerada uma das principais enfermidades que afetam a pecuária, trazendo graves consequências reprodutivas, a rinotraqueíte infecciosa bovina, causadora de abortos, e a língua azul, que causa restrição internacional de movimentação animal e seus germoplasmas. Dentre as enfermidades bacterianas de destaca a paratuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium avium subsp. paratuberculosis (MAP), que pode provocar diarreia, levando a significativas perdas econômicas, como queda no valor do leite e abate prematuro. Neste sentido, este projeto visa a prestação de serviço de diagnóstico sorológico e molecular das principais enfermidades infecciosas dos bovinos, que cursam com problemas produtivos, reprodutivos ou que impeçam a exportação de gado bovino vivo. Além disso, visa ampliar e difundir os conhecimentos a respeito da epidemiologia destas enfermidades. De posse destes dados epidemiológicos, como prevalência, distribuição espacial e na aptidão do rebanho (corte ou leite), o projeto também visa desenvolver e avaliar o desempenho de vacinas contra o vírus da diarreia viral bovina e contra o vírus da rinotraqueíte infecciosa bovina, em rebanhos infectados da região sul do Rio Grande do Sul. Com resultados positivos de sua aplicação, espera-se contribuir para o incremento nos índices reprodutivos de bovinos, aumentando a lucratividade no setor.

Objetivo Geral

Realização de diagnóstico sorológico e molecular de vírus das principais enfermidades reprodutivas e/ou que impeçam a exportação de bovinos, para pequenos e grandes produtores de gado de leite e de corte, bem como para empresas exportadoras de gado, além da avaliação do efeito de vacinas na redução de sua prevalência.

Justificativa

A bovinocultura é uma atividade econômica que ocupa posição de destaque no Brasil, país com o maior rebanho bovino do mundo, somando mais de 200 milhões de cabeças de gado. Além disso, o país é o maior exportador deste tipo de carne, com projeção de 1,9 milhões de toneladas em 2022, reforçando a importância econômica deste setor. Contudo, apesar do destaque no cenário internacional de produção e comercialização de carne bovina, vários fatores, como doenças infecciosas e reprodutivas são responsáveis pela redução dos índices de produção no país. O estudo dos principais fatores epidemiológicos envolvidos e da prevalência destas enfermidades é o primeiro passo para o seu controle e possível erradicação, bem como para a minimização das perdas econômicas. Por outro lado, para o controle destas enfermidades, é fundamental o desenvolvimento e avaliação de vacinas que possam diminuir a sua prevalência.

A eficiência reprodutiva é fundamental para a manutenção da lucratividade nos sistemas de produção animal. As falhas reprodutivas possuem impacto direto promovendo uma diminuição na lucratividade. Frequentemente, a causa das perdas reprodutivas está relacionada à ocorrência de doenças infecciosas, tais como a diarreia viral bovina (DVB), rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) e língua azul (bluetongue), acarretando grandes prejuízos econômicos a pecuária de leite e de corte. A diarreia viral bovina é uma doença causada por um vírus RNA, da família Flaviviridae, gênero Pestivirus. A infecção pelo vírus da diarreia viral bovina (VDVB) pode resultar em uma grande variabilidade de sinais clínicos como aborto e retorno ao cio, presença de eritemas, erosões no aparelho digestivo (doença das mucosas) e trombocitopenia. Quando a infecção ocorre em fêmeas prenhes, antes do feto se tornar imunocompetente, existe o risco de nascimento de terneiros imunotolerantes ao vírus e que permanecem persistentemente infectados por toda a vida. Estes animais são responsáveis pela eliminação permanente de BVDV para o ambiente contaminando outros animais. A infecção pelo VDVB possui distribuição mundial com uma prevalência de anticorpos entre 70 a 80% dos animais e até 80% dos rebanhos bovinos na América do Norte e Europa. No Brasil, em diversos inquéritos sorológicos foram detectados índices de positividade que variaram entre 34,5 e 74,7%.

A rinotraqueíte infecciosa bovina, causada pelo alphaherpesvírus bovino tipo 1 (BoHV-1), da família herpesviridae, ocorre em animais de todas as idades, comprometendo os aparelhos respiratório, reprodutivo e sistema nervoso central. Na forma reprodutiva, os prejuízos são maiores, pois se instalam os quadros de infertilidade, balanopostite e aborto. A situação agrava-se pelo fato do sêmen veicular o vírus, disseminando-o pela inseminação artificial. A ausência de medidas de controle tem facilitado a disseminação da doença em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com incremento nos casos de diagnóstico.

Causada por um Orbivírus, a língua azul é uma doença não contagiosa, transmitida por dípteros do gênero Culicoides, que afeta ruminantes domésticos e selvagens. Considerada re-emergente, causa aborto em vacas, queda do desempenho reprodutivo, perda de condição corporal e redução na produção de leite. Os surtos em bovinos são esporádicos, a morbidade variável (geralmente em torno de 5%) e a mortalidade muito baixa ou nula. No entanto, a restrição internacional de movimentação animal e seus germoplasmas é uma causa importante de perda econômica relacionada ao vírus da língua azul - VLA. Esta enfermidade foi incluída entre as seis doenças com o maior risco sanitário para os rebanhos europeus. No Mercosul, a movimentação do rebanho entre países exige uma análise obrigatória da presença do VLA ou de anticorpos (sorologia) nos animais ou em seus produtos. No Brasil, a presença sorológica do vírus foi detectada em 12 estados da Federação, mas até o momento nenhum programa de prevenção foi implementado.

Além de problemas reprodutivos, outros fatores podem estar envolvidos com a diminuição dos ganhos gerados pela bovinocultura. A leucose enzoótica bovina acarreta prejuízos econômicos relacionados à condenação de carcaças nos frigoríficos, descarte prematuro de animais, custo de diagnóstico e perdas na exportação para mercados que exigem animais livres da infecção. É uma enfermidade causada por um retrovírus, comum em bovinos, prevalente em diversos estados do Brasil e no mundo. O vírus é transmitido de forma horizontal, pelo uso de fômites contaminados como agulhas, instrumentos cirúrgicos e palpação retal. Estudos sorológicos comprovam a ocorrência da enfermidade no país, com índices que alcançam até 54%. Estes estudos são fundamentais para a detecção da enfermidade, uma vez que mais de 95% dos animais infectados pelo vírus da leucose bovina não manifestam clinicamente a doença, embora possam transmiti-la.

Com perdas econômicas estimadas em um bilhão e meio de dólares nos Estados Unidos, a paratuberculose bovina, uma doença intestinal crônica causada pela micobactéria Mycobacterium avium subsp. paratuberculosis (Map), é uma importante causa de perdas econômicas na bovinocultura. Essas perdas devem-se a diminuição da produção, descarte prematuro dos animais, maior susceptibilidade a outras enfermidades, redução na fertilidade e aumento nos custos sanitários. No Brasil a enfermidade já foi relatada em diversos estados. A paratuberculose bovina é caracterizada por diarreia crônica e mal cheirosa, resistente a tratamentos medicamentosos ou de suporte. O processo inflamatório crônico intestinal desencadeia um conjunto de alterações em cascata, produzindo a síndrome de má absorção que pode ser traduzido por diarreia em arco, desidratação acentuada, perda de peso, acidose, sede, fome, ausência de febre, queda brusca na produção de leite, aumento dos casos de mastite, infertilidade, caquexia geral e morte.

Considerando tais aspectos, especialmente aqueles relacionados aos embargos econômicos com a exportação de carne ou gado bovino, bem como a redução de índices produtivos e reprodutivos (e consequentemente da lucratividade) da pecuária de bovinos e corte e leite, é imprescindível o diagnóstico das principais enfermidades infecciosas, tais como a diarréia viral bovina, rinotraqueíte infecciosa bovina, leucose enzoótica bovina, paratuberculose e língua azul. De posse da incidência destas enfermidades nos rebanhos, pecuaristas podem tomar medidas no sentido de minimizar as perdas e aumentar a lucratividade.

Metodologia

O diagnóstico sorológico das principais enfermidades que cursam com problemas reprodutivos nos bovinos, bem como daquelas que servem como barreira à sua exportação, será realizado no Laboratório de Virologia e Imunologia - Labvir, da Faculdade de Veterinária da UFPel. O sangue será colhido por pecuaristas de todo o estado, especialmente da região do pampa gaúcho, bem como por veterinários de empresas que realizam rotineiramente a exportação de gado, e encaminhado ao Labvir. Após a centrifugação, o soro será congelado a -20º C até o momento da realização das análises sorológicas.
A detecção de anticorpos específicos contra os agentes da diarreia viral bovina, rinotraqueíte infecciosa bovina e paratuberculose bovina se dará por um teste imunoenzimático do tipo ELISA indireto, conforme recomendação dos fabricantes.
Resumidamente, para detecção de anticorpos para paratuberculose bovina, os soros serão diluídos 1:12 e, após etapa de incubação de 45 minutos, as placas serão lavadas para colocação do conjugado. Após nova etapa de incubação por 30 minutos e lavagem, se colocará o substrato. A leitura das placas, após 15 minutos deverá se dar a 450nm.
Na avaliação para diarreia viral bovina, 100 µl do soro deverão ser colocados na placa de ELISA e, após incubação por uma hora, seguida de uma etapa de lavagem, acrescenta-se um anticorpo primário biotinilado. Após incubação por uma hora e nova lavagem, acrescenta-se a avidina conjugada com peroxidase. Depois de uma hora de incubação, a lavagem das placas será sucedida pela colocação do substrato. A leitura das placas deverá ocorrer a 450 nm.
Para o diagnóstico molecular do vírus da diarreia viral bovina por qRT-PCR, o RNA viral será extraído das amostras de sangue com kit comercial e, após, o cDNA e sua amplificação será realizada com kit comercial. A interpretação dos resultados se dará de acordo com recomendações do Kit diagnóstico.

A resposta humoral contra infecções pelos vírus da leucose enzoótica bovina e língua azul será detectada por um teste imunoenzimático do tipo ELISA de competição, de acordo com recomendações do fabricante.
Resumidamente, em ambos os casos, os soros serão colocados nas placas sem diluição previa. Após incubação que varia entre 15 e 45 minutos, coloca-se o conjugado e, após nova etapa de incubação, o substrato. As placas para detecção de anticorpos contra o virus da leucose enzoótica bovina deverão ser lidas a 450 nm, enquanto que as de língua azul deverão ser lidas a 630 nm.
Após a realização dos exames sorológicos e moleculares, será emitido laudo indicando a presença ou ausência das enfermidades em questão, que será entregue ao proprietário dos animais. Neste momento, será feita uma análise, com o proprietário, a respeito das medidas necessárias para controle das enfermidades, permitindo que sejam tomadas medidas no sentido de minimizar o seu impacto sobre o rebanho. O mesmo laudo será emitido para lotes de animais destinados à exportação, permitindo às empresas exportadoras, a segregação dos animais positivos, o que é exigido pelo mercado comprador.
As vacinas contra os vírus da diarreia viral bovina e da rinotraqueíte infecciosa bovina serão produzidas no Labvir, com cepas isoladas de rebanhos da região sul do estado, seguindo metodologia conhecida (FISCHER et al., 2007). Após a sua produção, as vacinas serão disponibilizadas a pecuaristas parceiros do Labvir, que farão todo o manejo de vacinação e coleta de material.
A avaliação do desempenho das vacinas será realizada em rebanhos previamente identificados como positivos para estas enfermidades, pelos produtores parceiros. Resumidamente, os animais deverão ser inoculados com três doses de vacina, com intervalo de 30 dias. Nos dias 0, 30, 60 e 90 após à inoculação da primeira dose vacinal, o proprietário deverá enviar sangue dos animais ao Labvir, para mensuração dos níveis de anticorpos gerados com a utilização das vacinas. Além disso, serão acompanhados os índices reprodutivos do rebanho, como taxa de nascimentos, retorno ao cio e aborto, correlacionando-os à utilização das vacinas. Também se fará, juntamente com o proprietário dos animais, um levantamento de outros fatores infecciosos ou não, como doenças e fatores relacionados à alimentação dos animais, que podem estar influenciando nos índices produtivos e reprodutivos.
Por fim, no momento do recebimento das amostras de sangue ou soro no Labvir, será aplicado um questionário epidemiológico que tem como função o conhecimento da realidade local em relação ao nível de tecnificação e manejo dos rebanhos. A qualificação da mão-de-obra utilizada na propriedade também será alvo do questionário. Outros aspectos como a estratificação dos rebanhos bem como o manejo sanitário e reprodutivo também serão contemplados. As informações obtidas com o questionário epidemiológico serão analisadas em conjunto com os resultados dos testes sorológicos.

Indicadores, Metas e Resultados

- determinação da soroprevalência da diarreia viral bovina, rinotraqueíte infecciosa bovina, língua azul, leucose enzoótica bovina e paratuberculose em rebanhos bovinos de corte e de leite;
- desenvolvimento/avaliação de vacinas contra os vírus da diarreia viral dos bovinos e da rinotraqueíte infecciosa bovina, em rebanhos bovinos de corte e de leite, produzidas com cepas locais;
- treinamento de alunos de pós-graduação e graduação;
- realização dos testes sorológicos;
- publicação de artigos científicos em periódico de circulação nacional e/ou internacional.
- chancela para exportação de bovinos de corte;
- redução dos problemas reprodutivos dos bovinos, com a utilização de vacinas contra o vírus da diarreia viral bovina e da rinotraqueíte infecciosa bovina;
- incremento de renda na pecuária de corte e de leite, especialmente da região sul do estado do Rio Grande do Sul;
- redução das desigualdades sociais e estímulo à permanência do homem no campo, através de um sistema produtivo na pecuária, com maior lucratividade.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CLOE SCHIAVON PICH2
GEFERSON FISCHER3
GILBERTO D'ÁVILA VARGAS2
JOSE CARLOS ROSLER SANDRINI2
LEONARDO CLASEN RIBEIRO
MARCELO DE LIMA3
MATHEUS IURI FRUHAUF
MICAEL OLIVEIRA RODRIGUES
NADÁLIN YANDRA BOTTON
PAULO RICARDO CENTENO RODRIGUES2
SILVIA DE OLIVEIRA HUBNER2

Recursos Arrecadados

FonteValorAdministrador
Angus International Exportação de Animais LtdaR$ 1.500.000,00Fundação Delfim Mendes da Silveira

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339018 - Auxílio Financeiro a EstudantesR$ 100.000,00
339020 - Auxílio Financeiro a PesquisadorR$ 300.000,00
339030 - Material de ConsumoR$ 500.000,00
339036 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa FísicaR$ 20.000,00
339039 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa JurídicaR$ 270.000,00
449051 - Obras e InstalaçõesR$ 10.000,00
449052 - Equipamentos e Material PermanenteR$ 300.000,00

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